Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: arena em Santos

Pensar grande!

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Meus amigos, um dirigente de futebol precisa pensar grande, utilizar todo o potencial de seu clube e ainda ambicionar mais e mais. E o que é pensar grande para uma Portuguesa Santista pode ser pensar pequeno para um Santos. As dimensões desses dois clubes, hoje, são bem diferentes. Porém, como estão sendo citados como pretensos parceiros em um negócio nebuloso de arena, liguei para o afável senhor Lupércio S. Conde, que desde outubro de 2015 preside a Briosa.

Quando Lupércio assumiu o cargo, a Portuguesa tinha apenas 1.000 sócios, sendo 700 remidos e apenas 300 pagantes. Hoje, são 700 pagantes. Parece pouco em números absolutos, mas isso representa um aumento de 130% em apenas um ano, tarefa a ser comemorada.


Vitória que levou a Briosa à Série A3

Cumprimentei-o pela ascensão de sua equipe à Série A3, vencendo o Campeonato da Segunda Divisão de São Paulo e conquistando, finalmente, um título estadual, algo que não ocorria em sua história há 52 anos.

Perguntei ao senhor Lupércio, obviamente, sobre os dois projetos de estádios que sua diretoria e seu conselho deliberativo têm analisado. Ele confirmou que há o projeto de uma arena para a Portuguesa, bancada pelo grupo Mendes, com capacidade para até 11 mil pessoas, e o da arena Santos, para 28 mil pessoas.

Admitiu que alguns conselheiros, mais tradicionais, que definiu como “bairristas”, não querem essa parceria com um rival antigo, mas revelou que o grande obstáculo é uma área que pertence à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), sem a qual é impossível pensar em erguer qualquer uma das arenas.

“Estávamos iniciando as negociações para a compra da área, mas com a mudança do presidente da República e dos ministros, vamos ver como fica”, disse o presidente.

A área, a ser adquirida pelo Grupo Mendes, ou pelo parceiro misterioso apresentado pelo Santos, custaria, no mínimo, 50 milhões de reais. No caso da parceria com o Santos, o presidente da Portuguesa disse que o clube da Vila Belmiro “só entraria com o nome” e que “está esperando que o Santos também ofereça alguma coisa”.

Pelo que entendi, a Portuguesa não está tão preocupada em ter um estádio moderno, já que o velho Ulrico Mursa comporta bem os torcedores do time, que alcançam 6.500 em jogos importantes, mas proporcionam a média de apenas 1.000 pessoas por jogo. A participação em uma arena para shows, que será a única na região, provavelmente dará bons rendimentos ao clube e permitirá planos mais ousados para a Briosa.

Apenas por suposição, perguntei-lhe se o seu time tivesse muito mais torcedores na capital paulista do que em Santos e se pudesse jogar em São Paulo para um público bem superior aos mil pagantes que frequentam o Ulrico Mursa, – o que talvez venha a acontecer se a Portuguesa de Desportos fechar suas portas e parte de seus aficionados escolher a Briosa para torcer –; onde ele decidiria erguer um novo estádio para a Portuguesa?

“Faria o estádio em São Paulo, não resta dúvida alguma”, foi a resposta.

Percebi, naquele frase simples e direta, que estava falando com um homem inteligente, um profissional, um empresário, que coloca os interesses de seu clube acima das paixões “bairristas”. Somente um presidente assim poderá fazer da Briosa, um dia, um dos grandes do futebol.

Como é vizinho do prefeito de São Paulo, em um condomínio fechado de uma cidade do interior paulista, Lupércio Conde já tem conversado com João Dória sobre a possibilidade de uns jogos da Briosa no Pacaembu. Em princípio, em jogos-treino, depois, quem sabe, em partidas oficiais da Série C.

Assim, não me surpreenderei se daqui a alguns anos o grande representante da colônia portuguesa em São Paulo seja a Portuguesa… Santista. Ao menos o seu presidente pensa grande, o que é o início de tudo.

Programa dirigido

Alguns comentaristas deste blog chamam a TV Bandeirantes de Bandeirinthians, devido, principalmente, ao programa ancorado pelo ex-jogador Neto. Hoje, depois do almoço, antes de voltar ao trabalho, resolvi assistir um pouco, coisa que, felizmente, não fazia há meses. O tema era se o time preferido do Neto se classificaria ou não para a pré-Libertadores. Falaram e fizeram contas por 25 minutos, com imagens ao fundo de gols do referido time. Insisti mais um pouco para ver se citavam a disputa do título brasileiro. Em vez disso, Neto chamou um rapaz inteiramente tatuado com símbolos do alvinegro de Itaquera. Fiquei me perguntando como permitimos que o jornalismo chegasse a esse nível…

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Um projeto inviável financeiramente

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Já em 4 de dezembro de 2015 Marcelo Teixeira, numa entrevista a Armando Gomes, disse que priorizaria um investimento na Vila Belmiro a um investimento no Portuários. A despeito de sua opinião, o Santos, presidido por seu afilhado, assinou uma carta de intenções com uma empresa aparentemente fantasma, a TBZ, sem atividade conhecida nos últimos seis anos e cujo acionista ultimativo, através do Banco Efisa, seria o senhor Miguel Relvas, que tentaria ocultar a sua participação porque, quando membro do governo português, foi suspeito de der participado da privatização do Banco Efisa a seu benefício e que era taxado em Lisboa como “abridor de portas na África e no Brasil”, onde transitava também com uma clientela que hoje é a do Lava Jato. Pelo jeito nenhum dos 300 membros do Conselho Deliberativo não se importou durante meses em saber quem era a TBZ.

