Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Se a Seleção surpreendeu, o Santos também não pode?

Não desculpe a falha do UOL HOST

Este blog ficou fora de ar durante todo o dia de ontem, 3 de julho de 2013, devido a uma intervenção inexplicável desproposital do UOL Host, empresa que o hospeda. A alegação parece ser número excessivo de acessos, o que é uma bobagem, pois há blogs no portal UOL com muito mais acessos do que este. Estou analisando a possibilidade de entrar com uma ação de perdas e danos contra o UOL Host, mas eu preferiria que eles fossem apenas competentes e não nos deixassem mais na mão.

A pergunta do título não é minha, mas de Leandrinho, que em sua entrevista coletiva lembrou o exemplo da Seleção Brasileira para defender a ideia de que o Santos pode surpreender nesse Campeonato Brasileiro. Leandrinho é um garotão simples, mas inteligente. Seu otimismo combina com o do experiente Arouca, que acha possível uma vitória do Santos domingo, contra o São Paulo, no Morumbi.

Arouca não faria tal prognóstico da boca pra fora. Ele treina com a garotada, convive o dia a dia desse novo Santos e se acha que o time pode ganhar do tricolor no Morumbi, quem sou eu para duvidar. Só acho que seria um feito enorme, pois o São Paulo é um dos times mais organizados do País.

Olho a tabela e vejo luzes nesse começo de túnel. Depois do São Paulo o Santos terá três jogos em casa contra adversários passíveis de serem vencidos: Crac, de Goiás, dia 10, quarta-feira, às 21h50m, na Vila Belmiro, pela Copa do Brasil; Portuguesa, dia 13, sábado, às 18h30m, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, e Coritiba, dia 21, domingo, às 16 horas, na Vila Belmiro, também pelo Brasileiro.

Quem sabe não é de uma sequência dessas que os Meninos precisam para pegar confiança… Sim, a vitória da Seleção Brasileira sobre a temida Espanha mostrou que realmente não há time imbatível e que – como nós deste blog estamos carecas de saber – não é preciso ir para a Europa para aprender a jogar futebol. 100% Vila Belmirense, Neymar foi o craque das Confederações. Que Neilton, Giva, Gabriel, Leandrinho e os outros Meninos da Vila se inspirem nele.

Por falar em Neymar, fiquei sabendo que na Bolívia o nome mais escolhido para os bebês é o do Menino de Ouro do Santos. Minha simpatia pelo país vizinho, terra do meu amigo Saul Gallegos, aumenta a cada dia. Acho que convencerei a Suzana a passarmos nossa aposentadoria lá.

Quanto à saída de Álvaro de Souza do conselho gestor, não gostei. Era um dos empresários mais experientes e bem-sucedidos a colaborar com o Santos. E tinha espírito democrático, tanto é que demorou, mas atendeu aos leitores deste blog respondendo às nossas perguntas. Sei lá, mas esse comitê está virando um balaio de gatos.

Ah, percebeu que não falei de contratações? Resolvi que no momento é melhor não perdermos tempo com balões de ensaio. Quando os homens do futebol santista resolverem contratar, a gente analisa.

E você, acha que este Santos pode surpreender?


Alvaro de Souza respondeu às perguntas! Há revelações importantes!

Importante membro do Comitê Gestor do Santos FC, Alvaro de Souza finalmente e gentilmente respondeu às 25 perguntas feitas a ele por leitores deste blog. Alvaro me explicou que demorou porque, além de seus muitos afazeres, estava viajando com a mulher em comemoração a 40 anos de casado (eu que só consegui me manter 17 anos no primeiro casamento, admito que completar quatro décadas com a mesma mulher merece uma grande comemoração).

Li as respostas e fiquei com a impressão de que Alvaro de Souza foi o mais sincero que poderia. Mas quem manda neste blog não sou eu, e sim você, amigo leitor e leitora. Peço-lhe, então, que leia as respostas e as comente.

Grupo ainda vai investir 23 milhões no clube

1 – O São Paulo vai cobrar a CBF pela liberação de seus jogadores por servir a Seleção nos últimos 5 anos. O Santos FC vai seguir o exemplo e cobrar aquela entidade também? Alias, li que é um direito dos clubes serem ressarcidos pela convocação de seus jogadores. Se é um direito do clube, o fato de não exercê-lo não configura um prejuízo que deveria ser cobrado dos administradores do clube pelos conselheiros?
Alberto Tavares

O Santos já realizou uma análise destes valores, mas conduzirá este assunto dentro de um cenário de diálogo com a Confederação Brasileira de Futebol. O próprio estudo pela racionalização do calendário do futebol brasileiro, que contratamos no final de 2012 junto ao renomado consultor Amir Somoggi, deve ser visto como mais uma prova de tentativa de diálogo do Santos a favor da melhoria do esporte nacional e em proteção a nossos direitos. Ao mesmo tempo, como dirigentes, temos a responsabilidade de saber que o Clube está inserido em um cenário político importante e que quebras de paradigma, por mais necessárias que sejam, devem ser guiadas de maneira proativa, sem choques. Não temos o direito de sermos irresponsáveis.

