Enquanto o povo do Pará pedia saúde e educação, a presidente Dilma Roussef sorria e defendia os “benefícios” de se gastar fortunas com os estádios da Copa.


Dilma discursa na inauguração do estádio Mané Garrincha, mas não fala do preço. Terceiro mais caro do mundo, o estádio foi construído em uma cidade que não tem futebol e já nasceu fadado a ser um elefante branco.


A presidente inaugurando a Arena Pantanal, que tem dado o maior prejuízo dentre todas construídas para a Copa. Dilma ressalta a “beleza” do estádio.

Sábado, às 19h30, serão dia e hora de ir ao Pacaembu e levar as crianças para ver o Santos contra o Água Santa. A semana que começou com uma vitória tranqüila contra o maior rival, pode terminar com uma bela exibição no maior estádio santista. Vamos lá. Esse é um jogo que depende da gente. Pena que haja outros, tramados nos gabinetes, dos quais não tivemos a mínima possibilidade de intervir.

Nesses dias o blog discutiu se deve abordar assuntos políticos, ou apenas se restringir ao nosso Santos. Bem, no dia em que a política não interferir no Santos, ou no esporte, ou no País em que vivemos, talvez possamos ser tão especialistas. Mas é impossível silenciar diante do que ocorre. Agora mesmo estamos às portas dos Jogos Olímpicos e é certeza que nos depararemos, assim como ocorreu com a Copa do Mundo, com casos de corrupção e malversação do dinheiro público.

Abaixo reproduzirei uma matéria escrita por Adriano Belisário e publicada portal Terra em 1º de julho de 2014 que já mostrava que as construtoras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, todas condenadas na operação Lava Jato, se revezavam e ainda se revezam nos contratos para as grandes obras da Copa e da Olimpíada.

Portanto, há dois anos essa relação promíscua do Governo com essas empreiteiras era tão evidente que foi exposta, em detalhes, pela matéria do Adriano Belisário. Lembro, ainda, que a própria Fifa, menos gulosa do que o Governo brasileiro, sugeriu que o País reformasse estádios apenas nas maiores capitais do futebol – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre –, mas os articuladores da Copa no Brasil, entre eles Lula e Dilma Roussef, fizeram questão de que fossem erguidas arenas suntuosas e caríssimas em cidades com pouca tradição no futebol.

No longínquo abril de 2012, o repórter Rodrigo Durão Coelho, do UOL, já reproduzia uma análise do Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte pela qual quatro estádios construídos para a Copa do Mundo no Brasil, justamente aqueles não previstos pela Fifa, mas erguidos pela insistência do Governo brasileiro, se tornariam elefantes brancos. Dizia a matéria:

Todos os 12 estádios a serem usados na Copa do Mundo de 2014 devem ter, após o evento, público menor que as médias internacionais, e quatro deles estão condenados a se tornarem “elefantes brancos” – expressão popular usada para designar arenas esportivas quase sempre vazias. É o que diz levantamento feito pelo IDEE (Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte), que criou um índice mundial de estádios.

Os quatro estádios apontados pelo IDEE como os mais problemáticos da Copa 2014 são o Nacional, em Brasília, projetado para comportar mais de 70 mil pessoas, a Arena Amazônia, em Manaus, a Arena Pantanal, em Cuiabá, e o Estádio das Dunas, em Natal, todos com cerca de 42 mil lugares.

O IDEE afirma que a grande capacidade desses estádios contrasta com as médias de público das séries B, C e D do Campeonato Brasileiro, torneios habitualmente disputados pelos clubes que irão usar os candidatos a “elefante branco”. As divisões inferiores do Brasileirão têm médias que oscilam entre 2.100 mil a 4.500 mil torcedores.

Dois anos depois, em abril de 2014, Andre Carvalho, do site da Editora Abril, mostrava como, além de supérfluos, alguns estádios construídos para a Copa estavam entre os mais caros do mundo:

O custo total dos estádios (sete novos e cinco reformados) ficou orçado em R$ 8,005 bilhões, segundo a Matriz de Responsabilidades consolidada, divulgada pelo Ministério dos Esportes em setembro de 2013. Em 2007, uma semana antes de o Brasil ser confirmado como sede, a previsão era de que os gastos com obras em estádios fossem de R$ 2,2 bilhões. Houve, então, um aumento de 263% em seis anos!