Numa entrevista à ESPN em 26/08/2016, Marcelo Teixeira declarou novamente que prioriza um estádio no ABC a um no Portuários. Parece um replay, porque dias depois dessa entrevista Modesto Roma ultimou a formação da comissão de membros do CD para “acelerar a construção do estádio no Portuários”.

Ninguém acredita que Marcelo Teixeira não possa evitar o projeto financeiramente inviável e que não tenha nada a dizer no Santos, principalmente depois que convocou José Carlos Peres para uma primeira reunião, para depois mandar o Modesto contratá-lo. Pode até parece que o ex-presidente apoia o projeto do Portuários, mas ficaria dizendo que é contra, para no caso de uma falência futura do Santos, que se configuraria pelo risco cambial da obrigação assumida pelo clube, alegar “que foi contra” o projeto. Tampouco acredito que esta comissão tenha como objetivo premeditado recomendar o arquivamento do projeto para salvar a face do Modesto.

Aliás falando da TBZ, nos dias da apresentação do projeto ao CD o Lucas Musetti, que escreve para a Globo, cita a TBZ como um dos três membros do consórcio da seguinte forma: “O projeto tem participação das empresas Fernandes Arquitetura, Conexão 3 e o grupo português TBZ”.

Não sei se alertado por comentários neste blog sobre a TBZ, ou porque o “Fundo Americano“ exigiu o óbvio, que não necessitaria deste comensal inútil e o Musetti, desafiado por um twitter, desconversou sobre a TBZ pelas redes sociais: “Atualizei a nota. Me precipitei, amigos. Por enquanto, só Conexão 3 e Fernandes”, ou seja, a TBZ estaria fora.

Lucas Musetti já se fez de porta voz da desinformação do presidente do Santos, quando escreveu que “antes de avançar por uma arena e apresentar o projeto aos conselheiros nesta terça-feira, o Santos estudou a construção de um estádio em São Paulo. As condições, porém, não agradaram.” Ridículo achar que Modesto Roma tenha estudado a construção de uma arena em São Paulo.

A mídia está sendo usada para apresentar uma foto açucarada atrás da outra para animar o apetite pelo estádio, mas não dedica frase sequer sobre qual será o valor da taxa que o Santos deverá pagar por jogo e mês.

Pontos que detonam o projeto

Como prognosticamos em nosso último post, o mais fácil parece ser arranjar investidores para o projeto. Com a possibilidade de ver pago todo o investimento pelo Santos e poder, durante 30 anos, deixar-lhe apenas 12,5% da renda líquida (suponho renda após desconto da taxa a ser paga pelo estádio, ou seja, quase nada ou nada), tendo a possibilidade de se ressarcir pela receitas televisivas e, num caso extremo, podendo lucrar com uma possível privatização do clube no caso de falência deste, os investidores parece que estão fazendo fila. Mal os “investidores ingleses” caem fora, entra o “fundo americano”.

Os pontos questionáveis deste projeto são:

A – Apresentação do projeto ao CD/ Desinformação e inépcia

Lendo os blogs e artigos na mídia sobre a apresentação do projeto ao Conselho Deliberativo nota-se que três dos principais pontos críticos do projeto não foram sequer ou devidamente comentados, devendo se desconfiar que as respectivas informações não foram cobradas pelos conselheiros:

Primeira: o Modesto teria dito que o Santos não será obrigado a jogar no estádio. Parece claro então, que o Santos terá que pagar a taxa da mesma forma, ou seja, ao invés de taxa por jogo, pagaria taxa por mês ou por ano, porque nenhum investidor vai enterrar 450 milhões de reais sem exigir retorno. Resta, portanto a questão fundamental de quanto o Santos será obrigado a pagar pela arena, resposta não obtida pelos conselheiros, mas que o Modesto conhece, porque já andou dizendo que a taxa a ser paga seria “igual à taxa a ser paga pelo Pacaembu”.

Segunda: Como o financiamento vem de um fundo domiciliado nos Estados Unidos, é de se esperar que a taxa a ser paga pelo Santos seja denominada em dólares ou euros, ou que esteja sujeita à cláusula de correção cambial. Uma definição sobre o risco cambial também não foi obtida, embora o Modesto a conheça, porque é à base da oferta do “Fundo Americano”.

Terceira: Pertencendo os direitos de parte do terreno ao Portuários até 2080 e outra parte definitivamente à Portuguesa Santista, como seria possível o Santos tornar-se proprietário do estádio ao cabo de 30 anos, se partes serão consideradas depreciadas em terreno de terceiros? O que diz a legislação a respeito? Uma questão que teria que ser definida antes de se iniciar o projeto.

A falta de dados concretos referentes a estes pontos essenciais e conhecidos pela gestão numa apresentação de várias horas indica, além da descomunal desinformação por parte do presidente, também o despreparo e a inépcia do CD, que como um todo parece não estar à altura do desafio, eventualmente com alguns dos seus membros chave cooptados, como foi o Peres.

B – Cifras enganosas

Projetar um preço médio de ingresso médio de 82,00 reais é enganação. Em entrevista dada na véspera da reunião do CD à Tribuna (“Conselheiros do Peixe conhecem nesta terça projeto…”) Modesto disse que se previa o estádio ter uma lotação de 23.000 a 24.000 espectadores. No mesmo dia em que foi publicada a entrevista, em 23 de agosto de 2016, o mesmo Modesto apresenta ao Conselho Deliberativo uma expectativa média de 18.000 –19.000 espectadores.

