O moderno Estádio do Dragão: média de 30 mil pagantes por partida do Porto.

No agradável e saboroso jantar na Geninha, preparado com esmero por seu filho Miguel, estávamos a conversar sobre assuntos diversos quando o tema passou para o futebol e, ao mesmo tempo em que eu falava do Santos, o Miguel, seu amigo Hugo, e Tiago, filho de Geninha, se concentravam no Futebol Clube do Porto, amado por quase todos naquela bela e organizada cidade portuguesa. E tirei dali informações que bem servem para aprumar nosso querido Santos no caminho de uma relevância internacional que não se restrinja à sua riquíssima história.

Abismei-me ao saber que a cidade do Porto, a segunda maior de Portugal, não chega a 240 mil habitantes (237.584 pelo censo de 2011) e só alcança 1.286.276 com a soma das populações dos municípios adjacentes. Santos, por sua vez, é habitada por mais de 400 mil pessoas, que alcançam um milhão e 600 mil com a soma das nove cidades da Baixada Santista (sem contar, portanto, o Grande ABC e São Paulo).

Porém, o tradicional Futebol Clube do Porto, que completou 119 anos em 28 de setembro, mantém a média de 30 mil espectadores em seu belo Estádio do Dragão, com capacidade para 52 mil pessoas, que há oito anos substituiu o velho Estádio das Antas, que comportava 30 mil.

“Costumamos comprar os bilhetes para toda o campeonato logo no início da temporada”, explicou-me Tiago, 22 anos, estudante a dois anos da formatura. Em seguida, informou que os preços dos ingressos variam entre seis e 23 euros. Como é sócio, pagou cerca de oito euros, ou pouco mais de 20 reais, para cada jogo do Porto no Campeonato Português.

Transplantei essas contas para o Campeonato Brasileiro. Para ver todos os jogos com mando do Santos, o torcedor que também é sócio, pagaria o total de 380 reais por 19 jogos, valor que ainda poderia ser parcelado. Algo plenamente viável, prático e que no mínimo triplicaria a média de público do Alvinegro Praiano na competição nacional.

E olhe que nem se pode comparar o conforto e as facilidades do Estádio do Dragão com a velha Vila Belmiro, ou mesmo com o Pacaembu. Então, por que o mesmo processo de carnês para todo o campeonato não é instituído pelo Santos? Não sei responder, mas nada me tira da cabeça que um pouco mais de trabalho e de atenção para o caso resolveria definitivamente o problema.

Vive o futebol brasileiro uma era salazarista?

O primeiro-ministro António de Oliveira Salazar, que governou Portugal por mais de 30 anos, era um benfiquista fanático. Gostava tanto do time de Lisboa, que interferia pessoalmente para que seus melhores jogadores jamais deixassem o clube, muito menos o país, e também para que as grandes revelações do futebol português acabassem jogando no Benfica (Eusébio, o Pantera Negra, chegou a queixar-se de que perdeu boas oportunidades de atuar no exterior, por contratos milionários, devido à proibição de Salazar).

Com isso, nos anos 60 o Benfica chegou a conquistar oito em dez títulos portugueses. Mas o reinado de Salazar terminou em 1968 e a partir daí o futebol pôde seguir sem maiores ingerências dos políticos.

Hoje, o mais organizado Porto domina o futebol de Portugal. Com sete títulos nos últimos dez, o Dragão vê sua torcida crescer, principalmente entre as crianças. Enfim, a meritocracia prevalece e é por ela que, também no Brasil, vale a pena os santistas e as pessoas de bem lutarem. Não há mal que sempre dure…

Um blog que anda sozinho. Graças a vocês

Nas férias, mesmo de longe, acompanhei o andamento do blog e, mais do que ficar feliz, me emocionei. O comando discreto e eficiente do amigo Vítor Queiroz de Abreu e a participação dos freqüentadores deste espaço – com textos inspirados e instigantes – provaram, mais uma vez, que ninguém é insubstituível, e que as boas ideias têm vida própria. Fico até com receio de voltar e fazer o blog cair o nível. Só posso prometer que o espaço continuará aberto à colaboração inestimável de todos. Obrigado!

E para você, o que o Santos pode aprender com o Porto?