Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Um Alçapão Maior

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La Bombonera em uma tarde de primavera (Foto: Odir Cunha/ Blog do Odir. O uso desta imagem está liberado, desde que se dê o crédito ao autor).

O estádio do Boca Juniors, imensa e vertiginosa caixa de bombons que atordoa e envenena os adversários, é considerado o maior alçapão do futebol. Ainda não conhecia a temida La Bombonera, por isso tirei a tarde dessa terça-feira para me inteirar de seus mistérios, estudar o seu museu, passear por suas arquibancadas. É uma obra que merece respeito.

Com 32 metros de altura, foi idealizada pelo arquiteto José Luiz Deini para aproveitar ao máximo o terreno exíguo que tinha à sua disposição. Para economizar espaço, seu campo tem as menores dimensões permitidas pela FIFA (105 x 68 m) e sua altura chega a 32 metros, para permitir que três lances de arquibancada alcancem uma capacidade de 49 mil pessoas.

Confesso que ao ver pela tevê suas arquibancadas tremendo com a vibração da torcida, imaginei uma estrutura mais precária, carcomida pelo tempo, enfim, ultrapassada. De perto, porém, o concreto pintado de azul e amarelo transparece robustez e longevidade. Fundada em 1938, a impressão que La Bombonera nos dá é de que poderá ficar de pé mais 78, 90, 100 anos, e ainda estará firme para suportar a paixão dos boquenses.

Porém, desde 2012 o clube trabalha em um projeto de construção de um novo estádio, com capacidade para 75 mil pessoas, que seria erguido na Casa Amarilla, área ocupada pelo CT do Boca, ao lado do estádio atual. Segundo o dirigente Daniel Angelini, La Bombonera não será demolida, mas coberta para abrigar shows, outros eventos esportivos, restaurantes, lojas e ainda conservar o seu belos museu.

A Vila Belmiro não pode diminuir

Sabemos que Modesto Roma, presidente do Santos, recentemente se reuniu com o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, para tratar de um estádio municipal a ser construído com uma parceria entre o Santos, a Prefeitura, o Jabaquara e a Portuguesa Santista. Na falta de dinheiro e de espaço, essa união poderia ser boa para todos os envolvidos. Porém, jamais o Santos deve aceitar o retrocesso de jogar em estádio para apenas 25 mil pessoas.

Hoje a capacidade da quase centenária Vila Belmiro é de apenas 16.798 pessoas, um terço de La Bombonera, mas o velho Alçapão já teve cerca de públicos acima de 25 mil pessoas. Querer ajustar a imensa torcida do Santos a uma casa tão pequena é mais ou menos como querer que o pé caiba num sapato menor. O Santos não pode se contentar com um estádio com capacidade menor de 40 mil pessoas.

O que se percebe nessas novas arenas construídas no Brasil, é que o torcedor, desde que tenha mais conforto e segurança, comparece mais aos jogos. Outro detalhe é o trabalho constante de divulgação dos jogos e de mobilização da torcida – que o Boca faz muito bem, e o Santos ainda não começou a fazer.

O bairro La Boca tem apenas 46 mil habitantes, mas todo ele respira a paixão por seu time. Torcedores de toda a Argentina, e do exterior, vêm conhecer o estádio, seu museu, e ler, ver e ouvir histórias que fortalecem a mística do clube. Pois eu afirmo que o Santos pode fazer igual ou melhor, pois tem uma história mais rica, teve Pelé e tantos craques e tem a receita mágica dos Meninos da Vila.

Assim como as autoridades do bairro La Boca entenderam que La Bombonera e seu histórico clube são a principal fonte de renda para o comércio local, a cidade de Santos precisa assumir a importância do Alvinegro Praiano para o turismo da região. Na verdade, boa parte da Baixada Santista pode manter intercâmbios culturais, esportivos e de lazer com o Santos. É só uma questão de abrir espaço para as ideias e iniciar os contatos.

Sempre haverá a possibilidade de se jogar em São Paulo, e creio que ela é a mais viável nesse momento. Roma e seus assessores agiram muito mal, por exemplo, ao vender para um empresário o mando de campo do jogo contra o Flamengo, expondo o time a uma derrota que poderá ser decisiva na briga por uma vaga no G4. Não era preciso correr esse risco. Era só jogar no Pacaembu e trabalhar bem a divulgação do espetáculo, que o Santos ganharia o mesmo um milhão de reais que ganhará pelo jogo em Manaus e ainda teria mais chances de vitória, pois 95 por cento do estádio estaria torcendo por ele, o inverso do que ocorrerá no Amazonas.

