Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Santos e Corinthians jamais será um jogo amistoso


Hoje é jogo para você se consagrar, garoto. Vai com fé! (Felipe Anderson no treino de ontem no CT Rei Pelé – foto de Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC).

Li em um site que hoje Santos e Corinthians, às 19h30m, no Pacaembu, farão um jogo amistoso, já que ambos nada almejam no campeonato. Ora, quem define o quanto vale uma partida não é a fria tabela de classificação, mas a paixão dos torcedores, e garanto que para os aficionados dos dois alvinegros não há jogo amistoso quando eles se enfrentam. Ao contrário. É sempre uma batalha.

Se o técnico Tite resolveu poupar meio time, o problema é dele. Muricy Ramalho tem obrigação de convocar sua melhor equipe e gritar muito na beira do gramado para conseguir um resultado que apague um pouco a péssima campanha que o Alvinegro Praiano faz neste Brasileiro.

Dizem por aí que, “para não correr risco de lesão”, Tite não escalará Ralf, Paulinho, Fábio Santos e Martinez, envolvidos no superclássico das Américas no meio da semana. Outros desfalques serão Chicão e Douglas, suspensos.

O Santos não terá Neymar, suspenso devido a um cartão amarelo mandrake no último jogo, e também não contará com Adriano, machucado. No mais, Muricy poderá selecionar o que tem de melhor.

Para o lugar de Neymar, o técnico diz estar em dúvida entre Victor Andrade e Crystian. Então eu penso aqui comigo: será que há opção mais óbvia do que dar ao garoto Victor Andrade, que também é meia atacante, como Neymar, a oportunidade de enfrentar um adversário tradicional e revelar suas qualidades, tão valorizadas pelo contrato com o Santos? Por que pensar em escalar Crystian, um lateral?!

Bem, só espero que os dois times respeitem o torcedor e não façam um jogo de compadres, que termine com um 0 a 0 ou 1 a 1 sem criatividade e poucos sobressaltos. Já que o confronto “não vale nada”, que valha pela rivalidade e pela emoção – propriedades que são a essência do futebol.

E se não há muito mais o que almejar nesse campeonato, que os dois técnicos, famosos por adorar o estilo retrancado, liberem suas equipes e proporcionem uma partida mais aberta, com cara de futebol brasileiro nos bons tempos. Até porque ambos são cotados para assumir, em janeiro, o comando da Seleção.

Mano Menezes foi apenas o primeiro dominó a cair?

Há quem assegure que Mano Menezes será substituído por Tite, o que manteria o esquema alvinegro itaquerense, cujos pilares são o técnico da Seleção, o diretor de Seleções da CBF (Andrés Sanches), o coordenador da Copa do Mundo (Ronaldo Nazário) e o “conselheiro” sênior da CBF (ex-presidente Lula).

Mas pode ser, também, que Mano Menezes tenha sido o primeiro dominó a cair. Em seguida irá por terra Andrés Sanches, o diretor de seleções que mal fala o português, substituído por Marco Polo del Nero. Ronaldo Nazário, mais preocupado em tentar (inutilmente) perder peso para um programa de tevê, talvez continue em uma função apenas decorativa na comissão da Copa, e as opiniões de Lula, que não conseguiu evitar o julgamento do Mensalão, provavelmente serão cada vez menos ouvidas por José Maria Marin.

Escritório da Presidência da República é foco de corrupção

A propósito, o UOL destaca que ontem a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, prendeu seis pessoas e indiciou outras 12 ao realizar uma ação de busca e apreensão no escritório da Presidência da República em São Paulo. Entre os investigados está a chefe do gabinete, “Rosemary Novoa de Noronha, que conheceu Lula na década de 1990, quando trabalhava para o então presidente nacional do PT, José Dirceu, a quem assessorou por 12 anos. Rosemary começou no governo federal em fevereiro de 2003, como assessora especial do gabinete regional, e passou a chefe da unidade em 2005.”

