Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Lava Jato chega ao Itaquerão


A presidente Dilma visita o estádio, ciceroneada por Andres Sanchez. Marcelo Odebrecht, de terno preto, comandava a distribuição das propinas.


Em entrevista para a revista Época, Andres Sanchez diz que a Odebrech recebereria menos do que o custo total das obras.

Como muitos já previram neste blog, ao investigar as corrupções da Odebrecht a Operação Lava Jato chegou aos estádios construídos para a Copa e, entre eles, ao Itaquerão. Muitas evidências já apontavam por irregularidades na obra, que usou dinheiro público, custou bem mais do que o orçamento original e teve participação direta da Odebrecht, do ex-presidente Lula e do dirigente esportivo Andrés Sanchez.

Como meus companheiros jornalistas não se interessaram por esta interessante matéria investigativa, agora os agentes da Polícia Federal poderão nos responder por que o Governo Brasileiro fez questão de fazer muito mais estádios do que os previstos pela Fifa, muitos deles elefantes alvíssimos; por que Andres Sanchez disse, na entrevista para a Época, que a obra ficaria bem mais cara do que o orçamento original da Odebrecht; por que o mesmo Andres disse também que se a história vazasse, isso complicaria seu compadre Lula…

Enfim, mesmo vivendo em uma democracia, algo que muitos jornalistas parecem não valorizar suficientemente, a imprensa brasileira se tornou seletiva em suas pautas, provavelmente movida por ideologias e clubismos particulares. A questão não é de quem é o estádio, mas o fato de ele ter se tornado, desde seu nascedouro, mais um monumento da corrupção no Brasil.

Garanto que estaria indignado da mesma forma se o Santos e o amor de milhões de santistas tivessem sido usados para favorecer aos poucos que se envolveram em mais essa trapaça com o dinheiro público. Sim, porque fica evidente que a Odebrech aceitou ganhar menos pelo Itaquerão porque teria uma contrapartida compensadora, muito provavelmente vinda do decantado propinoduto da Petrobras.

A corrupção, meus amigos, é indefensável, vinda de partidos da direita, da esquerda, do centro, de onde vier. A corrupção é uma mistura de desonestidade aguda e dinheirismo latente, é a prática de levar vantagem colocada acima de todos os valores morais e cívicos de um povo. Nenhum cidadão de bem deveria aprovar um governo corrupto, mesmo que o presidente fosse o seu pai.

Clique aqui para ler mais sobre a chegada da Lava Jato aos estádios da Copa.

Números absurdos da corrupção

Pesquiso e constato que um estudo realizado pelo Decomtec, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, a Federação das Indústrias de São Paulo, revelou que os prejuízos econômicos e sociais causados pela corrupção no País chega a R$ 69 bilhões de reais por ano.

Para se ter uma vaga ideia do que se poderia fazer com esse dinheiro, lembro que um hospital de médio porte, com toda a tecnologia a que tem direito, com a mão de obra concursada e terceirizada, incluindo médicos, enfermeiros, anestesistas, seguranças, recepcionistas etc, com capacidade para atender 600 pacientes por dia, custa R$ 62 milhões. Ou seja, só com o que se gastou para erguer o Itaquerão seria possível construir mais de 30 hospitais. Imagine com uma verba 69 vezes maior…

Se levarmos o budget anual da corrupção para a construção de moradias, teremos mais dois milhões e 150 mil casas populares, ou seja, praticamente metade do déficit habitacional do Brasil. O mesmo resultado assombroso se dá quando calculamos o que esse dinheiro reverteria em escolas, bibliotecas, transporte, novos empregos…

Um dia perguntei a um ministro da República o que ele faria se tivesse como orçamento o total desviado pela corrupção em apenas um ano, e ele me respondeu que solucionaria não só os problemas de sua área, como a verba seria capaz de resolver boa parte das dificuldades sociais do Brasil.

Então, a corrupção precisa ser banida definitivamente da vida pública – e privada – do brasileiro. Perto dela, as preferências políticas ou futebolísticas são perfumaria, o chamado pêlo em ovo. Vigiemos contra a corrupção, não só no quintal dos outros, mas também no nosso, e o Brasil andará bem melhor em busca de seu merecido futuro.

E você, o que acha disso?