Ricardo Oliveira e Lucas Lima

O Brasil venceu a Venezuela por 3 a 1 e Ricardo Oliveira mostrou o que é ser um centroavante. Lucas Lima também mostrou como se joga um meia e, se Dunga for inteligente, não tira mais nenhum do time. Vi também um Paraguai brigador, que teve mais chances, contra uma Argentina muito limitada sem Messi. O 0 a 0 foi justo.

E você, acha que o Santos pode ter um Alçapão bem maior?


Subdesenvolvidos

Nada é por acaso. Brasil e Argentina, tidos como os gigantes do futebol sul-americano, voltam a campo nesta terça-feira pressionados para mudar sua sorte nas Eliminatórias para a Copa. Como se sabe, os brasileiros perderam para os chilenos, em Santiago, por 2 a 0, e os argentinos foram derrotados pelo Equador, em plena Buenos Aires, também por 2 a 0. O clima aqui na Argentina, onde prossigo nas férias, é desanimador e preocupante.

O Brasil vencer a Venezuela, em Fortaleza, é a lógica absoluta; agora, o jogo em Assunção, contra o Paraguai, não tem prognóstico. Os aguerridos paraguaios podem, muito bem, infligir uma segunda derrota à Argentina, o que colocaria o time de Messi em uma situação muito delicada. Na tevê local, um Tevez pouco convincente fala em recuperação.

O que ocorre é que tanto Brasil como Argentina estão abdicando do direito de escolher seus jogadores e formar sua seleção. Estão deixando esse encargo para a Europa. Se o jogador é titular em uma equipe europeia de prestígio, então, obrigatoriamente, está sendo escalado como titular da seleção local. Isso retrata a inversão do momento histórico do futebol. Hoje estamos sendo subdesenvolvidos também nesse esporte que já dominamos.

É evidente que o Brasil não precisa jogar como uma equipe europeia, fazendo a bola passar rapidamente pelo meio-campo, anulando a figura exponencial do meia, aquele que sempre comandou o Escrete. Para o estilo vencedor do futebol brasileiro funcionar, a bola precisa parar um pouco mais naquele setor, pois a partir dali as jogadas têm de ser pensadas e executadas por especialistas.

Na Seleção Brasileira os laterais atropelam os alas e os volantes também avançam, diminuindo o espaço e o tempo dos jogadores de criação. O individualismo prepondera e todos jogam mais para o Youtube e para seus empresários do que para o time. A derrota para o Chile não me surpreendeu. Mas teve o seu lado de bom, ao mostrar que uma seleção pentacampeã não pode se desfazer da bola tão apressadamente. Por isso, estou certo de que a efetivação de Lucas Lima no meio será um bom passo inicial para melhorar o time. Ele sabe proteger a bola e esperar o momento certo do passe.

E já que falei de Lucas Lima, não deixarei de citar também Ricardo Oliveira, o outro santista da Seleção. Para mim, desde que o time jogasse para um centroavante, ele seria o titular, no lugar do forte, rápido, mas desmiolado Hulk. Oliveira se coloca melhor e cabeceia melhor. Também é mais apto para fazer uma tabela, tem mais experiência ali na chamada zona do agrião. Hulk é um tanque, que tanto pode decidir uma partida com suas trombadas e seu chute potente, como pode cometer um dilúvio de erros.

Espero que Dunga tenha coragem de fazer o que tem de ser feito e de escalar os que realmente estão jogando melhor e para o time. A Seleção virou uma vitrine para jogadores que só pensam em suas carreiras e se esquecem do óbvio: que precisam ajudar o time a vencer, pois há uma longa tradição e muita aflição popular em jogo (como sempre, não são os intelectuais ou os mais favorecidos, mas não os pobres quem mais sofrem com a Seleção).

E para você, o que está havendo com o futebol de Brasil e Argentina?


Nosso superclássico é contra o Criciúma, neste domingo, às 18h30

enderson moreira
Enderson Moreira com três de suas apostas: Lucas Lima, Patito e Caju. Santos faz a melhor campanha no segundo turno, mas terá jogo dificílimo neste domingo, em Criciúma (Foto: Ricardo Saibun).

