Minha coluna de hoje no jornal Metro fantasia como seria o futebol brasileiro se os clubes tivessem de pagar todas as suas dívidas de uma hora para outra e a Globo desistisse de investir nas transmissões.

Futebol na estaca zero. Que ótimo!

Jornal Metro de Santos – edição desta sexta-feira

Robinho traz alegria e esperança ao futebol brasileiro

Robinho voltou. E com ele uma alegria da qual os santistas tinham se esquecido. O rapaz realmente traz ótimas lembranças e ainda significa muito não só para o Santos, mas para o que restou do futebol brasileiro. Este filme do Youtube que postamos ontem mostra jogadas que hoje parecem inacreditáveis. Que jogador brasileiro, além de Neymar, pode fazer aquilo?

Robinho não é só um jogador de extrema habilidade. Tem aquela inteligência do boleiro malandro e debochado, mas que sabe o que é importante para se ganhar um jogo. Qual jogador brasileiro, além de Neymar, repito, tem habilidade, confiança e personalidade para fazer o que Robinho faz em campo?

Kaká é outro ótimo jogador que voltou da Europa, mas voltou com sérias limitações clínicas. Infelizmente, jamais será o Kaká dos bons tempos. Ronaldinho Gaúcho era o jogador de maior destaque no Brasil, mas vai embora em busca do inesgotável pé de meia. Quem sobrou com bola e carisma para ocupar o seu espaço? Diga: tem sete letras.

Aos 30 anos, Robinho ainda é jovem. Não padece de nenhum mal crônico, mantém o físico esbelto, a mesma ginga, e talvez só esteja precisando mesmo da confiança e do carinho que os santistas nunca lhe negaram.

Tenho inúmeras ótimas lembranças de Robinho. Não só de suas atuações extraordinárias nos Brasileiros de 2002 e 2004 e no primeiro semestre mágico de 2010, mas por suas demonstrações de amor ao Santos. Em 2003 estive no CT do Santos para levar exemplares do livro “Time dos Sonhos” a Vanderlei Luxemburgo, integrantes da comissão técnica e, principalmente, aos jogadores. Robinho foi um dos mais felizes com o presente.

Recebeu o livro, todo sorridente, posou para a foto que meu filho Thiago e o amigo dele, o Guilherme, fizeram, e depois deve realmente ter lido aquelas mal traçadas linhas, pois em seu perfil no falecido workut, inscreveu o “Time dos Sonhos” como seu livro favorito. Ao conhecer a história do Santos de cabo a rabo, entendeu melhor o honra de jogar nesse time e jamais permitiu que jornalistas ou dirigentes diminuissem o Santos.

Robinho e Santos é um caso de amor correspondido. Muitos clubes brasileiros já quiseram contratá-lo, mas ele sempre preferiu voltar para a querida Vila Belmiro. Agora, como em 2010, o Santos precisa tanto dele, como ele precisa do Santos. Torçamos para que este novo casamento seja para sempre.

Jornalistas José Calil e Fernando Sampaio apóiam nova divisão de cotas

Já tinha o texto quase pronto quando me deparei com a entrevista do presidente do Atlético Mineiro, Aleandre Kalil, no UOL. O dirigente, que tem demonstrado muita coragem em suas declarações, expõe de uma maneira nua e crua os problemas que a política de espanholização adotada pela Rede Globo estão causando aos clubes brasileiros. Em uma de suas contundentes respostas, Kalil afirma:

“A única coisa que eu espero que seja discutida é a “espanholização” do futebol brasileiro, porque eles só querem passar jogos de Flamengo, Corinthians, Corinthians e Flamengo. Só que a maior audiência da Globo no ano passado foi o Atlético-MG na Libertadores, e nós precisamos entender que acabou essa história de que Corinthians e Flamengo dão audiência. Dão porra nenhuma! Quem dá ibope é quem está na frente e quem disputa títulos. Você acha que alguém vai ver jogos do Flamengo com o time caindo? Você acha que o Flamengo no meio da tabela dá mais resultado para a TV do que o Internacional tentando ser campeão, por exemplo? A Globo deve ter visto isso. Ela se fudeu quando deu 52% da renda para cinco times. Acabou com a praça da Bahia, vai acabar com a praça de Belo Horizonte e vai detonar todas as outras. A Globo está fragilizada porque a audiência está indo para o caralho, e é só isso.”

