Diante de uma temporada irretocável, o Santos firma-se como a principal equipe do país. Em qualquer certame regional, e mesmo nas Copas do Brasil e da Libertadores, não foi visto um time que tenha tanto poder de fogo, que seja tão capaz de conseguir os resultados que o favoreçam.
Campeões estaduais, Grêmio e Atlético Mineiro desafiaram seu poderio, e ambos caíram,estafados, na Vila Belmiro. O mesmo aconteceu com o semifinalista da Copa Libertadores, o São Paulo. Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Corinthians já decepcionaram seus torcedores em mais de um momento.

No caso do Santos, mais importante que os resultados é a maneira como foram conquistados. Essa equipe alcançou o status de “Grande Time” porque tem os dois elementos básicos e paradoxais do futebol, que todos os grandes times tiveram: individualidade e coletividade.
Incontestáveis, as duas pedras preciosas da nova safra conduziram um estilo de jogo que muitos julgavam suicida. Não fosse o faro artilheiro do garoto de 18 anos e a maestria do camisa 10, esse esquema jamais daria certo. Sempre que exigidos, no entanto, os dois corresponderam com atuações decisivas.

Juntos, eles possuem algo em torno de 40 gols e 25 assistências no ano. Os dribles de um toque só, a rápida mudança de trajetória, e o jeito de bater na bola de Neymar não lembram outro que não Lionel Messi. Já o ofício de armar as ofensivas, o porte privilegiado que denota toda categoria e elegância nos movimentos do corpo, e os recursos intermináveis de Paulo Henrique Ganso só encontram espelho nos grandes armadores do passado, cujo último raro representante foi Zinedine Zidane. Dois jogadores dessa categoria atuando juntos representam um bônus de imprevisibilidade gigantesco.

Da mesma forma como o esquema jamais daria certo sem Ganso e Neymar, as duas joias santistas dificilmente estariam jogando tanta bola sem o apoio de uma equipe tão organizadamente técnica e veloz.

Quando funciona, o criticado sistema defensivo santista é um dos mais eficazes: a pressão dos atacantes na saída de bola, a dedicação dos meio-campistas e o posicionamento adiantado da defesa geralmente levam o adversário a trocar passes sem objetividade e sem espaço, lá atrás. Soltam a bola, então, sob pressão, facilitando o trabalho dos experiente zagueiros, cuja principal virtude é antecipar as jogadas. Assim, ao recuperar a bola, menos jogadores adversários estão atrás de sua linha. Aliando esse posicionamento compacto na defesa à qualidade técnica e à velocidade na retomada, esses jogadores constituem um sistema de jogo que ainda não foi superado.

Os dois volantes, fundamentais nas duas frentes, Robinho, peça chave na seleção brasileira, e André, o garoto artilheiro que faz a parede magnificamente, são coadjuvantes que dizem alguma coisa sobre o nível da equipe.

O torcedor já está na expectativa da tríplice Coroa, feito admirável por sua dificuldade, mas ele pode ficar tranquilo. Mesmo que os títulos da Copa do Brasil e do campeonato Brasileiro não venham, esse Santos sempre será lembrado como um Grande Time.

Por Adriano Takeshi