Comparando com os gastos em estádios realizados nas Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, o Brasil tem os assentos mais caros, na média. São R$ 8,005 bilhões investidos em 664 mil lugares, o que dá um valor de R$ 12.005 para cada cadeira instalada nas arenas. Na Alemanha o valor médio de cada assento foi de R$ 6.412 e na África do Sul, R$ 7.021.

Um pouco antes da publicação da matéria do Andre Carvalho, em março de 2014, nosso polêmico Cosme Rímoli já denunciava o enorme elefante branco que seria a arena de Manaus:

A inauguração do mais puro elefante branco da Copa no Brasil. A Arena Manaus. Estádio que custará mais de R$ 670 milhões dos cofres públicos. E que não terá a menor utilidade depois do Mundial. Triste capricho dos políticos brasileiros… O estádio custou cerca de R$ 670 milhões. Todo dinheiro público. O estado do Amazonas pagará por ele. O BNDES emprestou R$ 400 milhões com taxas abaixo do mercado.

Finalmente, em 1º de julho de 2014, no portal Terra, em matéria extensa e pormenorizada de Andre Belisário, escancara-se a relação suspeitíssima entre as construtoras chamadas quatro irmãs- Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez – com a construção não só dos estádios, mas das obras todas prometidas para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Com o título “Jogo para poucos: 4 construtoras se revezam em obras da Copa”, a matéria já começava alertando: Levantamento do Reportagem Pública mostra como as “quatro irmãs”, Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, se revezam nos contratos para as grandes obras da Copa e Olimpíadas no Rio de Janeiro. E prosseguia:

Nas maiores intervenções urbanas no Rio de Janeiro em função da Copa e Olimpíadas mudam os objetivos das obras, os valores, os impactos e as suspeitas de ilegalidade na condução dos projetos. Só não mudam as empresas beneficiadas. Por meio de consórcios firmados entre si e com outras empresas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS se revezam nos dez maiores investimentos relacionados aos Jogos.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem, chega a quase R$ 30 bilhões o valor oficial das dez maiores obras. São elas: a Linha 4 do Metrô; a construção do Porto Maravilha; a reforma do Maracanã e entorno; os corredores expressos Transcarioca, Transolímpica e Transoeste; a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico; o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT); e a Reabilitação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

A Odebrecht é a grande campeã: está presente em oito dos dez projetos. Já a OAS e a Andrade Gutierrez dividem o segundo lugar, com participação em seis projetos cada uma. Em 7 dos 10 projetos a licitação foi ganha por consórcios com presença de duas ou mais das “quatro irmãs”, como são conhecidas. Em dois destes, a concorrência pública foi feita tendo apenas um consórcio na disputa.

Nem sempre a participação das “quatro irmãs” se dá diretamente através das construtoras. Participam também empresas controladas por elas como a CCR e a Invepar. Os acionistas da primeira são Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, aliadas ao o Grupo Soares Penido (Serveng-Civilsan), com 17% de ações cada um. No Rio de Janeiro, a CCR detém o monopólio das travessias na Baía de Guanabara, administrando ao mesmo tempo os serviços das barcas e da Ponte Rio-Niterói. (As duas concessões responderam por quase 5% da receita operacional bruta da empresa, em 2013).

A Odebrecht, que também era sócia na CCR, vendeu sua participação para criar sua própria empresa no ramo de mobilidade urbana, a Odebrecht Transport, que hoje administra o serviço de trens na região metropolitana do Rio de Janeiro através da Supervia. Já a gestão do metrô carioca fica por conta da Invepar, cujos controladores são a OAS e os fundos de pensão da Caixa Econômica (FUNCEF), Petrobras (PETROS) e o Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil.

Na história recente dessas empresas acumulam-se obras que mereceram a atenção das autoridades – dentro e fora do pacote da Copa. Executivos da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez já foram investigadas pelo Ministério Público de São Paulo no chamado “cartel do metrô”, que envolveria o acerto de preços para licitações de obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô em São Paulo. O órgão exige uma indenização aos cofres públicos de R$ 2,5 bilhões. Empresa da Camargo Corrêa, a Intercement também aparece em investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre cartel no setor de cimentos.

Clique aqui para ler a matéria completa sobre o monopólio das “quatro irmãs” nas obras da Copa e da Olimpíada.

O que se depreende dessas matérias? Que já se previa que esses estádios da Copa dariam um prejuízo imenso à nação, que o dinheiro estava sendo usado de forma irresponsável. Constate que o sagrado dinheirinho dos fundos de pensão da Caixa Econômica (FUNCEF), Petrobras (PETROS) e o Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil entraram no rolo. Por isso hoje o Governo fala em recriar o IPMF e diminuir a pensão de milhões de aposentados. Isso é zelar, é cuidar da vida do povo brasileiro?

