Minha coluna de hoje no Jornal Metro de Santos


Meus amigos, o grande Santos, que reinou no futebol por 15 anos, só tinha gente inteligente. Do roupeiro ao presidente, passando por jogadores e técnico, era tudo gênio. Nenhum atleta tinha faculdade, pós, MBA ou coisa que o valha, e só o Gylmar fizera um curso de contabilidade depois do ginásio. Mas, no futebol, eram todos Einsteins. Por isso ganhavam tantas partidas e títulos.

Toco neste assunto porque, depois de assistir a Princesa do Solimões 1 x 2 Santos, direto da bela Arena Manaus, deu vontade de mandar multar mais da metade do time por burrice.

Tudo bem que o vôo atrasou, que o calor úmido de Manaus é desgastante e que os jogadores do Princesa não demonstraram a mínima realeza, mas sofrer diante de uma equipe quase amadora, cuja folha salarial completa não dá para pagar uma semana de Leandro Damião na Vila Belmiro, é de doer.

Se os jogadores tocassem a bola, se se desmarcassem e fizessem o chamado feijão com arroz, o Santos não ficaria só nos dois gols que marcou com 10 minutos de jogo. Mas começou a rifar a bola, evitar as divididas e, pior, escolher as jogadas mais difíceis, dando ânimo ao aguerrido adversário.

Por que a folha salarial do Santos é infinitamente maior do que a da(o) Princesa de Solimões? Ora, porque, teoricamente, os santistas têm mais técnica, mais experiência, têm mais a tão popular “qualidade”. Porém, se o jogo adotado é o do chutão pra frente, quando essa técnica vai prevalecer? Na cabeçada? Tá bom. Já reparou que nosso centroavante sobe uma gilete do chão (como diria o meu amigo de Tatuí, o Zé Erasmo)?

Você pode não concordar, mas numa análise fria do nível de inteligência dos santistas, conclui que apenas Jubal, Alan Santos – hoje o melhor do time –, Lucas Lima e Gabriel estão um pouco acima da média.

Por outro lado, Geuvânio e Bruno Peres são exemplos lapidares do que a falta de neurônios ativos pode fazer com carreiras que poderiam ser promissoras. Ambos têm enorme dificuldade de escolher a jogada certa e, invariavelmente, optam pela errada.

Cadê aquele Geuvânio que enfiava passes medidos, penetrava e fazia gols? O rapaz está se enrolando com a bola. Alguém deveria avisá-lo de que ele está vivendo o momento crucial de sua carreira, que tanto poderá alçá-lo ao nível dos grandes jogadores, como levá-lo de volta para a Penapolense, ou algo pior. Ele tem de jogar simples, fácil, e para o time. Ele não é o Neymar, nem o Robinho, é apenas o voluntarioso Geuvânio, o humilde Caveirinha. Não pode driblar no meio de campo, a não ser partindo no contra-ataque. Não pode querer fazer o que não sabe, na hora que não deve.

E Bruno Peres? Esse não pode reclamar que não tem chance. Mas nunca aprende. O gol solitário da, ou do, Princesa se deveu a uma falta totalmente desnecessária dele, ao chutar um adversário de costas para a meta. Não satisfeito, no final quase entrega a rapadura de novo. Isso, na defesa. E no ataque? A mesma indecisão e inoperância de sempre. E quanto mais espaço tem, quanto mais possibilidades de boas jogadas existem, mais o nosso prezado lateral pisa na gorduchinha.

Tenho uma amigo, o João, que gosta do Bruno Peres porque o acha parecido fisicamente com o Carlos Alberto Torres. Que tal espalhar que ele é o novo Capita e esperar pelas propostas do estrangeiro?

Agora fiquei sabendo do anunciado interesse do Atlético de Madrid por Leandro Damião. Nome o moço tem, a ponto de ter sido chamado algumas vezes para a Seleção Brasileira. E, aqui entre nós, se o Fernando Torres já foi um dos jogadores mais caros da Europa, tudo é possível.

Vamos fazer um pacto, e que ninguém nos ouça: vamos deixar de meter o pau no Leandro Damião por algum tempo, ou os espanhóis acabam lendo e podem desistir do negócio. Acho até que vou escrever um post protestando contra o assédio do Atlético de Madrid e dizendo que o Santos não pode ficar sem o seu melhor e mais carismático atacante depois de Pelé…

Veja os melhores momentos da partida

E você, não acha que o Santos foi pouco inteligente contra a(o) Princesa?