2 – Por que o Santos negociou o Ibson um mês antes do fim da Libertadores? Pagamos uma fortuna por ele e o trocamos por dois jogadores meia boca, os quais o SFC não tem mais que 70% de cada. Qual o mistério dessa negociação? Por que não esperar ao menos mais um mês para liberar o jogador?
Marcos Cardoso

Foi uma decisão de consenso entre o Comitê de Gestão e a comissão técnica. A troca aconteceu não apenas por dois atletas, mas por parte considerável do pagamento dos direitos econômicos do Ibson ao Dínamo de Moscou. Na visão da Comissão Técnica, o custo-benefício do atleta era questionável, o negócio surgiu e a decisão precisou ser tomada naquele momento. O Galhardo sempre foi destaque nas categorias de base da Seleção Brasileira e desde 2010 vem sendo observado pelo nosso Clube. Seu desempenho nos jogos que atuou, inclusive este ano contra o Barueri, e nos últimos treinos mostram que adquirimos uma ótima opção para a lateral-direita, que também tem o Bruno Peres.

3 – Durante a campanha, foi amplamente noticiado entre a torcida a intenção de se montar um fundo de investimento que aportaria 40 milhões que seriam utilizados para contratações. Esse projeto realmente existe? Se sim, qual a probabilidade de ele virar realidade num curto espaço de tempo?
Cleidson Rodrigues

O projeto existe e está a poucas semanas de ser efetivamente anunciado, dependendo apenas da aprovação formal da Comissão de Valores Mobiliários(CVM). Mas vale ressaltar que destes R$ 40 milhões, R$ 17 milhões já foram utilizados via Teísa, o que ajudou na manutenção de Neymar e do Rafael, na contratação de Arouca e na vinda do Jonathan, que ajudou bastante na conquista do tri da Libertadores, entre outros atletas.

4 – Sr. Alvaro de Souza, quando teremos, efetivamente, o PELÉ como nosso embaixador, a fim de trazer patrocínios que estejam à altura de nosso sagrado manto?
Marcello Pagliuso

Neste momento estamos negociando a renovação contratual com o Rei. O primeiro contrato, assinado em 2011, previa sua participação na campanha Sócio-Rei e em outras situações pontuais. O novo acordo deve ser mais amplo, mas só poderemos falar mais assim que a negociação estiver concluída.

5 – Sr. Álvaro de Souza, o sr. acha correto o sr. ser conselheiro da CSU (contratada pelo Santos para cuidar dos ingressos dos jogos) e também do Grupo Guia? E procede a informação de que há uma multa a ser pago pelo Santos a CSU caso o clube não chegue a 100 mil sócios em julho/201? Multa por tratar o sócio muito mal não tem?
Gostaria também de saber se o sr. não fosse sócio e quisesse comprar ingressos pra um jogo do Santos na capital, se ficaria 3 horas na fila? Por que tratar o torcedor (cliente) tão mal? Por que apenas 2 pontos de venda funcionando só das 11 as 17 hs? A venda é sempre somente no Pacaembu e Ibirapuera, apenas 1 ou 2 guichês, com imensas filas. Será que a CSU trata os clientes que querem comprar passagens da GOL assim também? Por que é tão dificil implementar a venda antecipada em diversos pontos da cidade, de preferência redes de loja em shoppings, que poderiam vender ingressos até as 22 hs? E pela internet pra quem mora no interior? É difícil? Por que?
Rachid Bourdoukan

É bastante comum no Brasil e no exterior que profissionais de consultoria, como eu, façam parte de vários conselhos de administração. Neste momento, além do Santos FC, sou também conselheiro de administração da Ambev, da Gol e da Duratex. O que o IBGV (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), pelo qual sou certificado como conselheiro independente, recomenda é que ao serem colocados na pauta de reuniões temas que possam causar eventuais conflitos de interesse, o conselheiro que tenha um possível impedimento se ausente da reunião. No caso da CSU e do Santos FC, este foi sempre o meu procedimento. Aproveito para informar que estou acionando judicialmente o conselheiro do Santos que, em uma reunião do Conselho Deliberativo deste ano, foi além de formular uma pergunta absolutamente natural como a sua entrou pelo terreno das ofensas pessoais.
Sobre a venda de ingressos em São Paulo e em outras praças, primeiro é interessante enfatizar que o associado compra pela Internet. E, dependendo do jogo e do estádio, ele é maioria absoluta, o que faz sobrarem menos ingressos para quem não é sócio. E como a procura sempre é intensa para jogos importantes, muitos saem frustrados por não conseguir sua entrada. Mas o objetivo de qualquer Clube é evitar filas e tentar realizar o máximo de venda de ingressos pela Internet. Neste cenário, não se engane: também haverá reclamações daquela parcela de torcedores que possui menos acesso à Internet – acredite, existe ainda muita gente com este perfil. Mas é a tendência e vamos buscar isso.

6 – Com relação ao processo democrático no Santos FC, questiono:
a) Como democratizar a escolha dos membros do comitê de gestão?
b) Como inserir a opinião do torcedor nos processos decisórios do clube?
Fabrício Godoi

Temos um estatuto aprovado em 2011 por mais de 90% dos sócios, considerado um dos mais modernos do Brasil. Restabeleceu um ano de associação para voto, reeleições limitadas a uma e facilitou os critérios para a candidatura de sócios ao Conselho e à Presidência. O sócio continua votando em uma das chapas inscritas. De acordo com este novo estatuto, o presidente e o vice, uma vez eleitos, escolhem entre os conselheiros, também eleitos pelos sócios, a sua equipe de trabalho, que é o Comitê de Gestão. Creio ser esse modelo uma realidade bem democrática, especialmente em comparação com a maioria dos clubes brasileiros.

