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VAI QUE É SUA BATATINHA! – Com a contusão de Alison, que deverá ficar seis meses sem jogar, Lucas Otávio, o “Batatinha”, terá sua grande chance no meio de campo do Santos. Enderson Moreira acha que com ele o time ganhará na saída de bola (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).

O medo da extinção bateu na Portuguesa. As dívidas profundas, a queda para a Série C do Brasileiro e a possibilidade de fechar suas portas abriram a cabeça de muita gente na tradicional Lusa do Canindé. Neste jogo contra o Santos, às 16 horas de domingo, no Pacaembu, a direção do clube está agindo de forma profissional e dando prioridade ao que realmente interessa.

Os torcedores da Portuguesa ficarão, humildemente, apenas com o tobogã, e cederão todo o restante do Pacaembu aos santistas. Isso pode atrapalhar um pouco o ânimo do time rubro-verde, mas a renda, que é o que mais interessa à Portuguesa no momento, será toda dela. E ao saber que assim terão mais possibilidades de receber os salários, certamente seus jogadores nem se importarão tanto com a maior parte da torcida contra.

Na mídia social, as vozes oficiais da Portuguesa têm sido elogiosas ao Santos e aos santistas, em uma clara intenção de valorizar o espetáculo e relembrar a rica história do confronto. Antes da partida, em iniciativa admirável, os times homenagearão o zagueiro Marinho Peres, ídolo nas duas equipes.

Depois daquela mal explicada queda para a Série B do Brasileiro, a Portuguesa tenta desesperadamente sobreviver e percebeu que certas vaidades não levam a nada. Espero que o presidente do Santos, Modesto Roma, alcance a mesma percepção sem que o clube precise passar por um trauma parecido.

“Vamos também ajudar a nossa coirmã a ter uma boa renda”, afirmou Roma em uma entrevista. Ótimo. Mas também é necessário que o Santos tenha a mesma humildade e visão do adversário e se ajude a ter boas rendas.

Por falar nisso, é curioso lembrar que o clássico deste domingo (sempre considerarei o jogo contra a Portuguesa um clássico) já deteve o recorde de público e renda no Estado de São Paulo. A partida final do Campeonato Paulista de 1973 levou ao Morumbi 116.156 pagantes, que com mais 412 menores resultaram no público total de 116.568 pessoas, com renda de Cr$ 1.502.255,00. Esses recordes foram significativos, pois o Morumbi já tinha recebido dois jogos decisivos entre São Paulo e Palmeiras.

Um dos melhores, se não o melhor, time do Brasil na primeira metade da década de 1950, quando venceu os Torneios Rio-São Paulo de 1952 e 1955, a Associação Portuguesa de Desportos, fundada em 1920, tem três títulos paulistas, foi vice-campeã brasileira de 1996 e já revelou grandes nomes do nosso futebol, como Djalma Santos, Julinho Botelho, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Dener, Ivair, Jair Marinho, Félix, entre outros.

Clube preferido da colônia lusitana da Capital, a Portuguesa reformou o seu estádio nos anos de 1972 e 73, contanto apenas com a ajuda de sócios e torcedores. Hoje o Canindé tem capacidade para 21 mil pessoas. O clube tem demonstrado interesse de demolir o estádio e construir outro. Será que não seria o caso de Portuguesa e Santos unirem forças para ter um estádio conjunto em São Paulo? Bem, é só uma idéia a ser discutida…

O rico passado dos Américas

Falar da história da Portuguesa é meio como ouvir um fado nostálgico narrando a época dourada das grandes navegações. Tudo indica que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada. Mas não foi o primeiro, nem será o último a relembrar o passado com saudade e tristeza.

O América do Rio, ou America Football Club, que faz questão de manter a grafia original inglesa de seu nome, fundado em 18/09/1904, portanto com 110 anos de existência, tinha seis títulos cariocas em 1935, ano em que o Santos conquistou seu primeiro título estadual. Aquela altura o América se igualava ao Flamengo em número de campeonatos cariocas e tinha dois a mais do que o Vasco.