“Rosemary secretariava o então presidente Lula em viagens internacionais e foi responsável pela nomeação dos diretores Paulo Vieira (Agência Nacional de Águas) e Rubens Vieira (Agência Nacional de Aviação Civil). Os dois e o empresário Marcelo Rodrigues Vieira, todos irmãos, estão entre os presos. Também foram presos temporariamente os advogados Marcos Antônio Negrão Martorelli e Lucas Henrique Batista, ambos em Santos, e Patricia Santos Maciel de Oliveira, em Brasília. Patrícia já foi posta em liberdade.”

“Para a Polícia Federal, há comprovação da participação de servidores corrompidos da ANA, Anac, Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antac), AGU, Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Educação e Cultura (MEC). A investigação começou após um servidor do TCU ter procurado a polícia para confessar que havia sido cooptado por criminosos interessados em comprar um parecer técnico. A recompensa seria o pagamento de R$ 300 mil. Ele chegou a elaborar o documento e receber a primeira parcela, de R$ 100 mil, mas se arrependeu posteriormente.”

A princípio, o fato de Rosemary ter trabalhado 12 anos para José Dirceu e estar há nove anos a serviço de Lula – o que dá 21 anos convivendo com a cúpula do Partido dos Trabalhadores – não quer dizer que o ex-presidente conheça suficientemente e nem saiba das falcatruas de sua funcionária. Muito ocupado com palestras, viagens e reuniões como conselheiro da CBF, já que também é um expert em futebol, certamente Lula não sabe, não viu e sequer percebeu as manobras de sua chefe de gabinete.

Porém Rosemary era tida como pessoa de confiança de Lula e por isso a Polícia Federal acha muitíssimo improvável que o presidente, sagaz como sempre foi, não tivesse ao menos desconfiado das atividades de sua subordinada. Bem, as investigações estão apenas começando, mas já preocupam o Planalto.

Retrospecto de Santos x Corinthians

Por Wesley Miranda

O clássico mais antigo de São Paulo completará ano que vem 100 anos, e já chegou ao confronto oficial de número 304 na história, com 97 vitórias do Santos contra 123 vitórias do Corinthians e 84 empates. O Alvinegro Praiano marcou 475 gols e o da capital 559.

Em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro, o Santos já enfrentou a equipe do Corinthians em 51 oportunidades tendo vencido 18 empatado 15 e perdido 18 marcando 71 e sofrido 70 gols.

Artilheiros santistas do confronto
O artilheiro do confronto é Pelé com 50 gols! O Corinthians é a maior vítima do Rei do Futebol, que disputou 48 jogos, vencendo metade deles, empatando 15 e perdendo apenas nove. Marcar 50 gols em um mesmo time é um recorde sul-americano. Pelé marcou quatro gols na mesma partida em três oportunidades: 6 a 1 em 1958, 7 a 4 em 1964 e 4 a 4 em 1965.

O vice-artilheiro do confronto é o gênio Coutinho, que nunca perdeu para o rival atuando com Pelé. Ele marcou 13 gols em 16 jogos disputados (média de 0,81 gols por jogo). Em seguida vem José Macia, o Pepe, com 12 gols em 26 jogos (média de 0,46 gols por jogo). Feitiço, Odair Titica e Válter Vasconcelos, todos com nove gols, e Camarão, Antoninho Fernandes e Guga, com oitos gols, fecham a lista de maiores artilheiros contra o Corinthians.

Veja um vídeo com o maior artilheiro desse duelo:

www.youtube.com/watch?v=qa19MEY6Fa8

O primeiro encontro
Depois da derrota na estreia em Campeonatos Paulistas frente ao Germânia por 8 a 2, o técnico e zagueiro do Santos, Urbano Caldeira, decidiu fazer algumas alterações no “team”. A grande alteração foi a substituição do goleiro francês Julien Fauvel para a entrada de Durval Damasceno. Deu certo, e, no dia 22 de Junho de 1913, o Santos venceu o Corinthians por 6 a 3 com quatro gols dos futuros selecionáveis (a seleção brasileira só começou em 1914) Adolpho Millon Jr (2), Arnaldo Silveira (2) e, completando a goleada, Nilo e o próprio Urbano Caldeira.

Jogo insólito
Nos 100 anos de história, o Santos já jogou alguns jogos não oficiais combinado com Vasco, Flamengo, seleções de Argentina, Chile, Paraguai…. mas nenhum jogo foi tão insólito quanto o de 1925. Um combinado Santos/Corinthians.

