O Uruguai, que melhorou muito depois das eliminatórias, mereceu amplamente a vitória por 3 a 0 sobre a África do Sul. Diego Forlan, com dois gols e muita participação, foi o destaque do jogo. Mas a África do Sul que eu imaginei vencendo hoje não seguiu o seu DNA, o instinto ofensivo da África. Mas o maior erro veio do técnico Carlos Alberto Parreira, que não aproveitou as circunstâncias para pressionar o adversário.

Como eu disse no post anterior, abaixo, o maior fator de vitórias no futebol é o local da partida. Todo time tem um porcentual de vitórias maior quando joga em casa. Quando vi, ao final do primeiro tempo, que os sul-africanos continuavam marcando em seu campo apesar de estarem perdendo, senti ali o dedo frio e burocrático de Parreira, para mim uma das maiores mentiras que o futebol já produziu.

Enganei-me, no post anterior, quando disse que ao menos inteligente o Parreira é. Hoje ele demonstrou o contrário. Ao colocar seu time na defesa ele deu a tranqüilidade que o Uruguai não esperava. No toque de bola, evidentemente uma seleção sul-americana sempre levará vantagem sobre uma equipe da África.

O que a África tem de melhor? Sua impetuosidade, sua alegria, sua força em busca de gols e vitórias. Ao colocar o time na defesa, contra um adversário menos forte do que o México, com quem já tinha empatado, o técnico brasileiro anulou a grande vantagem de jogar em casa.

Nas eliminatórias sul-americanas, o Uruguai só ganhou dois jogos fora de casa (1 a 0 na Colômbia e 2 a 1 no Equador). É um time sem armadores, que tem dificuldade contra uma equipe que pressiona a saída de bola. Mas Parreira resolveu que era mais cômodo ficar atrás e esperar pelos erros do adversário. Engano fatal.

E bem que o árbitro tentou ajudar. Economizou nos cartões aos sul-africanos e não deu um pênalti. Mas chegou uma hora em que não foi possível mais fazer vistas grossas. O pênalti que gerou o segundo gol e a expulsão do goleiro foram justas. Com tanta câmera em campo e ainda com o recurso da super câmera lenta, não dá mais para o árbitro roubar como antes.

Esta derrota joga por terra as chances de classificação da África do Sul, que agora passam a ser apenas matemáticas. Terá no mínimo de vencer a França no seu último jogo, o que é bastante improvável. Com isso, Parreira continua sem ganhar uma única partida em Copas do Mundo nas quatro vezes que dirigiu outras seleções, além da Brasileira: não conseguiu uma única vitória como técnico de Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes e agora, ao que tudo indica, passará mais uma Copa em branco.

O perdedor mais bem pago do mundo e Nelson Mandela

Com esta derrota o técnico Carlos Alberto Parreira continua sendo um dos perdedores mais bem pagos do mundo. Depois de rebaixar o seu Fluminense e perder títulos ganhos com outras equipes, ele agora foi um dos responsáveis pela maior tristeza que o povo da África do Sul sofreu desde que Nelson Mandela assumiu o poder.

Aliás, o esporte foi usado por Mandela para unir o país, como pode ser testemunhado no filme “Invictus”, cujo trailer está na home deste blog. Só espero que o medo e o pragmatismo do técnico brasileiro não tenham contribuído para a queda de Mandela e a volta do apartheid.