Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Arnaldo Silveira (page 1 of 2)

Santos não é o favorito no clássico histórico, mas pode surpreender.

Santos reage no segundo tempo, empata e quase vira

Depois de dominado na primeira etapa, quando sofreu o gol de Douglas, o Santos foi melhor no segundo tempo, criou boas oportunidades, fez o gol de empate, com o garoto Gustavo Henrique, e teve chance de vencer o Clássico Alvinegro. O resultado deixa o time na oitava posição, com 44 pontos, e a missão de ganhar 80% dos pontos que faltam para disputar uma vaga para a Copa Libertadores.

Veja os gols da partida:
http://youtu.be/y6ifsN5hLlA

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Pitbull por Pitbull, o Santos também tem um (Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Em 22 de junho de 1913, há 100 anos e quatro meses, Santos e Corinthians se enfrentaram, no campo do Parque Antarctica, pelo Campeonato Paulista de 1913, o primeiro que ambos disputavam, naquele que hoje é o clássico mais antigo de São Paulo. Orientado por Urbano Caldeira, o Alvinegro Praiano goleou por 6 a 3, com destaque para os garotos Millon e Arnaldo – autores de dois gols cada um –, que no ano seguinte já seriam titulares da Seleção Brasileira.

Um dos jornais paulistanos escreveu: “A segurança do passe e o esplêndido jogo de combinação desenvolvido pela brava rapaziada santista era patente desde o início do jogo”. Passaram-se 100 anos, mas a mesma segurança do passe é o que se espera dos santistas no jogo deste domingo, às 16 horas, em Araraquara, partida que comemora o centenário do clássico e o aniversário de 73 anos do Rei Pelé.

As circunstâncias não dão o favoritismo desta partida ao Santos. Thiago Ribeiro sentiu a coxa e não jogará, sendo provavelmente substituído por Willian José ou Victor Andrade. Assim, o time a ser escalado pelo técnico Claudinei Oliveira deverá ter Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Eugenio Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Victor Andrade (ou Willian José).

O adversário, mesmo atrás do Santos na classificação do campeonato, tem um time estruturado, que em 2012 conseguiu até ser campeão mundial. Sua defesa é excelente, mas o ataque é o segundo pior do Brasileiro. Contra o Santos não terá os titulares Cássio, Fábio Santos e Romarinho.

Como não deverá se expor, mesmo com o mando de campo e torcida a favor, o Corinthians deverá se preocupar mais com a defesa, assim como o Santos, o que nos faz prever um jogo amarrado, em que um 0 a 0 não será surpresa.

Dos 18 mil ingressos colocados à venda, apenas 1.000 foram reservados aos santistas – e vendidos imediatamente, pois se esgotaram às 13 horas de quinta-feira. Uma pena que o estádio não comporte mais, pois no Interior de São Paulo, segundo pesquisa recente da Pluri Consultoria, os dois alvinegros são hoje os times de maior torcida.

Camisas com os lugares do Rei

A assessoria de imprensa do Santos informa que “nas costas da nova camisa do Peixe, no lugar dos nomes dos atletas, estará estampado o nome de lugares que marcaram a história escrita pelo Alvinegro e por Pelé ao redor do mundo”, como Três Corações, Bauru, Santos, Vila Belmiro, Santo André, Pacaembu, Rua Javari, Buenos Aires, Santiago, Maracanâ, Bogotá, Japão, Paris, Nova York, Nigéria, Costa do Marfim, Alemanha, Estádio Azteca, Milão…

É uma boa iniciativa promover os grandes clássicos do futebol brasileiro. Essa é uma ideia antiga do G4 Paulista, coordenado pelo amigo José Carlos Peres, que precisa ser colocada em prática. Que haja rivalidade, sadia, entre os torcedores, mas que o espetáculo seja valorizado.

Os santistas que forem ao jogo deverão entrar pelo portão da Avenida Engenheiro Agrimensor, que fica atrás do Gigantão e ocupar, no interior do estádio, o local destinado ao torcedor visitante (setor 3 – área vermelha). Recomenda-se a chegada antecipada dos torcedores, evitando assim aglomeração e tumulto na entrada do estádio.

O Clássico do Tabu

Os dois grandes fatos relativos a este jogo são o grande tabu que o Santos manteve de não perder do rival por anos a fio. Só de Campeonatos Paulistas foram 11, de 1957 a 1968, com 22 jogos nesse período, dos quais venceu 16 e empatou seis. Porém, também é preciso lembrar que de junho de 1962 até o primeiro turno do Campeonato Paulista de 1968 o Corinthians não derrotou o Santos por nenhuma competição, incluindo não só o Paulista, mas também o Torneio Rio-São Paulo e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata.