Um amistoso no Parque Antártica com um duplo combinado entre Palestra Itália/Sirio contra Santos/Corinthians….

Vitória do primeiro combinado por 3 a 2. Os gols do segundo combinado saíram de jogadores santistas, Camarão e Hugo. O zagueiro do time da capital Pinheiro marcou contra o gol que deu números finais no placar, no segundo tempo da prorrogação.

Forasteiro Campeão
Depois de perder a decisão do Paulista de 1930 para o rival por 5 a 2 na Vila Belmiro, o Santos tinha a enorme chance de se redimir e conquistar o Paulista de 1935 contra o Corinthians no Parque São Jorge. O Santos FC e sua torcida temiam muito por um costumeiro favorecimento para os times da capital, pratica muito comum especialmente no período pré-profissional (antes de 1933). Para garantir que a marmelada não acontecesse, um grupo de estivadores santistas foram juntos com o time dispostos a tacar fogo no estádio se preciso!

Mas em campo o Santos se impôs e conquistou a vitória por 2 a 0 com gols de Raul Cabral aos 35 do primeiro tempo e Araken Patusca aos 17 do segundo tempo. Pela primeira vez, um clube fora da cidade conquistava o Paulistão.

www.youtube.com/watch?v=RrpgYW7Wk-8

A quebra do jejum
Depois da conquista de 1935, o Santos ficou 20 anos esperando por um novo título Paulista. E ele veio com a vitória em cima do Taubaté na Vila por 2 a 1, com gols de Álvaro aos 15 minutos e Pepe com o gol do desempate aos 20 minutos do segundo tempo! E a disputa era contra o Corinthians, que venceu o rival Palmeiras, mas ficou com o vice.

www.youtube.com/watch?v=jzbeVjJWDxE

Para a imprensa e para os torcedores dos clubes da capital, tinha dado zebra e, no ano seguinte, voltariam a ser campeões e o Santos pegaria mais 20 anos de fila. Ledo engano, porque vinha o Bicampeonato Paulista, e depois começava a Era Pelé sob o comando de Luis Alonso.

Nenhum time sofreu tanto com o Santos de Pelé no comando de Lula do que o Corinthians. De principal time do estado, passou a lutar com o São Paulo para ser a terceira força.

Da estreia do Rei no time titular em 1957 até a saída de Lula foram 34 jogos, com 20 vitórias santistas, contra cinco vitórias do Corinthians e nove empates.

A diferença que refletia nos confrontos consequentemente refletia nas conquistas! Enquanto o Santos conquistava títulos com enfadonha tranquilidade, o Corinthians colecionava vexames! O mais puro contraste de alvinegros.

Os grandes triunfos do Santos sobre o rival foram o Paulista de 64, quando os times terminaram o primeiro turno empatado, mas, já quase no fim do segundo turno, o Santos aplicou uma sonora goleada de 7 a 4 com quatro de Pelé e três de Coutinho e praticamente garantiu o título e eliminou o rival! O outro “triunfo” foi um empate na decisão do Rio-São Paulo 66. Sem Pelé, com Coutinho e Mengálvio expulsos, o Santos empatou contra o Corinthians de Garrincha no Pacaembu em 0 a 0 e impediu o título do rival. Flávio, do Corinthians, ainda perdeu um pênalti! Sem datas para continuar a disputa foram declarados campeões, Santos, Corinthians, Botafogo e Vasco, todos empatados com 11 pontos!

A era Pelé sob o comando de Antoninho
O auxiliar de Lula assumiu o Santos em 1967 com uma enorme responsabilidade: renovar um elenco vencedor. Jogadores como Zito, Coutinho, Pepe, Mauro Ramos e Gylmar tinham que ser substituídos por nomes equivalentes. Com isso, o rival passou a equilibrar um pouco mais nos confrontos.

Sob o comando de Antoninho Fernandes, foram 21 jogos com oito vitórias do Santos, seis vitórias do Corinthians e sete empates.

Mas uma dessas derrotas foi para o técnico Lula, então técnico do rival. E foi depois de 11 anos sem vitórias em campeonatos Paulistas.