7 – Quem realiza a contratação de um jogador é o Grupo Gestor? Caso sim, quantos do grupo gestor já praticaram futebol em nível profissional? Por que não consultar os craques da casa e com conhecimento da profissão na aprovação de uma contratação?
O Santos trocou o Elano pelo Miralles ou apenas emprestou? Se apenas emprestou, é verdade que o Santos paga parte dos salários do Elano? Se sim, quanto é?
Quem aprovou a contratação de Patito Rodriguez, Bernardo, David Braz, João Pedro, Ewerton Pascoa, Bill, André, Gerson Magrão, Juan, Henrique e Miralles?
Bruno Guedes

Os atletas são indicados ou contam com a concordância da comissão técnica. O Departamento de Futebol centraliza este trabalho, naturalmente, mas conta com o suporte e a discussão do Comitê de Gestão, que analisa questões pontuais e financeiras. Que eu me lembre, ninguém do Comitê de Gestão já jogou futebol profissional, embora tenhamos alguns bons jogadores amadores no grupo. No entanto, da mesma forma que nenhum dos diretores da Ambev é mestre cervejeiro, que o presidente da Gol não é piloto comercial e que o presidente da Duratex não é engenheiro florestal, em minha opinião é absolutamente natural que nenhum de nós do Comitê de Gestão não tenha sido um craque de bola. Ainda assim, foram seis títulos conquistados em três anos, sem contar o da Copa São Paulo, no início deste ano, com vários atletas jovens contratados ao longo dos três últimos anos – e nenhum de nós, dirigentes, somos ex-atletas.
Sobre Elano, o Santos não paga mais nada a ele ou ao Grêmio. A troca ocorreu e o Clube não tem mais participação nos direitos do atleta.

8 – A GOL passa por um momento dificil. Constantemente apresenta balanços negativos, mesmo sendo a aviação aérea brasileira uma das mais cobiçadas pelo mundo. Recentemente a GOL comprou a Webjet e de cara mandou 850 funcionarios para casa. No Santos, ao contrário, o numero de funcionários cresce a cada dia. Como o senhor explica esse paradoxo? E qual seria o número ideal de funcionários para a estrutura que o Santos tem hoje?
Álvaro Celli

O Santos passa por um momento de profissionalização de suas bases. O número de funcionários aumentou, como aumentou, e muito, a arrecadação e a exposição na mídia. E ela tem aumentado mais à medida em que profissionalizamos mais os Departamentos, o que não significa inchá-los. Como qualquer empresa, faremos constantemente a revisão deste cenário para eventuais adequações, mas este processo de profissionalização do Santos é uma realidade e um processo irreversível. Prova desse processo é, também, o novo estatuto, que extinguiu quase cinquenta cargos não-remunerados de diretoria e os resumiu a sete, que são os membros do Comitê de Gestão.

9 – A diretoria atual lançou à mídia o jargão de “DNA Ofensivo”, “DNA do Santos”. E mesmo assim, mantém um treinador caríssimo, incapaz de motivar o time a disputar o Brasileirão com dignidade, e que não tem NADA de DNA do Santos.
O Santos é um time ofensivo, atrevido. Muricy é retranqueiro, conservador.
O Santos prima por revelar garotos da base. Muricy não usa jogadores da base. Prefere um Bill do que um garoto promissor.
Portanto, a pergunta é simples: como, em sã consciência, o Santos consegue ser tão contraditório e manter este treinador que faz tanto mal para as tradições do Santos Futebol Clube?
Ivan Pereira

Respeitamos sempre as preferências de cada torcedor. Na nossa ótica, Muricy Ramalho tem qualidades e defeitos como nós e como qualquer profissional de qualquer área, mas seu custo-benefício ao Santos tem sido positivo. Com ele, conquistamos dois Paulistas, a tão sonhada Libertadores, após 48 anos de espera, e mais a Recopa. Em quase dois anos, ele tornou-se um dos técnicos mais vencedores de nossa história. Em 2013, temos um ano importante, similar a 2010, e sua experiência será importante para mantermos esta média de, pelo menos, dois títulos a cada ano.

10 – O que faz com que um grupo gestor, composto por pessoas de comprovada inteligência e competência, apoie uma figura como Andrés Sanchez, no episódio da implosão do Clube dos Treze e posteriormente na aceitação dos termos da Rede Globo no que diz respeito as verbas de televisionamento, mesmo sabendo que a aceitação desse contrato signifique a “espanholização” do futebol brasileiro e o “rebaixamento” financeiro definitivo do Santos FC em relação aos “queridinhos” da mídia?
Renato Magrini

As ações estratégicas do Santos FC não são tomadas de acordo com este critério citado por você, Renato. Conforme o mandato outorgado ao Comitê de Gestão, quem traça as estratégias do nosso Clube somos exclusivamente nós, com o apoio do Conselho Deliberativo. Ao contrário de sua afirmação, Flamengo e Corinthians sempre estiveram no primeiro nível dos contratos de televisionamento em função do número de torcedores que têm. Nós estamos, pela primeira vez desde que esses contratos existem, no nível imediatamente a seguir, ao lado de São Paulo, Palmeiras e Vasco. Note que antes de 2011, o Santos estava no terceiro grupo. Mas este é um cenário recente, passível de readequações nas próximas temporadas e, por isso, apostamos fortemente em nosso aumento de torcida, cada vez mais latente com a presença do Neymar no time. Quanto mais santistas nós formos, mais poder de negociação teremos em função do natural aumento do nível de audiência de nossos jogos.

