Treino no CT Rei Pelé
O técnico interino Marcelo Fernandes fala com os jogadores que enfrentarão o Botafogo neste domingo (Ricardo Saibun/ SantosFC)

Santos ataca Botafogo com técnico de showbol

Um ex-zagueiro durão, que jogou no time profissional do Santos de 1991 a 1995, atua como técnico do time de showbol da Vila Belmiro e era auxiliar técnico de Enderson Moreira é quem dirigirá o Santos neste domingo, às 18h30, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz. Marcelo Fernandes, 43 anos, nascido em Santos, terá o auxílio de Serginho Chulapa para comandar o time neste domingo, e manteve a mesma escalação anunciada por Enderson Moreira: Vanderlei, Cicinho, Gustavo Henrique, Werley e Victor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Gabriel.

O Botafogo também terá técnico novo: Mazola Júnior estreará no lugar de Alexandre Ferreira. O tricolor de Ribeirão Preto, que ainda luta por uma vaga nas quartas-de-final, jogará com Renan Rocha, Roniery, Eli Sabiá, Bruno Costa (Carlos Henrique) e Dênis; Gimenez, André Rocha, André Santos e Rodrigo Andrade; Wesley e Giancarlo. A arbitragem será de Vinicius Gonçalves Dias Araujo, auxiliado por Daniel Luis Marques e Márcio Dias dos Santos.

Leia e comente minha coluna no jornal Metro: “Que despesas diversas são essas, afinal?”

Considerações sobre a demissão de Enderson Moreira

Sem saber exatamente o que conversaram e como foi o ânimo da conversa, fica difícil analisar a justeza ou não da demissão do técnico Enderson Moreira. Há muito boato, mas o que temos de concreto é que Enderson vinha de uma campanha invicta no Campeonato Paulista e o time, apesar das agruras extra-campo, rendia até surpreendentemente bem.

Alguns afirmam que Enderson estaria desagradando os jovens. Fala-se que episódios com Geuvânio e Gabriel o teriam desgastado com o grupo. Os dois jogadores teriam ficado melindrados com a forma ríspida com que foram tratados por Enderson e os companheiros tomaram suas dores. Desculpem-me, mas esta não engulo.

Futebol não é esporte para freiras e nem para homens, ou mulheres, muito sensíveis. Um grito, um palavrão, são normais. Zito cansou de gritar com Pelé em campo e ambos se amam. Perguntei a Pelé, quem, além dele, foi o melhor jogador do Santos, e ele não precisou de um segundo para dizer o apelido do grande José Ely de Miranda. Assisti a um jogo das Sereias da Vila ao lado de Zito e percebi que nem as garotas ele poupava. Zito jamais gostou de perder e o seu jeito de fazer o jogador se esforçar mais era mexer com seus brios.

Acho que Gustavo Henrique às vezes é meio lento mesmo, ou distraído; Geuvânio tem a mania de segurar demais a bola quando a jogada pede um toque rápido, e Gabriel realmente está se achando sem ainda ter feito nada de importante no futebol. Se o técnico não tiver o direito de dar uma dura nessa garotada, quem poderá?

Concordo que esses Meninos da Vila citados merecem atenção, apoio, mas passar a mão na cabeça nunca deu muito certo. Adianto, porém, que não considero Enderson um grande técnico, assim como não morro de amores por nenhum técnico brasileiro. Os poucos vencedores costumam ser exigentes e retranqueiros. Pedem um monte de contratações e depois colocam meia dúzia de volantes. Assim, até eu.

Quem mais entende de futebol é Vanderlei Luxemburgo, mas às vezes escorrega no relacionamento com os jogadores e também não leva tão a sério seus compromissos profissionais. Se resolvesse trabalhar como nos bons tempos, voltaria a nadar de braçada no meio dos treineiros brasileiros.

