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Dá pra ser campeão sem centroavante?

Com a venda de Zé Eduardo para o Genoa, o santista está se perguntando se dá para ser campeão sem centroavante. E isso nos faz tecer várias considerações sobre o assunto:

Ontem o Santos ganhou do Grêmio Prudente por 4 a 2, depois de conseguir uma folgada vantagem de 4 a 0, e continua na liderança do Campeonato Paulista. E chegou à convincente vitória sem centroavante.

Ao ver Elano fuzilando o goleiro com tanta desenvoltura, no primeiro gol, imaginamos se ele não seria um centroavante mais técnico do que a maioria. Sim, seria. Mas Elano não é centroavante e não vai mudar de posição justo nesta fase de sua carreira.

Teoricamente é possível ser campeão sem centroavante, mas, na prática, quase todos os times que conquistam títulos têm um jogador especialista em ficar na área adversária mandando as bolas para dentro do gol. Em 2010 o Santos teve André; o Fluminense, Fred

Em 2002 desabrochou o futebol de Alberto, que antes e depois daquele ano foi um jogador medíocre, mas que naquela temporada foi para os santistas o que Coutinho, Pagão e Toninho Guerreiro tinham sido. Até gol de bicicleta o rapaz fez. Ao sair do Santos, Alberto nunca mais repetiu seu desempenho naquele ano de graça, e o Santos também passou um 2003 difícil – experimentando jogadores como Fabiano e William –, e só resolveu a questão quando trouxe Deivid de volta, e com ele conquistou o título brasileiro de 2004.

A posição de centroavante não exige só técnica, mas temperamento. É preciso estar disposto a brigar pela bola (e pelo espaço) o tempo todo. Protege-la para quem vem de trás, tentar um ou outro drible e sempre estar atento à possibilidade do arremate. Exige experiência, malícia, personalidade, pois lida-se com zagueiros e goleiros nem sempre amistosos. Enfim, ser um bom camisa 9 não é só questão de fundamento, mas de conhecimento.

Zé Eduardo é um centroavante nato? Não. Assim como Diogo também não é. Zé Eduardo é um meia que cai pelos lados, pode tabelar, penetrar e bater com força e precisão ao gol. Não é, mas tem características de um bom centroavante. Se o Santos não puder contar com ele, e não conseguir ninguém à altura para a Libertadores, o time terá uma lacuna tática difícil de preencher.

Mesmo com Zé Eduardo no time, a verdade é que o Santos sentia a falta de um bom centroavante, já que Keirrison não está sendo. Keirrison marcou muitos gols pelo Coritiba, mas vindo de trás, geralmente acompanhando um contra-ataque em velocidade. Nunca foi um jogador de ficar na área.

Depois de uma contusão séria, parece que Keirrison perdeu velocidade e força muscular. E com isso perdeu também a confiança. Talvez o que falte a ele sejam músculos – e disposição para ficar horas preparando melhor seu físico para os embates na chamada zona do agrião. Mesmo jovem, Keirrison está ficando com fama de jogador acabado para o futebol. Só ele pode sair do buraco em que se meteu. Não é com desculpas esfarradas que recuperará o respeito. Tem de voltar a jogar bola, ou logo estará em um time da Série B, ou C.

Enfim, minha opinião é que dá para ser campeão sem um centroavante, mas – a história prova – a possibilidade é bem maior quando se tem um. Pois ele é aquele que pode pegar pouco na bola, mas, quando pega, pode decidir o jogo. É o que não se apavora diante do goleiro, é o que está acostumado com a sensação de ver a bola entrando na meta adversária. Enfim, é o especialista em mandar a gorduchinha pro fundo das redes.

Então, como não dá para confiar em Keirrison, e muito menos no garoto Dimba, que foi promovido não sei por quê, o Santos precisa, sim, contratar um bom centroavante. A não ser que não leve tão a sério a briga pelo título da Libertadores.

Mas esta é apenas a minha opinião. E você, acha que é possível ser campeão sem um centroavante? Dê e explique sua opinião, por favor.


Veja como o Santos ganhou seu primeiro título paulista, há 75 anos

Há exatos 75 anos, em 17 de novembro de 1935, o Santos conquistava seu primeiro título estadual. E conquistava batendo o Corinthians em pleno Parque São Jorge, por 2 a 0. Vale a pena relembrar essa façanha…

Nos dois primeiros amistosos que fez em 1935, o Santos sofreu duas derrotas: 3 a 2 para o São Paulo e 1 a 0 para a Portuguesa de Desportos, ambos na Vila Belmiro. Como o Campeonato Paulista demorava a começar, deu tempo para se redimir, com vitórias sobre Corinthians (3 a 2), São Cristóvão (2 a 1), Espanha (10 a 1)… Deu até para aceitar um convite para uma excursão ao Rio Grande do Sul, de 12 a 26 de maio, onde venceu Novo Hamburgo (4 a 2) e Riograndense (4 a 3), empatou com o Internacional (1 a 1) e perdeu para Grêmio (3 a 2) e Seleção Gaúcha (3 a 2).