Parece que nas 24 horas entre a entrevista e a reunião alguém o alertou o Modesto de que pegaria mal apresentar uma lotação média de 24.000 espectadores e que seria melhor disfarçar a inviabilidade econômica da arena através um preço médio de ingresso irreal de 84 ou 82 de reais.

A desinformação poderia ter evoluído da seguinte forma:

24.000 espectadores x ingresso médio a 62 reais = cerca de 1, 5 milhões de receita média por jogo.

18.000 espectadores x ingresso médio a 82 reais = cerca de 1,5 milhões de receita média por jogo

C – Renda mínima de 1,5 milhões de reais por jogo ou de 3 milhões por mês?

Este jogo de cifras permite suspeitar que para indenizar os investidores será necessária uma RECEITA MÉDIA MÍNIMA de 1,5 milhões de reais por partida, sempre lembrando que esta receita seria o mínimo para satisfazer os investidores, porque o Santos com “12,5% das receitas liquidas” por partida não vai levar nada. Ou que o Santos simplesmente tenha que pagar o valor de duas partidas por mês, perfazendo 3,0 milhões de reais por mês, independentemente do fato de jogar no estádio ou não.

Se a renda média por partida não atingir 1,5 milhões de reais o Santos tenderá a levar prejuízo e ter que sacrificar parte das receitas televisivas para indenizar os investidores durante 30 anos. Seria o haraquiri puro, um grande passo para eliminar o Santos do clube dos grandes e, como veremos adiante, combinado com uma desvalorização cambial, para a falência, possibilitando o takeover do Santos por investidores, sejam os mesmos do estádio ou outros.

Na hipótese de uma anuidade de 36 milhões de reais a ser paga (3 milhões vezes 12), o Santos repagaria sozinho todo o investimento aos investidores, proporcionando-lhes uma taxa de 6 a7 % ao ano e, além disso, os investidores levariam grande parte do lucro das receitas de alugueis de lojas, catering e outros. O Santos pagaria para todos.

Podemos discutir se isso é muito caro ou não. Mas mesmo se não considerássemos caro, o estádio dificilmente vai gerar as receitas para cobrir a taxa que o Santos terá que pagar.

D – A confidencialidade

Se, como foi alegado em blogs, o Modesto tiver informado que a identidade dos investidores seria revelada no caso os conselheiros aprovassem o projeto, se consumaria a falta de vergonha suprema por parte dos dirigentes do Santos. Nesse caso, o presidente acharia que o Santos seria como um noivo/noiva, que é obrigado a casar no escuro para depois de algemado por 30 anos poder pela primeira vez na vida desvendar a cara e o caráter do conjugue.

Evidentemente o presidente tem medo de revelar o nome dos investidores agora, e estes também não desejam se identificar, porque receiam que a sua simples identidade seja motivo para o descontinuamento do projeto. Também a turma do Odílio e a Doyen tinham medo de revelar o teor dos contratos para ocultar o caráter agiota de suas operações.
Se o Santos fosse um clube soberano, o investidor teria que bater na porta e apresentar o seu cartão de visita abertamente.

E – Um conglomerado explosivo

O Palmeiras estaria lutando na justiça em no mínimo SEIS fronts, a saber: 1) Venda dos assentos numerados; 2) Custos das obras do clube social; 3) Danos causados pelos atrasos e desconformidades das obras do clube social; 3) Questões quanto aos jogos realizados no Allianz Parque; 4) Prestações de contas dos jogos realizados no Allianz Parque; 5) Questões econômicas relacionadas entre o programa sócio torcedor do Clube e a Escritura Pública de Direito e Superfície, 6) Adequação das receitas repassadas pela Real Arenas ao Palmeiras.

Ressalte-se se que todo esse imbróglio jurídico, altamente oneroso para as partes, ocorre num projeto de rentabilidade espetacular, com UMA ÚNICA INTERFACE, entre o Palmeiras e o Grupo WTorre, já que os demais parceiros, como a Traffic e a AEG, que caiu fora, não importam.

O Santos monta um projeto de baixa ou nenhuma rentabilidade e explosivo pelas suas MÚLTIPLAS INTERFACES, com cinco entidades querendo dividir os lucros: o Fundo Americano, a construtora, o Santos, a Portuguesa Santista e o Portuários e, talvez, uma sexta, a TBZ. Destes cinco, quatro entidades querendo passar os custos e eventuais prejuízos para o Santos, o único da turma capaz de gerar receitas. Três proprietários de terreno. Três clubes com direito de jogar no estádio, isto se os investidores não trouxerem outros clubes para compensar a falta de receitas.

F – Proliferação de estádios num raio de um quilômetro

Serão construídos ou renovados três estádios, o do Portuários, o da Portuguesa Santista e a reforma da Vila Belmiro. Todos obsoletos, nenhum multiuso verdadeiro com campo rolando para fora e o Portuários e a Vila Belmiro elitizados com camarotes para tentar gerar o máximo de receitas, deixando a jovem torcida com menos dinheiro de fora.

Como o estádio do Portuários não terá rentabilidade significativa, é de se esperar que serão programados shows em número substancialmente maior em relação aos quatro por ano anunciados. O gramado não suportará, vai se botar grama sintética, como acaba de fazer o Atlético Paranaense e como se pensa em fazer no Allianz Parque, sendo talvez por essa razão que a Vila Belmiro seja renovada para o Santos jogar lá. O Santos jogando na Vila, mas pagando outro estádio usado para os shows em grama sintética. Coisa de louco.