Primeira campeão do Estado da Guanabara, em 1960, o América foi semifinalista da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) de 1961, só perdendo para o Santos na terceira partida, depois de ser goleado no Rio, mas vencer na Vila Belmiro. Com mais de 50 jogadores convocados para a Seleção Brasileira ao longo de sua história, o América teve torcedores famosos, como o comediante Chico Anysio, o cantor Altemar Dutra e o compositor Lamartine Babo, autor dos hinos dos grandes clubes do Rio. Hoje seu torcedor mais conhecido é o jornalista José Trajano. Seu estádio comporta 13.544 pessoas. Tudo indica que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada em que vive hoje.

Um outro América, o América Futebol Clube, de Minas Gerais, conseguiu a façanha de ser decacampeão estadual, de 1916 a 1925 – época em que, obviamente, Atlético (fundado em 1908) e Cruzeiro (fundado em 1921) – não passavam de meros coadjuvantes. Dizem que a derrocada do América começou em 1965, quando o clube dissolveu sua categoria juvenil e isso acabou reforçando o Cruzeiro, que recebeu de mão beijada jogadores que fariam nome no futebol, entre eles o centroavante Tostão. O início do Mineirão teria coincidido com a queda do América. Tudo indica, porém, que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada em que vive hoje.

Sem conhecer a história, é impossível entender o presente. Nas ciências exatas, basta aplicar a última fórmula, pois todas as anteriores, superadas, deixam de ter valor. Na história não é assim. A origem tem a mesma importância do momento atual, pois fazem parte da mesma matéria, são passos do mesmo caminho.

Santos vai de Batatinha

Para o jogo deste domingo, sem o volante Alison, que poderá ficar seis meses afastado dos campos, o garoto Lucas Otávio, popular “Batatinha”, terá mais uma boa chance de se firmar entre os profissionais do Santos. No mais, para o jogo deste domingo, às 16 horas, no Pacaembu, contra a portuguesa, o técnico Enderson Moreira manterá a mesma equipe que vem jogando. Gustavo Henrique e Gabriel ficam no banco de reservas e Thiago Ribeiro, machucado, continua fora dos planos.

O técnico explicou que com Lucas Otávio o Santos não terá uma marcação tão dura no meio, mas melhorará sua saída de bola. O time para enfrentar a Portuguesa será Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Lucas Otávio, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira.

Segundo o site oficial do Santos, o clássico deste domingo já foi realizado 239 vezes, com 113 vitórias santistas, 67 da Portuguesa e 59 empates. O Santos marcou 468 gols e sofreu 339. Se forem computados apenas jogos no Pacaembu, porém, a vantagem, mínima, é da Portuguesa, que em 44 partidas venceu 17 e perdeu 16, com 11 empates. Nessas partidas, o Santos marcou 70 gols e sofreu 67. Portanto, se vencer desta vez, o Santos empatará o confronto com a Lusa no Pacaembu.

O primeiro jogo entre ambos, realizado em 1º de maio de 1921, na Vila Belmiro, foi vencido pelo Santos por 3 a 0, com gols de Constantino, Millon e Ary Patuska. A Portuguesa formava um combinado com o Mackenzie College. O Santos jogou com Randolpho, Cícero e Paulino; Pereira, Jarbas e Ricardo; Millon, Constantino, Ary Patuska, Marba e Arnaldo Silveira.

Três grandes jogos entre Santos e Portuguesa:

Na Vila, sardinhas

Não sei se o marketing do Santos sabe, mas “sardinha” é um termo pejorativo com que os torcedores adversários da Capital Paulista tratam os santistas. Bem, mas na Vila Belmiro o clube resolveu criar uma atração extra para quem preferir assistir ao jogo de amanhã em um telão no salão de mármore do estádio Urbano Caldeira: como atrativo, os primeiros que chegarem terão direito a uma porção de sardinhas fritas. Porém, como o jogo começa às 16 horas e a entrada para os sócios estará liberada a partir das 14 horas, é bem provável que quando a bola começar a rolar não haja mais sardinhas.

Veja Enderson explicando o time para o clássico contra a Lusa:

E você, o que acha da generosidade da Portuguesa?