Uma excursão como essa, naqueles tempos de poucas viagens, era tudo que os jogadores queriam. Só que chegaram a Santos no dia 29 de maio e descobriram que a tabela marcava para o dia 2 a estréia contra o Palestra, atual campeão paulista.

Logo de cara, um jogo decisivo, pois se o time tinha alguma pretensão de brigar pelas primeiras posições, deveria vencer o Palestra na Vila. No segundo turno o jogo seria no Parque Antártica e a dificuldade seria bem maior. Sabendo disso e lutando como nunca, o Santos venceu por 1 a 0, gol do centroavante Raul. Bastante modificado com relação à temporada anterior, o time jogou com Ciro, Neves e Badu; Figueira, Ferreira e Marteleti; Saci, Moran, Raul, Logu e Paulinho.

A vitória sobre um dos favoritos ao título animou os santistas, que em seguida venceram também o Espanha, no campo do Macuco (2 a 0), e o Paulista, da Capital, no Parque Antártica (5 a 1). No quarto jogo veio a derrota para o Corinthians, na Vila Belmiro (2 a 1), mas o time se aprumou de novo e venceu a Portuguesa Santista, na Vila Belmiro (3 a 1) e o Juventus, na Capital (4 a 1). Nesta última partida, a que encerrou o primeiro turno, o time ganhou o reforço de Araken, que voltava ao Santos.

Na estréia do segundo turno, outro confronto com o Palestra, desta vez no Parque Antártica. Jogo tenso, difícil, que terminou sem gols. Depois, uma goleada no Espanha, na Vila (4 a 1) e outra no Paulista (5 a 2), também em casa. Mas a Portuguesa Santista complicou as coisas em Ulrico Mursa (3 a 3) e o time depois teve de vencer o Juventus em nervosos 2 a 1, na Vila, para jogar pelo título e pelo empate a última partida, contra o Corinthians, no Parque São Jorge.

Finalmente, o primeiro título paulista estava bem próximo. Mas Bilu, o técnico santista, temia que a emoção traísse seus jogadores, ou que o árbitro, Heitor Marcelino Domingues, pudesse puxar a sardinha para os times da Capital. O Corinthians não tinha chance de ser campeão, mas sua vitória daria o título ao Palestra Itália, mesmo clube que venceu o Santos na Vila Belmiro, em 1927, quando o empate bastaria para que a taça ficasse em Santos.

Bilu, que jogou a decisão de 1927 como zagueiro, jamais escondeu a mágoa pela forma com que o campeonato lhe tinha sido tirado, com uma atuação parcial e cínica do árbitro Antonio Molinaro. Naquele 17 de novembro, no Parque São Jorge, finalmente Bilu teria a chance de, por linhas tortas, saborear sua vingança.

Por felicidade, Bilu pôde escalar o melhor santista para cada posição: Ciro, Neves e Agostinho; Ferreira, Marteleti e Jango; Saci, Mário Pereira, Raul, Araken e Junqueirinha. A boa torcida que subiu de trem para São Paulo fez o time se sentir à vontade, mesmo no campo do rival.

Um grupo de torcedores do Santos que trabalhava na estiva do Porto, cansados de ver o time ser prejudicado pela arbitragem em jogos decisivos, levou galões de gasolina para o estádio do Corinthians. Se o Santos fosse roubado mais uma vez, prometiam colocar fogo na Fazendinha.

Mas não precisaram chegar a tal extremo. Jogando melhor, o Santos venceu por 2 a 0, com gols de Raul e Araken, um em cada tempo. O
título ficou mesmo com o melhor do campeonato. Tanto, que o Santos teve o ataque mais positivo (32 gols) e a defesa menos vazada (10).

Confira a ficha técnica do jogo que deu o primeiro título estadual ao Santos:

Corinthians 0, Santos 2
(Primeiro tempo: 1 a 0).
Campeonato Paulista (jogo que decidiu primeiro título do Santos).
17 de novembro de 1935, domingo à tarde.
Parque São Jorge
Corinthians: José, Jaú e Carlos; Brito, Brandão e Munhoz; Teixeira, Carlito, Teleco, Alberto e De Maria.
Técnico: José Foquer.
Santos: Cyro, Neves e Agostinho; Ferreira, Martelete e Jango; Sacy, Mário Pereira, Raul, Araken e Junqueira.
Técnico: Bilu.
Gols: Raul aos 36 minutos do primeiro tempo; Araken aos 17 do segundo.
Árbitro: Heitor Marcelino Domingues.
Público: 15.000 pagantes.

Quanto era proibido ao Santos ser campeão

Antes de 1935 o Santos teve um período, mais especificamente de 1927 a 1931, em que foi um dos melhores times do país e poderia, naturalmente, ter sido campeão paulista em mais de uma temporada.

Porém, vários fatores contribuiram para que isso não acontecesse. O Santos não só foi prejudicado pelo poder do futebol paulista, como pela intransigência de seus próprios dirigentes. Leia um longo artigo sobre o assunto clicando nesta página: Quando era proibido ao Santos ser campeão

Você sabia alguma coisa deste jogo e do título de 1935? Qual foi o primeiro título que você viu o Santos ganhar?


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