Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: alvinegro praiano

Hoje tem Neymar x Lucas, o duelo dos novos tempos

Neymar é mais técnico, mais cerebral, mais habilidoso. Se fosse comparado a um jogador do passado, talvez estivesse mais para Zico, ou mesmo Pelé. O são-paulino Lucas é explosivo, rápido, musculoso, está mais para Jairzinho, o Furacão na Copa de 70. Dependendo do dia, um poderá reluzir mais do que o outro. Veremos como se sairão hoje. O atacante tricolor estará na sua casa, ao lado de um Luis Fabiano que reencontra seu futebol. Neymar tem Borges como parceiro, mas este não anda bem. Melhor confiar nas tabelas e nos passes de Paulo Henrique Ganso.

Santos e São Paulo jogarão completos. Ótimo! Mas o Santos terá uma baixa, pois Juan, que ainda pertence ao tricolor, não poderá atuar contra seu time. Com isso, Fucile deverá jogar na lateral-esquerda e Maranhão ou o garoto Paulo Henrique entrarão na direita. Ou seja, este será o ponto fraco da defesa do Santos e por aí o São Paulo insistirá em busca de seus gols.

Os dois times já tiveram uma ótima relação, até que o presidente Juvenal Juvêncio cismou de querer menosprezar o Alvinegro Praiano. O tido saiu pela culatra. Nos últimos anos o tricolor vive uma fase de coadjuvante, enquanto o Santos se destaca como o melhor time do País e campeão da Libertadores.

No Campeonato Paulista, o São Paulo tem apenas um ponto ganho a mais que o Santos. A vitória será importante para deixar um dos dois garantido entre os quatro mais bem classificados.

Confrontos entre Santos e São Paulo

Por Wesley Miranda

Santos e São Paulo já se enfrentaram 268 vezes, com 91 vitórias do Santos, 63 empates e 114 vitórias do São Paulo. O time alvinegro marcou 381 gols e sofreu 439.
Devido ao longo jejum de títulos estaduais do São Paulo (57 a 70) o primeiro encontro em Brasileiros aconteceu só em 67 no Robertão, que independia de critérios de classificação. Em brasileiros foram 53 jogos com 19 vitórias do Santos 12 empates e 22 vitórias do São Paulo. O peixe marcou 66 e sofreu 71.

Confrontos por competições
Total: V, E, D (do Santos)
Campeonatos Brasileiros (1959-2011): 19, 12, 22
Robertão (1967-1970): 1, 3, 0
Nacional (1971-2011): 18, 9, 22
Paulista: 47,41,68
Rio-SP: 8, 3, 9
Sulamericana: 1,1,0
Amistosos e : 16, 6, 15
Outros Torneios

Pelé o soberano
Com 31 gols no confronto, o rei do futebol é o artilheiro soberano do confronto. Mas o número até pode ser maior, em 1957 o combinado Santos/Vasco jogou contra o São Paulo e empatou em 1 a 1 com gol de Pelé. Apesar do confronto ter acontecido com a base e o uniforme santista, o jogo não é dado como oficial.
Excluindo esse jogo, Pelé jogou contra o São Paulo 45 vezes. O soberano Pelé marcou 4 gols na vitória de 6 a 3 do dia 03/09/1961pelo Paulista (uma das maiores exibições do rei dentro das dezenas de belas jogos) e marcou 3 gols na vitória de 6 a 2 em 07/03/1962 pelo Rio-SP
Foram 18 vitórias contra 10 derrotas e 17 empates.
Empate na vice artilharia entre outra duas lendas, Pepe e Coutinho! O bomba, Pepe tem uma história particular do confronto contada logo abaixo.
O gênio Coutinho marcou 3 gols na vitória de 4 a 1 no dia 16/12/1961. O jogo foi valido pela última rodada do certame é o Santos já entrou como campeão e recebeu as faixas dos jogadores são paulinos! Reparem na foto do rei recebendo a faixa na lista de artilheiros