Robinho ia tocar pela primeira vez na bola quando o complicado árbitro chinês Fan Qi (em chinês, “Fan Chi) apitou o final do jogo. Levar o grande atacante do Santos, e uma das raras atrações do Campeonato Brasileiro, para assistir, do banco de reservas, esse tal de Superclássico das Américas, foi sacanagem. Mas há muito a CBF está totalmente dissociada dos clubes brasileiros. Ela usa os melhores jogadores que os clubes conseguem contratar, ou revelar, e se nega a pagar seus salários enquanto estes servem a Seleção.

Se, não só no caso de Robinho, mas também no de Kaká, fossem jogadores jovens, cujos passes pertencessem aos clubes, ainda se poderia entender. Estariam sendo testados para a próxima Copa e ainda valorizados com a convocação para a Seleção Brasileira. Mas os passes de Robinho e Kaká não pertencem a Santos e São Paulo, que os emprestaram por apenas seis meses. A cada viagem destas com a Seleção, os dois clubes têm grande prejuízo.

Em campo, um desafio que mais pareceu jogo de casados e solteiros. Mas o Brasil ganhou e Diego Tardelli fez os dois gols. Enfim, a Seleção tem um centroavante que não mata de canela. Messi não conseguiu marcar nem no pênalti inventado pelo árbitro chinês. Neymar só fez firula. Se a convocação de Robinho fosse para valer, ele deveria ter voltado para o segundo tempo no lugar do filho do pai.

Superclássico mesmo estava sendo jogado também na China, mas em Xangai, e transmitido pelo outro canal do Sportv, em que o melhor narrador da casa, Eusébio da Silva Resende – nome em homenagem ao Eusébio, craque de Portugal – descrevia, ponto a ponto, o duelo em que o suíço Roger Federer quebrou a invencibilidade do sérvio Novak Djokovic na China, que vinha desde 2010. 6/4 e 6/4, com direito a matar o jogo com um voleio. Agora Federer decide o título do Masters 1000 de Xangai com o francês Giles Simon, que na outra semi derrotou o espanhol Feliciano Lopez.

Superclássico em Criciúma

Para o santista, superclássico de verdade – ao menos em emoção – será o deste domingo, às 18h30m, contra o Criciúma, no estádio Heriberto Hülse, certamente lotado para este jogo decisivo para o futuro dos dois times no campeonato. A campanha do Santos é bem melhor e o time parece ter entrado em uma fase muito boa, mas não podemos nos iludir. Será um confronto disputado em clima nervoso, com muita correria, e se entrar com o pé mole o Santos pode ter a mesma sorte do Atlético Mineiro, derrotado na semana passada, em Criciúma, por 3 a 1.

Pela tabela, o favoritismo do Santos parece ampla, já que é o sétimo colocado, com 42 pontos e duas vitórias, contra a penúltima posição do adversário, que tem 27 pontos ganhos e apenas seis vitórias, mas é aquele tipo de jogo que se o Santos entrar desconcentrado, quando acordar, será tarde.

Sem Robinho, que está viajando com a turma do Dunga pela Ásia, o Santos deverá manter o mesmo time que vem atuando. O técnico Enderson Moeira deve escalar novamente Caju, Patito, Geuvânio e Leandro Damião entre os titulares. O garoto Gabriel, de quem esperamos tanto, precisa se orientar melhor. No último jogo entrou muito mal.

O Criciúma, também chamado de Tigre, ou Carvoeiro, deve ser escalado pelo técnico Gilmar Dal Pozzo com Bruno, Eduardo, Ronaldo Alves, Joílson e Giovanni; Rodrigo Souza, João Vitor e o nosso conhecido Cléber Santana; Lucca, Bruno Lopes e Souza.

Santos terá uniforme em homenagem ao Dia Das Crianças

Notícia do site do Santos: Para comemorar o Dia das Crianças, o Santos FC entrará em campo neste domingo, contra o Criciúma, vestindo um uniforme um pouco diferente do tradicional. A mudança estará nos números, desenhados por atletas mirins da equipe de futsal do Peixe, e estampados na cor azul, do Unicef. A ideia, criada pelos departamentos de Marketing e Comunicação do Peixe, é estimular os torcedores a se tornarem doadores do órgão da ONU, contribuindo para o desenvolvimento de milhares de crianças nos mais de 190 países em que o Unicef está presente, como Brasil, Etiópia e Síria.

Acho legal ajudar, de vez em quando, essas entidades. Eu mesmo dou uma forcinha à Abrinq aqui no blog. No entanto, o marketing do clube deveria estar mais empenhado em criar ideias para atrair patrocinadores que podem ajudar o Santos a pagar suas dívidas.