Houve também um tabu ao contrário entre meados dos anos 70 e início dos 80, em que o Santos ficou sem vencer o rival. Mas nesse período ocorreram mais empates do que derrotas santistas. Tanto, que o Corinthians só conseguiu nove vitórias no período, mesmo número de vitórias que o Santos de Diego e Robinho conseguiu em outro tabu contra o rival, de 2002 a 2005.

Na soma de títulos mais importantes, o Santos leva larga vantagem ao longo da história, com dois títulos mundiais (ou intercontinentais), três Libertadores e oito títulos brasileiros. Mesmo não sendo o maior vencedor no Campeonato Paulista, tem mantido a hegemonia da competição nos últimos anos, com cinco títulos nos últimos oito disputados.

No confronto direto, o alvinegro paulistano leva grande vantagem devido à fase amadora do futebol e às décadas de 1930 e 40. Em 1950 houve equilíbrio e de 1958 a 1960, na fase de ouro do futebol, o predomínio santista tornou-se massacrante. O Corinthians reagiu e voltou a ter vantagem nas décadas de 70 e 80, mas o equilíbrio voltou a partir dos anos 90. Desde então os times têm se alternado em períodos de predomínio, com pequena vantagem santista nos últimos 20 anos, principalmente a partir de 2002, com as gerações Diebo/Robinho e Ganso/Neymar.

Relembre mais uma vitória de Robinho sobre Tevez:

E domingo, quem vencerá o Clássico Alvinegro?


Uma pequena homenagem aos responsáveis pelo surgimento do Santos


Arnaldo Silveira tinha apenas 17 anos quando fundou o Santos. Dois anos depois era titular da ponta-esquerda da Seleção Brasileira, de quem seria o capitão. O garoto Adolpho Millon Jr. era ainda mais jovem, apenas 16 anos. Como Arnaldo, em 1914 também se tornou titular da Seleção Brasileira (ponta-direita). À direita, na foto menor, Raymundo Marques, um dos dirigentes mais ativos do novo clube.

A carreata chegou à Vila Belmiro faltando uns 15 minutos para as 14 horas. Depois de sair do Pacaembu e cruzar a avenida Paulista, despertando aplausos e gritos de outros santistas pelas calçadas, seguimos até o Carrefour da Anchieta, onde esperamos os ônibus, carros e modos da Torcida Jovem. Unidos, descemos a serra em uma procissão alegre e ordeira, que não deu trabalho aos batedores da PM. Ao avistarmos Santos, lá do alto, a alegria invadiu nossos corações. Poucos de nós nascemos em Santos, mas, pelo Alvinegro Praiano, elegemos essa cidade como se nossa também fosse. Entramos em Santos às buzinas, felizes por ver tanta gente com a camisa do time dos sonhos. A Vila fervilhava e a tentação de ficar por ali era grande. Porém, havia a romaria, um compromisso sagrado a cumprir…

A idéia de colocar os jogadores do Santos jogando contra 100 crianças vestidas de branco foi genial e proporcionou imagens maravilhosas. Em uma das fotos produzidas pelo UOL, Neymar aparece cercado por 10, 12, 14 crianças, todas sorrindo ao mesmo tempo em que correm para a bola. Ainda não vi imagem mais perfeita para representar essa simbiose entre o Santos e as crianças, entre o Menino Neymar e seus pequenos súditos.

Bem, mas como eu estava dizendo, a Vila estava florida e dava vontade de ficar. Amigos se espalhavam por toda a parte. E lá na praia haveria o evento do relógio e o show musical com Chitãozinho e Xoxoró. Multidões de santistas se movimentavam para a festa. Mas nós nos sentíamos na obrigação de reverenciar os fundadores do clube, que, temíamos, seriam ignorados em meio à muvuca.

Eu e Suzana chegamos à Rua João Pessoa, 10, exatos quatro minutos antes das 14 horas. Hoje lá fica uma loja Proplastik. Éramos esperados pela gerente da loja, a Leia, o seu supervisor e diretores. Lá estavam também o amigo Khayat, um dos fundadores deste blog, e sua esposa; um pai com suas duas filhinhas, o jovem médico João Nóbrega, o chinês Tah, que me dá a honra de ter todos os meus livros, e o casal Carlos e Isaura, amigos que fizemos no Cruzeiro do Centenário.