Década a década
A grande diferença nos números do confronto, se da nos anos 40, quando o forte São Paulo de Leonidas da Silva venceu 17 dos 25 jogos da década, enquanto o Santos venceu apenas 4 partidas e empatou as outras 4.
Nos anos 50, equilíbrio, com 19 vitórias Peixeiras contra 18 tricolores e 4 empates. Nos anos 60, o Santos de Pelé oprimiu sua supremacia vencendo 14 jogos contra apenas 5 do São Paulo e 11 empates. Nos anos 70, o equilíbrio voltou a ser a tônica do clássico com 14 vitórias para cada lado e 11 empates. A terrível década de 80 fez o Santos voltar para os primórdios do confronto. O São Paulo venceu 17 vezes contra 5 do Santos e 8 empates. Na ótima década de 90 são paulina, o confronto também foi favorável, mas não tão gritante. Em 40 jogos, 9 vitórias santistas contra 17 tricolores e 14 empates.
No novo milênio, ligeira vantagem santista, 17 vitórias contra 14 vitórias do time do Morumbi e 9 empates.
O Santos perde em números de confrontos para o trio de ferro, porém, ganha dos três no primeiro confronto e no retrospecto de finais direta!!

Os primeiros encontros
O primeiro confronto entre o São Paulo FC que foi fundado em 1935, foi no ano seguinte em um amistoso na Vila Belmiro. O atual campeão paulista, Santos venceu por 2 a 0 com gols de Raul Cabral e Antenor.
Em Paulistas também foi em 1936 e também na Vila. Nova vitória santista, essa mais dilatada, 4 a 0 com gols 3 gols de Zé Carlos e 1 do ídolo Mario Seixas!!

Fim do jejum
Depois de 12 anos de jejum de títulos oficiais o Santos voltou a conquistar um torneio em cima do SPFC. A Taça Cidade de São Paulo de 1949.
Era um torneio disputado entre os 3 primeiros colocados do Paulista do ano anterior, portanto o São Paulo campeão de 48, o Santos vice e o Ypiranga disputaram em um turno o torneio. No primeiro jogo, empate entre Santos e Ypiranga por 2 a 2 no dia 15 de Maio de 1949. Na decisão deu Santos contra o São Paulo, 2 a 0 gols do arquiteto da bola Antoninho Fernandes e Juvenal

O 1º Bi campeonato
O Santos venceu o Paulistão de 56 em um jogo extra contra o SPFC no dia 03/01/1957. O rival abriu o marcador aos 9 minutos, mas o defensor Feijó empatou para o Santos aos 27′. Porém, aos 40′, o artilheiro Zezinho apareceu para colocar o SPFC na frente novamente. No segundo tempo,o técnico Lula mudou bem a postura do time para anular Dino Sani, e aos 13 minutos,o ponteiro Tite empatou. Aos 24′ Del Vecchio virou o jogo e o mesmo Del Vecchio garantiu o título com o 4º gol! Disputado desde 1936, o jogo só ganhou a alcunha de Sansão em 56.
O apelido foi dado por Thomas Mazzoni do jornal a Gazeta Esportiva depois dos grande embates do certame daquele ano.

Pepe, o goleiro bomba
Se o maior goleador do confronto tem fama de ter vestido a camisa número 1 do Santos por 4 oportunidades, o vice artilheiro Pepe também se aventurou no gol. E foi em um Santos x São Paulo em 1960, e o Peixe só precisava de um empate com o São Paulo no Morumbi para comemorar o título antecipado. O lance inusitado aconteceu já perto do seu final. O zagueiro tricolor Gonçalo, deu um chute no estomago de Pelé, então Zito e o goleiro Laércio foram para cima do jogador, com socos e pontapés revidando a agressão ao Rei, o juiz expulsou os dois e Pepe terminou aquela partida no gol. O Santos perdeu por 2x1e deixou o título ainda em aberto.

O 1º Tri
O título do Paulista de 62, e primeiro Tri Paulista do Santos, veio após a vitória frente ao vice São Paulo por 5 a 2 com gols de Dorval (2) Coutinho, Pelé e Pepe! O Santos conquistou o título com 3 rodadas de antecedência, e ainda terminaria com 11 pontos de vantagem frente aos vices São Paulo e Corinthians.
O Cinquentenário santista foi o ano mais glorioso que um time de futebol possa desejar! Quadriplice coroa com os títulos Paulista, Brasileiro, Libertadores e Mundial!

O último Tri
A conquista do último Tri Paulista da história, começou com o certame de 1967, decidido em um jogo extra contra o São Paulo no dia 21/12/1967. O Peixe venceu por 2 a 1 com gols de Toninho Guerreiro e Edu prolongando a fila do rival de espera de títulos, que já durava 10 anos!
E o Santos selou o Tri com a conquista do título de 1969, no empate com o time do Morumbi por 0 a 0, o último confronto do Quadrangular com o 4 grandes.

