Com vocês, o já conhecido Patito Rodríguez (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)

Neste milênio nenhum time fez tanto furor no futebol brasileiro como o Santos do primeiro semestre de 2010. Com ele voltaram a era das grandes goleadas, dos lances de efeito, dos dribles, da alegria de se jogar futebol. Os invejosos batizaram o Alvinegro de “O time das dancinhas”, ao que o goleiro Marcos, do Palmeiras, sabiamente retrucou: “Não querem que dancem, não deixem marcar gols”. Mas era impossível segurar o ímpeto ofensivo dos Meninos da Vila liderados pelo técnico Dorival Junior.

Nos jogos em que tinha o mando de campo, o Santos atuava no sistema 4-3-3, com Arouca, Wesley e Paulo Henrique Ganso no meio; Neymar, André e Robinho no ataque. Era uma verdadeira avalanche pra cima do adversário. No banco de reservas ainda havia o rápido Madson, o impetuoso Zé Love e o meia Marquinhos, ótimo lançador e cobrador de faltas.

Ontem o argentino Patito Rodríguez, de 22 anos, um meia ofensivo nascido em Quilmes em 4 de maio de 1990, foi finalmente apresentado (estranho ser apresentado depois de estrear no time e até marcar gol, mas…). Simultaneamente o clube anunciava a contratação, por empréstimo até o final do ano, do centroavante André, também de 22 anos – nascido em Cabo Frio, Rio de Janeiro, em 27 de setembro de 1990 –, um dos Meninos do time de 2010, que jamais deveria ter ido embora.

André é mais um exemplo de que jogar no exterior nem sempre é uma boa. No Dínamo de Kiev jogou nove partidas e não marcou um gol. Transferido para o Bordeaux, da França, fez mais oito partidas e também não chegou a marcar uma única vez. Ou seja, o garoto voltou para o Brasil sem ter o gostinho de balançar as redes na Europa.

No Atlético Mineiro voltou a marcar, mas perdeu a titularidade com as chegadas de Jô e Ronaldinho Gaúcho. Agora, retorna ao Santos, pelo qual fez 28 gols em 51 jogos como profissional. Será que poderá ajudar o time a reencontrar o seu decantado DNA ofensivo?

Um ataque com Patito, André e Neymar

Com a volta de André, que se reencontra com um Neymar mais maduro e um Paulo Henrique Ganso tentando mostrar que ainda merece a confiança do torcedor santista, o Alvinegro Praiano passa a ter três dos cinco jogadores responsáveis por sua força de ataque em 2010. Faltam Robinho e Wesley.

Robinho era um meia bem ofensivo, que tabelava, driblava e fazia gols. Creio que Patito Rodríguez poderá exercer essa função. Quanto a Wesley, taticamente era mais completo, pois podia avançar pelos dois lados do campo, mas também se dedicava com afinco à marcação. Ainda é muito cedo para uma avaliação precisa, mas creio que Leandrinho, se continuar evoluindo, possa se tornar um jogador assim.

Não podemos descartar, ainda, Felipe Anderson e Victor Andrade. O primeiro bate muito bem na bola e tanto pode fazer gols de fora da área, como produzir assistências perfeitas. Vejo Felipe como o substituto direto de Ganso. Ambos atuam na mesma posição e têm qualidades parecidas. Felipe tem maior mobilidade, mas Ganso, pela experiência e técnica, ainda é o titular.

Quanto a Victor, é a pedra preciosa que está sendo lapidada para brilhar. Com apenas 16 anos já demonstra muita personalidade. É um meia que não tem medo de entrar na área em busca do gol. Vejo-o, porém, na mesma função de Patito Rodríguez e, no momento, eu manteria Papito como titular e o Menino Victor como seu reserva imediato.

Assim, do meio-campo para a frente, eu escalaria o Santos com Arouca, Leandrinho e Paulo Henrique Ganso; Patito Rodríguez, André e Neymar.

Fazer história é isso!


Nas comemorações de 54 anos da final da Copa de 1958, jogadores do Brasil e da Suécia se encontram no estádio de Rasunda, no município de Solna, na grande Estocolmo. Dos quatro atletas brasileiros, três são do Santos: Zito, Pelé e Pepe. O quarto é Mazzola, hoje radicado na Europa. Como se sabe, o Brasil venceu a partida por 5 a 2, tornou-se campeão mundial pela primeira vez e a partir daí granjeou a fama de possuir o melhor futebol do mundo. Tudo começou com esses velhinhos.

E para você, como Muricy deve escalar o meio e o ataque do Santos?