Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Alexandre Kalil

Contra o Galo, no Pacaembu!

O amigo Esly Juliano, companheiro do Conselho do Santos, corrigiu-me ao explicar que as mudanças dos locais dos jogos, no Campeonato Brasileiro, só podem ser feitas com 10 dias de antecedência. Isso quer dizer que não dá mais para mexer no local do jogo com o Avaí, marcado para este sábado, às 18h30, na Vila Belmiro. Porém, ainda é possível mudar para o Pacaembu os jogos contra a Chapecoense, dia 3 de setembro, quinta-feira, às 19h30, e o jogaço diante do Atlético Mineiro, dia 16 de setembro, quarta-feira, às 22 horas. Nesses dois dias não haverá jogos na Capital.

Para quem, no início do Campeonato Brasileiro, prometeu no mínimo três jogos do Pacaembu e até agora não cumpriu nenhum, o presidente Modesto Roma está em falta com os santistas e os sócios do clube de São Paulo, e deve ao menos marcar os confrontos diante de Chapecoense e, principalmente, Atlético Mineiro, para o estádio municipal paulistano.

Isso não é um favor. Será apenas um sinal de inteligência. Se a Grande São Paulo é a região mais rica e de maior poder aquisitivo da América do Sul e nela vivem mais de um milhão de santistas, trazer um jogo importante para o Pacaembu, estádio que comporta 40 mil pessoas, demonstrará apenas que os dirigentes do clube estão começando a enxergar o óbvio.

Como para o jogo contra a Chapecoense “só” faltam 14 dias e talvez o Santos não seja hábil para pedir essa mudança, eu me contentaria apenas com o jogo diante do Atlético Mineiro. Quarta-feira, 22 horas, são o dia e o horário bem próximos do ideal para apreciarmos esse duelo. Espero que desta vez o presidente Modesto Roma e a diretoria do Santos não nos decepcionem.

Os veteranos e os meninos

Teve gente que não gostou de eu ser paciente com Ricardo Oliveira e exigente com Geuvânio e Gabriel. Ora, há uma diferença entre um jogador consagrado e dois garotos que estão começando e ainda têm muito o que aprender. Em primeiro lugar, se um jogador não consegue proteger a bola e dar um bom destino para ela, ele não terá futuro em time nenhum, muito menos nos melhores. Espero que Geuvânio e Gabriel, os jogadores que mais perdem a bola no Santos, se tornem mais consistentes e regulares. Caso consigam isso, como já possuem velocidade e habilidade (mais Geuvânio do que Gabriel), poderão se firmar no profissionalismo. Do contrário, seguirão marcando passo.

Acredito naquele ditado, que diz: “Quem avisa, amigo é”. Estou avisando, prevenindo para que trabalhem mais a fim de superar suas deficiências e se tornar grandes jogadores. Se preferem quem passe a mão na cabeça, podem escolher, pois o que não falta é bajulador.

Na verdade, o torcedor do Santos precisa ter paciência não só com Ricardo Oliveira, Gabriel e Geuvânio. Além deles, David Braz, Zeca, Thiago Maia e Paulo Ricardo ainda alternam boas e más jogadas. Mas é o que se tem pra hoje. Paciência. Vida que segue…

Outra coisa que os torcedores e os jogadores do Santos precisam deixar de fazer é esperar que Deus vá entrar em campo e ganhar o jogo para eles. Na hora do pênalti, vi Vanderlei ajoelhado e sabia ainda que, se saísse o gol, Oliveira comandaria a prece ao lado da bandeirinha de escanteio. Pô, mas será que se Deus fosse se meter no futebol, ele preferiria o Santos ao Atlético Paranaense, que tem só um título brasileiro?

Se Deus é o destino, ele já fez muito de fazer nascer tantos craques na Vila. Agora, está na hora de a diretoria do clube, comissão técnica e jogadores trabalharem mais. Treinem bastante o chute que não será preciso rezar para a bola entrar. Treinem bastante o passe – viu, seu David Braz – e toda hora haverá um santista na cara do gol. Deixem Deus fora disso!