Não sou fã de Émerson Leão, que deveria agradecer até hoje pelo título brasileiro de 2002 que os Meninos da Vila lhe deram de presente. Também não admiro Dorival Junior, que substitui muito mal e foi campeão duas vezes com derrotas nos jogos decisivos. Porém, adepto da democracia por princípio, aceito o que a maioria quiser e decidir, pois, repito, no Brasil a única divisão de técnicos que existe é entre os caros e os baratos. No frigir dos ovos, são todos a mesma coisa.

Não sei quem o Santos deve contratar e, sinceramente, não estou convicto de que o time mudará muito o seu comportamento com um novo treinador. De qualquer forma, dá para montar uma equipe bem mais jovem com as entradas de Gustavo Henrique, Caju, Lucas Otávio, Lucas Crispim e Gabriel. A questão é encontrar o equilíbrio entre a experiência e a juventude. Enderson apostava mais na experiência e não se pode dizer que estava indo mal. Vejamos o próximo.

Não me peça para arriscar nomes. Acho que Argel poderia ser um dos cotados, mas é disciplinador e talvez melindre os Meninos. Provavelmente Pepinho, o filho do Canhão da Vila, dirija o time neste domingo. Se for bem, não faltarão aqueles que pedirão sua permanência. Para mim, ainda falta um pouco mais para o Pepinho treinar um time profissional.

O que fica evidente com essa demissão é que o Santos quer valorizar seus jogadores da base, provavelmente para depois vendê-los bem. Sem patrocínio máster, sem a esperada campanha de sócios, sem grandes arrecadações, com uma cota de tevê já adiantada e gasta, talvez a saída procurada por esta diretoria seja a venda dos passes fatiados desses Meninos. Aguardemos.

Reveja agora os melhores momentos de Botafogo 1 x 4 Santos, pelo Campeonato Paulista de 2012:

A despedida ao amigo Luciano

Pode-se dizer que a última grande alegria do amigo José Luciano Carvalho foi ser eleito conselheiro do Santos e comparecer a duas reuniões do Conselho. Era um sonho antigo dele viver de perto o clube que amava e contribuir, como fosse possível, para o seu querido Santos.

Luciano era o proprietário da Fator 5, empresa de cosméticos que patrocinou o programa Santos Vivo, apresentado por José Calil, na Rádio Trianon. Com um entusiasmo empolgante, apoiou José Carlos Peres na última eleição do clube. Vítima de câncer, Luciano faleceu na quarta-feira e seu corpo foi velado no dia seguinte, no Cemitério do Carmo, na zona Leste de São Paulo.

Acompanhei os amigos e conselheiros José Carlos Peres e Nilton Ramalho no adeus ao Luciano e no consolo aos seus familiares. Seus filhos, mesmo sem serem santistas, puxaram o coro do hino do Santos, um pedido do eterno menino Luciano. Mais tarde, na reunião do Conselho, em Santos, respeitamos um minuto de silêncio pelas mortes de José Luciano Carvalho e do também conselheiro Leão Vidal Sion.

Permuta do CT Meninos da Vila recusada

Em reunião extraordinária, o Conselho Deliberativo do Santos reprovou a permuta do imóvel onde se localiza o CT Meninos da Vila por uma área a ser cedida pela Leroy Merlin em uma região distante e não urbanizada de Santos. O documento, assinado pelo presidente Odílio Rodrigues no apagar das luzes de seu mandato, estava cheio de buracos e não parecia nada seguro para o clube, que corria o risco de perder um imóvel mais valioso em troca de outro de menor valor e muito mal localizado.

O ideal talvez seja o Santos construir um hotelzinho vertical para os Meninos, a exemplo do hotel dos profissionais, e manter o CT da base no mesmo lugar privilegiado em que está. Já é muito difícil para esses jovens ficarem longe de suas casas, de suas famílias, tentando a sorte no mundo duro e complexo do futebol. Isolá-los no meio do mato aumentaria a sensação de tristeza e lhes diminuiria o ânimo – algo, aliás, que os dirigentes do São Paulo já detectaram nos meninos que treinam em Cotia.

O que você achou da demissão de Enderson Moreira e quem deve ser o novo técnico do Santos?