Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: areninha no Portuários

Perguntas

Se os titulares e reservas foram poupados do amistoso com o Benfica, sábado, o que dá um total de dez dias do precioso e decantado descanso, podemos esperar que o Santos corra o tempo todo contra o São Paulo?

Se o Santos tem tanto jogador que não serve nem para o banco de reservas, por que não troca três por um, diminui a folha de pagamentos e ainda fica com um time melhor?

Se o Santos é o que mais revela jogadores, por que não contrata só quem vem para ser titular, ou brigar por posição, e complementa os outros lugares do elenco com garotos da base?

Se o moderno e rico Bayern de Munique só tem 200 funcionários, por que o Santos está chegando a 600 e o presidente continua contratando?

Se antes de assumir a presidência do Santos Modesto Roma era um empresário mal sucedido, com muitas dívidas na praça, como ele está conseguindo dedicar todo o seu tempo ao clube sem receber salário?

Se a cada relatório do Conselho Fiscal é pedido que o presidente Modesto Roma diminua as despesas do clube, mas ele continua fazendo justamente o contrário, será que já não é hora de o Conselho Deliberativo pensar no impedimento de Roma, enquanto o Santos está vivo?

Quem é esse brasileiro milionário que quer investir sua fortuna em uma arena no terreno do Portuários?

Que fundo de investimento é esse que vai colocar 450 milhões em um negócio sem antes fazer uma única pesquisa de mercado?

Se os problemas da economia e a alta do desemprego estão reduzindo o movimento dos shoppings, mesmo os mais bem localizados, que chance tem um mega empreendimento comercial no bairro da Vila Belmiro?

Se o Santos foi o campeão de arrecadações no Campeonato Paulista de 1978 jogando o mesmo número de jogos em Santos e em São Paulo (22 em cada cidade), por que não repetir a fórmula?

Se o Santos tem um estádio próprio, que é a Vila Belmiro; se pode usar outro com um aluguel de apenas 76 mil reais por jogo, que é o Pacaembu, e se tem uma dívida de mais de 400 milhões de reais, por que não equaciona primeiro suas finanças antes de querer se meter em uma aventura imobiliária?

Se você tem 400 milhões em dívidas e precisa fazer dinheiro rápido para pagá-la, por que entraria em um negócio que vai escravizar a sua receita por 20 anos?

Se a gestão do ex-presidente Odílio Rodrigues foi considerada temerária por contratar Leandro Damião por 42 milhões de reais, como será considerada a gestão que, mesmo com o clube à beira da falência, quer entrar em um negócio de 465 milhões de reais para, no máximo, ser proprietária de 40% desse empreendimento?

Se é difícil mudar jogos para São Paulo depois de marcados para Santos, por que o Santos não faz o inverso e marca todos os jogos para São Paulo, mudando depois para Santos aqueles que ele quiser e os que a PM vetar?

Por que muitos jornalistas que só criticam ou esnobam o Santos, elogiaram o projeto da arena no Portuários? Será que é por que querem ver o Santos grande, ou por que anseiam vê-lo restrito ao seu quadradinho?

Por que em Santos todo mundo sabe que a Portuguesa Santista não entrará na parceria para fazer uma areninha no Portuários, mas nenhum jornalista entrevista o presidente da Portuguesinha sobre isso?

Por que a imprensa esportiva de Santos não desconfia que o pretenso projeto da areninha no Portuários pode ser apenas um balão de ensaio para desviar a atenção dos graves problemas fiscais e contábeis do Santos?

Se a maior vantagem de um sócio do Santos é pagar meia entrada nos jogos do time e se o máximo de lugares que um clube costuma reservar aos seus sócios é a metade da lotação do estádio, isso quer dizer que o presidente Modesto Roma, ao insistir no projeto da areninha, pretende que o clube tenha, no máximo, 15 mil sócios?

Você ouviu algum jogador do Flamengo reclamar de ter de sair do Rio para jogar no Pacaembu?

Você ouvir alguém jornalista rubro-negro dizer que o Flamengo é do Rio?

E você, tem alguma pergunta a fazer?


