Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O espírito correto do Centenário e o jogo contra o Linense

Percebi nos comentários que há muito santista desanimado para participar das festas do Centenário do clube. Descontentes com o momento atual do Santos – em que o técnico não consegue fazer o time jogar bonito e pra frente, e alguns jogadores, mesmo decepcionando, recebem salários altíssimos – um bom número de leitores do blog não quer nem ouvir falar de participar do Cruzeiro do Centenário.

Respeito e considero legítimas todas as manifestações dos santistas. Mas gostaria apenas de lembrar que as festividades de 100 anos do Santos não comemoram os feitos desta época ou desta administração, mas de toda a rica história do Santos, que começou no longinquo 14 de abril de 1912 e vem até os nossos dias. De Adolfo Millon Jr. a Neymar, todos os ídolos merecem esse reconhecimento.

Mesmo que o Santos estivesse na terceira divisão, brigando com Jabaquara e Portuguesa Santista para ser o time mais importante da cidade, ainda assim mereceria o nosso carinho e respeito. Recusar-se a ir ao Cruzeiro do Centenário porque prefere ver o time tricampeão paulista, desculpem-me, mas soa como desculpa. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E é possível ter as duas.

Não acho justo que tudo que os antepassados fizeram de importante para o Santos seja esquecido caso o time não venha a ser campeão em 2012. Que responsabilidade Urbano Caldeira, Araken, Feitiço, Antoninho, Pepe, Del Vecchio, Pelé e tantos outros podem ter pelo momento presente? Eles já fizeram a sua parte, e o fizeram com extremo brilhantismo. A hora de demonstrar nossa gratidão é agora.

Muricy volta a escalar reservas

Com o argumento de que já tem o time para estrear na Copa Libertadores, quinta-feira, contra o Strongest, na Bolívia, o técnico Muricy Ramalho escalará uma equipe de reservas para enfrentar o Linense, hoje, às 19h30m, em São Bernardo do Campo.

O lado ruim dessa decisão é que um jogo que geralmente daria três pontos, passará a ser muito difícil. O lado bom é que poderemos ver jovens como Anderson Carvalho, Felipe Anderson e Paulo Henrique, que dificilmente teriam chance no time se o técnico resolvesse manter os “titulares”.

Dizem que o técnico optará por uma formação com três zagueiros. Acho isso tão absurdo que me nego a admitir a hipótese. Assim, meu time para o jogo de hoje seria Aranha; Fucile, Bruno Aguiar, Vinícius Simon e Paulo Henrique; Anderson Carvalho, Íbson e Felipe Anderson; Dimba, Rentería e Alan Kardec (Dimba foi bem jogando pela meia-direita, porque não lhe dar uma chance desde o começo?)

Os duelos entre Santos e Linense

Por Wesley Miranda

Santos e Linense se enfrentaram 11 vezes ao longo da história, com 8 vitórias santistas e 3 vitórias do Linense. O Peixe marcou 44 gols e o Elefante 19.

Em Campeonato Paulistas foram 7 jogos, excluindo a fase de classificação de 1956 e 1957. O Santos venceu 5 jogos e perdeu 2. Marcou 24 gols e sofreu 12.

O primeiro confronto
O primeiro confronto foi em um amistoso valendo taça, no dia 26/08/1945. E o Santos venceu por 2 a 0 com gols de Jorginho e o magistral Antoninho Fernandes. Com a vitória, o Santos conquistou a taça Ulysses Guimarães. Sim, ele mesmo, em 1943 era dirigente santista.

Uma virada espetacular
Pelo Paulista de 1954, jogando na Vila Belmiro, o Linense terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 2. Na volta do intervalo, o eterno Zito empatou aos 5 minutos, iniciando a reação, completada por Feijó aos 13, Tite aos 14 e Del Vecchio aos 16 minutos. Quatro gols em 11 minutos!! O Santos ainda venceu por 8 a 4

“Pré Paulistão”
Nos anos de 1956 e 1957 a cartolagem inventou uma fase classificatória em turno único. Os 10 melhores se qualificavam para o Campeonato Paulista e os 10 piores definiriam quem caía. Nesse
“Pré Paulistão” o Santos jogou nos dois anos contra o Linense. Em 1956 quando venceu o torneio classificatório e conquistou o Troféu Dr. Jorge dos Santos Caldeira, goleou o Linense por 9 a 1 no dia 29/09 em partida realizada na Vila Belmiro. Em 1957 também na Vila Belmiro, outra goleada, 7 a 1 no dia 23/06.

O artilheiro do confronto
O artilheiro do confronto com 9 gols é o vicentino Del Vecchio. O menino da Vila que foi artilheiro do Paulista de 1955 (23 gols) que quebrou o jejum do Santos, ficou no Peixe apenas até 1957 quando foi brilhar no Milan e Boca Juniors. Voltou para a Vila Belmiro em 1965. Marcou 105 gols com a camisa alvinegra (17º que mais fez gols pelo Santos).

Em seguida vem o ponta Tite com 6 gols. Tio do lateral Léo, Tite veio do Fluminense em 1951, e disputou 475 partidas (8º que mais jogou) e marcou 151 gols com a camisa do Santos (10º que mais marcou).

E você, só comemorará o Centenário se o Santos for campeão em 2012?


Veja o filme mais antigo de um jogo entre Santos e Corinthians


Pinhegas, o ponta-esquerda que veio do Fluminense e se apaixonou pelo time e a cidade; Odair, o ex-jornaleiro que virou artilheiro, e o poster de A Gazeta Esportiva em homenagem ao vice-campeão paulista.