A maluquice de três estádios novos ou renovados no raio de um quilômetro reflete a visão de esportes cartoleira do Modesto Roma, que é a de camarotes para convidar os amigos com estacionamento ao lado. Enquanto que a base que poderia gerar receitas expressivas permanece em campos precários.

Numa empresa mediamente profissionalizada, bastaria apenas um desses pontos citados para vetar o início de projeto. O trágico é que isto não ocorre no Santos e aparentemente muitos conselheiros foram “trabalhados” para aderirem ao projeto, sem contar com aqueles que são passivos e ineptos.

Possível falência do clube se houver desvalorização cambial

Caso houver cláusula de correção cambial da taxa a ser paga pelo Santos por jogo ou por ano, o que de é se esperar por ser o fundo domiciliado no exterior, qualquer desvalorização cambial expressiva da moeda brasileira nos próximos 30 anos deverá catapultar o Santos a uma situação falimentar.

Neste caso os investidores irão penhorar tudo ao qual o Santos tem direito e na situação falimentar decorrente seria de se esperar que ofereçam o perdão de parte das obrigações do Santos de pagar a totalidade da taxa, unicamente contra uma transformação do clube em Sociedade de Cotas e venda do clube a um investidor profissional (se não forem eles mesmos).

Os associados do Santos e os conselheiros se veriam diante de duas opções: Ver o Santos definhar e se transformar em um novo Guarani, ou Glasgow Rangers, ou aceitar a extinção do clube na sua forma jurídica atual e refunda-lo como sociedade privada de cotas, para que possa ser vendido.

Pasmem: o comprador só aceitará o negócio se o “fundo americano“ aceitar desvincular o clube de parte de suas obrigações com o estádio, porque pretenderá ganhar dinheiro em São Paulo e ressuscitar o que restar do potencial da torcida no Planalto Paulistano.

A situação em que o Modesto e seus cooptados conselheiros fieis estão pretendendo colocar o Santos atrai especialistas do ramo, sempre interessados em comprar alvos desvalorizados e mal administrados em relação ao seu potencial, para depois valorizá-los. O momento de aquisição se oferece muitas vezes numa situação falimentar ou pré-falimentar. O novo proprietário do Santos eliminaria os Conselhos e Comitês ineptos do clube, colocaria uma administração profissional e faria o Santos jogar diante da sua maior torcida para ganhar dinheiro.

Não digo que este seja o objetivo atual de alguém, nem mesmo do “fundo americano”, mas o Santos seria (já é) um alvo apropriado para um takeover, porque o valor da sua marca, da sua história e da sua torcida está bem acima do valor contábil do clube, que só tem dívidas e é solapado por uma administração pífia atrás da outra. Uma situação que atrai especialistas do ramo, sempre interessados, repito, em comprar alvos desvalorizados por má administração em relação ao seu potencial, para valorizá-los.

Formas societárias com estatutos falhos, que não garantem uma administração profissional, promovem o arbítrio e não protegem contra desmandos e a ignorância dos seus dirigentes são, como no reino animal, condenadas à extinção, um processo puramente darwiniano.

Neste momento grave conviria se preocupar com as próximas eleições

Neste contexto surge a questão do José Carlos Peres, que aderiu à administração que promove o estádio. Não tenho informações, mas seria até possível que o Peres tenha sido contratado para tratar com o “Fundo Americano”. Mesmo se não for o caso, chegou a hora de tecer considerações sobre ele, porque outra razão da sua contratação poderia ser que o Marcelo Teixeira o pretenda lançar como seu candidato às próximas eleições presidenciais.

Em setembro de 2013 fui procurado na Alemanha pelo entrementes falecido empresário Jose Luciano de Carvalho, da ONG Santos Vivo e um dos coordenadores da campanha do Peres. Conversei umas oito horas com o Luciano e com a sua esposa e em certo momento ele disse que DUAS PESSOAS, o JOSÉ CALIL e eu mesmo, tínhamos que trabalhar no Santos do Peres como presidente. Não sei se disse isto pela boa comida e pelo ambiente simpático, mas me senti honrado pra cachorro.

Depois daquela conversa, nada empreendi, não fui ao Brasil para mostrar minha cara, nem me tornei sócio do Santos. Achei que foi uma ótima conversa, mais do que isso, inesquecível, uma das muitas grandes histórias que gosto de lembrar. Tampouco fui convidado para qualquer posto e o convite para integrar a chapa declinei, mesmo porque não tinha me tornado sócio.

Perguntei ao Luciano o que credenciava o Peres como candidato e ele respondeu que era o seu engajamento pelo Santos, exemplificando a cessão da casa para a subsede em São Paulo e que tinha ideias interessantes, principalmente quanto a uma liga com clubes norte-americanos para acessar o dinheiro televisivo dos Estados Unidos.

Em seguida, apoiei o Peres em alguns comentários, mas no decorrer dos meses não consegui vislumbrar qualquer ideia vindo dele que fosse digna de nota, além da retórica habitual das campanhas eleitorais. Não dá para alongar aqui, mas o negócio da liga com os americanos sobre a qual está trabalhando há anos, me parece de realismo limitado.

Quando deu as entrevistas em campanha eleitoral, disse duas coisas que me preocuparam. Primeiro de como resolveria a questão da dívida do Santos e segundo que achava que o futebol não poderia prescindir dos investidores em direitos econômicos de jogadores.