Como a visão do Peres uniu os quatro grandes de São Paulo

Madrugada de sábado. 03h25. Logo mais estaremos escolhendo o presidente do Santos pelos próximos três anos. Que seja uma festa cívica, uma festa da democracia, que os santistas deem o esperado exemplo de educação e espírito esportivo. Que ninguém provoque, que ninguém aceite provocações, e que logo mais possamos comemorar mais essa proeza santista: o fato de termos uma eleição com cinco candidatos totalmente organizada, limpa e justa. Desde já, parabéns a todos, vencidos e vencedores. Votarei no José Carlos Peres, evidentemente, mas respeito aos demais e desejo sucesso ao futuro presidente, qualquer que seja ele. Este blog, de santistas apaixonados e de boas ideias, continuará exercendo a sua crítica e o seu incentivo ao Santos Futebol Clube.

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos não cita nomes de candidatos. Apenas fala das qualidades que o novo presidente do Santos deve ter. Clique aqui para lê-la.

g4 paulista - peres
Peres transformou uma boa ideia no G4 Paulista, empresa que reúne os grandes de São Paulo.

Tento ser um homem de ideias, pois acredito nelas. O que é a evolução da humanidade, a não ser boas ideias que encontraram pessoas com capacidade e disposição para realiza-las? Também por isso abomino os ditadores. Um homem sozinho não pode ter todas as boas ideias, muito menos concretiza-las. Voltando ao nosso Santos, confio em quem sabe ouvir e extrair o melhor de cada um, por isso confio e quero que José Carlos Peres seja eleito presidente do clube, neste sábado.

Percebi no Peres, desde que ele era gerente da subsede do Santos na Capital, o dom de selecionar as melhores sugestões dos muitos santistas com quem conversava diariamente, e leva-las para a direção do clube. Eu era um desses que enchia a sua cabeça com mil projetos.

Lembro-me que, ainda na faculdade, diante de colegas mais versáteis, não me considerava uma pessoa criativa. Porém, com o tempo, e com o trabalho persistente na área de comunicação, descobri que criatividade também é algo que se desenvolve. Conhecimento, ousadia e tentativa e erro podem transformar ideias em realizações. Depois do primeiro sucesso vem a confiança e a partir daí o processo se repete mais freqüentemente.

No primeiro semestre de 2009, quando, a convite do Peres, eu iniciava, ao seu lado, o trabalho de pesquisa e redação do Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, visitava regularmente a subsede do Santos e aproveitava para atormentar o paciente Peres com ideias e sugestões. Lembro-me que uma tarde, como que tomado por uma verdade universal, exclamei:

– Peres, você é um diplomata, um embaixador do Santos aqui na Capital. Você tem de se reunir com os presidentes dos outros grandes, almoçar com eles, trocar ideias. Imagine juntar a força dos quatro grandes de São Paulo…

Peres só me olhou. Mas me olhou diferente. Percebi que concordava e que aquelas palavras tinham despertado algum desígnio nele. Nos dias seguintes voltei ao trabalho de entrevistar pessoas, pesquisar em arquivos de jornal e bibliotecas em busca de depoimentos e documentos que provassem que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa davam aos seus vencedores o título de campeão brasileiro. Na noite de 28 de maio de 2009 toca o telefone. É o Peres:

– Odir, pode descer comigo amanhã para Santos? Vamos fazer o almoço com os quatro presidentes…

Caramba, o danado do Peres, quietinho, tinha convencido os presidentes dos quatro grandes de São Paulo para um almoço no CT Rei Pelé! Aquilo parecia incrível naquele momento, pois só se falava em uma briga entre Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez. Promover a conciliação entre os dois já seria um trunfo para o Santos, presidido na época por Marcelo Teixeira.

É claro que aceitei o convite, entusiasmado. Era assim que eu via e vejo o Peres: alguém capaz de unir pessoas, interesses, congregar os clubes, unir as forças do futebol brasileiro, sem esquecer de manter o Santos em uma posição de destaque. Na manhã do dia 29 de maio, lá pelas 11 horas, estávamos descendo a serra, felizes, no seu carro, quando toca o seu celular.