Apesar do equilíbrio, o Santos seguiu contrastando com o rival no quesito títulos. Inclusive foi com a ajuda do rival que o Santos conquistou o Paulista de 1967. O Corinthians de Lula e São Paulo se enfrentaram na última rodada, e uma vitória dava o título ao tricolor depois de 10 anos de jejum. O jogo seguiu 1 a 0 para o São Paulo até os 44 do segundo tempo, quando Benê empatou e provocou uma partida extra de desempate entre Santos e São Paulo. O Peixe venceu por 2 a 1 e se sagrou campeão!

O grande triunfo santista em cima do rival foi no Paulistão 69. Depois de terminar a primeira fase em primeiro lugar, o Corinthians enfrentou o Santos no primeiro jogo do Quadrangular que tinha os quatro grandes de São Paulo. Confiante, Paulo Borges chegou a declarar que o grande adversário era o Palmeiras de Ademir e se esqueceu do Santos de Pelé. Resultado: Santos 3 × 1 Corinthians, com um de Edu e dois de Pelé! Todos golaços!

www.youtube.com/watch?v=FVOMMZPLoLw

A era Pelé sob os comandos de Mauro Ramos e Pepe
Era o fim de uma era do Santos, era o fim de uma era do futebol brasileiro!

A diretoria santista promoveu ex-jogadores e ídolos como técnicos: o zagueiraço Mauro Ramos e o eterno Pepe. Sob o comando dos dois, frente ao Corinthians foram duas vitórias, quatro derrotas e quatro empates. Desvantagem nos confrontos, mas vantagem em títulos, já que o Peixe ainda conquistou o título Paulista de 73!

Feios, Sujos e Malvados
Os Meninos da Vila de Chico Formiga formavam um time excepcional, dono de um futebol total, discoteca, irreverente… Mas ficaram um tempo sem vencer o alvinegro da capital, o que só aconteceu no final de 1983: 2 a 0 com gols de Pita, que jogou muito, e Vagner, contra.

Mas foi mesmo com um grupo experiente que o Santos conseguiu seu maior triunfo. Comandado por um conciliador (Castilho) que contava com uma muralha no gol (Rodolfo Rodrigues), um cão de guarda no meio (Dema), um matador no ataque (Serginho Chulapa), sem falar de Paulo Isidoro, Humberto, Zé Sergio, Lino, Toninho Vieira, Marcio Rossini… Um simples empate, e a taça desceria a serra. Quando a bola rolou, quase 112 mil pessoas viram um jogo truncado, sendo decidido pelos dois principais nomes do time: a muralha funcionou como sempre e o matador apareceu aos 27 minutos do 2º tempo para marcar o gol do título! E o Santos acabava com o jejum de seis anos sem títulos paulistas, de novo contra o adversário!

Vale rever o gol do santista Chulapa e os últimos minutos daquela decisão.

www.youtube.com/watch?v=r7Dy1VuQBBM

O matador
Nas épocas de vacas magras, o torcedor tinha poucos motivos para comemorar, e um deles era o matador Guga! Exímio cabeceador, sempre bem colocado, ganhou o coração da torcida por fazer muitos gols, em especial contra o Corinthians. Em 11 jogos, foram oito gols, média de 0,7 por jogo contra o rival. Uma das maiores da história do Santos.

E em dois jogos, foram seis gols. O primeiro em 25/10/1992, a vitória de virada por 3 a 1 com três gols de Guga. Quebrou um jejum de quatro anos sem vitória em cima do rival, e o seu terceiro gol foi inesquecível!

O outro jogo foi em 1994, e também de virada, o Santos bateu o Corinthians por 4 a 3, com três gols de Guga e um de pênalti do volante Dinho! Outro destaque da partida foi o goleiro Edinho, que fez no mínimo três defesas incríveis!

Veja um vídeo homenagem com o matador Guga

www.youtube.com/watch?v=lojyPrLuQUM

Voltando para casa
Mesmo tendo o seu estádio próprio desde os primórdios de sua história, o Santos, durante muitas décadas, abriu mão de sua casa quase que por completo em confrontos contra o Corinthians.

Só na geração Giovanni, que, depois de muita resistência, a Vila Belmiro foi palco de um novo Santos e Corinthians. No Paulista de 1995, 3 a 1 para o Santos e no Brasileiro 3 a 0. Desde então, a história do confronto se equilibrou e, no novo século, tende ao Santos.