11 – Sou sócio do Santos, n.74896, e gostaria muito de perguntar:
Porque houve aumento brutal do número de funcionários do Santos, sendo criados cargos de luxo?
– Ainda gostaria de pedir mais transparência, tão falada em campanha, e saber o salário dos gerentes do clube e dos membros do comitê de gestão, que, diga-se de passagem, gastam duas a três horas semanalmente em uma reunião.
Marcos Lúcio de Sousa

Não temos ‘cargos de luxo’. O que temos, hoje, é um cenário de profissionalização, como já explicado anteriormente. Sobre salários, é óbvio que não existe possibilidade de informarmos quanto ganha um gerente, atleta ou qualquer funcionário publicamente. Não seria ético e nem juridicamente responsável de nossa parte revelar. Sobre o Comitê de Gestão, fica fácil responder: nada. Presidente, vice e membros do Comitê de Gestão são atividades não remuneradas no Clube. Além disso, por experiência própria, posso garantir-lhes que os membros do Comitê de Gestão não ‘gastam apenas duas ou três horas semanalmente em uma reunião’. Todos nós dedicamos muito mais tempo ao Santos em reuniões externas com patrocinadores, dirigentes esportivos, bancos, fornecedores, etc. Em tempos de Internet, telefones celulares e vídeos-conferências, é impossível concluir quantas horas nos dedicamos sem custo e por absoluta paixão à causa e transformar o Santos em um clube maior e melhor em todos os sentidos.

12 – Por que diretoria praticamente escorraçou ídolos do passado, como Zito e Clodoaldo? Apenas por terem colaborado com a diretoria anterior?
Shigueyuki Motoki

Acredito que o nobre santista esteja bastante mal informado. Zito e Clodoaldo são ídolos eternos do Santos, com presença frequente na Vila Belmiro e no CT Rei Pelé em festividades, homenagens e eventos. Ambos foram homenageados diversas vezes nos últimos anos, especialmente em 2012, época do Centenário. Zito, recentemente, recebeu uma homenagem especial pelos seus 60 anos de Santos FC. Uma coisa é não trabalharem mais no Clube; outra coisa é serem desrespeitados. Há uma distância tremenda e não aceitamos, de modo algum, esta acusação. O Santos FC tem o privilégio de ter uma série de ídolos eternos que respeitamos profundamente e que nos inspiram na busca de vitórias, tanto dentro do campo como fora dele.

13 – Quanto Neymar onera os cofres do Santos? Dos três milhões por mês que Neymar ganha, quanto sai dos cofres do Santos?
Dionisio Rodrigues Martins

Como já afirmei anteriormente, não podemos comentar quanto o Santos paga para cada atleta. Não se trata de falta de transparência, mas de um preceito básico que rege a relação entre empregador e empregado no Brasil. Ainda assim, creio que o termo ‘onera’ não é correto. Ou alguém acredita que o investimento e o esforço do Santos em manter este craque é oneroso, que o custo-benefício não é positivo?

14 – Por que foi abandonada a política de pagar salários seguindo o teto máximo estipulado pela diretoria?
Reginaldo Evaristo

Porque ganhamos muitos títulos. Quando isso acontece, o elenco se valoriza e o padrão de salários e de direitos de imagem aumenta. Este é um fato curioso: ano passado, o próprio Odir Cunha nos criticou porque nossa folha de pagamento, em sua ótica, era baixa para quem queria ser campeão brasileiro. Ele se baseava em informações de um veículo de Comunicação, que, aliás, não estavam corretas. Por outro lado, somos criticados por quem acha a folha alta demais. Como gestores, temos que respeitar as condições do mercado de atletas profissionais e procurar o equilíbrio. Há um limite de responsabilidade fiscal que precisamos seguir para manter o Clube equilibrado no longo prazo.

15 – Por que, justamente em um momento tão importante de aprovação de contas e orçamento para o ano seguinte, somente o sr. corintiano Henrique Schintler estava lá na reunião do Conselho e nenhum membro do grupo de gestão do Santos, presidente, vice, ou o responsável pelo futebol Felipe Faro estavam presentes? Seria medo de encarar as perguntas dos conselheiros? Esse fato não demonstrou um descaso dos senhores com relação à administração do clube?
Luis Pereira

O Conselho Deliberativo é um órgão soberano e independente e para a presença dos membros do Comitê de Gestão nas reuniões do Conselho, é necessário que haja um convite formal da Mesa Diretora. Na reunião a que o senhor se refere, a pauta exigia apenas o parecer do Conselho Fiscal para três assuntos de natureza financeira e, por consequência, nenhum membro do Comitê foi convidado a estar presente. Já fomos convidados e estivemos presentes a inúmeras reuniões do Conselho, inclusive na primeira de 2013. Pode estar certo que falta de coragem, com todo o respeito, não é uma característica pessoal, muito menos coletiva do Comitê de Gestão. Estar voluntariamente à frente de um Clube que herdou gravíssimos problemas de toda ordem de gestões passadas é, inclusive, um exemplo de coragem. Aproveito para citar, novamente, o novo estatuto e o processo de redemocratização do Clube nestes últimos anos, uma vez que é difícil recordar quantas vezes nos últimos 12 anos o Conselho Deliberativo teve uma atuação tão calorosa e de cobrança junto à diretoria executiva, algo que, na essência, sempre deveria ter acontecido.