Era o presidente Marcelo Teixeira. Pedia para o Peres ligar para Juvenal Juvêncio e Andres Sanchez e cancelar o almoço, pois o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo tinha ligado dizendo que não havia conseguido adiar um encontro com o ex-ministro Delfim Neto. Peres desligou o telefone, fiquei sabendo da história e me inflamei, dizendo que aquilo era uma loucura. Juvenal e Sanchez já deviam estar na estrada. Cancelar o almoço seria terrível, pois talvez não aceitassem mais um novo convite.

Compreensivo e generoso, Peres aceitou imediatamente meus argumentos e ligou de novo para Marcelo Teixeira, colocando-me na linha. Expliquei ao presidente que àquele momento o mais importante seria a reconciliação entre Juvenal e Andrés, e que ele, Marcelo Teixeira, seria olhado como o reconciliador. Era uma pena a ausência de Belluzzo, mas o almoço continuaria sendo importante, mesmo sem o presidente do Palmeiras. Teixeira ouviu os meus arroubos, educadamente, e concordou, mas pediu que o Peres ligasse e tentasse convencer Belluzzo a ir a Santos.

Peres ligou para Belluzzo e começou assim: “Professor, o senhor não pode faltar, o senhor é a pessoa mais importante desse almoço”. Não sei o que mais disseram, só sei que ao desligar o celular, Peres garantiu, com um sorriso, que o presidente do Palmeiras também iria.

O primeiro encontro seria na sala da presidência do Santos, de onde, após as considerações iniciais, os convidados conheceriam as dependências da Vila Belmiro – camarotes, sala de entrevistas… – e depois seguiriam para o CT Rei Pelé, onde também fariam uma visita de reconhecimento e, por fim, seriam encaminhados ao restaurante.

Chegamos diante da entrada principal da Vila e nos deparamos com a imprensa, funcionários do Santos e o presidente do Conselho do clube, senhor José da Costa Teixeira, o “Teixeirão”. Respirava-se um ar de incredulidade. Poucos pareciam acreditar que os três presidentes da capital realmente viriam. Teixeirão chegou a me dizer que estávamos “loucos”, pois mesmo que viessem, seria terrível para o Santos, pois “o Juvenal Juvêncio é uma raposa e vai nos engolir”.

Bem, como se sabe, os três vieram. Peres foi recebe-los, um a um, certamente para a inveja de muitos que apostavam no fracasso do evento. Eu trazia um texto pronto que descrevia as grandes vantagens que os quatro clubes teriam caso fossem aliados fora do campo. O texto falava de um hipotético super time que, na verdade, era a soma dos quatro grandes; citava o exemplo da Guerra do Paraguai versus o Mercosul, no qual ficava evidente que construir junto é bem melhor do que destruir, e concluía com alguns benefícios que os clubes teriam com a criação de uma empresa que os congregasse.

O almoço no CT Rei Pelé gerou novas reuniões no São Paulo, Corinthians, Palmeiras, até que em 17 de julho, dia do aniversário do Peres, que também foi escolhido como o coordenador geral da nova empresa, se fundou o G4 Paulista, que no início de 2010, quando Peres e eu já tínhamos sido desligados do Santos pela administração de Luis Álvaro Ribeiro, contribuiu com 2,5 milhões de reais para os combalidos cofres do Santos Futebol Clube.

Esta história, contada em detalhes, mostra a capacidade de José Carlos Peres de aprimorar e levar adiante uma boa ideia – algo que repetiu, em maior escala, no trabalho que obteve a Unificação dos Títulos Brasileiros. Foram precisos meses de trabalho, contatos e paciência para conciliar as vaidades, o poder e as agendas de seis presidentes de grandes clubes brasileiros, do presidente da CBF e de João Havelange para obter, finalmente, a tão sonhada Unificação dos Títulos que hoje torna o nosso Santos Octacampeão Brasileiro!

O comportamento e o caráter de José Carlos Peres exprimem o líder moderno, que comanda pelo exemplo, que sabe delegar poderes, mas assume o seu papel no momento mais importante. Alguém com esse perfil e, repito, esse caráter, é que deve presidir o Santos.

