Estamos cansados de ver, por este mundo afora, grupos políticos que lutam contra ditaduras, mas, ao assumirem o poder, amparados pelos sonhos do povo e pelas teses dos intelectuais, manipulam a máquina estatal para instituir, ou tentar instituir, outra ditadura.

Se o objetivo desses grupos fosse apenas ideológico, se o esforço desses revolucionários de ocasião visasse apenas melhores condições de vida para as classes menos favorecidas, a decantada igualdade social, ainda haveria a desculpa do idealismo. Mas não. Seus líderes, invariavelmente, falam em nome das massas, mas querem mesmo é meter a mão na grana.

Desviam dinheiro público, abrem contas em paraísos fiscais, roubam do País o que seriam escolas, hospitais, casas próprias e empregos, muitos empregos, para garantir uma vida de luxo e ociosidade para si mesmos e seus herdeiros. São os piores bandidos que uma sociedade pode gerar, pois na verdade desprezam essa mesma sociedade e não estão nem um pouco preocupados com seu crescimento. São vampiros de corpos e almas.

Se passarmos essa visão para um clube de futebol, veremos que as melhores administrações, as que tornam uma agremiação maior e mais próspera, são aquelas que se preocupam, em primeiro lugar, com o povo que governam – no caso, os torcedores do clube.

Os grandes administradores têm a consciência de que o poder não lhes pertence, apenas lhes foi dado durante um certo período, e por isso devem liderar pensando em todos, ouvindo todos, tentando unir esperanças e esforços em busca de um objetivo comum.

Quando fico sabendo que, mais uma vez, o Santos vendeu um mando de campo – no caso, o jogo contra o São Paulo, dia 9 de setembro – para um estádio que nem sabe qual é, entristeço-me ao constatar que nada mudou desde o início do ano, quando Modesto Roma e sua equipe assumiram.

Se o negócio do Santos é jogar futebol e se as partidas são o grande evento em que o time e seu público entram em contato, por que o Santos ainda não montou uma equipe para organizar, vender, divulgar e dirigir seus jogos? Por que o marketing, que já trocou duas vezes de gerente, continua agindo como o restaurante que fecha na hora do almoço, ou seja, não atua decisivamente durante os jogos do time no Brasileiro?

E por que cargas d’água todos os estádios brasileiros podem receber um jogo do Santos – desde que um empresário qualquer compre esse direito – e o mais óbvio de todos, que tradicionalmente é o estádio do Santos na maior cidade da América Latina, o velho e bom Pacaembu, não pode receber nenhum compromisso do Alvinegro Praiano neste Brasileiro?

Até Marcelo Teixeira fazia o Santos jogar mais em São Paulo do que Modesto Roma, essa é a verdade. Revendo agora o Almanaque do Santos, escrito pelo professor Guilherme Nascimento, constato que no Brasileiro de 2009 o jogo de mais público com mando de campo do Alvinegro Praiano ocorreu no Pacaembu, em uma segunda-feira à tarde, diante do Vitória: 30.588 pessoas.

O fato de ter tido apenas 35 votos e ter sido o candidato menos votado na Capital, mostra que Modesto Roma já inspirava desconfiança na maior parte dos sócios do clube que votam em São Paulo. Estes, já desconfiavam que Roma faria uma administração voltada para a Vila Belmiro. Infelizmente, isso está se confirmando. Uma pena, pois Roma foi eleito para ser o presidente de todos os santistas.

Se ao menos o clube tivesse providenciado uma campanha nacional para atrair mais associados, como foi prometido várias vezes – e era, aliás, uma das metas do gerente de marketing que se foi -, ficaríamos com a impressão de que havia mesmo um plano de agigantar o Santos, de romper seus limites geográficos. Porém, nada se fez e nada se faz pelo sócio de outras cidades, como se fosse interessante perdê-los, já que assim essa administração terá menos votos contrários na próxima eleição.

Desculpem-me os modos, mas não posso aceitar que o Santos, como uma prostituta, vá para a cama, ou melhor, para o estádio, de quem pagar mais, e ignore os santistas da Grande São Paulo e do Interior do Estado, os maiores responsáveis pelos resquícios de grandeza que ainda restam ao clube.

Não precisa ser no Pacaembu. Que se mande um jogo do Santos no moderno estádio palmeirense, por que não? Dezenas de milhares de santistas gostariam de se sentir maioria em um estádio de verdade. O que não se pode é permitir que o Santos viva ao Deus-dará, sem planejamento, sem trabalho, sem organização, dirigido por uma nova confraria movida pelo rancor aos que pensam diferente.

Agora veja como o Santos calou o Maracanã:

História – isso ninguém vai tirar do Santos

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E você, acha que Modesto Roma tem administrado para todos os santistas?