Fiz este título mais incisivo para lembrar ao nosso técnico que domingo não é dia de poupar ninguém. Santos e Corinthians é, para mim, o clássico de mais história e carisma no futebol brasileiro. Só pelo fato de contar com Pelé e os 11 anos de fila do alvinegro da capital, já o torna especial para sempre. Além disso, o apelo popular é enorme. Trata-se do confronto paulista que mais vezes ultrapassou a marca de 100 mil pagantes: Sete! Enfim, um jogo que vale, sim, um campeonato, ainda mais se o Santos se tornar, para todo o sempre, o primeiro time a vencer um clássico paulista na máquina de xer…, quer dizer, no Itaquerão.

O gramado é bom, a segurança parece melhor do que no Pacaembu e os Meninos da Vila terão tranqüilidade para mostrar seu futebol. Pena que as dimensões do campo não sejam das maiores. Com 105 x 68 metros, a área de jogo do Itaquerão é menor do que a da Vila Belmiro, que mede 105,8 x 70,3 metros. Será que essa diferença explica por que o time paulistano tem tido dificuldades para vencer equipes que se fecham?

Bem, o certo é que o Santos, provavelmente, vá se fechar mesmo e partir nos contra-ataques. Essa foi a tática que deu ao time os inesquecíveis 5 a 1 de 29 de janeiro deste ano, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista. Ainda sem os renomados Leandro Damião e Robinho, o Santos viveu um dia em que tudo deu certo e em que os atacantes Geuvânio, Gabriel e Thiago Ribeiro estavam inspirados.

Naquele jogo a dupla de zaga foi formada por Gustavo Henrique e Neto. Cícero também estava no time e comandou o meio de campo, ao lado de Arouca. Creio que se aquele time tivesse sido mantido, sem a necessidade de se escalar Damião, o Santos teria vencido aquela final contra o Ituano com um pé nas costas. Mas o “se” não existe no futebol.

E a derrota na véspera também não. Por isso aguardo essa partida com muita expectativa. Admito que o adversário é favorito. Não só porque ainda tem o objetivo de alcançar uma vaga na Libertadores, mas porque joga em casa e enfrentará um Santos muito desfalcado, já que Robinho, Geuvânio, Thiago Ribeiro e David Braz não atuarão. Mas o futebol, felizmente, não é uma ciência exata.

Na verdade, Thiago Ribeiro já se recuperou da contusão, mas parece estar padecendo de depressão. Isso mesmo, o rapaz está deprimido por não conseguir jogar bem. Se ainda fosse pelo salário atrasado, eu entenderia. Mas, como devemos respeitar os males dos outros, eu daria um conselho ao Thiago: acorde cedo todos os dias, treine chutes a gol, usando todos os efeitos e forças; domínio de bola com o pé e com o peito; cabeçadas de várias posições da área; passes de várias distâncias, tabelas e progressão com a bola. Depois de treinar com o time, continue na sua prática individual de fundamentos. Saia exausto do campo, tome um banho, vá para o quarto, leia um bom livro, durma bem e no dia seguinte comece tudo de todo. Em duas semanas a depressão será coisa do passado e você será um jogador como nunca foi antes. Isso se chama laborterapia, meu caro, um método que precisa ser mais empregado nos times de futebol. Muito tempo sem fazer nada de útil causa depressão.

Bem, mas mesmo sem esses titulares, mesmo remendado, ao Santos restará o orgulho e alguns moleques que ao menos têm bom fôlego e disposição, além de muitos sonhos. Gabriel deverá fazer a dupla de ataque com Leandro Damião. Outros jogadores que estavam afastados terão uma grande oportunidade. Jogar bem, e vencer o rival, provavelmente lhes garantirá mais um bom tempo de contrato. Então, que joguem por suas carreiras.

Não adianta negar a grande rivalidade

Sei que tem torcedor, dos dois lados, que não gosta de admitir essa rivalidade, para não dar moral ao adversário. Mas eu não tenho esse problema. Considero Santos x Corinthians tão importante que fiz um livro sobre esse jogo, em parceria com Celso Unzelte. Os fatos e os números comprovam essa nervosa interdependência.

Como já disse, este é o clássico paulista que mais vezes ultrapassou a marca de 100 mil espectadores: Sete! Este também é o jogo que decidiu o primeiro título paulista conquistado pelo Santos, em pleno Parque São Jorge (2 a 0, em 1935); o Rio-São Paulo de 1966 (0 a 0, no Pacaembu), o título brasileiro de 2002 (2 a 0 e 3 a 2, ambas no Morumbi) e os estaduais de 2009, 2011 e 2013, com dois títulos para o alvinegro paulistano e um para o santista. E ainda há, como já disse, os impagáveis 11 anos de tabu, em que Pelé @ Cia castigaram os mosqueteiros.

Os corintianos fazem festa até hoje com os 7 a 1 que aplicaram no Santos em 2005, mas não sabem que esse mesmo resultado o Santos já havia infringido ao rival havia 73 anos, em 8 de maio de 1932, na Vila Belmiro, com três gols de Feitiço. No ano seguinte, em jogo válido pelo Estadual e pelo Torneio Rio-São Paulo, o Santos venceu o clássico alvinegro por 6 a 0, com três gols de Maroim (como valia por duas competições, será que dá para dizer que foi 12 a 0?). Sem contar que em 1927, na capital, o Santos havia goleado por 8 a 3, com três de Araken e três de Camarão.