Em nenhum momento me iludi de que teríamos uma multidão pronta para reverenciar os fundadores do Santos. Para os leigos pareceria um evento simples, sem graça. Porém, os que me acompanham desde o lançamento do primeiro dos 10 livros que escrevi sobre o Santos, o Time dos Sonhos, sabem que adoto como lema para os santistas a frase bíblica: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”. Não se pode exigir que ninguém participe de uma homenagem aparentemente chata. Estava até preparado para fazer o percurso apenas com a Suzana. Mas, felizmente, ainda havia outras pessoas que abriram mão da festa para homenagear os fundadores do clube.

No salão secular, a energia dos primeiros Meninos


No salão em que, um século atrás, o Santos foi fundado. De pé, o chinês Tah, o médico João Nóbrega, o pai das duas garotinhas, Carlos, Leia e Isaura. Agachados: Suzana, eu, a mulher do Khayat e o diretor da Proplastik (o Khayat não apareceu porque fez a foto). Dali, saimos para a caminhada até a Vila Belmiro.

Por uma gentileza dos diretores da Proplastik, pudemos subir um lance de escadas até o salão onde o Santos foi fundado, há um século, por 39 rapazes, quase todos estudantes e comerciários. Mesmo hoje dedicado ao depósito da loja, sentimos no ar do amplo salão a energia secular, imaginamos o momento da fundação do clube e exatamente às 14 horas, instante em que a assembléia de fundação do Santos foi iniciada, nós nos lembramos dos maiores responsáveis pela existência do clube, e após algumas palavras do Carlos, do Khayat e minhas, cantamos, felizes e emocionados, o hino oficial do Santos.

É mesmo um orgulho nascer, viver e morrer ligado ao Santos. Por isso, enquanto a cidade fervia lá fora, embalada por várias comemorações, voltamos nossos pensamos para os garotos Adolpho Millon Jr. e Arnaldo Silveira, os primeiros meninos craques do Santos, para o líder Raymundo Marques, e para todos os 39 fundadores que criaram o motivo de boa parte de nossas lágrimas e emoção.

Como o prometido, fomos a pé até a Vila Belmiro. Lá visitamos a exposição do notável artista plástico Paulo Consentino, no Memorial das Conquistas. No mesmo Memorial fiquei muito feliz ao ver o filme que Wesley Miranda, colaborador deste blog, produziu para mostrar algumas defesas preciosas do lendário goleiro Gylmar dos Santos Neves. Wesley é alguém que deve ser mais aproveitado pelo clube.

Voltamos a pé até onde o Santos foi fundado, desta vez acompanhados pelos conselheiros Reynaldo e Olivério, mais amigos e dois pequenos irmãos nisseis vestidos com a camisa do Santos. Concluímos nossa singela homenagem aos pioneiros, os responsáveis por tudo. Depois, passamos pela praia, nos alegramos com a multidão que acompanhava o show e com a infindável quantidade de camisas e bandeiras.

Jantamos no Mar del Plata, onde se come a melhor lula à milanesa do mundo, e voltamos para casa com a alma lavada. Neste domingo tem jogo na Vila, mas, com todo o respeito ao Catanduvense, hoje não há como impedir a felicidade santista. Vivemos um fim de semana de sonho. E ele terá um final feliz.

E você, o que fez ontem, dia do aniversário do Santos?


QUESTÃO DE CULTURA: No Santos, técnico tem de colocar o time no ataque. No Corinthians, isso pode dar demissão.


Jogar pra frente só dá certo no Santos. Uma lição para Dorival Junior e Adilson Batista.

Cada time tem uma cultura. Enquanto os santistas não admitem que a equipe jogue recuada, com muitos volantes e poucos jogadores habilidosos; no Corinthians Adilson Batista continua sendo criticado por ter mudado o esquema defensivo de Mano Menezes e tornado a equipe mais ofensiva.

Integrantes da diretoria do alvinegro paulistano já culpam o ex-técnico pela provável perda do título brasileiro. Quando Adilson estreou no Corinthians, o time era líder do campeonato, com 24 pontos em 11 jogos. Nos 17 jogos seguintes, teve sete vitórias, quatro empates e seis derrotas, ficando as últimas cinco rodadas sem vencer e culminando a fase ruim com uma derrota para o Atlético Goianiense, em pleno Pacaembu, por 4 a 3.

No Santos aconteceu o inverso. Depois de um primeiro semestre em que manteve três atacantes e dois meias ofensivos, fazendo o time golear meio mundo e relembrar os tempos de Pelé & Cia, Dorival Junior ficou preocupado com as saídas de Robinho, André e Wesley, além da contusão de Paulo Henrique Ganso, e resolveu proteger mais o meio-campo. Foi o suficiente para cair em desgraça com a torcida.

