Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Araken Patusca

QUESTÃO DE CULTURA: No Santos, técnico tem de colocar o time no ataque. No Corinthians, isso pode dar demissão.


Jogar pra frente só dá certo no Santos. Uma lição para Dorival Junior e Adilson Batista.

Cada time tem uma cultura. Enquanto os santistas não admitem que a equipe jogue recuada, com muitos volantes e poucos jogadores habilidosos; no Corinthians Adilson Batista continua sendo criticado por ter mudado o esquema defensivo de Mano Menezes e tornado a equipe mais ofensiva.

Integrantes da diretoria do alvinegro paulistano já culpam o ex-técnico pela provável perda do título brasileiro. Quando Adilson estreou no Corinthians, o time era líder do campeonato, com 24 pontos em 11 jogos. Nos 17 jogos seguintes, teve sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, ficando as últimas cinco rodadas sem vencer e culminando a fase ruim com uma derrota para o Atlético Goianiense, em pleno Pacaembu, por 4 a 3.

No Santos aconteceu o inverso. Depois de um primeiro semestre em que manteve três atacantes e dois meias ofensivos, fazendo o time golear meio mundo e relembrar os tempos de Pelé & Cia, Dorival Junior ficou preocupado com as saídas de Robinho, André e Wesley, além da contusão de Paulo Henrique Ganso, e resolveu proteger mais o meio-campo. Foi o suficiente para cair em desgraça com a torcida.

A questão é que o Santos foge ao lugar-comum tático de que times com jogadores melhores devem atacar, e com jogadores medíocres devem se defender. Não importa a qualidade técnica de seus representantes em campo, o santista só aceita que seu time jogue no ataque.

“Quem joga na defesa é time pequeno” é uma das máximas que se ouve na Vila Belmiro, território que não tolera o defensivismo de alguns técnicos. Não é à toa que o Alvinegro Praiano é o time que fez mais gols na história do futebol. Tudo no clube leva ao ataque.

Qual o único zagueiro de Copa do Mundo revelado no Santos? Joel Camargo. Fácil. Agora, um doce para quem enumerar todos os meias e atacantes excepcionais que nasceram na Vila. Adolfo Millon, Arnaldo Silveira, Haroldo, Araken Patusca, Antoninho, Del Vecchio, Pepe, Pelé, Coutinho, Juary, João Paulo, Pita, Edu, Robinho, Diego, Neymar, Paulo Henrique Ganso… E por aí vai… (certamente esqueci muitos).

Nunca me esquecerei da frase do técnico Francisco Formiga, quando lhe perguntei se o santos jogaria recuado contra o Flamengo, no Maracanã, para assegurar o título brasileiro de 1983: “Esse time não sabe jogar na defesa”, foi sua resposta. E o que poderia parecer uma deficiência, soou, para mim, como um grande elogio.

Enquanto outros torcedores se orgulham de serem “sofredores”, ou de terem uma “defesa que ninguém passa”, o santista pede: “Vai para cima deles, Santos!”. E já tem um coro pronto para quando a festa está completa: “Caiu na rede é peixe, eh, eh, ah, o Santos vai golear!”.

Talvez haja um quê de temerário nessa postura, mas foi assim, com coragem para confiar no seu talento de fazer gols, que o Santos construiu um caminho onde não havia nada. E assim ele seguirá, deixando que os outros se preocupem com a defesa.

Reveja agora a grande goleada do Santos este ano:

Você acha que atacar sempre é a melhor defesa, ou às vezes o Santos exagera e acaba se dando mal?


Ontem conversei com Mário Pereira, uma lenda santista

Os amigos e amigas devem ter estranhado a falta de respostas aos comentários deste blog ontem à tarde. É que fui a Santos conversar com Mário Pereira, 96 anos, remanescente do time campeão paulista de 1935.

Baixinho, mas habilidoso, Mário tinha 21 anos quando formou na equipe que venceu o Corinthians por 2 a 0, no Parque São Jorge, com gols de Araken Patusca e Raul Cabral Guedes.

As lembranças do velho campeão com alma de menino serão editadas para um filme histórico sobre o Santos produzido pela Canal Azul, a mesma produtora que recentemente lançou um filme do Corinthians.

Nascido em 4 de abril de 1914, apenas dois anos depois da fundação do Santos, Mário, “o perigo loiro”, foi um meia-direita tão eficiente no ataque como na defesa, que marcou 24 gols nos 41 jogos que fez pelo Santos (média admirável de 0,58 por jogo).

Marcado às vezes com violência, Mário teve a infelicidade de quebrar o joelho esquerdo em 1938, com apenas 24 anos, e ser obrigado a abandonar a carreira. “Nem me lembro quem foi. Só sei que entrou por trás e me quebrou aqui”, diz ele, mostrando a cicatriz que já tem 72 anos.

