Alguns jogadores, entre eles os titulares Aranha e David Braz, já encomendaram ação na Justiça contra o Santos pedindo passe livre e os salários atrasados, com as devidas correções. É um direito que têm por estarem há três meses sem receber.

Talvez a situação possa ser contornada com a chegada de seis milhões de reais que o clube, com a intermediação de José Carlos Peres, conseguiu emprestar da Doyen Sports. O dinheiro, que servirá justamente para pagar esses rendimentos em atraso, deverá chegar até terça-feira.

Porém, sem previsão de receitas futuras, o Santos deverá quitar essas pendências apenas para manter o direito sobre os passes dos jogadores, mas terá de se desfazer de alguns deles em seguida para fazer caixa e manter o resto do elenco.

Daqueles de maior salário, a prioridade é manter Robinho. Os outros são negociáveis. Mesmo o ídolo Arouca está na vitrine. Damião deve sair, mas desde que o clube interessado pague integralmente o seu salário de 500 mil reais por mês. Não se pode esquecer que o Santos já paga, mensalmente, o dinheiro que pegou emprestado da Doyen para comprar o passe do atacante.

Não me lembro de ter visto o Santos em tal penúria desde os anos que sucederam a despedida de Pelé. Naquela época, o negócio fracassado do Parque Balneário e a falta de planejamento para viver sem os cachês milionários gerados pelo Rei do Futebol explicavam a derrocada. Desta vez, a culpa é da gestão perdulária e conseqüentemente irresponsável que começou com Luis Álvaro Ribeiro e terminou com Odílio Rodrigues.

Um clube brasileiro de futebol não precisaria ser, mas historicamente tem sido uma empresa deficitária. Não se pode, impunemente, transforma-lo em um grande cabidão de empregos, com salários pelo teto do mercado, como a gestão iniciada por Laor e concluída por Odílio fez.

A política administrativa-financeira do Santos era uma bomba-relógio que um dia explodiria, o que ocorre agora, justo no momento de passar o poder a outra chapa – como se o bagaço da laranja fosse jogado fora depois de produzir a última gota de sumo.

Nesta segunda, a posse e a polêmica eleição do presidente do Conselho

Nesta segunda-feira, às 20 horas, tomarão posse os conselheiros eleitos para o triênio 1015/16/17. Mais do que isso, será eleito o presidente do Conselho, e é aí que surge o primeiro imbróglio.

Nomes naturais para presidirem o órgão, José Carlos Peres e Marcelo Teixeira declinaram do convite. A decisão ficou dependendo de uma reunião entre representantes das três chapas. Porém, como não houve consenso, acabaram saindo duas candidaturas: uma da situação, com Fernando Bonavides candidato a presidente e Florival Barletta à vice, e a outra, resultado das junções das chapas 1 e 5, com Alberto Pfeifer para presidente e Reinaldo Guerreiro para vice.

A questão é que José Carlos Peres, líder natural da chapa 1, a Santos Vivo, queria uma bancada mista, com o candidato à presidente saindo da chapa da situação. Isso, segundo ele, daria maior governabilidade ao clube neste momento em que a prioridade é sair da crise, não fazer política. Porém, sua recomendação não foi ouvida pelos seus porta-vozes, que preferiram juntar-se à chapa de Fernando Silva, a fim de fazer oposição a Modesto Roma.

O que tenho a dizer sobre isso é que cada conselheiro deve agir de acordo com seu senso ético e de justiça, pensando no melhor para o clube e para os santistas, independentemente das orientações de suas chapas ou da presidência do Conselho. Não somos vaquinhas de presépio. Ser conselheiro, para mim, significa doar ideias e trabalho ao Santos, sem pedir nada em troca. Assim, não se pode condicionar nossos atos de agora a uma nova eleição que virá somente daqui a três anos.

Se Peres, segundo candidato mais votado na eleição presidencial, é ouvido e respeitado pelo presidente eleito, que é o que pedimos, por que jogar esse bom relacionamento fora para tomar uma atitude de franca oposição? O momento, acredito, é o de auxiliar essa administração a atravessar a tempestade que se avizinha. Depois, na bonança, voltamos às trivialidades políticas.

Por outro lado, poderíamos perder horas discutindo o que é situação e o que é oposição no Santos. A chapa de Fernando Silva e Laor, responsável pela gestão que levou o clube à situação falimentar que vive hoje, deve ser considerada oposição a um quadro que ela mesma criou?

Na questão financeira, posso afirmar que Marcelo Teixeira, quando presidente do Santos, pagava salários inferiores ao mercado corporativo, enquanto Luis Alvaro/ Fernando Silva passaram a adotar rendimentos acima do teto da cidade de Santos. É evidente qual das duas políticas afundou o clube.

Por coerência, fidelidade e por entender que o momento é de união e paz na tentativa de reconstruir o Santos, dilapidado pelos últimos anos de gestão catastrófica, ficarei ao lado de José Carlos Peres e votarei em Fernando Bonavides para presidente do Conselho. Isso não quer dizer, entretanto, que aprovarei todas as decisões, ou recomendações, de Bonavides. Não quer dizer que aprovarei sequer uma de suas recomendações. Significa apenas que estou dando meu voto de confiança e apoio a esta administração que dirigirá a nau do Santos em meio à tormenta que nos espera.

dossie na saraiva

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