Esses três vídeos, de origem desconhecida, trazem as imagens mais antigas que se conhece de um clássico entre Santos e Corinthians.

Ao assistir, abaixe o som, pois a locução não tem nada a ver com o filme. Na verdade, só o som do primeiro vídeo pode ser interessante, pois é um depoimento de Pelé para o Museu da Imagem e do Som.

O jogo, realizado em 4 de julho de 1948, valeu pela sexta rodada do Campeonato Paulista, que naquele ano durou oito meses, de maio a dezembro.

Nos cinco jogos anteriores, o Santos havia vencido quatro – entre eles o clássico com o Palmeiras, campeão do ano anterior. Sem contar que na estréia goleara o Nacional, de São Paulo, por 7 a 0.

Estréia de Pinhegas

Este jogo com o Corinthians marcou a estréia do ponta-esquerda Pinhegas no Santos. Rápido, com bons chutes de esquerda e direita, ele veio do Fluminense com 30 anos, mas jogou mais nove no Alvinegro Praiano, encerrando a carreira em 1957, com 34 gols em 94 jogos (como tantos outros jogadores que adotaram a cidade, Pinhegas passou a viver em Santos, onde faleceu em 2 de fevereiro de 2007 e foi sepultado no Cemitério de Filosofia, no Saboó).

Além do estreante Pinhegas, este Santos se 1948 tinha dois jogadores de destaque: o clássico meia Antoninho, considerado um dos melhores santistas de todos os tempos, e o centroavante Odair, que depois de ter trabalhado como jornaleiro quando criança, era um dos jogadores mais famosos da época e seria o vice-artilheiro do campeonato, com 15 gols (atrás apenas de Cilas, do Ypiranga, com 19).

Torcida do Santos era bem maior

Os torcedores, muitos de terno, chegavam no bonde 17, que passava pela Vila Belmiro. Repare que torcedores dos dois times ficavam juntos. Não havia e nem precisava de divisão de torcidas.

Note que não havia filas ou organização para se comprar ingressos e teve um momento em que a cavalaria teve de intervir. Ou seja, o tratamento ao torcedor continua o mesmo.

Os ingressos eram vendidos indistintamente. O que quer dizer que se fosse realmente a maior torcida da cidade – como alguns energúmenos fazem questão de divulgar –, obviamente seriam também a maioria no estádio. Porém, perceba nas comemorações dos gols, que os santistas são a grande maioria.

Athié começava aera do Santos grande

O filme mostra, espremido na multidão, o presidente do Santos, Athié Jorge Cury. Nesta época ele começou a filosofia de não vender os melhores jogadores e montar um time para ser campeão.

Com 15 vitórias, dois empates e apenas três derrotas, o Santos terminaria este Paulista de 1948 na segunda posição, apenas dois pontos atrás do São Paulo (em uma época em que vitórias só davam dois pontos). Para variar, seu ataque foi o mais positivo, empatado com o do São Paulo, com 54 gols.

O Santos continuaria fazendo boas campanhas nos anos seguintes, obtendo novamente o vice-campeonato em 1950, apenas um ponto atrás do Palmeiras.

Até que em 1955 conquistou seu segundo título paulista e iniciou um período de longa hegemonia no futebol de São Paulo, no qual, em 15 campeonatos, foi 11 vezes campeão.

Detalhes do filme

Perceba que há um lance – de 2m22s a 20m31s do terceiro vídeo – em que o jogador do Santos sofre falta na área, mas o árbitro marca impedimento. Será que já era o apito amigo a favor do rival?

Veja no primeiro filme detalhes dos arredores do estádio, com as mesmas casas que existem até hoje.

Note que um ônibus para e sai um monte de gente fumando lá de dentro. Imagine como deveria ser a qualidade do ar dentro do coletivo.

Repare a loucura dos torcedores que se penduram em uma alta torre de transmissão para ver o jogo. E um que tenta escalar o muro.

Perceba, nos lances de jogo, que se usava muito os centros altos para a área. Era chuveirinho sem parar. Não se costumava tocar a bola para o lado. Era ataque o tempo todo.

O gramado era ralo e a bola quicava muito. Era mais difícil controla-la.

Súmula do jogo (uma cortesia do amigo Khayat, que a pesquisou)

Detalhe: O público presente era maior do que o previsto para este domingo.

Repare no nível dos técnicos: Oswaldo Brandão pelo Santos e Gentil Cardoso pelo Corinthians. Dois personagens lendários do futebol brasileiro.

04/07/1948 Santos FC 3×2 SC Corinthians Paulista

Local: Vila Belmiro – Santos (SP)

Competição: Campeonato Paulista

Renda: Cr$ 115.135,00

Público: 12.688 + cerca de 6.000 sócios (18.688 total)

Árbitro: Vicente de Paulo Luz

Gols: Pinhegas 10, Severo aos 14 e aos 43 minutos do primeiro tempo; Odair aos 30 e aos 42 do segundo.

Santos: Robertinho; Artigas e Expedito; Nenê, Telesca e Alfredo; Odair, Antoninho, Pascoal, Paulo e Pinhegas. Técnico: Osvaldo Brandão.

Corinthians: Bino; Rubens e Belacosa; Newton, Hélio e Aleixo; Cláudio, Baltazar, Servílio, Severo e Noronha. Técnico: Gentil Cardoso.

Bem, foi isso o que eu reparei nesse vovô dos filmes de Santos e Corinthians. Veja se você percebe mais alguma coisa interessante:

E aí, o que achou deste Grande Jogo de 1948?


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