Nascido e criado em Santos, onde passou toda a vida, Mário nunca pensou em morar em outra cidade. Quanto lhe perguntei o que aconteceria se jogasse hoje e recebesse uma proposta milionária de um clube europeu, respondeu sem esperar o fim da frase:

“Não aceitaria nenhuma proposta para sair daqui. Aqui é a minha cidade, minha terra”, diz, sorrindo.

Torcedor fanático do Santos, acompanha todos os jogos do time pelo pay per view. Como fica muito nervoso, coloca as mãos e os pés em bacias d’água, para se acalmar.

Neymar e Ganso ele define da mesma forma que ao velho amigo Araken, também campeão de 1935: “São jogadores grandes, craques. Eu costumo dizer que ‘comem’ a bola.”

Voltei pra São Paulo feliz por ter conhecido e conversado com Mário Pereira, “o perigo loiro”. O Santos é o único time tradicional do país que ainda tem um jogador de seu primeiro título importante.

Acho que o filme sobre a história do Santos já começou bem.

Veja fotos de Mário Pereira aqui


Juventude e irreverência incomodam muita gente

(Este é o texto publicado ontem pelo jornal Lance)

O esquadrão que se mobiliza diariamente para perseguir Neymar, o Menino da Ouro da Vila Belmiro, ainda não se deu conta, mas está apenas cumprindo o script de uma história que começou em 14 de abril de 1912.

Sim, desde que foi fundado, a história do Santos se baseia em garotos talentosos versus o status quo do futebol, leia-se sociedade. O primeiro a assinar a lista de presenças da ata de fundação do Alvinegro Praiano foi um rapaz de 18 anos, Adolfo Millon Junior, que dois anos depois se tornou o primeiro ponta-direita da primeira Seleção brasileira.

Na mesma tarde histórica de domingo do clube Concórdia, havia outro jovem bom de bola, Arnaldo Silveira, que não só seria o primeiro ponta-esquerda da primeira Seleção Brasileira, como se tornaria, pela personalidade e liderança, capitão do escrete nacional.

Adolfo e Arnaldo, além de Haroldo, fizeram do Santos o time que mais cedeu jogadores para a primeira conquista importante do futebol brasileiro, o Sul-americano de 1919, jogado no Estádio das Laranjeiras.

Perceba que o Santos, desde o início, revelou craques fantásticos ainda imberbes, e entregou a eles o seu destino.

O fenômeno se repetiu em 1924, quando, com a o caixa a zero, o clube foi buscar a linha ofensiva do Brasil Futebol Clube, respeitado time amador de Santos. Com o ponta-direita Omar e os irmãos Camarão e Siriri iniciou-se a estrutura do famoso ataque dos 100 gols, o primeiro a alcançar a marca centenária em uma competição na América do Sul.

Com a ascensão de Araken Patusca, filho de Sizino, primeiro presidente do clube; com a chegada de Evangelista, ponta-esquerda da Portuguesa Santista, além do artilheiro Feitiço, que abandonou a profissão de carroceiro na capital para voltar ao futebol, o Santos chegou à média inacreditável de 6,25 gols por jogo no Campeonato Paulista de 1927.

Depois, nos anos 50, vieram Pagão, Pelé, Pepe, Coutinho, Del Vecchio e um grupo de meninos que nenhum time jamais teve em época alguma. Os tempos eram outros e os jovens menos rebeldes, mas não faltou quem visse naquela meninada um bando de garotos metidos à besta.

Da mesma forma que falaram de Juary, João Paulo, Pita, Nilton Batata, oficialmente os legítimos Meninos da Vila, que cometeram a ousadia de ganhar o Campeonato Paulista de 1978 batendo o São Paulo, campeão brasileiro de 1977, em pleno Morumbi.

Demorou um pouco, mas nova geração de garotos encantou o Brasil em 2002, quando Robinho, Diego, Elano, Renato, Alex e cia eliminaram todos os favoritos, um a um, dentro ou fora ao Alçapão.

Nem sei quantas vezes Robinho foi ameaçada pela ousadia de driblar, pedalar, criar jogadas e espaços que só ele via. Lembro-me que o goleiro Danrlei, do Grêmio, disse que jogando assim, alguém ainda iria “quebrar a sua perna”. Não foi o único a fazer tal ameaça.

A arte e o talento incomodam demais a quem não os têm, pois deve ser mesmo irritante ver que o craque torna tudo simples, fácil, como se jogar futebol fosse brincadeira de criança.

Neste 2010 tivemos os Meninos da Vila edição VI encantando o Brasil de novo. Paulo Henrique Ganso, André, Neymar, Wesley e o decano dos Meninos que retornava ao lar, Robinho.

Todos deveriam ficar agradecidos de o futebol brasileiro contar com essa fonte perpétua de arte e beleza populares, que é a Vila Belmiro. Mas sempre há os espíritos de porco, os mal servidos pelo destino, os pernas de pau no campo e da vida.

