Lembra quando afirmávamos, neste blog, que era possível dizer não à Europa e manter Ganso e Neymar no Santos? E que essa rebeldia calculada poderia começar a quebrar o paradigma do futebol internacional, que se baseia na evasão dos craques jovens do terceiro mundo para os clubes europeus?

Quando dizíamos que era, sim, factível, um jogador ser considerado o melhor do mundo, ou estar entre os melhores, sem sair do Brasil? E que a manutenção dos talentos do nosso futebol no País aumentaria os índices da tevê e tornaria a transmissão do Campeonato Brasileiro um valioso produto de exportação?

A experiência de ter trabalhado no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, que começou bastante desacreditado e após dois anos atingiu plenamente o objetivo esperado, me deu a confiança de que, quando a causa é justa, vale a pena insistir nela, vale a pena despertar as pessoas para que acreditem e se empenhem para que ela se concretize.

Neymar ficou. Agora um dos dois grandes desafios é tornar o Santos um dos maiores do mundo. Não só por um curto espaço de tempo, mas de fixá-lo lá, entre os maiores. A outra grande meta, como já adiantou o presidente Luis Álvaro Ribeiro – repetindo, aliás, o que dizemos neste blog há quase dois anos – é acreditar no potencial de crescimento da torcida do Santos e consolidá-la entre as maiores.

Santos muda o status do Brasil

Perceba a importância do artigo abaixo, assinado pelo jornalista espanhol Alfredo Relaño, editorialista do site AS.COM e enviado a mim pelo Charles, santista que vive em Madrid. Considero esta coluna histórica, pois nela Relaño admite que o Brasil não é mais um país de terceiro mundo, que já é uma nação rica, e que foi justamente a atitude do Santos ao não vender Neymar que escancarou essa nova realidade para a Europa. Isso, meus amigos, é fazer HISTÓRIA!

O jornalista escreve: “Brasil ya no es tercer mundo. Brasil crece, va a organizar el próximo Mundial y los próximos JJ OO, hay inversión y optimismo. Todo allí empieza a ser más rico. También el Santos, claro.”

Considero essa declaração a mais importante que se fez sobre o futebol brasileiro, e o Santos, nos últimos tempos. A quebra de paradigma que sonhamos juntos está acontecendo mais rápido do que imaginamos. Agora, leia na íntegra o artigo de Alfredo Relaño:

El Santos consigue blindar a Neymar

Artigo de Alfredo Relaño para o site AS.COM, da Espanha

El Santos ha renovado a Neymar, pagándole cantidades ‘europeas’ y elevando su precio hasta los 70 millones. Al Madrid se le complica la operación. Puede ahora pagar más o esperar hasta 2014, cuando expira este contrato. Florentino está interesado en este jugador, al que Pelé ya considera el mejor del mundo. Y desde luego es un jugador especial, capaz de hacer cosas diferentes, únicas, milagrosas. Jugador de magia, justo lo que le gusta a Florentino para su Madrid. El problema es que empieza a no ser ya tan fácil sacar jugadores de Brasil como lo ha sido hasta ahora. Algo está cambiando.

Precisamente la duda con Neymar es que esas cosas las hace en Brasil y que allí sólo juegan los muy jóvenes, los muy viejos o los que no han sido lo bastante buenos como para salir a otros países que pagan más. Pero ahora el Santos, que no hace tanto que vendió a Robinho y Diego, cierra el cerco en torno a su nueva figura y encuentra medios para retenerle, con un gran contrato lleno de alicientes por ingresos de publicidad. Brasil ya no es tercer mundo. Brasil crece, va a organizar el próximo Mundial y los próximos JJ OO, hay inversión y optimismo. Todo allí empieza a ser más rico. También el Santos, claro.

No hace tanto que el Depor, no uno de los riquísimos de Europa, sino el Depor, se pudo traer a Europa a Rivaldo y Bebeto. Y a Mauro Silva. Y de Brasil salieron también Ronaldo o Ronaldinho, para cuajar en equipos medios (PSV, PSG) hasta recalar en el fútbol mayor. Adriano vino al Inter y Kaká al Milán. Ahora al Madrid le cuesta más de lo previsto sacar a Neymar, lo que me hace temer que el final del eurocentrismo, que se adivina en el horizonte, está más próximo de lo que pensábamos. Brasil empezó por repatriar a sus viejas estrellas, ahora retiene a las emergentes. Me pregunto cómo será el futuro.

Viu como era possível? E ainda virá mais…