Assim como há santistas que não gostam de admitir a importância que dão à partida, há muitos corintianos que fazem o mesmo. Porém, as atitudes contradizem as palavras. Até hoje, quando se mostra a passagem de Ronaldo Fenômeno no alvinegro paulistano, seu grande momento são os gols na vitória sobre o Santos, na Vila Belmiro, pela final do Paulista de 2009. E o último jogo mais comemorado pelos rivais foi o empate de 1 a 1 pela semifinal da Libertadores de 2012, no Pacaembu.

Enfim, essa partida, mesmo que não valha título, tem sempre muita coisa em jogo. Neste domingo, a vitória do Corinthians poderá mantê-lo na busca de uma vaga na Libertadores, enquanto a do Santos ao menos marcará o nome do Alvinegro Praiano como o primeiro visitante ganhador de um clássico paulista no Itaquerão. E mesmo que não valesse nada, valeria a honra, que é tudo.

Fora da tevê aberta, mas com bom público

Jogo histórico, estádio cheio, em confronto de repercussão nacional: nada disso convenceu a Rede Globo, que deslocou o clássico para as 19h30 (sim, é a Globo, exercendo o seu monopólio na transmissão do futebol brasileiro, que determina os horários dos jogos, a fim de distribui-los entre seus canais aberto, por assinatura e pay per view).

Por outro lado, mesmo sem a presença do astro Robinho, e apesar da má posição do Santos na tabela, o público deve ser bom. Até sexta-feira anunciou-se que já tinham sido vendidos 28 mil ingressos. Talvez até supere os públicos dos outros dois clássicos já realizados no Itaquerão: 31.031 pagantes diante do Palmeiras e 34.688 pagantes contra o São Paulo.

Agora, cenas do último grande jogo entre ambos:

E SEGUNDA-FEIRA EU GOSTARIA DE LHE ENCONTRAR NO TATU BOLA

convite tatu bola

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA AS ELEIÇÕES DE 06/12
edital eleicao 0612

Separados por chapas

Nesses anos trabalhando com os livros, o Dossiê da Unificação e a coordenação do Centenário do Santos, conheci muitos santistas de alto nível, com quem mantive uma relação cordial. Um que sempre tive em alta conta é o jornalista Luiz Roberto Serrano, agora defensor da situação e da chapa de Nabil Kharznadar. Leio que hoje o Serrano diz que não sou ético por publicar informações que contrariam os interesses do seu candidato. Ele só contesta uma das três informações. Tudo bem. Como jornalista, ele sabe que pode ocorrer de confiarmos nas fontes e elas negarem fogo. Não digo que é o caso, pois estou confiante sobre as minhas. Mas o que quero dizer é que o amigo (ou ex-amigo?) Serrano gosta muito de expor o seu longo currículo de jornalista experiente que é e gosta de contar histórias das ligações antigas de sua família com o Santos. Uma delas, por sinal, que se refere ao jogo Santos x Milan, eu publiquei, entre outras, no livro “Ser Santista, um orgulho que nem todos podem ter”. Mas o que quero dizer mesmo é que quando sou atacado, não costumo colocar o rabinho entre as pernas, principalmente com relação às pessoas que eu admiro. Se fosse alguém que não me dissesse nada, eu ficaria quieto e nem ligaria. Mas se é o Serrano, jornalista experiente como eu, santista como eu, querendo me dar uma lição de ética, então terá também de me ouvir, ou ler. E eu só lhe diria que sei muito bem que ele foi um dos maiores incentivadores da contração de Leandro Damião, sob o pretexto de que o Santos tinha, sim, de fazer “uma loucura”. Pois essa loucura que você incentivou, prezado Serrano, dará, no mínimo, um prejuízo de 40 milhões de reais ao Santos! Como fica a sua consciência agora? Provavelmente você tenha achado que tenha sido ético e bem-intencionado ao incentivar a diretoria a fazer tal insanidade, provavelmente não soube ou fechou os olhos para o fato de que o próprio Renato Duprat, empresário da Doyen na transação, ficou admirado com o valor pago pelo Santos por Damião, pois, nas palavras de Duprat, ditas a um amigo comum, “era possível contratar pela metade do preço”. Como jornalista experiente que é, e próximo da diretoria do Santos como você está, Serrano, poderia muito bem ter descoberto e esclarecido essa nebulosa e caríssima contratação do atacante que hoje é reserva do Santos. Mas a verdade é que você acabou por contribuir para a situação deprimente que o Santos passa hoje, em crise financeira que se tornou também técnica e ética, pois não há nada pior do que deixar de cumprir seus compromissos com os funcionários, e tudo isso foi gerado pela contratação de Damião. Veja bem, nem estou falando de outra loucura, que foi o humilhante amistoso contra o Barcelona. Portanto, meu caro Serrano, a maior demonstração de falta de ética, para mim, é apoiar uma diretoria que levou o Santos a esta bancarrota e ainda incentivar as suas “loucuras”. Abraço.

E pra você, o Corinthians é o maior rival do Santos?