Venho do setor financeiro e comensais como a DIS, a Doyen, TBZs jamais serão minha prioridade. Sei que custam caríssimo. O Peres, apesar de ter trabalhado em banco, não é propriamente do ramo, passou a vida inteira com analista de sistemas.

Supõe-se que o Peres tenha competência de agregador, posta a prova no G4-Paulista, mesmo que esta congregação não tenha importância, porque está sintonizado há anos com o presidente da FPF e CBF Marco Polo Del Nero através do Palmeiras e com a Rede Globo através do Corinthians. O último vexame dos quatro paulistas sempre controlados pelas duas federações, ocorreu há poucas semanas. Todos os clubes grandes brasileiros, até mesmo o Flamengo, cobraram através de oficio, participação nas decisões da CBF, que a Lei do Profut lhes confere, ameaçando em caso contrário acioná-la na Justiça. Exceto os quatro paulistas, que foram os únicos a não assinar o oficio. É este o G4.

Na verdade, a característica do Peres parece ser a de se enturmar com os fortes do momento, sejam as federações, outros clubes, ou investidores. Acaba atuando conforme as ideias da turma. E apesar da sua competência agregadora e do seu passado valoroso para o Santos, não o vejo como candidato ideal à presidência do clube. Me preocupou sobretudo a sua proximidade com a Doyen.

A proximidade de Peres com a Doyen

Já em novembro de 2014, nas entrevistas de campanha eleitoral à Tribuna e ao Ademir Quintino, o Modesto Júnior havia lembrado que “tem outro (o Peres) que durante a eleição de 2009 já trocou de lado e afinou com a atual diretoria (Laor-Odílio) pretendendo ficar em seu cargo no G4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder transvertido de novo“.

Logo depois no seu post “Nem forasteiros, nem provincianos. SANTISTAS! Feliz Natal a todos!” o Odir escrevia que: “(O Peres) intercedeu para que a Doyen Sports fizesse o empréstimo de seis milhões de reais (ao Santos dirigido por Modesto) e está a postos para ajudar no que for preciso. Só não quer cargos e nem salários. Quer apenas ajudar“.

Na retrospectiva, vê-se que o Modesto caracterizou o Peres de forma mais precisa, pois acabou reincidente na sua recente virada de lado. Abandonou aos que liderava, dos quais cobrava fidelidade até por mail, abandonou as causas defendidas pelo grupo de oposição no CD, para doravante fortalecer a agenda contrária através do seu apoio a Modesto Roma.

Se um dia a Doyen concedeu um empréstimo de seis milhões de reais a juros decentes ao Santos, fê-lo para manter a vaca leiteira SFC na UTI e para apresentar um cartão de visita para o novo presidente Modesto. A Doyen estava preocupada em evitar que mais jogadores fossem à justiça, entre eles os cinco dos quais detinha participações. A oferta de empréstimo não foi um ato de filantropismo do Peres, mas um ato de defesa de interesses próprios por parte da Doyen.

Depois da comunicação da sua viagem a Madrid para apoiar a Doyen, não me surpreendeu a virada de lado para a situação. Para recordar, vou recorrer novamente a outro post do Odir.

No dia 3 de Abril de 2015 o Odir publicou o post “Em plena Madrid, Peres falará sobre a Espanholizarão”. “No dia 9 de abril, diante de dirigentes de grandes clubes europeus, entre eles Barcelona e Real Madrid, e da Uefa, Peres falará sobre a sagrada competitividade no futebol em um seminário internacional realizado em Madrid e criticará a “espanholização”.

Mas ao contrário do que o Odir escrevera, era evidente que o seminário em Madrid era patrocinado pela Doyen e tinha como objetivo único defender o TPO-Third Party Ownership = Investidores em direitos econômicos e absolutamente nada a ver com espanholização. O seminário foi nada mais que um ato de relações públicas destinado a influenciar o veredicto na primeira instância da Justiça Belga na queixa de que a Doyen havia movido contra a FIFA, pleiteando que a proibição dos investidores era ilegal. Contestei no ato com comentário no mesmo post e de forma mais detalhada num outro comentário feito após o seminário. A Doyen acabou perdendo na primeira instância como também na apelação, respectivamente em julho de 2015 e março de 2016.

Fontes mostram que neste seminário que ninguém falou de espanholização, nem mesmo o Peres. O discurso do Peres é citado da seguinte forma: “José Carlos Peres, executive director of G4 Paulista, finished by insisting: “Brazil cannot be left without investors. We’re here to fight for a good cause and we hope that things change.”

Ao contrário do que informava o post, Real Madrid, Barcelona e UEFA parece que não foram nem convidados, os advogados eram os mesmos que redigiram os contratos altamente lesivos ao Santos.

Também não sei se Xavier Tebas, presidente da Liga Espanhola, compareceu à reunião, pois não foi mais citado, mas, de qualquer forma, Tebas não necessitaria qualquer lição de espanholização de ninguém, muito menos de um Peres, porque foi ele, Tebas, que escrevera carta ao Parlamento Espanhol recomendando a proibição da negociação individual dos direitos televisivos.

Considero não ter sido muito correto com os leitores do blog, o fato do Peres não ter corrigido o equívoco do post do Odir e se deixado festejar como alguém que teria ido a Madrid, na toca do leão, para atacar a espanholização.

Mas o equívoco do post é secundário, relevante foi o apoio do Peres à Doyen. Meu repúdio aos investidores em direitos de jogadores já havia deixado no post “Uma proposta séria para tirar os “empresários” do futebol”, publicado em 13 de agosto de 2014, portanto três meses antes de o Peres defendê-los na sua campanha eleitoral e um ano antes de ir a Madrid.