Enderson não tem medo do Pacaembu

Gostei muito de saber que Enderson Moreira não tem qualquer complexo de jogar no Pacaembu, que ele considera também uma casa do Santos. É bom ouvir uma declaração racional sobre o assunto. Se o gramado é bom, quase toda a torcida é do Santos e se o clube já ganhou tantos títulos jogando lá, por que haveria algum problema de o Santos jogar no Pacaembu? Mais um ponto a favor de Enderson em comparação ao seu comodista antecessor.

Hoje tem festança lá na quadra da Torcida Jovem

Hoje a Torcida Jovem, que acompanhei desde seu nascimento, completa 45 anos. Para comemorar, haverá uma festa de arromba lá na quadra da Jovem. Segue o convite para todos os interessados:

O Grêmio Recreativo Cultural Torcida Jovem do Santos vem através deste convidar vossa senhoria e família para juntos comemorarmos o nosso aniversário de 45 anos que será realizado no dia 11/10/2014, a partir das 22 horas em nossa sede, à rua Doutor Luiz Carlos, 03, São Paulo/SP, pois para nós será um momento precioso.

Para abrilhantar ainda mais a nossa festa, convidamos Emicida, Art Popular, Mc Frank, Mc Bó, DJ Luisinho, com participação especial da Ala Musical e Bateria Nota 10 da Escola de Samba Torcida Jovem.

No primeiro turno Santos x Criciúma foi assim:

E você, o que espera de Criciúma e Santos, neste domingo?


Eu vi o que vocês fizeram em 1978

O Campeonato Brasileiro vai recomeçar e está na hora de voltarmos às nossas paixões particulares. Antes, uma palavra sobre a ensaiada decepção argentina pela euforia brasileira com a vitória alemã. Ora, que reação esperavam nossos vizinhos?

De apoio, carinho, afeto? Sim, seria ideal. Vivemos lado a lado, compartilhamos parte de nossas histórias, dividimos o mesmo pedaço do mundo. Eu, particularmente, adoraria ter motivos para preferir a Argentina, no futebol, a qualquer nação européia.

Mas o amor, para ser sincero e duradouro, exige reciprocidade. Quando a brincadeira, mais do que ironia, se torna um desrespeito crônico apoiado por seus principais jornais esportivos; quando os costumes, o povo e os ídolos brasileiros são insultados regularmente e boa parte dos argentinos confunde rivalidade com desprezo e ódio, fica muito difícil dar a outra face.

No meu caso, é mais difícil, pois ainda me lembro bem do que fizeram na Copa de 1978, uma Copa armada para que os donos da casa vencessem, burlando as regras do jogo e a ética, destratando os visitantes com o único objetivo da vitória a todo custo, como se isso fosse transformar a Argentina em um país melhor.

Agora, no Brasil tivemos, sim, contato com povos, com civilizações melhores. Nada mais justo e alentador, para o futebol, do que apreciar uma dessas nações vencer a Copa.

Alegrar-se com o título da Alemanha, mesma equipe que goleou o Brasil, mostra, simplesmente, que o brasileiro começa a colocar o mérito esportivo acima do rancor, da inveja e do jogo sujo que sempre caracterizou o futebol sul-americano.

A Copa ficou com os que praticaram o futebol mais vistoso e eficiente e, além disso, se mostraram mais amigáveis, educados e respeitosos. Os jogadores alemães demonstraram carinho com a gente simples do Brasil e seus torcedores não deixaram um rastro de destruição por onde passaram.

O Brasil já tinha provado, por cinco vezes, que sabe ganhar uma Copa. Agora, repetindo 1950, prova que também sabe perde-la; que apesar de amar tanto o futebol, não comete a estupidez de colocar a vitória ou a derrota no mesmo patamar da vida e da morte. Vejo isso como um mérito, uma qualidade que o vizinho sul-americano ainda não tem.

E você, acha que havia motivo para torcer para a Argentina?


Oração para proteger Neymar dos argentinos

Oração para proteger Neymar dos argentinos

Deuses do futebol que estão no Olimpo

Olhem por nosso Menino de Ouro

Nesse terrível jogo-treino.

Protejam-no de toda a maldade

Na grama ou na jogada aérea.

O gol dele de cada dia lhes deem hoje.

Perdoem se ele tentar cavar faltas,

Assim como perdoaremos suas pedaladas perdidas.

Não permitam que o machuquem

E o livrem do Mascherano,

Amém


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