A seguir, os textos entregues por mim e Peres aos presidentes Marcelo Teixeira, Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e Luiz Gonzaga Belluzzo no almoço de 29 e maio de 2009, no CT Rei Pelé. Nota-se que o nome pensado originalmente para a empresa era G4 S/A:

O melhor time do mundo

Ele é de São Paulo. Tem mais títulos, torcida, história, carisma e potencial de mercado do que qualquer outro do planeta.

Ele é, oficialmente, seis vezes campeão do mundo (além uma Taça Rio e uma Recopa Mundial), seis vezes campeão da Taça Libertadores da América (além de duas Conmebol, uma Mercosul, uma Supercopa da Libertadores e uma Recopa Sul-americana), 26 vezes campeão brasileiro (sem contar três Copas do Brasil e uma Copa dos Campeões), 16 vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo e ainda possui 84 títulos estaduais (fora um Supercampeonato Paulista).

Sua torcida, desde o início desta década, é a maior do Brasil. Pelas últimas pesquisas do Instituto Datafolha, representa 30% de todos os torcedores do País. Ele tem 365 anos de vida e é por sua causa que o Brasil é considerado o melhor do mundo no futebol, pois forneceu a maioria dos jogadores que conquistaram as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Boa parte dos maiores craques que o mundo já conheceu vestiram sua camisa, entre eles o Rei do Futebol.

Este time é garantia de ótima visibilidade para os patrocinadores. Pelo Campeonato Paulista deste ano, sua média foi de 24,37 pontos por partida, o que o torna uma das maiores audiências da tevê brasileira, com índices semelhantes aos das novelas da TV Globo. É também o que ocupa o maior espaço na mídia impressa (em parte isso se explica por estar encravado no Estado que abrange os dois mercados mais ricos do País: o da Capital e o do Interior de São Paulo).

Este Supertime, que tem as cores Branca, Preta, Verde e Vermelha, na verdade não é apenas um, mas a soma de quatro clubes que, depois de passarem todo o tempo brigando entre si, agora descobriram que, unidos, poderão conseguir muito mais e crescer juntos. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo desde 17 de junho estão unidos no G4 S/A, uma empresa que pode mudar a história do futebol brasileiro.

O exemplo da Guerra do Paraguai

Durante mais de cinco anos – de dezembro de 19864 a março de 1870 – quatro países da América do Sul elevaram suas rivalidades ao extremo na Guerra do Paraguai, em que Brasil, Argentina e Uruguai, mesmo desconfiados entre si, lutaram contra o Paraguai do ditador Solano López. No final, ninguém ganhou, ao contrário, todos os quatro tiveram enormes prejuízos.
O Paraguai perdeu quase a metade de sua população, partes de seu território, teve sua economia arrasada e o país ocupado por tropas estrangeiras por dez anos. O Brasil ficou com uma grande dívida externa e teve 50 mil mortos; a Argentina perdeu metade de suas tropas, assim como o Uruguai. Todos saíram empobrecidos e isso retardou enormemente o desenvolvimento da região.
Setenta e um anos depois, em Assunção, os mesmos quatro beligerantes assinaram o tratado que deu origem ao Mercosul, comprometendo-se a colaborar para o desenvolvimento econômico e social comum. A partir daí a região gozou de estabilidade política e econômica jamais vista. A história, enfim, havia lhes ensinado a paz, no mínimo, é o melhor negócio.

O que cada um ganha com o G4 S/A

Os quatro grandes paulistas ganham as mesmas coisas, que são:

– Troca de informações nas áreas administrativa, jurídica, de marketing e comunicação.
– Fiscalização contra a pirataria de produtos.
– Apoio para melhores acordos com a TV.
– Apoio político.
– Valorização dos clássicos paulistas.
– Possibilidade de negociação de jogadores sem intermediários.
– Elaboração de um teto salarial para jogadores e comissão técnica.

E então, que tal escolher um presidente que sabe transformar boas ideias em realidade?


A imprensa dos lobbies: contra Neymar e a favor de Sanchez

Um dos objetivos deste blog é fazer as pessoas enxergarem as intenções jornalísticas por trás das notícias. No caso de Neymar, todo mundo já percebeu os motivos de quem está interessado em ver o garoto longe do Santos e do Brasil. Não há nada de edificante nisso. Mas agora peço que percebam a campanha de alguns veículos – como o UOL e a ESPN – contra José Maria Marin, o presidente da CBF.

