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Ao lado do Divino Mestre Ademir da Guia e do predestinado Basílio, dois craques dos tempos áureos do futebol brasileiro, ontem, no Sesc Belenzinho. Pode reparar que tenho o mesmo biotipo deles. Pode crer que já fiz alguma coisa boa jogando na meiúca (Foto tirada com o Ipad da Suzana).

Estive ontem no Sesc Belenzinho, onde até as 21h30m conversei com os ídolos Ademir da Guia e Basílio. Sala lotada, como se poderia prever. Gente que ama o futebol e respeita sua história. Atmosfera magnífica. Grandes jogadores dos tempos de ouro do futebol. É sempre muito prazeroso falar com eles. Creio que todos gostaram. Agradeço a eles e ao Sesc pelo convite. O mesmo Sesc, há dez anos, me deu a oportunidade de atuar como curador de uma exposição sobre o gol 11.000 do Santos. Essa prática me levou ao sonhado Museu Pelé. Gratidão eterna!

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Pelé fala para as autoridades: “Reconhecimento em vida”

Em uma festa emocionante, pautada pelo respeito e o reconhecimento, o Museu Pelé foi inaugurado domingo, no antigo Casarão do Valongo, centro de Santos. Lá estava o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o ministro dos Esportes Aldo Rebello, o prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa, muitos companheiros de Pelé e, obviamente, Sua Majestade em pessoa.

Pelé já fez alguns milagres na sua carreira. Provavelmente fazer com que o brasileiro aprecie mais os museus, e com eles o conhecimento e a cultura, seja o próximo. Creio que a partir de agora será impossível ir a Santos sem visitar a Casa do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Muita gente trabalhou bastante, e continua trabalhando, para que o belo edifício do Museu seja recheado de peças, informações, fotos e vídeos que contam a vida e a carreira do Rei do Futebol. Certamente serei injusto e esquecerei algumas pessoas das que atuaram na busca e na edição do material de conteúdo para o Museu. De qualquer forma, não podem ser esquecidos:

Aline Ribas, Bruno Ataide, Cássio Frichter, Clero junior, Marco Piovan, Marjorie Medeiros, Mauro Beting, Rogério Zilli, Rafael Aflalo, Roberto Oliveira, Wesley Miranda… E no comando de toda a equipe, o incansável José Eduardo Moura, diretor da AmaBrasil. Sem eles o Museu Pelé teria um belo hardware, mas lhe faltaria o precioso software.

Veja bem: esta pequena lista se refere apenas ao conteúdo. Há, ainda, a equipe de arquitetos, engenheiros e trabalhadores que desenharam e ergueram o Museu, o departamento comercial, a mídia interativa, a parte administrativa, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Santos…

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Vista interna do Museu Pelé

Três atrações em vídeo

Há muitas peças e fotos inéditas no Museu Pelé, mas chamo a atenção para três filmes preciosos que, certamente, vão encantar o apaixonado por futebol. Um deles é a vitória do Santos sobre a Seleção da Tchecoslováquia por 6 a 4, no Torneio Hexagonal do Chile de 1965.

Pelé sempre disse que nesse jogo, realizado em 16 de janeiro de 1965, no Estádio Nacional de Santiago do Chile, teve uma de suas melhores exibições na carreira. Mas nunca havíamos visto alguma cena desta partida, muito menos um dos três gols de Pelé.

Pois nosso trabalho de pesquisa de vídeos, desenvolvido por Wesley Miranda, encontrou minutos preciosos desta partida que os chilenos batizaram de “o jogo do século”. Entre esses momentos está um golaço de Pelé, por cobertura, que lembra muito aquele que marcou sobre Cejas, então goleiro da Seleção da Argentina, em 1970. O mais interessante é que Pelé se lembrou do gol e o descreveu em uma gravação para o Museu. Imperdível!

Outro vídeo importante e raro mostra a Seleção Brasileira goleando o Corinthians por 5 a 0 no seu último amistoso antes de viajar para a Copa da Suécia. Neste jogo, no Pacaembu, Pelé saiu de campo machucado, depois de uma entrada dura de Ari Clemente, e quase fica fora da Copa. Outra cena raríssima desta partida é um golaço de Garrincha, que dribla um jogador corintiano que se esborracha no gramado, dribla também o goleiro e, displicentemente, empurra a bola para o gol.

O terceiro detalhe, também em vídeo, está no breve documentário da Copa de 1950, que destaca um lance jamais percebido: exatamente uma semana antes de marcar o gol fatal contra o goleiro Barbosa, chutando entre este e a trave, o ponta uruguaio Ghiggia tinha marcado um gol igualzinho contra a Espanha, no Pacaembu. Será que se houvesse videotape na época e Barbosa o tivesse assistido, não teria fechado o ângulo e mudado a história do futebol?

Bem, mas a história seguiu seu curso e não podemos dizer que tenha sido ingrata a Dondinho, pai de Pelé, que chorou ao ouvir a derrota do Brasil em um velho rádio que é uma das preciosidades do Museu. Não podemos dizer, também, que esta história tenha sido ingrata a Pelé, que fez da dor da derrota a sua motivação para ganhar três Copas e se tornar o melhor jogador de todos os tempos.

E para você, por que vale a pena conhecer o Museu Pelé?