Do outro lado
Na partida valida pela Taça Governador do Estado de 1976 o primeiro gol são paulino foi marcado por Muricy Ramalho e o segundo por Serginho Chulapa. Duas figuras bem conhecidas e queridas da torcida santista. O jogo terminou 3 a 3. Marcaram para o Peixe, Toinzinho, Claudio Adão e Marçal.

Os Meninos da Vila
Além do futebol alegre, ofensivo, envolvente e surpreendente, qual é a semelhança das três gerações de Meninos da Vila?
O São Paulo FC!!
Nenhum time sofreu mais nas mãos das três gerações que o time do Morumbi!
Entre 78 e 79 quando aconteceu a disputa do Paulistão de 78, foram 7 jogos com 3 vitórias do Santos, 2 do São Paulo e 2 empates e o surpreendente título da geração do técnico Formiga, apesar de um certo equilíbrio nos números, o time Juary, Pita, Nilton Batata, Aylton Lira dava show no rival!
Na surpreendente conquista do Brasileiro de 2002, o Santos do técnico Emerson Leão enfrentou o time do São Paulo 3 vezes, perdendo “injustamente” a primeira partida na 1ª fase e vencendo as outras duas decisivas nas Quartas! O oitavo colocado da primeira fase, eliminou o favorito primeiro!
Na última geração, sob o comando do técnico Dorival Jr na conquista do Paulista de 2010 foram 3 jogos e 3 vitórias. A duas últimas valida pela semifinais, vitória de 3 a 2 no Morumbi e 3 a 0 na Vila
Vamos ver então um show de Juary e a técnica de Aílton Lyra em cima de Waldir Peres

A última decisão
O último triunfo santista em cima do rival, foi com parte da surpreendente geração dos Meninos da Vila de Dorival Jr mas agora sob o comando de Muricy Ramalho, que tanto fez história no Morumbi, em campo e fora dele. Em uma partida única, o Santos bateu o São Paulo no Morumbi por 2 a 0 com gols de Elano e Ganso e passou para a decisão do Paulista de 2011.

Neymar x Ceni
O principal ídolo atual do São Paulo, já polemizou com o principal atual ídolo santista em duas vezes. Na primeira, quando sofreu o primeiro gol na derrota por 2 a 1, acusou Neymar de exagerar na paradinha ao cobrar uma penalidade. Mas se conformou por entender que Neymar logo seria negociado. Pouco tempo depois, tentou a mesma paradinha e errou.
Na segunda polêmica, já em Setembro de 2011, declarou em entrevista que 50% das faltas em Neymar são frutos de simulação. É muito fácil falar quando não pode ser tocado na pequena área!
Não teremos esse duelo de Titãs hoje! Uma pena.

E o jogo de hoje, como será? O que você acha?


Veja o filme mais antigo de um jogo entre Santos e Corinthians


Pinhegas, o ponta-esquerda que veio do Fluminense e se apaixonou pelo time e a cidade; Odair, o ex-jornaleiro que virou artilheiro, e o poster de A Gazeta Esportiva em homenagem ao vice-campeão paulista.

Esses três vídeos, de origem desconhecida, trazem as imagens mais antigas que se conhece de um clássico entre Santos e Corinthians.

Ao assistir, abaixe o som, pois a locução não tem nada a ver com o filme. Na verdade, só o som do primeiro vídeo pode ser interessante, pois é um depoimento de Pelé para o Museu da Imagem e do Som.

O jogo, realizado em 4 de julho de 1948, valeu pela sexta rodada do Campeonato Paulista, que naquele ano durou oito meses, de maio a dezembro.

Nos cinco jogos anteriores, o Santos havia vencido quatro – entre eles o clássico com o Palmeiras, campeão do ano anterior. Sem contar que na estréia goleara o Nacional, de São Paulo, por 7 a 0.

Estréia de Pinhegas

Este jogo com o Corinthians marcou a estréia do ponta-esquerda Pinhegas no Santos. Rápido, com bons chutes de esquerda e direita, ele veio do Fluminense com 30 anos, mas jogou mais nove no Alvinegro Praiano, encerrando a carreira em 1957, com 34 gols em 94 jogos (como tantos outros jogadores que adotaram a cidade, Pinhegas passou a viver em Santos, onde faleceu em 2 de fevereiro de 2007 e foi sepultado no Cemitério de Filosofia, no Saboó).