No mais, a posição de Peres como amigo da Doyen espantou em todos os sentidos, visto que a FIFA banira o TPO os investidores em direitos em dezembro de 2014. Candidato a presidente do Santos tem de saber o que se passa no mundo. Mas o Peres foi a Madrid para ao lado do Twente e do Sevilla defender um cachorro morto e fazer lobby contra a FIFA e a Justica Belga. Por que?

Além do mais, os clubes do G4, que o Peres pelo menos no papel teria representado em Madrid, já haviam repudiado a Doyen. O Corinthians –pós MIS e o São Paulo se recusaram a trabalhar com a Doyen (leia “Parceiro do Santos em Damião foi recusado pelo SPFC”, Perrone 24.12.2013). O Palmeiras do Paulo Nobre, cuja Crefisa cobra juros entre os mais caros do mundo (Banco Central), não precisava de financiamento um setor que enriquece de forma semelhante.

O agravante é o fato de que a Doyen, naquele momento, já tinha efetuado operações ruinosas para o Santos – Damião, Geuvânio, Gabriel e Daniel Guedes – e o Peres se faz de amigo deles e aceita convite para ir à Madrid.

A tese do Peres de que os investidores eram insubstituíveis, que sempre foi furada, acabou provada como absurda pelo simples fato de os clubes brasileiros não terem maiores dificuldades depois da sua proibição. O Santos não teria podido comprar os direitos econômicos ou as respectivas opções de compra de Vitor Bueno, Copete e Jean Mota aos valores acordados, se existissem ainda os investidores atravessadores no mercado. Teria ter de pagar, no mínimo, o triplo pelos mesmos.

A partir do momento em que foi a Madrid, cheguei à conclusão de que o Peres não seria meu candidato à presidência do Santos. Ceder casa, atuar na unificação dos títulos são, inquestionavelmente, pontos de grande mérito, mas não qualificam ninguém a ser presidente.

Tana Blaze é o pseudônimo de um alto executivo brasileiro que vive na Alemanha. Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião do proprietário do blog. No entanto, o blog concorda com as críticas à inviabilidade financeira da parceria entre o Santos e um investidor para se construir uma arena próxima à Vila Belmiro.

A resposta de José Carlos Peres

Recebi, por e-mail, a resposta do amigo José Carlos Peres ao texto de Tana Blaze, a quem não conheço pessoalmente, mas considero também um santista de valor. Fico em uma situação delicada, pois não quero censurar ninguém aqui no blog, mas também não gosto de ver pessoas que admiro em situação de litígio. Entretanto, os debates são normais na democracia e se esses debates podem esclarecer situações obscuras do nosso clube, são bem-vindos. Com relação à arena de Santos, concordo plenamente com Tana Blaze, acho mesmo uma temeridade. Porém, com relação a José Carlos Peres, não concordo. Peres é um santista dedicado, competente e sério, ou não o teria apoiado para presidente do Santos. Bem, mas segue aqui a resposta de Peres ao texto acima. O espaço do blog está aberto para uma explanação mais ampla do Peres se ele julgar necessária.

05/09/16 00:31:32: Jose Carlos Peres: Amigos, nunca ouvi falar desta figura que se utiliza de um pseudônimo Tana Blaze. Fosse uma pessoa séria, utilizaria seu nome. Em relação ao Odir Cunha, que deu espaço a esta enfadonha figura, prefiro entender que já se pronunciou candidato à presidência do Santos e nesta matéria a figura oculta que reside, segundo ele mesmo, há muitos anos na Alemanha, quis me desqualificar para promover o candidato.

Sou amigo do Odir há muitos anos, inclusive entre nossas respectivas famílias, e não pretendo de forma alguma perder sua amizade. Desejo de coração que ele se candidate mesmo, seja eleito, e tenha o maior sucesso do mundo. Não sou candidato, mas como qualquer um de nós, posso ser, por que não?

Ao Tana Blaze, um conselho: Se quiser ser respeitado, pare de mentir, fazer ilações, usar o chutômetro em seus comentários. Use o seu nome próprio, mostre sua cara, isto é coisa de covardes. Nunca vi tantas mentiras gratuitas só para promover seu ídolo. Ele não precisa disso, afinal sempre utilizou de forma digna seu próprio nome e nunca comentou assuntos sem o devido conhecimento. Em suma: Você é uma farsa. Lamento!
José Carlos Peres, nome próprio, sempre responsável por tudo que fiz ou faço nessa vida!

E você, acha que a arena pode ser viável financeiramente?

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Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial
odir e joel
Fui o último jornalista a entrevistar Joel Camargo, para o Museu Pelé. Dias depois ele foi internado na Santa Casa de Santos e faleceu em 23 de maio de 2014, aos 67 anos. Tive a felicidade de lhe tirar um sorriso quando lembrei que ele era uma das Feras de Saldanha na Copa de 70, pois as Eliminatórias fazem parte da Copa. Titular em todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias, participou da partida de maior público oficial no País: a vitória sobre o Paraguai, por 1 a 0, no Maracanã, com 183.341 pessoas. Joel nasceu em 18 de setembro, um dia depois de mim. Somos ambos virginianos, um pouco chatos, exigentes, mas justos. A promoção dos livros nesse mês é uma homenagem ao inesquecível Joel.

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E você, acha que a arena em Santos pode ser viável financeiramente?