E queriam que Neymar fosse para a Europa de qualquer jeito, e queriam que fosse punido mais e mais por ter discutido com o técnico, e agora estão, lentes e lupas na mão, acompanhando tudo o que o garoto diz e faz.

A inveja pode se revelar de diversas maneiras. Uma deles é através da chamada crônica esportiva, profissão que dá licença para se atacar um ser humano que paira bem acima da mediocridade com a desculpa de o estar educando.

Ora, senhores da crônica, eduquem-se vocês. Deixem o talento de quem o tem fluir livremente. Percebam que nem criativos os senhores estão sendo, pois essa implicância com quem brilha é coisa velha, é roteiro antigo no qual os senhores serão, sempre, coadjuvantes.

Odir Cunha

Agora curtam um filme que deve deixar os tradicionalistas loucos da vida.


Grandes artilheiros do Santos – com 5, 6, 7 e 8 gols marcados em uma partida

Pelé marcando o seu milésimo gol em 19/11/1969. O Santos tem mais de 11.500

O Santos é o time dos gols e dos artilheiros, isso todo mundo sabe. Agora, quais são os jogadores do santos que marcaram mais gols em uma única partida? Ah, meu amigo, isso nem eu sei. Quem sabe é o Guilherme Gomes Guarche, responsável pelo Centro de Memória e Estatística do Santos FC. 

E é o Guarche quem nos fornece essas preciosas informações. Leia, guarde com carinho e sempre que reproduzir cite como fonte o Centro de Memória e Estatística do Santos FC do querido Guarche. Bem, vamos aos artilheiros: 

Com 5 gols

Feitiço – em 24/04/1927. Santos FC 5 X Portuguesa Santista 3 – Vila Belmiro

Feitiço – em 09/10/1927. Santos FC 9 X Corinthians de Santo André 0 – Vila Belmiro

Araken – em 13/05/1927. Santos FC 10 X República 2 – Vila Belmiro

Wolf  – em 16/09/1928. Santos FC 10 X Portuguesa de Desportos 0 – Vila Belmiro

Feitiço – em 15/09/1929. Santos FC 7 X Portuguesa de Desportos 2 – Vila Belmiro

Feitiço – em 27/12/1931. Santos FC 8 X América 0 – Vila Belmiro

Echevarrieta – em 13/12/1942. Santos FC 6 X Comercial 0 – Araraquara

Odair  – em 29/08/1948. Santos FC 5 X Comercial 4 – Vila Belmiro

Pelé – em 01/10/1958. Santos FC X Ipiranga 1 – Vila Belmiro

Coutinho – em 19/11/1959. Santos FC 12 X Ponte Preta 1 – Vila Belmiro

Pelé – em 30/08/1961. Santos FC 8 X Olímpico 0 – Blumenau

Coutinho –  em 01/06/1961. Santos FC 8 X Basel 2 – Basiléia.

Pelé –  em 06/09/1961. Santos FC 10 X Juventus 1 – Vila Belmiro

Coutinho – em 25/07/1962. Santos FC 5 X XV de Piracicaba 1 – Vila Belmiro

Pelé –  em 14/07/1965. Santos FC 6 X Noroeste 2 – Vila Belmiro

Pelé –  em 31/10/1965. Santos FC 5 X Prudentina 2 – Presidente Prudente

Pelé –  em 29/04/1965. Santos FC 9 X Clube do Remo 4 – Belém do Pará.

Toninho Guerreiro – em 05/10/1966. Santos FC 6 X Bragantino 2 – Vila Belmiro.

Picolé –  em 12/06/1970. Santos FC 8 X Boston Astros 0 – Boston EUA.

Viola – 10/03/1999. Santos FC 6 X Sinop FC 0 – Vila Belmiro.

Neymar –  em 14/04/2010. Santos FC 8 X Guarani 1 – Vila Belmiro

Com 6 gols

Ary Patusca – em 21/11/1915. Santos FC 8 X SPR 0 – Campo da Conselheiro Nébias.

Ary Patusca –  em 21/04/1917. Santos FC 8 X São Cristóvão 4 – Vila Belmiro.

Araken Patusca –  em 03/07/1927. Santos FC 11 X Auto Audax 3 – Vila Belmiro

Feitiço –  em 05/10/1930. Santos FC 8 X Ipiranga 2 – Vila Belmiro.

Raul Cabral Guedes – em 08/12/1933. Santos FC 9 X Seleção Fluminense 1 – Vila Belmiro

Carabina –  em 20/05/1941. Santos FC 10 X Coritiba 3 – Vila Belmiro

Odair –  em 04/09/1949. Santos FC 8 X Comercial 2 – Vila Belmiro.

Com 07 gols

Araken Patusca –  em 03/05/1927. Santos FC 12 X Ypiranga 1 – Vila Belmiro.

Com 08 gols

Pelé –  em 21/11/1964. Santos 11 X Botafogo 0 – Vila Belmiro

 

 

Guilherme Gomez Guarche – Centro de Memória e Estatística do Santos Futebol Clube


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