Que Marin é flor que não se cheira já se sabia há muito tempo. Mas agora há uma verdadeira campanha para tirar o homem do comando da CBF. Até sua cumplicidade com a ditadura militar foi revivida. A ordem é pintá-lo como o pior dirigente possível para o futebol brasileiro. Até aí tudo bem. Imprensa existe para investigar a vida dos dirigentes mesmo, já que é recomendável que tenham, no mínimo, bons antecedentes e nada que os desabone…

Porém, será que a intenção é apenas destituir Marin? Claro que não. O objetivo maior é guindar ao cargo Andres Sanchez, parceiro do ex-presidente Lula, nome trabalhado nos bastidores para assumir a CBF nesses tempos gordos de Copa das Confederações e Copa do Mundo.

Agora, se Sanchez é um candidato natural ao cargo mais importante do futebol brasileiro, será que não seria igualmente jornalístico sabermos um pouco mais do passado do ex-presidente corintiano? Sabemos que ele foi um dos fundadores da torcida organizada “Pavilhão 9” – dado nome em homenagem ao pavilhão mais violento do Carandiru –, que mantinha um cargo não remunerado nas divisões de base do Corinthians, tornou-se vice-presidente do clube na gestão de Alberto Dualib e assumiu o poder com a desgraça do titular.

Da mesma forma que a vida de Marin tem sido devassada em nome do bom jornalístico investigativo, não seria justo tentar descobrir um pouco mais do passado de Sanchez, de seus negócios e de como ganhou a vida até aqui? Pois é. Desconfie de campanhas da imprensa contra ou a favor de alguém. Elas sempre escondem segundas intenções.

Se o objetivo fosse tirar a CBF de mãos interesseiras, suspeitas e parciais e entregá-la para administradores honestos, éticos e competentes, outros nomes deveriam estar entre os cogitados. Sanchez é mais do mesmo. Pior: é mais um instrumento da espanholização do futebol brasileiro.

A aula de PVC no caso Neymar

Depois de tentar, por cinco minutos, assistir ao programa “Bem Amigos” e ouvir seguidos elogios a Galvão Bueno – todos vindos dele mesmo –, pulei para a ESPN, onde José Trajano, PVC e outros dois participantes juntavam-se em torno de uma mesa para discutir os grandes temas do nosso futebol.

Um senhor alfinetou dizendo que Neymar deveria estar desanimado de jogar o Campeonato Paulista e assistir, pela tevê, a Champions League, onde deveria estar se já tivesse ido para a Europa. Foi a deixa para levar uma aula tão precisa do sempre bem-informado PVC que o senhor quase encostou o queixo na mesa, como se quisesse enterrar-se nela.

Se for para o Barcelona agora, lembrou PVC, Neymar terá de ceder ao clube espanhol 50% de toda a verba que recebe de seus patrocinadores. Outro detalhe, corroborado por Trajano, é que pela diferença do calendário futebolístico entre o Brasil e a Europa, Neymar estará descansado durante a Copa de 2014, enquanto os europeus estarão exaustos, o que aumentará a chance de o brasileiro se sair bem no Mundial e ter o seu passe ainda mais valorizado.

Antes de uma Copa o caminho natural para o jogador brasileiro que está no exterior é voltar ao Brasil, e não o inverso. Até porque há um período de adaptação para o jogador que sai do País e Neymar não pode correr o risco de abandonar o conforto do Santos e enfrentar as diferenças de estilo de jogo, clima, comida e idioma que encontrará na Europa.

E você, tem percebido os lobbies da imprensa esportiva?


Hoje é dia de Neymar doar sangue para o bem da CBF

A Seleção Sanguessuga está formada de novo e hoje enfrentará o time B da Argentina, logo depois da novela, em Goiânia. Neymar, que está perdendo peso por ser sugado pelos vampiros da CBF, mais uma vez será obrigado a trabalhar – e apanhar – para quem não lhe paga o salário.

A Globo tentará vender o jogo como o superclássico das Américas, mas não se iluda. Será mais uma pelada totalmente dispensável. Como só podem ser utilizados jogadores em atividade no continente, o adversário é tão fraco que nos comentários do jornal Olé os leitores argentinos prevêem que o time do retranqueiro Alejandro Sabella vai tomar de quatro ou cinco. Aliás, lá, como aqui, tem muita gente torcendo contra sua seleção, justamente para que seus técnicos caiam.