16 – Sr. Alvaro, pelos números amplamente divulgados pela imprensa, o SFC avança em números de torcedores em quase todo país (principalmente mulheres e crianças). Ainda assim não percebemos ações agressivas de marketing para manter esse torcedor ativo no quadro associativo do clube. A GOL invadiu o mercado de viagens aéreas com promoções e estratégia de “conquista de clientes em fidelidade”. Por que com a marca Santos não se consegue fazer a mesma coisa?
Aladio de Souza

O Santos não teria nenhuma condição de avançar em número de torcedores se as ações de Marketing e Comunicação fossem ruins. Elas podem e devem avançar, concordo, mas hoje poucos Clubes no Brasil ativam tanto a marca quanto o Santos. Claro que a campanha irregular no Campeonato Brasileiro do ano passado diminuiu nossa exposição após um primeiro semestre com título paulista e semifinal de Libertadores, mas, se você lembrar, a própria imprensa classificou o Centenário do Santos FC como o mais marcante dos últimos anos no Brasil.
Além disso, embora seja muito claro que o esforço enorme que fizemos em manter o Neymar no Clube nos dá uma grande vantagem competitiva no terreno esportivo, é inegável que, do ponto de vista de Marketing, a permanência da nossa Joia atrai para a marca Santos um nível de exposição e atração de novos torcedores/sócios de gigantesca dimensão. Hoje ele é uma fonte valiosíssima de incremente de torcida santista, como mostra recente pesquisa realizada pela Stochos, mostrando que temos 20% mais torcedores do que tínhamos em 2010.

17 – Sr. Álvaro de Souza, qual é a atual relação entre Santos e DIS? Sei que Neymar ainda é vinculado a eles. Ouvi dizer que, apesar de todo o litígio, tem jogador recém-chegado na base que pertence a DIS. Continuaremos a negociar com quem demonstrou ser danoso aos interesses do Santos FC?
Sergio Pacheco

A DIS, hoje, detém direitos econômicos de alguns atletas da base e outros que já estão no profissional. Importante ressaltar que em muitos casos esta empresa é representante do atleta e é com ela que teremos que sentar e negociar a renovação de um contrato ou aumento salarial. Quem determina qual pessoa ou qual empresa será sua representante legal é o atleta, não o Santos. Na antiga gestão, a DIS adquiriu 40% dos direitos econômicos de Neymar junto à família do jogador. Mas estes direitos não significam gestão da carreira ou qualquer tipo de força ou pressão no atleta. Atualmente, não temos mais negociações com este grupo.

18 – Em que está baseado o planejamento do clube para 2013? Ainda haverá comemorações pelo Centenário, já que neste ano, que seria o mais importante, não se viu nem a metade do foi prometido?
Olivar de Souza Cunha

O que prometemos para o Centenário cumprimos. Fizemos uma série de eventos: um jogo contra 100 crianças na Vila Belmiro, um show para 50 mil pessoas na praia de Santos, ‘paramos’ a Câmara Federal por um dia, em Brasília, na maior audiência da história da TV Câmara, lançamos longa metragem premiado, vários livros – sendo que o 100 anos de futebol arte, assinado pelo Odir Cunha, vendeu mais do que o livro do nosso arquirrival Corinthians -, obras de arte, incentivamos e apoiamos uma série de encontros ao redor do Brasil, sem contar a repercussão na imprensa – nunca houve tantos cadernos especiais em jornais e revistas em homenagem a um Centenário como neste. Não ter vencido a Libertadores frustrou um pouco o nosso torcedor, é natural. Mas ainda teremos outras ações, sim, focando o Centenário. Além disso, uma questão muito importante: em 2012, fundamos algumas bases que vão possibilitar um Santos forte e competitivo nos próximos 100 anos. Refiro-me ao processo de profissionalização do Clube, ao novo modelo de gestão que estamos empregando este ano, ao novo estatuto. Alguns sacrifícios financeiros que fizemos e estamos fazendo, renegociando dívidas, vão trazer grandes notícias para sócios e torcedores em breve e possibilitar um Santos perene, que é o nosso grande objetivo. Não podemos viver de altos e baixos.

19 – O presidente e o vice do Santos são remunerados? Os membros do Comitê Gestor também recebem cachês para participar das reuniões? Se a resposta for positiva, quem os paga?
Odir Cunha

Resposta já fornecida. Não há qualquer cachê.

20 – Por que não há um estudo sério para se traçar um plano de trabalho – técnico, tático, físico – da base ate o profissional? Por que os profissionais da área não são contratados para seguir o que o clube impõe e não para cada um trabalhar de acordo com seus métodos pessoais? Não é possível criar etapas a serem concluídas em cada divisão, podendo assim, desde cedo, trabalhar as características essenciais do que chamamos de DNA santista?
Rafael Vassão

Atualmente, metade de nosso elenco profissional é composto por atletas da nossa base. No fim de 2012, fomos campeões sub-20 paulista, vencendo o São Paulo por duas vezes, campeões do sub-13 e acabamos de conquistar a Copa São Paulo jogando um futebol ofensivo, sem volantes com características apenas de marcação, por exemplo. Esta característica está cada vez mais clara em nossas categorias de base e as pessoas que as acompanham podem atestar este fato. Isso não significa que não precisamos avançar. Em termos de estrutura, tão logo tenhamos a Certidão Negativa de Débitos (CND), que estamos na eminência de conseguir, buscaremos fontes alternativas de recursos para um novo CT para a base, que já está em nossos planos.