Em uma dessas “voltas para casa”, o Santos conquistou o Torneio de Verão 1996. Um torneio de pré-temporada com as presenças de Santos, vice campeão Brasileiro 1995, Corinthians, campeão Paulista 1995, Cruzeiro, então futuro campeão da Libertadores 1996, e Grêmio, futuro campeão Brasileiro 1996.

Depois de vencer nos pênaltis o time gremista, o Santos chegou na final contra o Corinthians. A vitória santista no dia 24/06/1996 foi por 3 a 1 com gols de Giovanni, Kennedy e Camanducaia, conquistando o torneio!

www.youtube.com/watch?v=e6yZxTBAUfQ

A geração Diego e Robinho
Na maior final entre os dois clubes, deu Santos. Com requintes de genialidade de um adolescente ainda em formação, mas com talento precoce, uma histórica tradição de Vila Belmiro. Aliada com uma exibição de gala de seu número 1, o Santos ganhou as duas partidas da final do Brasileiro de 2002 e quebrou de novo, em cima do rival, seu jejum de título.

www.youtube.com/watch?v=WZFnvPjJP18

Foram cinco vitórias santistas em 2002, o que torna o Santos FC o maior algoz do Corinthians em uma só temporada. Em 1977, a Ponte Preta também ganhou 5 jogos, mas perdeu justamente os 2 decisivos.

O santista não pode reclamar de 2002.

Rio-SP – 1 a 0 – gol de Willian

Amistoso – 3 a 1 – André Luís, William e Renato

Brasileiro – 4 a 2 – Alberto (2) e Elano (2)

1ª Final do Brasileiro – 2 a 0 – Alberto e Renato

2ª Final do Brasileiro – 3 a 2 – Robinho, Elano e Léo!

De quebra, Robinho, em oito jogos, venceu sete e empatou um. Ficou invicto, sem falar no jogo anulado de 2005!

Além disso, o único gol marcado por Léo em um Campeonato Brasileiro frente ao Corinthians foi o da final de 2002.

7 a 1 ou 8 a 1 em quatro vitórias?
Depois de ganhar do Santos por 7 a 1 no Pacaembu no polêmico Brasileiro de 2005, a torcida corintiana passou a festejar o resultado com bandeiras e camisas comemorativas. Mas foi no confronto seguinte que o Santos iniciou uma nova sequência de vitórias.

No dia 12/02/2006, no Morumbi, pelo Campeonato Paulista, todos esperavam uma nova goleada do Corinthians de Tevez, mas o técnico Luxemburgo surpreendeu e armou o time com três zagueiros. A tática do técnico santista apareceu mesmo quando Geílson, aos 33 minutos do segundo tempo, marcou o gol da vitória em rápido contra ataque e garantiu a vitória santista mesmo com um jogador a menos!

www.youtube.com/watch?v=ThZ5CjwuXKo

Importante resultado na conquista em formato de pontos corridos do Paulista de 2006.

2 a 0 – Atuando na Vila Belmiro no dia 28/05/2006 pelo Brasileiro, o Santos ganhou do Corinthians por 2 a 0 com gols de Cléber Santana e Rodrigo Tabata.

3 a 0 – No segundo turno, no dia 05/10/2006, no Pacaembu, o Santos ganhou novamente do Corinthians, dessa vez com o placar mais dilatado: 3 a 0 com gols do lateral Kléber, Leandro e Zé Roberto.

2 a 1 – Fechando a série de quatro vitórias, pela 16ª rodada do Paulista de 2007, o Santos venceu por 2 a 1 na Vila Belmiro com gols de Zé Roberto e Jonas, e praticamente eliminou as chances do rival de disputar a fase semifinal.

Os Meninos cresceram
O Corinthians vinha em ascensão depois de amargar a segunda divisão em 2008. E jogando contra o Santos dos inexperientes Ganso e Neymar conquistou o Paulista de 2009, ganhando na Vila por 3 a 1 e empatando em 1 a 1 no Pacaembu.