2005 voltou?

Esta é uma tese sugerida por alguns leitores deste blog. Como se sabe, em 2005 uma série de coincidências envolvendo arbitragens acabaram favorecendo o time que seria campeão brasileiro naquela temporada. Por suspeita de fraude, 11 partidas foram realizadas novamente e isso alterou substancialmente a classificação do campeonato. A cereja do bolo foi o jogo entre o campeão e o Internacional, em que Márcio Rezende de Freitas, aquele, transformou um pênalti para o time gaúcho em falta pró campeão e expulsão de Tinga.

O que estamos vendo nessas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro sugere que aquelas coincidências voltaram. Primeiro, uma sequência de três pênaltis em que a bola na mão foi interpretada sempre de forma a favorecer o mesmo time e a prejudicar o seu concorrente direto ao título. Ainda coincidentemente, o Atlético Mineiro foi presidido até 2014 por Alexandre Kalil, um dirigente que já se colocou publicamente contra a divisão de cotas de tevê pela Globo e a favor da criação de uma liga de clubes, o que contraria os interesses da CBF e da Globo.

Neste domingo, justamente nas duas partidas em que a liderança estava em jogo, o Avaí teve um gol legal anulado quando a sua partida contra o líder estava 1 a 1 e já no segundo tempo. Depois, em Chapecó, o Atlético teve um jogador expulso em lance discutível e no fim, quando empatava em 1 a 1, mesmo com um jogador a menos, sofreu o segundo gol em jogada na qual Apodi levou a bola, escandalosamente, com a mão. Veja os dois lances e diga se não é mesmo muita coincidência que todos os erros de arbitragem sejam a favor ou contra os mesmos times:

Posso garantir que esse Time dos Sonhos está melhor do que o original

Na sexta-feira repassei o texto integral de Time dos Sonhos, com os adendos necessários, e passei o texto para o diretor de arte Clero Junior. Também estamos pesquisando fotos especiais para a obra. Isso quer dizer que, contrariando até mesmo o que eu disse, esse Time dos Sonhos que será relançado nessa campanha de crowdfunding da Kickante, estará mais bonito e mais completo do que o original.

E você poderá adquirir este livro de mais de 530 páginas, muito bem editado e encadernado, por apenas 70 reais. Como presente, ainda terá o seu nome no último capítulo da obra. Estou insistindo para que você entre, porque sei que não irá se arrepender. Eu entraria. Conhecer a história do Santos já me ajudou muito e seu que o ajudará também. Não só nas discussões (civilizadas) sobre futebol, mas para que você tenha uma ideia mais completa do que o nosso Santos representou e representa para este que é o esporte mais popular da Terra.

Garanta o seu exemplar de Time dos Sonhos por um preço promocional. Saiba como clicando aqui.

E então, vamos pedir Santos e Galo no Pacaembu?


Robinho traz alegria e esperança para o futebol brasileiro

Minha coluna de hoje no jornal Metro fantasia como seria o futebol brasileiro se os clubes tivessem de pagar todas as suas dívidas de uma hora para outra e a Globo desistisse de investir nas transmissões.

Futebol na estaca zero. Que ótimo!

Jornal Metro de Santos – edição desta sexta-feira

Robinho traz alegria e esperança ao futebol brasileiro

Robinho voltou. E com ele uma alegria da qual os santistas tinham se esquecido. O rapaz realmente traz ótimas lembranças e ainda significa muito não só para o Santos, mas para o que restou do futebol brasileiro. Este filme do Youtube que postamos ontem mostra jogadas que hoje parecem inacreditáveis. Que jogador brasileiro, além de Neymar, pode fazer aquilo?