Tudo isso prova que além dos casos da Petrobras, que está sendo esmiuçado, e de outros, que logo estourarão, é evidente que a insistência do Governo brasileiro para fazer a Copa do Mundo e a Olimpíada em nosso País não tinha qualquer interesse no desenvolvimento do esporte nacional. Esses dois megaeventos serviram e ainda servirão para se gastar um dinheiro que os cofres do tesouro não suportam mais e para enriquecer pessoas que superfaturaram em cima das obras.

Como conseqüência, haverá menos dinheiro para saúde, educação, moradia, transporte, geração de empregos. E depois esse governo ainda se diz popular e preocupado com o trabalhador. Mentira das mentiras! Fico espantado de perceber como ainda tem gente que acredita nessa demagogia populista e criminosa.

Por isso é que o esporte, o futebol, e o nosso Santos não podem ser analisados separadamente da conjuntura política do Brasil, hoje imerso na maior onda de corrupção que já o afligiu. Corrupção que sempre existiu, concordo, que não é privilégio do PT, nem do PMDB ou do PSDB. Na verdade, é difícil citar um único partido que não esteja ligado a ela. Corrupção que muita vez nem chegou a ser investigada, mas que agora ganhou proporções gigantescas e contamina todas as áreas da vida nacional. Ou o Brasil acaba com ela, ou ela acabará com o Brasil.

Garanta o seu ingresso. E leve seu filho

Quer saber os valores e onde comprar os ingressos para o jogo de sábado, entre Santos e Água Santa, no Pacaembu? Está bem. Dessa vez está mais barato do que contra o Mogi Mirim. As arquibancadas amarela, verde e lilás (portão 21) custarão 40 reais a inteira e 20 a meia. O tobogã custará 20 reais a inteira e 10 reais a meia. Idosos com 60 anos ou mais e crianças até 12 anos não pagam. E é muito importante levar as crianças santistas nesses jogos! Há ainda a cadeira especial laranja (80 a inteira, 40 a meia), a cadeira descoberta manga (100 e 50) e a cadeira coberta azul, a mais cara (120 e 60).

Percebe-se que o Santos ouviu os reclamos da torcida e diminuiu o preço dos ingressos. Ótimo. Mas ainda não solucionou a questão dos raros postos de venda em São Paulo. São apenas três e só funcionam em dias úteis e das 11 às 17 horas: Estádio do Pacaembu: Praça Charles Miller s/n – São Paulo – Bilheteria principal (próxima do portão principal). Ginásio do Ibirapuera – Av. Manoel da Nóbrega, 1361 – Guichê 1. Sub-sede do Santos FC/SP – Av. Indianópolis, 1.772 – Planalto Paulista – São Paulo – Tel.: (13) 3257-4000 / Ramal 5000.

Para quem mora no ABCD, o posto de venda de ingressos mais próximos é o do Estádio Anacleto Campanella (São Caetano) – Av. Thomé, 64 – São Caetano do Sul. O curioso é que a maioria dos lugares de venda estão em Santos, onde até chaveiro e loja de calçados vendem as entradas para os jogos do Santos, enquanto na Capital regiões enormes, como as Zona Leste, Norte e Extremo Sul, não têm um posto sequer (já falei que se venderem ingressos na Cidade Dutra vão ter uma surpresa bem agradável. Lá tem mais santistas do que são-paulinos e palmeirenses).

Roma pedirá o adiamento de três jogos do Santos

Como o Santos tem cinco jogadores, todos titulares, convocados para as Seleções nacionais: Lucas Lima e Ricardo Oliveira para a principal, e Gabriel, Zeca e Thiago Maia para a Olímpica, o presidente Modesto Roma solicitará à presidência da Federação Paulista de Futebol que três dos jogos do time sejam adiados. Muito justo.

Time reserva uma ova
Para desmerecer a vitória santista, tem jornalista escrevendo que o alvinegro perdedor do clássico usou um time reserva na Vila Belmiro. É mentira. Nada menos do que oito jogadores atuaram contra o Santos e também contra o Santa Fé, da Colômbia, em jogo pela Copa Libertadores. Foram eles: Cássio, Fágner, Yago, Bruno Henrique, Lucca, Willians, André, Edilson (Danilo, Luciano e Romero).

E você, o que acha disso?