A questão é que o Santos foge ao lugar-comum tático de que times com jogadores melhores devem atacar, e com jogadores medíocres devem se defender. Não importa a qualidade técnica de seus representantes em campo, o santista só aceita que seu time jogue no ataque.

“Quem joga na defesa é time pequeno” é uma das máximas que se ouve na Vila Belmiro, território que não tolera o defensivismo de alguns técnicos. Não é à toa que o Alvinegro Praiano é o time que fez mais gols na história do futebol. Tudo no clube leva ao ataque.

Qual o único zagueiro de Copa do Mundo revelado no Santos? Joel Camargo. Fácil. Agora, um doce para quem enumerar todos os meias e atacantes excepcionais que nasceram na Vila. Adolfo Millon, Arnaldo Silveira, Haroldo, Araken Patusca, Antoninho, Del Vecchio, Pepe, Pelé, Coutinho, Juary, João Paulo, Pita, Edu, Robinho, Diego, Neymar, Paulo Henrique Ganso… E por aí vai… (certamente esqueci muitos).

Nunca me esquecerei da frase do técnico Francisco Formiga, quando lhe perguntei se o santos jogaria recuado contra o Flamengo, no Maracanã, para assegurar o título brasileiro de 1983: “Esse time não sabe jogar na defesa”, foi sua resposta. E o que poderia parecer uma deficiência, soou, para mim, como um grande elogio.

Enquanto outros torcedores se orgulham de serem “sofredores”, ou de terem uma “defesa que ninguém passa”, o santista pede: “Vai para cima deles, Santos!”. E já tem um coro pronto para quando a festa está completa: “Caiu na rede é peixe, eh, eh, ah, o Santos vai golear!”.

Talvez haja um quê de temerário nessa postura, mas foi assim, com coragem para confiar no seu talento de fazer gols, que o Santos construiu um caminho onde não havia nada. E assim ele seguirá, deixando que os outros se preocupem com a defesa.

Reveja agora a grande goleada do Santos este ano:

Você acha que atacar sempre é a melhor defesa, ou às vezes o Santos exagera e acaba se dando mal?


Juventude e irreverência incomodam muita gente

(Este é o texto publicado ontem pelo jornal Lance)

O esquadrão que se mobiliza diariamente para perseguir Neymar, o Menino da Ouro da Vila Belmiro, ainda não se deu conta, mas está apenas cumprindo o script de uma história que começou em 14 de abril de 1912.

Sim, desde que foi fundado, a história do Santos se baseia em garotos talentosos versus o status quo do futebol, leia-se sociedade. O primeiro a assinar a lista de presenças da ata de fundação do Alvinegro Praiano foi um rapaz de 18 anos, Adolfo Millon Junior, que dois anos depois se tornou o primeiro ponta-direita da primeira Seleção brasileira.

Na mesma tarde histórica de domingo do clube Concórdia, havia outro jovem bom de bola, Arnaldo Silveira, que não só seria o primeiro ponta-esquerda da primeira Seleção Brasileira, como se tornaria, pela personalidade e liderança, capitão do escrete nacional.

Adolfo e Arnaldo, além de Haroldo, fizeram do Santos o time que mais cedeu jogadores para a primeira conquista importante do futebol brasileiro, o Sul-americano de 1919, jogado no Estádio das Laranjeiras.

Perceba que o Santos, desde o início, revelou craques fantásticos ainda imberbes, e entregou a eles o seu destino.

O fenômeno se repetiu em 1924, quando, com a o caixa a zero, o clube foi buscar a linha ofensiva do Brasil Futebol Clube, respeitado time amador de Santos. Com o ponta-direita Omar e os irmãos Camarão e Siriri iniciou-se a estrutura do famoso ataque dos 100 gols, o primeiro a alcançar a marca centenária em uma competição na América do Sul.

Com a ascensão de Araken Patusca, filho de Sizino, primeiro presidente do clube; com a chegada de Evangelista, ponta-esquerda da Portuguesa Santista, além do artilheiro Feitiço, que abandonou a profissão de carroceiro na capital para voltar ao futebol, o Santos chegou à média inacreditável de 6,25 gols por jogo no Campeonato Paulista de 1927.

Depois, nos anos 50, vieram Pagão, Pelé, Pepe, Coutinho, Del Vecchio e um grupo de meninos que nenhum time jamais teve em época alguma. Os tempos eram outros e os jovens menos rebeldes, mas não faltou quem visse naquela meninada um bando de garotos metidos à besta.