21 – Por que o comitê gestor não se preparou, sabendo que o Santos perderia o Neymar em convocações na Seleção e este não reforçaria o time para se classificar para a Libertadores em 2013? Por que de tanta falta de planejamento no segundo semestre de 2012?
Clayton Silvestre

O Santos FC contratou uma série de atletas este ano. Alguns desempenharam um bom futebol. Outros, não. Outros se machucaram. Trouxemos Fucile, Galhardo, David Braz, Bernardo e todos estes, por exemplo, se machucaram a serviço do Santos, demorando um longo tempo para voltar. Sem contar a contusão do Edu Dracena, que é nosso líder dentro de campo, e outras contusões menores de outros atletas, mas que também atrapalharam a nossa temporada. Adiciono aí as convocações seguidas não apenas do Neymar, mas do Ganso, enquanto estava aqui, Arouca e Rafael. Não são desculpas, são fatos. Não à toa estamos trabalhando proativamente pela racionalização do calendário do Futebol Brasileiro. É inadmissível que um time que faz o sacrifício que fizemos seja penalizado, sem poder contar com seus craques principais em boa parte do principal campeonato nacional do País. Para 2013, nosso elenco já se mostra mais forte, mais preparado para a temporada inteira.

22 – Quais promessas de campanha chegou-se à conclusão de que não poderão ser cumpridas?
Qual é a real política de contratação possível se a base não for suficiente: craques de ponta ou jovens promessas que podem render dividendos no futuro?
Claudio S. M. Simões

A grande maioria das promessas de campanha foram cumpridas, até porque não fizemos muitas. O nosso slogan era ‘O Santos pode mais’. Nos 10 anos anteriores, havíamos conquistado quatro títulos. Nos últimos 3 anos de nossa gestão, conquistamos seis. Aí já é uma demonstração de que estávamos certos. Mas, como afirmei, queremos um Santos perene por mais 100 anos, não apenas um time forte por uma temporada. É o que estamos buscando e construindo. A política de contratações é a mescla de jogadores consagrados, como Montillo e Marcos Assunção, com promessas como o Renê Junior, que encaixou muito bem no time já neste início de ano.

23 – Sr. Alvaro de Souza, o que o sr. acha do superintendente de esportes do SFC tirar férias p/ viajar até o Japão ver o seu time de coração disputar o mundial de clubes em uma época onde mais se trabalha no futebol brasileiro, devido a contratações e dispensa de jogadores p/ composição do elenco 2013?
Francisco Passos

Acharia um absurdo se fosse verdade. É uma mentira deslavada. Sugiro, Francisco, que você tome cuidado com quem publica esse tipo de coisa, pois pode estar interessado em qualquer coisa, menos no bem do Santos. Sempre é importante relembrar que dentro do processo de profissionalização do Santos, os superintendentes são os dois cargos executivos mais importantes, portanto muito cobiçados, o que acaba gerando intrigas e mentiras. Foram contratadas pessoas do mercado, sem nenhum vínculo político com o Clube.

24 – Sr. Álvaro, será que já não passou da hora de discutir-se profundamente a construção de uma nova arena para o nosso glorioso? Tudo o que ouvimos atéhoje não passou de breves comentários, boatos e tal… E já vou dando a minha sugestão de local: Diadema, pois fica no meio do caminho entre a Capital e a Baixada Santista, além de estar próxima do Rodoanel, o que facilita também a vida dos santistas do interior.
Anderson Leandro de Oliveira

Posso afirmar que este é um dos assuntos mais discutidos pela nossa gestão. É um negócio de grandes proporções que, por isso mesmo, não irá acontecer da noite para o dia. O presidente Luis Alvaro quer, até o fim de sua gestão, deixar este assunto encaminhado. Temos alguns estudos de viabilidade financeira sendo conduzidos e temos noção de que precisamos de uma alternativa à nossa sagrada Vila Belmiro.

25 – Qual é a quantidade exata de funcionários do clube na área administrativa hoje? E quantos funcionários o Santos tinha quando a Resgate assumiu?
Carlos Laureano

Quando a atual gestão, eleita com o apoio de alguns grupos – entre eles, a Resgate – assumiu o Clube, eram 103 funcionários, incluindo terceirizados, para um faturamento de R$ 60 milhões/ano. Hoje, temos 131 funcionários para um faturamento previsto para 2012 de R$ 204 milhões. Explica-se esse aumento de funcionários, por exemplo, pela existência, hoje, de uma área de Gestão de Carreira com quatro funcionários, que não existia em 2009 (vejam quantos patrocinadores conseguimos para o Neymar); um crescimento de seis pessoas na área de Marketing e Comunicação, que correspondem ao aumento de Receitas mencionado acima; a reestruturação da área de TI, entre outros.

Como você analisa as respostas de Alvaro de Souza?


A verdadeira história de Robinho e a chance de Nenê voltar

O curinga Lima me disse que quando o goleiro Gylmar tomava um frango, o time todo ficava mais tranqüilo, porque a partir daquele momento sabia que o “Girafa” fecharia o gol. Um erro despertava em Gylmar tal determinação que não deixava passar mais nada. Depois de ter dado a “barriga” sobre a contratação de Robinho, o mínimo que devo fazer é explicar direitinho como foi a reunião e contar o histórico desse interesse do Santos por ele. Além, é claro, de nunca mais confiar em notícias de terceiros.

Sim, confesso que confiei na informação e no feeling de um jornalista do Gazzetta dello Sport, uma publicação tradicional, que no dia 3 de abril completará 117 anos! Não é desculpa, porque estamos carecas de ver casos no Brasil de jornais que anunciam contratações e elas não se concretizam. Mas não queria fazer isso no nosso blog. Fiz. Mas, como o grande Gylmar, prometo que neste jogo dificilmente voltarei a tomar um frango. Pode escrever aí.