Além do estreante Pinhegas, este Santos se 1948 tinha dois jogadores de destaque: o clássico meia Antoninho, considerado um dos melhores santistas de todos os tempos, e o centroavante Odair, que depois de ter trabalhado como jornaleiro quando criança, era um dos jogadores mais famosos da época e seria o vice-artilheiro do campeonato, com 15 gols (atrás apenas de Cilas, do Ypiranga, com 19).

Torcida do Santos era bem maior

Os torcedores, muitos de terno, chegavam no bonde 17, que passava pela Vila Belmiro. Repare que torcedores dos dois times ficavam juntos. Não havia e nem precisava de divisão de torcidas.

Note que não havia filas ou organização para se comprar ingressos e teve um momento em que a cavalaria teve de intervir. Ou seja, o tratamento ao torcedor continua o mesmo.

Os ingressos eram vendidos indistintamente. O que quer dizer que se fosse realmente a maior torcida da cidade – como alguns energúmenos fazem questão de divulgar –, obviamente seriam também a maioria no estádio. Porém, perceba nas comemorações dos gols, que os santistas são a grande maioria.

Athié começava aera do Santos grande

O filme mostra, espremido na multidão, o presidente do Santos, Athié Jorge Cury. Nesta época ele começou a filosofia de não vender os melhores jogadores e montar um time para ser campeão.

Com 15 vitórias, dois empates e apenas três derrotas, o Santos terminaria este Paulista de 1948 na segunda posição, apenas dois pontos atrás do São Paulo (em uma época em que vitórias só davam dois pontos). Para variar, seu ataque foi o mais positivo, empatado com o do São Paulo, com 54 gols.

O Santos continuaria fazendo boas campanhas nos anos seguintes, obtendo novamente o vice-campeonato em 1950, apenas um ponto atrás do Palmeiras.

Até que em 1955 conquistou seu segundo título paulista e iniciou um período de longa hegemonia no futebol de São Paulo, no qual, em 15 campeonatos, foi 11 vezes campeão.

Detalhes do filme

Perceba que há um lance – de 2m22s a 20m31s do terceiro vídeo – em que o jogador do Santos sofre falta na área, mas o árbitro marca impedimento. Será que já era o apito amigo a favor do rival?

Veja no primeiro filme detalhes dos arredores do estádio, com as mesmas casas que existem até hoje.

Note que um ônibus para e sai um monte de gente fumando lá de dentro. Imagine como deveria ser a qualidade do ar dentro do coletivo.

Repare a loucura dos torcedores que se penduram em uma alta torre de transmissão para ver o jogo. E um que tenta escalar o muro.

Perceba, nos lances de jogo, que se usava muito os centros altos para a área. Era chuveirinho sem parar. Não se costumava tocar a bola para o lado. Era ataque o tempo todo.

O gramado era ralo e a bola quicava muito. Era mais difícil controla-la.

Súmula do jogo (uma cortesia do amigo Khayat, que a pesquisou)

Detalhe: O público presente era maior do que o previsto para este domingo.

Repare no nível dos técnicos: Oswaldo Brandão pelo Santos e Gentil Cardoso pelo Corinthians. Dois personagens lendários do futebol brasileiro.

04/07/1948 Santos FC 3×2 SC Corinthians Paulista

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 115.135,00

Público: 12.688 + cerca de 6.000 sócios (18.688 total)

Árbitro: Vicente de Paulo Luz

Gols: Pinhegas 10, Severo aos 14 e aos 43 minutos do primeiro tempo; Odair aos 30 e aos 42 do segundo.

Santos: Robertinho; Artigas e Expedito; Nenê, Telesca e Alfredo; Odair, Antoninho, Pascoal, Paulo e Pinhegas. Técnico: Osvaldo Brandão.

Corinthians: Bino; Rubens e Belacosa; Newton, Hélio e Aleixo; Cláudio, Baltazar, Servílio, Severo e Noronha. Técnico: Gentil Cardoso.

Bem, foi isso o que eu reparei nesse vovô dos filmes de Santos e Corinthians. Veja se você percebe mais alguma coisa interessante:

E aí, o que achou deste Grande Jogo de 1948?


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