Pedindo ajuda à Lógica

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PEDINDO AJUDA À LÓGICA

vila belmiro - foto do Khayattorcida pacaembu

Minhas amigas e meus amigos, quando um tema é discutido com paixão, quando as partes permitem que a emoção, o fator irracional, interfira em suas opiniões, dificilmente se chega ao chamado denominador comum.

Isso está ocorrendo agora, com o anúncio da pretensa arena do Santos no terreno do Portuários. A possibilidade radical de o time só jogar em sua cidade de origem despertou a ira dos santistas paulistanos, ao mesmo tempo que aflorou a sensação de pertencimento em uma parte dos santistas da cidade praiana. Como discutir a questão de forma isenta?

Bem, só vejo uma saída, que é recorrer à Lógica, esta ciência da comunicação que estuda e sistematiza a validade ou invalidade das argumentações. Assim, colocarei os conceitos que tenho ouvido para justificar o fato de o Santos jogar apenas em sua cidade e os analisarei à luz da Lógica. Peço a atenção para cada item e depois gostaria de conhecer a opinião de todos sobre eles:

1 – Se o alvinegro paulistano, que é de São Paulo, também tem muita torcida em Santo André, mas joga em São Paulo, e não em Santo André, por que o Santos precisa jogar em São Paulo, se ele é de Santos?

Bem, nesse caso, parte-se de uma premissa falsa. A frase acima quer dizer: se o alvinegro paulistano manda seus jogos em sua cidade, mesmo tendo torcida em outras, o Santos, que é de Santos, só deve jogar em Santos. Porém, esse conceito não leva em conta que o Santos é uma exceção à regra.

O Alvinegro Praiano tem seis vezes mais torcida em São Paulo do que em Santos. A premissa certa seria: se o alvinegro da capital joga no lugar onde tem mais torcedores, assim como ocorre com São Paulo e Palmeiras, o Santos também deveria jogar no local onde tem maior torcida, no caso, a cidade de São Paulo.

2 – As novas arenas atraem mais público. Portanto, a nova arena do Santos atrairá um público maior, que justificará o ticket médio de 82 reais.

Nesse caso, usa-se um conceito genérico para tentar validar um empreendimento que depende de uma variável essencial, que é a quantidade de pessoas dispostas a pagar tão caro para ver seu time jogar.

Hoje se sabe que o público médio dos jogos na Vila Belmiro beira os 10 mil pagantes. Como, inexplicavelmente, o clube ainda não fez uma pesquisa para saber a origem desses torcedores, interroguei alguns amigos que costumam ir a todos os jogos do Santos na Vila – entre eles os conselheiros Marcelo Pagliuso e Eugênio Singer – e cheguei à informação de que cerca de 40% desses torcedores são de São Paulo.

Como a margem de erro pode ser grande e não quero parecer tendencioso, digamos que apenas 30% desses torcedores sejam de São Paulo. Teremos, então, sete mil moradores da Baixada Santista por jogo, pagando um ticket médio de 38 reais.

Pois bem: assinar esse contrato para fazer a arena significaria que o Santos apostaria que o público médio praticamente dobraria, pois teria de ser superior a 18 mil pessoas, enquanto o ticket médio aumentaria em 115%, pois teria de alcançar 82 reais.

É preciso levar em conta que o santista de São Paulo, ao descer a serra para assistir a um jogo na arena, se tornaria o torcedor brasileiro que mais pagaria para ver o seu time, pois além do ingresso médio, teria de somar as despesas com pedágio, combustível, estacionamento e algum lanche. Isso tudo elevaria seu gasto total em cerca de 200 reais.

Com isso, talvez essa quantidade de três mil paulistanos por jogo diminua, ao invés de crescer. Vamos ser otimistas, porém, e imaginar que, mesmo se tornando o torcedor que mais pagará para ver futebol no Brasil, o número de santistas da Capital aumente para 5.000 pessoas por partida. Precisaríamos, ainda, só para pagar a conta para o investidor, de mais de 13 mil torcedores da Baixada Santista. Estariam estes dispostos também a dobrar a sua despesa para ver o Santos jogar?


3 – Se os santistas de Santos podem ir a São Paulo assistir aos jogos de seu time, os santistas de São Paulo também podem ir a Santos. A distância é a mesma.

A distância realmente é a mesma e as despesas de cada torcida, para assistir ao jogo na cidade vizinha, também seria igual. Então, qual seria a decisão salomônica?

Como o santista da Capital dificilmente estaria disposto a pagar 800 reais por mês para assistir a quatro jogos de seu time, assim como o santista da Baixada também não gostaria – e talvez nem pudesse – dispensar cerca de 400 reais mensais para ver o mesmo número de partidas, e como a arena só se pagará se tiver, repito, mais de 18 mil pagantes, com o ticket médio de 82 reais, a possibilidade que os números não batam é muitíssimo grande.

Assim, a maneira mais racional e lógica de se contemplar os santistas das duas cidades seria jogar alternadamente nas duas, racionalizando as despesas dos torcedores das duas cidades e permitindo um maior rodízio entre eles.

4 – Assumir 40% da sociedade do pretenso complexo da arena no terreno do Portuários aumentará em 40% o patrimônio do Santos.

Bem, quem estava vivo quando o Santos “comprou” o Parque Balneário Hotel, sabe muito bem o que ocorreu. O Sonho foi por água abaixo e o clube teve de devolver o imóvel depois de gastar uma fortuna com ele.