Por que Robinho não veio

O vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, foi muito confiante para a reunião, na sexta-feira à noite, com o vice-presidente do Santos, Odílio Rodrigues, e o membro do comitê gestor Álvaro de Souza. O dirigente milanês confiava que as diferenças entre os valores pedidos pelo Milan e por Robinho, e a oferta do Santos, seriam equalizadas sem maiores problemas. Isso provavelmente fez com que passasse uma visão muito otimista a alguns jornalistas italianos.

Na verdade, segundo apurei neste sábado, o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, não fez nenhuma proposta por Robinho. O único clube brasileiro que fez uma proposta concreta pelo Rei do Drible foi o Santos. E qual foi ela? Cerca de sete milhões de euros em três parcelas anuais e, em um esforço descomunal, um salário de R$ 800 mil ao Robinho.

Porém, o Milan, irredutível nos dez milhões de euros, não aceitou. Robinho também não abriu mão de um salário de R$ 1,1 milhão, R$ 100 mil a mais do que ganhava em 2010, quando estava voltando para a Seleção Brasileira e era nome praticamente certo para a Copa do Mundo, a ser disputada meses depois.

Para facilitar as coisas em 2010, naquele semestre em que defendeu o Alvinegro Praiano, Robinho fez três comerciais – para Seara, Volkswagen e Rexona – que ajudaram o clube a quitar cerca de 20% dos seus salários. Hoje é diferente. Ele precisa lutar para voltar à Seleção e o grande garoto-propaganda do futebol brasileiro, como sabemos muito bem, é outro Menino da Vila.

De qualquer forma, quem acompanhou de perto a reunião de sexta-feira sentiu que se o Milan baixasse a pedida, talvez Robinho consentisse em reduzir sua pretensão salarial. Porém, diante da inflexibilidade do clube italiano, o jogador também não aceitou ganhar menos. Isso realmente complicou a negociação, pois um salário de R$ 1,1 milhão obrigaria o Santos a pagar um total de R$ 1,8 milhão por mês, somados todos os encargos.

O negócio não está totalmente descartado, mas agora a tendência é de que Robinho continue jogando no Milan pelo menos mais seis meses. Em junho os valores deverão cair e o Santos voltará à carga para trazer de volta o Rei da Pedalada. O negócio só não se concretizou desta vez porque o Milan e Robinho estão pedindo valores que não condizem mais com a forma técnica e física do ex-santista.

O interessante é que em julho do ano passado Robinho até toparia vir ao Santos por R$ 800 mil mensais, mas o empecilho era o alto preço pedido pelo Milan: 15 milhões de euros. Em dezembro, quando o Santos voltou a procurá-lo, Robinho disse que estava valorizado, com muitos clubes interessados nele, e que o salário teria de ser R$ 1,1 milhão.

Profissionalismo é profissionalismo, mas, para um garoto que nasceu em São Vicente e só foi revelado no futebol devido ao Santos – que cometeu a “loucura” de colocar um time de Meninos para disputar o Brasileiro de 2002 –, Robinho não fez qualquer concessão ao time que diz amar ou às suas origens nesse episódio que poderia trazê-lo novamente para os braços da torcida que o adora.

Nenê ficou de dar a resposta neste domingo

Pensei até em levar a informação de Nenê para o título, mas confesso que fiquei meio traumatizado com o “furo” de ontem. O certo é que a possibilidade de Nenê vir é bem maior. O jogador pediu R$ 5 milhões de luvas e salários de R$ 500 mil. O Santos ofereceu menos. Não me pergunte o quanto menos. Não sei.

Só sei que Nenê prometeu que daria uma resposta neste fim de semana que termina neste domingo à noite. Com 31 anos, este atacante canhoto nascido em Jundiaí em 19/07/1981 já teve uma boa passagem pelo Santos em 2003, quando disputou a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Na oportunidade, Nenê fez 25 jogos e marcou oito gols pelo Alvinegro Praiano.

Revelado pelo Paulista de Jundiaí, Nenê jogou pelo Palmeiras, Santos, Mallorca, Alaves, Celta de Vigo, Monaco, Espanyol e Paris Saint-Germain, onde está atualmente. Marcou 49 gols em 113 jogos pelo time francês.

O que eu acho? Creio que Nenê só virá se não encontrar nada melhor. Ele ainda está estudando propostas de outros clubes. Porém, algo me diz que o negócio pode dar certo. O fato de já ter 31 anos e de ter passado boa parte da carreira em times médios e pequenos da Espanha não valorizam o seu passe.

Vêm aí as respostas de Álvaro de Souza

O assessor de imprensa do Santos, Arnaldo Hase, garante que Alvaro de Souza não se esqueceu da gente. Nesta semana que entra, segundo Arnaldo, o importante membro do comitê gestor do Santos deve responder as 25 perguntas enviadas por leitores deste blog.

E você, acha que Nenê dirá sim? E o que diz de Robinho?


Mentiras sobre Neymar, contratações, perguntas ao Alvaro de Souza

Sexta-feira passada, 28 de dezembro, em que a Espanha comemorou o “Dia dos Inocentes”, uma espécie do nosso “Dia da Mentira”, o jornal Sport, da Catalunha, região em que se localiza a cidade de Barcelona e, conseqüentemente, o time de mesmo nome, publicou uma entrevista com Neymar pai, em que ele teria dito que após a Copa de 2014 o filho irá para a Europa e, provavelmente, para o time catalão. Como para muitos formadores de opinião do Brasil mentira ou verdade é a mesma coisa, a “entrevista” teve grande repercussão por aqui.

Bem, eu já escrevi várias vezes que o que é bom para o futebol europeu não é bom para o Brasil. A ausência de Neymar não será ruim apenas para o Santos, mas também para o futebol brasileiro, que já começa a ter uma visibilidade que incomoda os europeus.