Se a Seleção Brasileira já era um balcão de negócios nos tempos de Ricardo Teixeira, hoje com o titio José Maria Marin, Andrés Sanchez e Lula, virou uma máquina insaciável de fazer dinheiro e moer carne. Neymar já deixou de fazer 14 jogos pelo Santos devido às convocações para a Seleção. Ou seja, o Alvinegro Praiano está perdendo a chance de disputar a Copa Libertadores no ano que vem e ainda corre o risco de ser rebaixado este ano por causa dos conluios entre os homens que dividem o poder na Seleção Brasileira.

A orientação política da CBF é totalmente anti-santista. O que, por um lado, é bom. Pois pelos inimigos é que se conhece o caráter de um homem. Creio que o início de um movimento para que Luis Álvaro se tornasse presidente da entidade despertou a ira dos que estão se lambuzando com o poder e não querem perder o mel. Pior para o Santos, que está sendo prejudicado acintosamente por uma confederação que deveria preservar os grandes clubes e os grandes jogadores brasileiros, ao invés de exauri-los.

Uma grande diferença entre Neymar e Messi

Para quem gosta de fazer comparações entre Neymar e Messi, é importante informar que o craque do Barcelona não perdeu uma única partida do seu clube por causa da Seleção Argentina e só precisou dedicar 26 dias de 2012 à Seleção, enquanto Neymar já passou 63 dias na convivência desagradável de Menezes, Sanchez e quetais (informações do leitor Wilson de Polli).

Para este ano o Brasil teria de jogar só mais uma partida, contra a Argentina, fora de casa, em 3 de outubro. Mas a gananciosa CBF já aceitou mais dois amistosos inúteis e endinheirados: dia 11 de outubro, contra o Iraque, treinado por Zico, na Suécia, e dia 16 de outubro, contra o Japão, em Wroclam, na Polônia. E lá se vai Neymar de novo, forçado a se expor física e psicologicamente para manter o emprego de Mano Menezes e o esquema inescrupuloso que hoje controla a CBF.

Como já estava no script, Mano Menezes nega que a Seleção seja a culpada pelo cansaço de Neymar e alega, com a maior cara de pau do mundo, que lá é o lugar em que o jogador descansa mais. Ainda seguindo o script, agora que o alvinegro de Itaquera não tem mais pretensões no Campeonato Brasileiro, chegou a hora de convocar seus jogadores em massa. Portanto, esse Brasil cometerá a temeridade de ter cinco jogadores do alvinegro da Zona Leste paulistana.

A pelada nas Américas

Para este jogo inusitado, em que muitos torcedores de Brasil e Argentina torcerão contra suas Seleções, o Brasil jogará com Jefferson, Lucas Marques, Dedé, Rever e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Jadson; Lucas, Luis Fabiano e Neymar.

A Argentina, treinada por Alejandro Sabella, o Mano Menezes deles, deverá iniciar a partida com Ustari, Desábato, Seba Domínguez e Vergini; Peruzzi, Maxi Rodríguez, Braña, Guiñazu e Clemente Rodríguez; Mori (Martínez) e Mugni (Barcos).

Para comandar este falso superclássico das Américas, nada melhor do que um trio paraguaio, formado pelo bom árbitro Carlos Amarilla e seus auxiliares Rodney Aquino e Carlos Cáceres.

O jogo está armado para o Brasil ganhar bem e fortalecer a posição de Mano Menezes, Andrés Sanchez, José Maria Marin, o conselheiro Lula e o organizador da Copa Ronaldo “Femômeno”.

A nós, santistas, só nos resta torcer para que Neymar sobreviva aos pontapés adversários e às artimanhas de Mano Menezes para jogá-lo às feras se a vaca for pro brejo. Jamais torci para a Argentina, mas que uma derrota por 5 a 4, com quatro gols de Neymar, seria interessante, ah, como seria…

E você, o que espera da pelada das Américas, hoje, em Goiânia?