Acredito que qualquer dona de casa sabe que entrar em uma dívida a pagar de vista não é o mesmo que adquirir o bem. Hoje o Santos tem cerca de 400 milhões de reais em dívidas, boa parte delas com bancos. Só os juros dessa dívida devoram, rapidamente, todo o dinheiro que entra nos cofres do clube advindo da venda de jogadores e adiantamento de cotas de tevê. Não há capital de giro. Assinar um contrato desses contando apenas com um aumento gigantesco de público em seus jogos é extremamente temerário.

O Santos só terá direito a 40% do imóvel daqui a 20 anos, mas a quitação total só se dará, na melhor das hipóteses, em 30 anos, ou por volta de 2047. A participação do Santos terá de ser paga em valores que equivalerão a 600 mil reais por partida, o que seria suficiente, nos mesmos 30 anos, para se construir três arenas iguais a essa. Isso tudo, claro, se realmente o público e o ticket médio forem cumpridos.

E você, o que acha disso?


Balão de ensaio

Em que pese a boa apresentação do projeto arquitetônico da arena pela empresa Conexão, a verdade é que a imprecisão das informações, a certeza de que a Portuguesa Santista não concordou com o negócio, o segredo com relação ao investidor e a forma longa e penosa como o Santos pagaria pelo estádio deram à boa parte dos conselheiros presentes à assembleia de ontem do Conselho Deliberativo a impressão de que tomaram o nosso tempo para um enorme balão de ensaio. Não vejo nenhuma possibilidade concreta de que o clube mergulhe nessa aventura ainda menos palpável do que o fatídico Parque Balneário, que, pelo menos, existia de verdade.

Se sem o consentimento da Portuguesa Santista o negócio não sai, por que apresentar um projeto que ainda não tem o aval desse parceiro? Outra questão preliminar não esclarecida é se a área é de proteção ambiental ou não. Alguns defendem que esse é outro empecilho. Há ainda o problema do barulho, que pode atrapalhar a vizinha Santa Casa.

Quanto ao investidor, foi dito apenas que se trata de “um brasileiro que detém 40% de um capital americano”.

O estádio teria capacidade para 27.200 pessoas e 2.000 vagas de estacionamento. Disseram que o clube não pagaria nada, mas ficou evidente que o Santos teria de mandar todos os seus jogos nessa nova arena e, uns poucos, na Vila Belmiro. O nome do Pacaembu nem foi citado e só lembrado depois que alguns conselheiros perguntaram se o Santos não jogaria mais em São Paulo.

Para mim, ficou claro que se a arena sair, o Santos dificilmente mandará um jogo na capital, virando as costas para o seu maior mercado consumidor, com um potencial de público e poder aquisitivo no mínimo seis vezes maior do que o dos santistas da cidade de Santos.

Disseram que o Santos não pagará um tostão pela arena, mas é claro que isso é uma balela, pois o time teria de jogar seguidamente no estádio para amortizar o investimento do grupo, e nos primeiros cinco anos só receberia 12,5% do lucro, o que é menos da quarta parte do que recebe hoje para jogar na Vila Belmiro e no Pacaembu. Só depois de 20 anos passaria a receber 40% do lucro, se é que ainda estaria vivo até lá.

Como precisa muito de dinheiro para pagar suas dívidas imediatas, cujo total chegará a 420 milhões de reais ao final do ano, envolver-se em um negócio que custará 465 milhões e demorará no mínimo 30 anos para ser pago é correr um risco enorme. Espero que os conselheiros não aprovem essa aventura e, caso o presidente assine o contrato por sua conta, que ele coloque seus bens pessoais como garantia de que o Santos não será prejudicado. Essa arena equivale a 11,5 Leandros Damiões!

Para se ter uma ideia do mau negócio que essa arena representa, basta lembrar que de uma renda líquida de um milhão de reais, o Santos só receberá 125 mil!

Causou-me estranheza, ainda, a falta de qualquer pesquisa com o torcedor e o sócio do Santos. Acompanhei os trabalhos do estádio em Diadema, que acabou não saindo, e sei como as pesquisas de mercado foram feitas para se provar a viabilidade do projeto.

É preciso saber que público e com que frequência deverá visitar a arena, quanto estará disposto a pagar pela entrada e muitos outros detalhes antes de se estabelecer um lugar para a construção de uma praça de esportes que acompanhará o Santos por décadas.

Esperam, por exemplo, que o ticket médio dobre de 44 para 80 reais, mas será que o santista da Baixada está disposto a pagar isso? E o de São Paulo, será que pagaria tanto, já que teria ainda as despesas de pedágio, gasolina e estacionamento?

Na minha vez de falar coloquei as questões que cito aqui e lembrei que o clube tem outras prioridades no momento, que são: Conseguir o decantado patrocinador máster, multiplicar a quantidade de sócios e faturar mais com a arrecadação de seus jogos. Entrar em um negócio que, em um primeiro momento, reduzirá as suas receitas e o afastará de seu maior mercado consumidor, é loucura.

Bem, mas foi apenas uma apresentação. Deverá ser organizada uma comissão de conselheiros para analisar a viabilidade dessa arena. A conselheira Neli Faria lembrou a Modesto Roma que ele só tem mais um ano e meio de mandato e não deveria entrar em um negócio que só poderá ser terminado por seus sucessores.

Fui embora depois da meia-noite e não ouvi todos os conselheiros inscritos para falar. Porém, creio que os temas debatidos não se alteraram muito. O mais difícil de tudo isso é saber que essa diretoria não faz o que é sua obrigação e fica procurando chifre em cabeça de cavalo para criar factoides e desviar o foco de sua profunda incompetência.

E você, o que acha disso?

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