Antes do clássico de domingo, surgiu a notícia de que Paulo Henrique Ganso poderia ficar três meses emprestado ao Corinthians antes de ir para a Europa. A informação procede. Realmente, há alguns meses a DIS e o próprio jogador ligaram para Andrés Sanchez e se ofereceram, em uma ponte que terminaria na Europa, provavelmente em Milão.

Na oportunidade, em respeito ao seu colega Luis Álvaro Ribeiro, Sanchez nem quis conversar. Agora, como o ambiente para o Ganso fica cada vez mais difícil na Vila, Sanchez e Ganso se falaram novamente, mas o presidente corintiano não concordou em pagar para ficar apenas três meses com o jogador.

Revendo os melhores lances do jogo, dá mesmo a impressão de que Ganso não fez o gol de cabeça por que não quis e também não se esforçou para ficar com a bola na jogada que acabou gerando o contra-ataque e o gol palmeirense. Posso estar vendo coisas, mas também pode ser que não.

A verdade é que Ganso se esforçou por perder o respeito dos santistas, e parece que está conseguindo. Querer jogar na Europa é um direito de todo jogador, mas se queria tanto, por que assinou contrato com o Santos até 2015? E por que, para romper esse contrato, tem apelado para todos os recursos, mesmo os mais desprezíveis, como se oferecer ao maior rival?

Como já escrevi, Ganso dá a impressão de gastar no campo toda a sua inteligência, principalmente a emocional. Talvez falte-lhe empatia para se colocar no lugar dos outros. Não creio que ele ame o Santos. Tenho até dúvidas se tem mesmo capacidade de amar alguém além de si próprio.

Mesmo a vontade de ficar rico tem limite, e este limite é o caráter de cada um. Por mais que seja legítimo querer ser melhor remunerado e ter uma vida mais confortável, há valores que todo homem sério deve respeitar, e um deles é a própria palavra. E se chegou a assinar um papel, então, é impossível voltar atrás sem colocar em risco a hombridade.

Nesta situação, Ganso não pode ser escalado contra o Colo Colo

Não dá para dizer se Ganso fez corpo mole contra o Palmeiras, ou está mesmo jogando muito aquém do que pode. Talvez não esteja confiando plenamente no joelho operado. O certo é que do jeito que se apresentou domingo, não pode ser escalado contra o Colo Colo, na quarta-feira.

E se voltar a andar em campo? E se provocar sua expulsão só para prejudicar o time e criar um ambiente insustentável entre ele e o Santos? Estas possibilidades, infelizmente, agora parecem bem reais. Um jogador que é capaz de se oferecer ao maior rival, depois de um tratamento de sete meses no clube que o descobriu – período em que recebeu seu salário religiosamente, mesmo sem jogar –, parece ser capaz de todas as ingratidões possíveis.

O ideal é que Ganso vá para a reserva e fique lá, pelo salário de R$ 130 mil, até 2015; ou até que um clube pague a sua multa integralmente; ou até que resolva jogar futebol novamente. Enrolar o clube e o torcedor nessa fase difícil que o Santos vive é, no mínimo, sacanagem.

Um técnico interino como Marcelo Martelotte terá coragem de tirar Ganso do jogo decisivo do Santos este ano? Provavelmente, não. Mas deveria ter. Se o jogador e seus representantes comerciais fazem questão de se colocar em situação de conflito com o clube, que assumam as conseqüências.

O jogo de quarta não é uma partida para meninos mimados, mas para homens comprometidos 100% com o Santos e com o objetivo de conquistar a Libertadores. Quem está pensando em ir embora certamente não terá coração e coragem para participar da batalha. Que fique de fora, articulando outras maneiras de passar para trás os que o ajudaram a ser alguém.

E você, acha que Ganso deve jogar contra o Colo Colo?