Dois anos e muitos jogos depois, os time se enfrentaram na final do Paulista de 2011. Neymar já não era mais nenhum menino. Poucos dias antes de conquistar o Tricampeonato da Libertadores, mesmo com Ganso se contundindo no primeiro jogo da final, 0 a 0 no Pacaembu. O Santos se sagrou bicampeão Paulista ao derrotar o rival por 2 a 1 na Vila Belmiro.

Confira no vídeo, os gols de Arouca e Neymar. Ao final, um tributo a todos os times do Peixe que conquistaram o Paulista até 2011!

www.youtube.com/watch?v=YxfcLDsSq3E

A última decisão

Depois de derrotar o Santos na Vila por 1 a 0 na primeira partida da semifinal da Libertadores de 2012, bastava ao Corinthians o empate para chegar pela primeira vez em uma final de Libertadores. Para o Santos disputar sua quinta final, vitória por dois gols. Neymar abriu o marcador já no fim do primeiro tempo, mas o gol de Danilo na segunda etapa foi o resultado suficiente para garantir ao Corinthians a passagem para final da competição.

Neymar artilheiro da Libertadores
Com o gol marcado contra o Corinthians, Neymar se tornou artilheiro da competição junto com Alustiza, do Deportivo Quito, ambos com 8 gols.

Essa foi quarta vez que um santista terminou artilheiro da Copa Libertadores
1962: 6 gols: Coutinho, Alberto Spencer (Peñarol) e Enrique Raymondi (Emelec)

1965: 7 gols: Pelé

2003: 9 gols: Ricardo Oliveira e Marcelo Delgado (Boca Juniors

2012: 8 gols: Neymar e Alustiza (Deportivo Quito)

Esse gol também colocou o Neymar como vice artilheiro do Santos em Libertadores junto com Robinho, ambos com 14 gols. Pelé é o primeiro com 16 gols.

O último encontro

Pela 18º rodada, Santos e Corinthians se enfrentaram na Vila Belmiro no dia 19/08. Em jogo recheado de polêmicas o Peixe bateu o rival por 3 a 2 com gols de André(2) e Bruno Rodrigo.

CURIOSIDADES

Troca de Alvinegros

Apesar da rivalidade, não foram poucos os jogadores que trocaram de alvinegro ao longo da história. Vamos citar alguns:

Santos – Corinthians
Tuffy Neugen (Satanás Negro), Cláudio Cristóvão Pinho (maior artilheiro da história do rival), o ponta Tite, Edu, João Paulo (Papinha da Vila), Serginho Chulapa, Mauricio Assolini, Jamelli, Alessandro Cambalhota, Gustavo Nery, Deivid, Paulo Almeida, Alberto, Robert, Fábio Costa e os laterais direitos Pedro, Dennis e Alessandro.

Corinthians – Santos
Gylmar dos Santos Neves, Almir Pernambuquinho, Amaral, Ataliba, Sócrates, Hugo de Leon, Wladimir, Viola, goleiro Nei, Rincón, Edmundo, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Fábio Baiano, Betão, lateral Kléber, Fabinho, Luizão e Doni.

Sem falar no caso de jogadores que atuaram pelos 4 grandes como Neto, Luizão, Muller, Cesár Sampaio e Antonio Carlos.

Na era profissional: Santos 20 × 18 Corinthians

Muito se fala que o Corinthians é o maior campeão Paulista de todos os tempos, com 26 títulos, mas pouco se comenta um fato importante. Depois que foi instituído o profissionalismo no futebol brasileiro (1933), o rival, que já tinha 8 títulos, conquistou mais 18, enquanto o Santos conquistou 20 paulistas no mesmo período, dois a mais que o Palmeiras (18) e igual ao São Paulo (20).

Homônimo Corinthians
Segundo o pesquisador Evaldo Rodrigues, o Santos já enfrentou quatro Corinthians em sua história além do tradicional rival: o de Presidente Prudente, o de Santo André, o de Salto e um Corinthians gaúcho contra o qual jogou em 1948.

E você, acha que o jogo de hoje é um mero amistoso?