Um brinde à lógica

As relações no futebol frequentemente são movidas pelas paixões, e se é verdade que isso tem o seu lado positivo, pois cria uma duradoura fidelidade entre o time e seus torcedores, por outro é profundamente negativo, pois o afasta das decisões mais racionais e produtivas que viriam para torná-lo forte, saudável e competitivo indefinidamente. O Santos vive esse dilema nesse momento.

Gabigol se foi. Deixará de ser o garoto mimado na Internazionale. Para começar, raspou a ridícula barba branca. Lá terá de aprender a usar o pé direito. Incompleto como jogador e imaturo como ser humano, deixará 18 milhões de euros, ou R$ 64,8 milhões nos cofres do Santos. Ótimo. Rezemos para que essa diretoria use a verba da maneira mais inteligente e transparente possível, de preferência pagando as contas que colocam o clube à beira da insolvência.

A venda do passe de Gabriel e as propostas por Zeca e Lucas Lima provam que revelar ou recuperar jogadores, e depois negociar seus passes com o mercado internacional, sempre será uma alternativa para sair do sufoco financeiro, desde que mantenha um ótimo trabalho de base. Por isso, acho muito mais importante a construção de um moderno CT para os infanto-juvenis do que uma pequena arena ao lado da Vila Belmiro.

Não vejo, porém, motivos para grandes preocupações técnicas com a saída do jovem atacante de 19 anos. Gabriel andava muito individualista, jogando apenas para si, reclamando da arbitragem e dos companheiros. Que seja feliz por lá. Das opções possíveis, eu colocaria Copete na meia-esquerda, daria liberdade para Zeca penetrar mais pela ponta-esquerda, pois ele faz isso melhor do que Copete, e providenciaria para que houvesse uma boa cobertura por aquele lado do campo.

Domingo na Vila, dia do tigre

Neste domingo, às 11 horas da manhã, o Santos enfrenta o Figueirense na Vila. Sabemos que o time jogará bem diferente de como o faz longe do centenário Urbano Caldeira. Nenhum santista poderá duvidar da vitória. O time deverá ser Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno e Lucas Lima; Copete e Ricardo Oliveira.

No time de Santa Catarina o técnico Angel Fucks já rodou e o novo professor é Tuca Guimarães, que, sem o experiente Carlos Alberto, suspenso, deverá escalar o time com Gatito Fernández (Thiago Rodrigues), Ayrton, Marquinhos, Werley (Bruno Alves) e Marquinhos Pedroso; Jackson Caucaia, Elicarlos, Ferrugem e Elvis; Lins e Rafael Moura.

No meio da semana o Figueirense, em casa, fez 4 a 2 no Flamengo, com boa atuação do artilheiro Rafael Moura, que merece atenção. A arbitragem será de Bruno Arleu de Araujo (CBF), auxiliado por Dibert Pedrosa Moises e Thiago Henrique Neto, ambos do Rio de Janeiro.

Marcelo Teixeira é contra o estádio em Santos

Como já escrevi, por incrível que possa parecer para alguns, o ex-presidente Marcelo Teixeira tem se mostrado menos bairrista e mais racional do que o atual presidente do Santos, Modesto Roma Junior. Para Teixeira, o Santos deve construir o seu estádio, preferencialmente, na região do ABCD ou na Capital. Isso é o óbvio dos óbvios, pois nessas regiões o time teria um público bem maior e poderia cobrar mais pelo ticket médio, mas a afirmação causa surpresa por vir de Teixeira, para muitos o criador da criatura que hoje dirige o clube.

Sei que esses assuntos são discutidos com muita paixão e há quem se aproveite do preconceito, do bairrismo e do pouco conhecimento do torcedor para jogar santistas contra santistas e assim dividir para reinar. Porém, se os santistas usassem apenas a lógica para suas opiniões e decisões sobre o clube, creio que quase todos concordariam que o futebol, profissional e de base, deve permanecer em Santos, assim como todas as áreas do clube, menos o marketing, que deve estar próximo dos maiores potenciais patrocinadores.

Quanto ao local dos jogos, para mim não é hora de se arriscar em um negócio nebuloso como este da areninha. O correto é continuar revezando as partidas entre Vila Belmiro e Pacaembu. E na hora de se construir um novo estádio, que a decisão seja tomada por profissionais.

E você, o que acha disso?


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