Com quatro gols de Diego Cardozo, três de Stéfano Yuri e um do zagueiro Naílson, o Santos, que defende o título, iniciou a Copa São Paulo de forma arrasadora, batendo o Alecrim, do Rio Grande do Norte, por 8 a 0. Neilton reforçou o time e teve altos e baixos. O placar só não foi o maior da primeira rodada porque o Flamengo bateu o desconhecido Imagine, de Tocantis, por 9 a 0.

Além de Diego Cardozo, artilheiro nato, é muito cedo para dizer que algum jogador deste time merecerá uma chance na equipe profissional. Isso nos leva à velha questão de como os jogadores das categorias de base são preparados. Será que o clube não poderia fazer um pouco mais para aumentar o índice de garotos aproveitados na equipe principal? Estou certo que sim.

Um dos detalhes que considero essencial, não só para o treinamento dos jovens, mas também dos profissionais, é a preparação especializada para cada posição. Não há treinador de goleiros? Depois que esta função foi instituída, os goleiros brasileiros não passaram a ser muito mais eficientes? Pois o que os clubes estão esperando para terem também treinadores de zagueiros, volantes, meias e atacantes?^

Sempre ouvi, e concordo plenamente, que “a prática leva à perfeição”. Isso serve para o tênis, o vôlei, o basquete, a Fórmula-1, o futebol, e para qualquer atividade na vida. Mesmo que seja uma utopia, a obrigação de um profissional, de um especialista, é buscar essa perfeição o tempo todo. Hoje, porém, a estrutura de treinamento dos clubes de futebol não leva a isso.

No Brasil, um jogador que fique depois dos treinos treinando chutes a gol provavelmente não será visto pelos companheiros como alguém que quer se aperfeiçoar neste fundamento, mas sim como um sujeito que “não sabe chutar”. Ora, a dedicação e a humildade para admitir suas falhas e trabalhar para aperfeiçoá-las tem sido o segredo dos verdadeiros grandes jogadores. Os mais arrogantes geralmente também são os mais relapsos e preguiçosos. Mas, infelizmente, estes últimos são os que têm prevalecido em nosso futebol. Está na hora de mudar essa filosofia.

O momento da carreira de um jogador de futebol de trabalhar intensamente os fundamentos é agora, antes do profissionalismo. Depois, talvez leve sequelas, buracos negros, para toda a vida, tornando-se mais um que “quase” chegou lá.

Como um clube que tem primado por revelar jovens craques, o Santos tem a obrigação de inovar na preparação desses meninos. Instituir o treinamento por posição e, no futuro, o individual, é o caminho natural do futebol do futuro.

Por falar em futuro, o próximo jogo dos garotos na Copinha será quarta-feira, às 19 horas, novamente na Vila Belmiro, contra o Capital, de Brasília. Na preliminar, às 17 horas, o bom Criciúma enfrentará o Alecrim. Na terceira e última rodada do grupo, Santos e Criciúma, que fizeram a final da Copa do Brasil da categoria, deverão decidir o primeiro lugar do grupo.

Você acha que o Santos está preparando bem suas categorias de base? Ou pode fazer melhor?