Percebe-se que as ideias que são divulgadas e discutidas neste blog há mais de três anos finalmente estão germinando por aí. Ainda ontem enviei para amigos jornalistas a proposta que elaborei para a divisão de cotas de tevê. Dois deles já me responderam, apoiando a medida e sugerindo algumas alterações. Foram José Calil, da Rádio Transamérica, muito conhecido entre os santistas por comandar um programa apenas sobre o Santos na Rádio Trianon, e Fernando Sampaio, eclético comentarista da Rádio Jovem Pan. A seguir, transcrevo a íntegra de suas respostas:

Fala Odir,

Já tinha lido sua proposta. É muito boa mesmo. Eu sempre lutei contra essa espanholização que querem implantar por aqui.

Pessoalmente defendo uma proposta mais simples, com os 12 maiores clubes do Brasil recebendo rigorosamente a mesma quantia da TV e com o pagamento de alguns bônus por conquistas. E os demais clubes sendo divididos em categorias inferiores de pagamento de acordo com seu desempenho nos anos anteriores.

Qualquer hora conversamos com calma.

Um abraço.

José Calil

Grande Odir,

É, sou contra a divisão atual, falo isso há um tempo. A espanholização prejudica o futebol, não existe Brasileirão forte sem todos fortes, afinal os maiores clubes já têm, naturalmente, uma receita maior porque vendem mais camisas, ingressos, patrocínios, etc…

Concordo com 50% dividido entre todos. Eu faria o restante pela ordem técnica.

Esta proposta de audiência é complicada. Não acho justo a TV ser obrigada a fazer jogos de clubes que não tem grande audiência. A TV tem suas obrigações e entregas comerciais. Acho justo fazer um mínimo, tudo bem, mas a maioria dos jogos devem ficar na escolha da TV, até porque alguns grandes podem estar fracos e outros disputando título ou rebaixamento.

Agora, o mais importante, FUNDAMENTAL, é negociação coletiva, como fazem as ligas que você citou: Alemanha e Inglaterra. Isso estava sendo feito aqui com o Clube dos Treze, mas em troca de favores (títulos e estádio) os clubes implodiram a negociação coletiva.

Alguns clubes só tiveram aumento na cota graças a entrada da RECORD na parada, caso contrário a Globo não teria aumentado a oferta.

Abs e saudades,

Fernando Sampaio

A situação submissa e inferiorizada de quase todos os times brasileiros diante da Rede Globo já era prevista logo que o Clube dos Treze foi desmantelado e a negociação coletiva foi trocada pela individual. A manobra, que teve Andres Sanchez como instrumento, a médio prazo só beneficiaria dois clubes, como vem ocorrendo. Olha só o que este Blog já dizia em 24/02/2011:

Pode ser o fim do Clube dos Treze ou pode ser o fim do futebol na Globo

E em 25/02/2011:

Negociação individual desvalorizará o Campeonato Brasileiro

E em 04/03/2011:

Negociação individual não deu certo na Europa

E em 24/03/2011:

Santos assina com a Globo e sacramenta sua inferioridade

Parabéns mestre Zito, o mentor do melhor time de todos os tempos


Um belo filme do amigo Wesley Miranda sobre o Zito

Um grande time não se faz só com craques habilidosos, mas sim com líderes natos, que colocam a alma em campo e conseguem passar essa vontade para seus companheiros. O melhor time de todos os tempos teve a sorte de contar com um mentor exigente e destemido chamado José Ely de Miranda, o Zito. Hoje, 8 de agosto, ele completa 82 anos. Nasceu em Roseira, que na época nem era cidade e pertencia à Aparecida do Norte, e desde que chegou à Vila Belmiro, em 1952, aos 20 anos, adotou Santos como sua cidade. Zito marcou 57 gols em 727 jogos pelo Santos, mas seu forte era a marcação, a organização do time, a liderança dentro e fora do campo. Podia-se dizer que era o auxiliar direto do técnico Lula, pois funcionava como um técnico dentro do campo. Ganhou 22 títulos oficiais com o Alvinegro Praiano: 2 Mundiais, 2 Libertadores, 5 Brasileiros (Taça Brasil), 4 Rio-São Paulo e 9 Paulistas, além de inúmeros torneios. Mande sua saudação ao mestre e ele a receberá.

E você, acha que Robinho pode brilhar no Campeonato Brasileiro?