Saiu Teixeira… Mas ficaram Andres Sanches e Mano Menezes

Como é mania no nosso Brasil, boa parte dos males do futebol brasileiro vinham sendo imputados a Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Com sua renúncia, após 20 anos no cargo, oportunistas e ingênuos forçam uma comemoração como se o povo tivesse tomado a Bastilha. Demagogia barata! Se os clubes não agirem com responsabilidade nesse momento delicado, e pensarem no todo antes de olharem para seus umbigos, na melhor das hipóteses a estrutura viciada continuará a mesma. Mas poderá piorar.

O grande corruptor do futebol brasileiro não é a CBF, que no máximo quer gerir a Seleção Brasileira. É a TV, que com seus milhões alterna o equilíbrio das competições, muda o hábito do torcedor e influi no aumento das torcidas. Se a TV Globo decidisse não priorizar uma ou outra equipe, aí sim teríamos motivos reais de contentamento. Mas isso não mudará.

Se, com Teixeira, saíssem Andres Sanches e o técnico Mano Menezes, e fossem substituidos por pessoas mais capazes e isentas, talvez pudéssemos celebrar. Como é possível que em uma época em que qualquer garoto tem de ser fazer pós-graduação para conseguir um lugar no mercado de trabalho, além de aprender Inglês e Espanhol, o diretor de seleções da CBF não consiga falar nem o próprio idioma, quanto mais os dos outros? De que tipo de seleção o Andres será diretor? Das estaduais?

E Mano Menezes? Que figura mais incompetente, pretensiosa, enfadonha e ridícula. Técnico de nível B, que jamais fez uma equipe jogar bem na vida. Outro paraquedista guindado ao cargo pelo desinteresse dos mais capazes, este senhor não deixa de servir ao seu ex-clube, desfalcando os adversários do alvinegro da capital às vésperas de jogos importantes.

Espero que a diretoria do Santos fique bem esperta com relação à confluência dos calendários da Seleção Brasileira e da Copa Libertadores, pois é certo que o Alvinegro Praiano será desfalcado de seus principais jogadores, enquanto o time de Sanches e Menezes seguirá intacto em busca de seu sonho secular.

Mas essa relação promíscua entre a CBF, a TV Globo e o alvinegro da capital nem é discutida por muitos que fazem festa pela renúncia de Ricardo Teixeira. Querem fazer crer que os problemas do futebol brasileiro estavam concentrados em um único homem. Ora, não tratem as pessoas como idiotas, por favor.

Marin e o preconceito contra São Paulo

O novo presidente, José Maria Marin, que assume por ser o mais idoso dos vices (79 primaveras), já avisou que não vai mudar nada. Até o ascensorista da CBF continuará a mesmo. Aliás, que sorte do afável político Marin. Caiu de paraquedas no governo de São Paulo e agora despensa em uma das cadeiras mais cobiçadas do País, às vésperas de uma Copa do Mundo.

Não creio que Marin terá iniciativa, energia ou vontade para empreender grandes mudanças na CBF, mas também não posso concordar com a pressão de alguns presidentes de federações para que haja eleições a toque de caixa, a fim de impedir um suposto predomínio político de São Paulo.

Ora, o futebol brasileiro tem sido dominado, historicamente, por cariocas, e nunca vi tamanho movimento para lhes tirar o poder. Várias Copas, como as de 1930, 34, 66 e 74 foram jogadas no lixo pela vaidade e egocentrismo cariocas. Que mal haveria se houvesse uma maior influência paulista na política do futebol brasileiro? Ao menos é o Estado mais desenvolvido da nação, em que o futebol atingiu um nível profissional mais elevado, em que o marketing caminha para ser mais importante do que a política.

E para você, como fica o futebol brasileiro com a renúncia de Teixeira?


O início da decadência do São Paulo

O São Paulo começou a perder a força que tinha quando o presidente Juvenal Juvêncio ironizou o Corinthians pelo fato de o Alvinegro não ter estádio. Isso provocou nos corintianos a determinação de não jogar mais no Morumbi, o que passou a gerar um grande prejuízo ao São Paulo, raiz de todos os males que afligem o clube hoje.

Lembro-me perfeitamente. No almoço no CT Rei Pelé que gerou o G4 Paulista, no ano passado, Andrés Sanches, presidente do Corinthians, explicava a mim, ao José Carlos Peres e ao presidente Marcelo Teixeira, por que o Corinthians não jogaria mais no Morumbi.