Os brasileiros de bem com a vida torceram por Neymar

Já tinham me prevenido que torcidas organizadas do alvinegro de Itaquera e do tricolor de Vila Sônia estavam orquestrando as vaias a Neymar que ouvimos ontem. Vaias iniciadas por uma minoria de babacas invejosos que se espalhou entre outros iguais e mostrou porque o paulistano é tão mal visto no resto do País. Apupar justo o melhor jogador do time é demonstração patética de complexo de inferioridade.

Dizem que é porque nós, oriundos de São Paulo, herdamos a rebeldia dos anarquistas italianos. Eu acho que é pura babaquice mesmo. Na Copa de 1950 já foi assim. No único jogo que fez em São Paulo, no Pacaembu, o Brasil ficou apenas no empate com a Suíça (2 a 2), embaixo de vaias. Foi por essa partida que Nélson Rodrigues escreveu que São Paulo não fazia parte do Brasil.

Ontem, isso ficou mais uma vez evidente. Espero que a Seleção Brasileira não faça nenhuma partida no suspeito e sombrio Itaquerão, pois lá não teria o apoio incondicional do público. Na verdade, correria até o risco de ser vaiada do começo ao fim. Ainda bem que a decisão da Copa de 2014 está prevista para o Maracanã. O carioca sempre assumiu a Seleção com carinho, como se fosse dele.

Na verdade, a má vontade, ontem, não foi apenas com Neymar – que, repito, xinga a mãe de todos os medíocres com o seu sucesso -, mas sim com o time todo. Em determinado momento gritava-se “olé” para as trocas de passes do violento time da África do Sul, em uma cena vergonhosa. Os afobados africanos estavam dando da medalhinha do pescoço para cima e ainda tinham o apoio de um bando de vendidos.

Por que querem Neymar na Seleção?

A decisão de Mano Menezes de substituir Neymar a um minuto antes do final do jogo foi de mau caratismo ímpar. Ele sabia que com essa atitude covarde serviria o garoto de bandeja para a hostilidade dos torcedores rivais. E depois ainda teve a coragem de dizer que tirou Neymar para poupar-lhe o físico. Ora, poupar um minuto? Que hipocrisia!!! Se quiser mesmo poupar, por que não o dispensa do jogo contra a China, segunda-feira? Quer que o Santos, que paga o salário do jogador, o poupe, mas não está disposto a poupá-lo na Seleção?

Ora, ora, ora, que grande malandro é esse Mano Menezes. Enfim, jogou o seu principal jogador, aquele que mantém o seu emprego, às feras. Acho que faz parte do plano atrapalhar tanto a vida de Neymar no Brasil para que um dia ele aceite ir para a Europa, arrumando a vida de meio mundo.

O que incomoda mais os santistas é que Neymar desfalca o Santos no Brasileiro para passar esses momentos desagradáveis na seleção sanguessua da quadrilha formada por Mano Menezes, José Maria Marin, Ronaldo Fenômeno e Andres Sanchez. É odiável constatar o quanto o mal ainda pode prevalecer sobre o bem, o quanto é fácil disseminar sentimentos negativos sobre alguém de destaque…

Para completar, os problemas para o garoto não estão só no comando pernicioso da Seleção Brasileira ou nas manifestações ensaiadas de um bando de torcedores idiotas. O opositor pode estar travestido de companheiro de time… Ou ninguém percebeu que Oscar evita dar a bola para Neymar?

Ontem isso ficou flagrante quando Neymar tinha um espaço livre até o gol adversário, e Oscar, mesmo vendo a jogada e ouvindo os pedidos do santista, preferiu virar-lhe as costas e passar para Hulk, que estava marcado. No fim do ataque, que não deu em nada, foi possível perceber a decepção de Neymar com o companheiro (que no Sul-americano sub-17 já tinha ouvido do técnico do São Paulo, Paulo César Carpeggiani, o conselho de não passar para o santista).

Enfim, só um cego não percebe o pior dos mundos que algumas pessoas querem inflingir a Neymar para que ele – para alívio dos apátridas interesseiros – se decida por viver e jogar futebol em um país de seres humanos normais. Porém, Neymar sabe que sempre terá o amor incondicional dos santistas e que o povo brasileiro é muito mais generoso do que aquele bando de recalcados que foi ontem ao Morumbi.

E você, o que achou das vaias a Neymar?


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