Robinho não é só um jogador de extrema habilidade. Tem aquela inteligência do boleiro malandro e debochado, mas que sabe o que é importante para se ganhar um jogo. Qual jogador brasileiro, além de Neymar, repito, tem habilidade, confiança e personalidade para fazer o que Robinho faz em campo?

Kaká é outro ótimo jogador que voltou da Europa, mas voltou com sérias limitações clínicas. Infelizmente, jamais será o Kaká dos bons tempos. Ronaldinho Gaúcho era o jogador de maior destaque no Brasil, mas vai embora em busca do inesgotável pé de meia. Quem sobrou com bola e carisma para ocupar o seu espaço? Diga: tem sete letras.

Aos 30 anos, Robinho ainda é jovem. Não padece de nenhum mal crônico, mantém o físico esbelto, a mesma ginga, e talvez só esteja precisando mesmo da confiança e do carinho que os santistas nunca lhe negaram.

Tenho inúmeras ótimas lembranças de Robinho. Não só de suas atuações extraordinárias nos Brasileiros de 2002 e 2004 e no primeiro semestre mágico de 2010, mas por suas demonstrações de amor ao Santos. Em 2003 estive no CT do Santos para levar exemplares do livro “Time dos Sonhos” a Vanderlei Luxemburgo, integrantes da comissão técnica e, principalmente, aos jogadores. Robinho foi um dos mais felizes com o presente.

Recebeu o livro, todo sorridente, posou para a foto que meu filho Thiago e o amigo dele, o Guilherme, fizeram, e depois deve realmente ter lido aquelas mal traçadas linhas, pois em seu perfil no falecido workut, inscreveu o “Time dos Sonhos” como seu livro favorito. Ao conhecer a história do Santos de cabo a rabo, entendeu melhor o honra de jogar nesse time e jamais permitiu que jornalistas ou dirigentes diminuissem o Santos.

Robinho e Santos é um caso de amor correspondido. Muitos clubes brasileiros já quiseram contratá-lo, mas ele sempre preferiu voltar para a querida Vila Belmiro. Agora, como em 2010, o Santos precisa tanto dele, como ele precisa do Santos. Torçamos para que este novo casamento seja para sempre.

Jornalistas José Calil e Fernando Sampaio apóiam nova divisão de cotas

Já tinha o texto quase pronto quando me deparei com a entrevista do presidente do Atlético Mineiro, Aleandre Kalil, no UOL. O dirigente, que tem demonstrado muita coragem em suas declarações, expõe de uma maneira nua e crua os problemas que a política de espanholização adotada pela Rede Globo estão causando aos clubes brasileiros. Em uma de suas contundentes respostas, Kalil afirma:

“A única coisa que eu espero que seja discutida é a “espanholização” do futebol brasileiro, porque eles só querem passar jogos de Flamengo, Corinthians, Corinthians e Flamengo. Só que a maior audiência da Globo no ano passado foi o Atlético-MG na Libertadores, e nós precisamos entender que acabou essa história de que Corinthians e Flamengo dão audiência. Dão porra nenhuma! Quem dá ibope é quem está na frente e quem disputa títulos. Você acha que alguém vai ver jogos do Flamengo com o time caindo? Você acha que o Flamengo no meio da tabela dá mais resultado para a TV do que o Internacional tentando ser campeão, por exemplo? A Globo deve ter visto isso. Ela se fudeu quando deu 52% da renda para cinco times. Acabou com a praça da Bahia, vai acabar com a praça de Belo Horizonte e vai detonar todas as outras. A Globo está fragilizada porque a audiência está indo para o caralho, e é só isso.”

Percebe-se que as ideias que são divulgadas e discutidas neste blog há mais de três anos finalmente estão germinando por aí. Ainda ontem enviei para amigos jornalistas a proposta que elaborei para a divisão de cotas de tevê. Dois deles já me responderam, apoiando a medida e sugerindo algumas alterações. Foram José Calil, da Rádio Transamérica, muito conhecido entre os santistas por comandar um programa apenas sobre o Santos na Rádio Trianon, e Fernando Sampaio, eclético comentarista da Rádio Jovem Pan. A seguir, transcrevo a íntegra de suas respostas:

Fala Odir,

Já tinha lido sua proposta. É muito boa mesmo. Eu sempre lutei contra essa espanholização que querem implantar por aqui.

