Lula, mulher e “filhos”. O título deixará a família corintiana feliz

Não estou escrevendo este post por causa do último jogo entre Corinthians e Cruzeiro, em que o time de Minas Gerais foi claramente prejudicado pela arbitragem – aliás, como tem sido a tendência nos jogos deste Brasileiro que envolvem o Corinthians.

Estou escrevendo porque ontem, ao conversar com Mário Pereira, herói do primeiro título do Santos, em 1935, ele fez questão de enfatizar o quanto o Alvinegro Praiano era perseguido pelos árbitros, que ao mesmo tempo favoreciam o rival paulistano:

“Era difícil, viu. E se a gente reclamasse, era expulso de campo”, disse Mário, também conhecido como “o perigo loiro”, pela habilidade de se deslocar por todo o ataque e desferir chutes potentes de pé direito.

Hoje com 96 anos, Mário viveu a era em que o Santos era um dos melhores times de São Paulo, mas, além dos jogadores adversários, tinha de enfrentar a sanha dos árbitros corruptos daqueles tempos.

Ele se recorda de que os times mais auxiliados pelos homens de preto eram Corinthians e Palestra Itália. Alguns juízes eram famosos:

“O Artur Cedrim era corintiano, aquele…”, exclama seu Mário, fazendo uma careta de desaprovação.

A história dos benefícios que o Corinthians já teve da arbitragem daria um livro maior do que o Time dos Sonhos. Não há equipe que tenha passado pela história do alvinegro paulistano que não tenha sido garfada.

Um levantamento feito por www.verdazzo.com.br mostra que, não fossem os erros de arbitragem neste Brasileiro, o Corinthians teria, no mínimo, 18 pontos a menos do que tem. Ou seja, nem estaria na zona de classificação para a Libertadores.

Reflexos do Populismo

Esse fenômeno não é recente. Desde que se inventou o futebol e se criou a figura do árbitro, este tende a pender para o time mais popular, de mais torcedores e maior influência – porque é naturalmente preferível ser criticado ou ameaçado por um grupo pequeno de pessoas, do que por multidões furiosas.

Imagine se o árbitro Sandro Meira Ricci (Fifa-DF) e o auxiliar Alessandro de Matos (Fifa-BA) tivessem atuado corretamente e hoje fosse o Corinthians que se sentisse prejudicado. Ao invés de um “chororô” impotente, certamente ouviríamos até o presidente da República reclamar da arbitragem, o que poderia comprometer definitivamente as carreiras de Ricci e Matos.

Vivemos a era em que a quantidade está vencendo a qualidade. O que se quer é votos, ibope, visitação, número de seguidores, cliques… Bom ou mau gosto não interessam. Tiririca foi eleito com 1,4 milhão de votos, assim como são milhões os que assistem aos piores programas da tevê, ouvem as músicas mais apelativas e assistem aos filmes do mesmo estilo.

Estar bem com o povão, jogar para a galera, é a filosofia dos nossos tempos. E quanto ela é levada para o futebol, suplantando os valores éticos do mérito esportivo, só pode favorecer os times “de massa”.

Valor de cada título

Costumo dizer que cada torcedor tem uma filosofia, um código de ética particular. Já ouvi de muita gente que quer ver seu time campeão com um gol nos acréscimos, de mão e em impedimento. Mas nenhum dos que me disseram isso é santista.

Detestaria ser lembrado, sempre que falasse de uma conquista do meu time, de que ela foi obtida em circunstâncias duvidosas.

Mais do que o título em si, o que lhe dá mais valor é a forma como é conquistado. Sei que os Brasileiros de 2002 e 2004, os dois últimos dos oito ganhos pelo Santos, vieram depois de muita luta contra tudo e contra todos, e por isso têm um significado especial.

Isso já não se pode dizer de alguns títulos de outros clubes, cujos caminhos foram facilitados por fatores que acabaram se sobrepondo à técnica e às condições naturais de jogo.

No caso de Corinthians e Cruzeiro, ficou evidente que o erro maior nem foi o pênalti em Ronaldo, mas a série de equívocos que o árbitro Sandro Meira Ricci (Fifa-DF) e o auxiliar Alessandro de Matos (Fifa-BA) vinham cometendo desde o início da partida, todos favoráveis ao Corinthians e prejudiciais ao Cruzeiro.

Reveja os lances polêmicos de Corinthians 1 x 0 Cruzeiro

Você acha que há um esforço nacional para que o Corinthians não passe em branco no ano do seu Centenário, ou os seguidos erros de arbitragem a favor do alvinegro da capital são apenas coincidências?