Por ele, Sanches, seria bom voltar a jogar, pois é um estádio que comporta mais pessoas e, conseqüentemente, dá mais lucro, mas, explicava, não podia voltar atrás em sua palavra, depois que a torcida corintiana, revoltada com a arrogância do São Paulo, pressionara o Corinthians para nunca mais jogar no Morumbi.

Quem não tem casa, tem de jogar na casa dos outros e não reclamar, foi o que disse Juvenal Juvêncio depois de um impasse sobre as taxas a serem cobradas pelo São Paulo para abrigar um jogo do seu rival. Até ali, Juvenal dizia o que queria, sem maiores conseqüências, mas naquela vez o Corinthians resolveu reagir, com resultado desastroso para o Tricolor.

Não se perdeu só o aluguel…

Sanches nos contou que o diretor de uma empresa que mantinha painéis de publicidade no Morumbi tinha ligado para ele para saber se o Corinthians não voltaria mesmo a jogar no Morumbi. Diante da confirmação, a empresa resolveu não renovar o contrato com o São Paulo.

Sim, porque o Corinthians, e eventualmente o Santos, não propiciavam ao São Paulo apenas as gordas taxas de aluguel do estádio. O maior valor arrecadado vinha da visibilidade das placas publicitárias – vistas não só pelos torcedores no estádio, mas também pelos espectadores da tevê e, através das fotos, por leitores de jornais, revistas e da Internet.

Com a restrição do uso do estádio apenas para jogos do São Paulo, o clube não pôde mais renovar seus contratos de publicidade nos mesmos valores e passou a perder alguns milhões de reais por ano.

Contratações ruins

Para mim, ficou evidente que o São Paulo estava com problemas quando contratou uma leva de ex-santistas que nem eram cogitados para voltar à Vila Belmiro, como André Luis, Léo Lima, Cléber Santana e depois trocou o sonolento Rodrigo Souto por Arouca.

O centroavante Washington nunca correspondeu no Tricolor, e Fernandão também já estava em má fase quando foi contratado. Ricardo Oliveira, outro ex-santista, não parece ter físico para muitas partidas seguidas.

Especular em cima de jogadores ainda com algum nome, mas decadentes, é típico de clubes que precisam manter a aura de fortes e competitivos, mas estão com “problemas de fluxo de caixa”.

Certamente o torcedor são-paulino preferiria que fossem repatriados Luís Fabiano, Júlio Batista, ou mesmo Josué. Para um clube que diz preocupar-se tanto com o marketing, estes três seriam alternativas mais eficazes e de maior impacto. Acontece que o São Paulo não tem receita suficiente para gestos tão ousados.

A venda de Hernanes, sem que houvesse um jogador do mesmo nível para o seu lugar, foi um exemplo de que de clube comprador, o São Paulo de Juvenal Juvêncio se tornou fornecedor de mão de obra.

Marca desvalorizada

A derrota constrangedora para o Corinthians, ontem, por inapeláveis 3 a 0 – décima partida sem vencer o rival –, que mantém o São Paulo próximo da zona de rebaixamento, foi apenas a ponta do iceberg. É interessante lembrar que além deste desconfortável tabu para o time que não tem estádio, o São Paulo já perdeu quatro vezes para o Santos este ano. Ou seja, não é mais o time vencedor de outras temporadas.

Tudo isso está desvalorizando a marca trabalhada com tanto carinho nos últimos anos. Recentemente o São Paulo tentou fechar um contrato de patrocínio com valores equivalentes aos dos grandes clubes europeus, mas não conseguiu. A alegação da empresa consultada é que o time está sem grandes atrativos – além do veterano Rogério Ceni, perto do aposentadoria, não há um ídolo que atraia a mídia.

A impossibilidade de conseguir parceiros para ser o estádio inaugural da Copa de 2014 também contribuiu para abalar a imagem do São Paulo. Com a constatação de que o clube não é tão organizado como tenta transparecer, de que seu marketing não faz milagres e sua direção tem um sentimento de grandeza e auto-suficiência que não corresponde à realidade, o Tricolor do Morumbi volta a ser um time comum.

Você acha que a fase ruim do São Paulo é transitória, ou o time está em decadência?


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