Pessoalmente defendo uma proposta mais simples, com os 12 maiores clubes do Brasil recebendo rigorosamente a mesma quantia da TV e com o pagamento de alguns bônus por conquistas. E os demais clubes sendo divididos em categorias inferiores de pagamento de acordo com seu desempenho nos anos anteriores.

Qualquer hora conversamos com calma.

Um abraço.

José Calil

Grande Odir,

É, sou contra a divisão atual, falo isso há um tempo. A espanholização prejudica o futebol, não existe Brasileirão forte sem todos fortes, afinal os maiores clubes já têm, naturalmente, uma receita maior porque vendem mais camisas, ingressos, patrocínios, etc…

Concordo com 50% dividido entre todos. Eu faria o restante pela ordem técnica.

Esta proposta de audiência é complicada. Não acho justo a TV ser obrigada a fazer jogos de clubes que não tem grande audiência. A TV tem suas obrigações e entregas comerciais. Acho justo fazer um mínimo, tudo bem, mas a maioria dos jogos devem ficar na escolha da TV, até porque alguns grandes podem estar fracos e outros disputando título ou rebaixamento.

Agora, o mais importante, FUNDAMENTAL, é negociação coletiva, como fazem as ligas que você citou: Alemanha e Inglaterra. Isso estava sendo feito aqui com o Clube dos Treze, mas em troca de favores (títulos e estádio) os clubes implodiram a negociação coletiva.

Alguns clubes só tiveram aumento na cota graças a entrada da RECORD na parada, caso contrário a Globo não teria aumentado a oferta.

Abs e saudades,

Fernando Sampaio

A situação submissa e inferiorizada de quase todos os times brasileiros diante da Rede Globo já era prevista logo que o Clube dos Treze foi desmantelado e a negociação coletiva foi trocada pela individual. A manobra, que teve Andres Sanchez como instrumento, a médio prazo só beneficiaria dois clubes, como vem ocorrendo. Olha só o que este Blog já dizia em 24/02/2011:

Pode ser o fim do Clube dos Treze ou pode ser o fim do futebol na Globo

E em 25/02/2011:

Negociação individual desvalorizará o Campeonato Brasileiro

E em 04/03/2011:

Negociação individual não deu certo na Europa

E em 24/03/2011:

Santos assina com a Globo e sacramenta sua inferioridade

Parabéns mestre Zito, o mentor do melhor time de todos os tempos


Um belo filme do amigo Wesley Miranda sobre o Zito

Um grande time não se faz só com craques habilidosos, mas sim com líderes natos, que colocam a alma em campo e conseguem passar essa vontade para seus companheiros. O melhor time de todos os tempos teve a sorte de contar com um mentor exigente e destemido chamado José Ely de Miranda, o Zito. Hoje, 8 de agosto, ele completa 82 anos. Nasceu em Roseira, que na época nem era cidade e pertencia à Aparecida do Norte, e desde que chegou à Vila Belmiro, em 1952, aos 20 anos, adotou Santos como sua cidade. Zito marcou 57 gols em 727 jogos pelo Santos, mas seu forte era a marcação, a organização do time, a liderança dentro e fora do campo. Podia-se dizer que era o auxiliar direto do técnico Lula, pois funcionava como um técnico dentro do campo. Ganhou 22 títulos oficiais com o Alvinegro Praiano: 2 Mundiais, 2 Libertadores, 5 Brasileiros (Taça Brasil), 4 Rio-São Paulo e 9 Paulistas, além de inúmeros torneios. Mande sua saudação ao mestre e ele a receberá.

E você, acha que Robinho pode brilhar no Campeonato Brasileiro?


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