Aos 33 minutos do segundo tempo Zé Eduardo fez um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa.

Não se pode dizer que o Santos tenha jogado mal. Ao contrário. Enfrentou o campeão da Libertadores no Beira-Rio lotado e, além das chances que desperdiçou, teve um gol anulado e um pênalti não marcado em cima de Neymar. Mas o que dói é ver Zé Eduardo – que não é o Fio Maravilha – fazer um golaço aos 33 minutos do segundo temp, e três minutos depois a defesa dormir e ceder um gol que pode ter sido fatal na busca pela tríplice coroa.

Desde o começo o Inter forçava pela esquerda, em cima da insegura dupla formada pelo lateral Pará e o volante Danilo. Ao fazer o gol – em que Zé Eduardo se desvencilhou de três defensores e acertou um chute perfeito, de esquerda, bem no ângulo –, o que seria lógico esperar do Santos?

Que reforçasse ainda mais a marcação por ali, obviamente. Mas o que se viu? Kléber receber a bola livre, sem Danilo ou Pará por perto, e cruzar para Leandro Damião, também livre, empatar o jogo, no gol que pode ter tirado as últimas chances do Santos de lutar pela taça.

Nessas horas dá vontade de perguntar ao Edu Dracena: como você promete o título ao presidente Luís Álvaro se nem marcar o centroavante adversário você consegue?

Bem, mas não quero tirar ninguém para Cristo. No todo, o time até me surpreendeu positivamente. Empatar com o Inter no Beira-Rio, criar várias chances de gol e ainda ser flagrantemente prejudicado pela arbitragem de Paulo Godoy Bezerra e seus auxiliares Carlos Berkenbrock e Marco Antônio Martins não é para qualquer um.

Mesmo com as deficiências e instabilidades dos jogadores que já estamos cansados de criticar – Danilo, Pará, Rodriguinho, Marquinhos e Alex Sandro –, hoje o time foi valente e jogou com a cabeça.

Acho que no gol Dracena falhou, mas o vi salvar várias bolas pelo alto. Outro que me surpreendeu foi Roberto Brum. Na ausência de Arouca, que saiu machucado, Brum marcou e até saiu bem pro jogo.

Rafael foi excelente. Fez defesas dificílimas. Durval pode ter falhado no gol, só. Pará e Danilo são aqueles que torcemos para que peguem a bola mais à frente, pois quando saem jogando na defesa, nos deixam com calafrios.

Zé Eduardo foi um leão e mereceu o gol. Poderia ter sido novamente o herói do jogo, como na partida contra o Fluminense, não fosse o cochilo da defesa santista, que não segurou a vantagem.

Neymar, mesmo quando não joga tudo o que sabe, é muito importante. Criou oportunidades, sofreu um pênalti, só falhou, duas vezes, por não chutar com o pé esquerdo. Já tinha o ângulo para o arremate, mas cortou mais uma vez para dentro e nisso perdeu a chance.

Outro dia falamos de Pelé e dos fundamentos que aprendeu com seu pai, um deles o chute com a esquerda. Um atacante fica capenga se não consegue bater com força e precisão com os dois pés. Espero que Neymar seja humilde o suficiente para reconhecer essa deficiência e tentar corrigi-la.

Acho que Alan Patrick foi importante para dividir com Neymar a responsabilidade de colocar a bola no chão e tentar criar jogadas de ataque. Percebi que está mais confiante, amadurecendo. Caso melhore o chute e o passe poderá até ser o titular em 2011.

Nosso titio Léo luta, tenta, mas só se segura pela experiência na posição, coisa que Alex Sandro está longe de ter. A cada partida fica mais claro para mim que Alex Sandro é um ponta-esquerda, não um lateral.

Quem fica e quem sai

Aos amigos e amigas que lêem o blog, lembro que desde esta partida estamos avaliando os jogadores do Santos para saber quem sairá e quem deverá continuar no clube na próxima temporada – análise que se estenderá pelos jogos restantes, até o final do campeonato.

De que adianta a nossa análise? Garanto que ela será transmitida a dirigentes do Santos que podem decidir pela permanência ou não dos jogadores no clube.

Hoje, eu diria que os melhores do time foram Rafael, Arouca, Brum, Neymar e Zé Eduardo. Colocaria Léo, Alan Patrick e Pará entre os medianos e Marquinhos e Danilo entre os mais fracos. Quanto a Alex Sandro, é bom no ataque, mas péssimo na defesa.

A respeito de Marcelo Martelotte, não serei tão rígido, pois acho que conseguiu montar um esquema que fez o Santos estar na frente do marcador até a 10 minutos para o final do jogo – e isso no campo do adversário, repito, contra o atual campeão da Libertadores.

Por mais que se critique uma coisa ou outra, a verdade é que faltam ovos para o interino Martelotte Martelar uma omelete mais saborosa. Ele está tirando leite de pedra, essa é a verdade.

O empate ainda deixou um fio de esperança

Se perdesse hoje, eu diria que o Santos teria de criar alguma motivação especial para os jogos restantes no Brasileiro. Mas o empate ainda deixa um resto de esperança no ar.

Caso vença o perigosíssimo Vitória na próxima partida, na Vila Belmiro, entrará de novo na corrida que pode levar ao título. Do jeito que a coisa vai, nenhum time conseguirá ganhar dois jogos seguidos.

Em tempo: Foi gostoso ouvir o ídolo colorado Roberto Falcão comentar o golaço de Zé Eduardo pela TV Globo. A voz dele quase não saiu. Rsss


E você, o que achou de Internacional 1 x Santos 1? Quem se destacou e quem decepcionou ?