Com Neymar mais crianças e adolescentes gostarão do futebol e as competições internas serão mais valorizadas, darão mais ibope e tornarão o Campeonato Brasileiro um produto mais caro e mais requisitado pelo mercado internacional. Sem Neymar, tudo será mais árido, mais difícil, mais pobre.

Mas um pool de empresas patrocinadoras, o próprio Santos e, quem sabe, a Rede Globo – que teria um show de melhor qualidade para vender – podem impedir que o maior astro do nosso futebol vá embora. É só querer. Neymar é uma atração que se paga. Perdê-lo para o mercado espanhol será constrangedor em uma época na qual o Brasil tem uma economia mais forte do que a do país ibérico.

O bumbo e a gaita

Não se espante com o sub-título acima, falarei de contratações. Não dizem que um bom time de futebol joga por música? Pois falemos de jogadores-instrumentos. Veja que por mais que gostemos e respeitemos o grave desempenho do bumbo, sabemos que o tal não consegue solar uma canção. Fica naquele bum-bum o tempo todo.

Por outro lado, há os instrumentos harmônicos, como o violão, o piano, a harmônica (ou sanfona), a gaita de boca, que acompanham, solam, fazem o baixo. Estes se bastam, podem, sozinhos, dar um recital. É deste jogador-instrumento que o Santos precisa. Por isso, entre Robinho, Montillo e Nenê, sou obrigado, como alguém que entende música de ouvido, a preferir o argentino. Mas há pontos a ponderar…

Montillo não é um meia prendedor de bola e distribuidor de jogo, como seria o substituto ideal de Ganso. É mais um ponta de lança, como Robinho e Nenê, mas não tem, para o santista, um décimo do carisma de Robinho. O ideal seria mesmo Riquelme, se estivesse em plenas condições clínicas. E, mesmo que não fosse para atuar em todas as partidas, e aceitasse um salário menor, eu chamaria Marcos Assunção para conversar. Está na hora de o Santos transformar faltas na entrada da área em gols.

Há 20 dias enviamos 25 perguntas a Álvaro de Souza

Importante membro do comitê gestor do Santos, Álvaro de Souza recebeu 25 perguntas desde blog no dia 10 de dezembro, portanto, há 20 dias. Como explicou o assessor de imprensa do Santos, Arnaldo Hase, as respostas deveriam demorar mesmo algum tempo, já que Souza é conselheiro de várias empresas importantes – entre elas a problemática Gol – e só depois de cumprir seus compromissos de final de ano com essas empresas é que se debruçaria sobre as perguntas enviadas pelos santistas deste blog.

Continuamos aguardando pacientemente pelas respostas. Sugiro que da mesma forma que presta contas às outras empresas para as quais trabalha, Souza deveria encarar essas respostas como uma prestação de contas à gigantesca comunidade de santistas que ou lê o blog, ou acaba sabendo dos temas tratados aqui.

Para alegrar o domingo, trago uma homenagem dos compositores Ricardo Peres e Bio Peres – e muitos intérpretes de valor – à alegre, orgulhosa e irreverente cidade geradora de craques. Veja e ouça “Santos, obra-prima da mãe natureza”:

E você, o que acha disso tudo?


À espera de um plano para 2013…

Promoção de Natal

Este blog está com uma Promoção de Natal única, que envolve todos os livros de sua livraria virtual. Além de presentes duradouros e relativamente baratos, os livros preservam a história – e os santistas sabem muito bem como isso é importante.
Entre as obras ofertadas estão os três livros do Centenário do Santos; o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959; os dois que falam dos títulos mundiais de 1962 e 63; Pedrinho escolheu um time; Sonhos mais que possíveis, com histórias de superação de atletas olímpicos, e O barqueiro de Paraty, romance dedicado à vida simples pregada pelo fisósofo Epicteto.
Para mim, livros nunca representaram despesa, e sim investimento. Além do prazer duradouro de lê-los, eles nos trazem o conhecimento essencial para analisar os fatos da maneira mais isenta possível.

Com tantas informações desanimadoras, acho que a única coisa que o santista quer nesse final de ano é ouvir os planos da diretoria para a próxima temporada. Basicamente o torcedor quer saber como será o time e quais suas pretensões em 2013. O tetra Paulista? A luta pelo título brasileiro?

É sempre bom ouvir planos, mesmo que no fundo não acreditemos muito neles. Planos, projetos, trazem esperança, e ao menos a ela o santista tem direito. Mas o marasmo está assustador…

Está mais do que evidente que a lua de mel entre a diretoria e o técnico Muricy Ramalho terminou faz tempo. É como um casal em que a mulher não abandona o lar para não perder a pensão, e o marido não dá o fora para não perder a guarda dos filhos. Então, ambos vão empurrando com a barriga.

O Santos não tem dinheiro para contratar nem o William José e continua pagando mais de 700 mil pilas por mês para um técnico aposentado que ao invés de pijama veste o agasalho do time.

Eu? Continuo à espera das respostas do Alvaro de Souza. A assessoria de imprensa já me garantiu que elas virão, mas não precisou quando. Afinal, o Santos viaja em céu de brigadeiro se comparado a outras empresas aconselhadas por Souza (a Gol, por exemplo, atravessa uma tremenda nuvem negra…).

Ficamos assim. Não temos nada de realmente novo. Só nos resta torcer, do jeito que cada um quiser e para quem quiser. Sem o Santos, o futebol se torna vazio e os times, apátridas, não significam nada.

E você, que notícia boa espera para 2013?


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