Da mesma forma que falaram de Juary, João Paulo, Pita, Nilton Batata, oficialmente os legítimos Meninos da Vila, que cometeram a ousadia de ganhar o Campeonato Paulista de 1978 batendo o São Paulo, campeão brasileiro de 1977, em pleno Morumbi.

Demorou um pouco, mas nova geração de garotos encantou o Brasil em 2002, quando Robinho, Diego, Elano, Renato, Alex e cia eliminaram todos os favoritos, um a um, dentro ou fora ao Alçapão.

Nem sei quantas vezes Robinho foi ameaçada pela ousadia de driblar, pedalar, criar jogadas e espaços que só ele via. Lembro-me que o goleiro Danrlei, do Grêmio, disse que jogando assim, alguém ainda iria “quebrar a sua perna”. Não foi o único a fazer tal ameaça.

A arte e o talento incomodam demais a quem não os têm, pois deve ser mesmo irritante ver que o craque torna tudo simples, fácil, como se jogar futebol fosse brincadeira de criança.

Neste 2010 tivemos os Meninos da Vila edição VI encantando o Brasil de novo. Paulo Henrique Ganso, André, Neymar, Wesley e o decano dos Meninos que retornava ao lar, Robinho.

Todos deveriam ficar agradecidos de o futebol brasileiro contar com essa fonte perpétua de arte e beleza populares, que é a Vila Belmiro. Mas sempre há os espíritos de porco, os mal servidos pelo destino, os pernas de pau no campo e da vida.

E queriam que Neymar fosse para a Europa de qualquer jeito, e queriam que fosse punido mais e mais por ter discutido com o técnico, e agora estão, lentes e lupas na mão, acompanhando tudo o que o garoto diz e faz.

A inveja pode se revelar de diversas maneiras. Uma deles é através da chamada crônica esportiva, profissão que dá licença para se atacar um ser humano que paira bem acima da mediocridade com a desculpa de o estar educando.

Ora, senhores da crônica, eduquem-se vocês. Deixem o talento de quem o tem fluir livremente. Percebam que nem criativos os senhores estão sendo, pois essa implicância com quem brilha é coisa velha, é roteiro antigo no qual os senhores serão, sempre, coadjuvantes.

Odir Cunha

Agora curtam um filme que deve deixar os tradicionalistas loucos da vida.


Ganso e Neymar estreiam na Seleção, como já aconteceu com os Meninos da Vila Millon e Arnaldo, Pelé e Del Vechio, Juary e Nilton Batata, Robinho e Diego…

Guardem bem esta data: 10 de agosto de 2010, dia que pode entrar para a história do futebol, pois hoje os Meninos da Vila Neymar e Paulo Henrique Ganso estreiam na Seleção Brasileira. Como tudo que acontece no Santos, o fato de dois garotos começarem juntos sua carreira na Seleção não é novidade. A história começou logo no primeiro jogo oficial do Escrete, no longínquo 27 de setembro de 1914, em Buenos Aires.

No campo do Club Gimnasia Y Esgrima e diante de um público de 17.200 pessoas – excelente para a época – a Seleção Brasileira jogou a primeira partida oficial de sua história contra a Argentina, em disputa da Copa Roca. Entre os titulares do Brasil lá estavam dois jovens, de 20 e 22 anos, que dois anos antes tinham participado da fundação do Santos: o ponta-direita Adolfo Millon Junior e o ponta-esquerda Arnaldo Silveira.

O Brasil venceu por 1 a 0, gol de Rubens Salles, do Paulistano, aos 13 minutos do primeiro tempo, mas lembro esta partida apenas para perguntar: Não é assombroso que a primeira geração dos Menino das Vila já tenha sido representada logo no primeiro jogo oficial da Seleção Brasileira?

Pelé, bem acompanhado

No dia 7 de julho de 1957, ao estrear na Seleção Brasileira, com apenas 16 anos, Pelé olhou para o lado e lá estava o santista Del Vecchio, outro Menino da Vila, 22 anos. Mais à esquerda, mais um santista, Tite. Atrás, Zito, que depois foi substituído por Urubatão, também do Santos. Era o Maracanã, mas parecia um jogo na Vila Belmiro. À vontade, o estreante marcou o gol de empate, aproveitando um rebote do goleiro.

Daquele período até 1970 o Santos e a Seleção Brasileira se confundiram e muitos Meninos da Vila honraram também a amarelinha, como Pepe, Coutinho, Pagão, Joel Camargo, Clodoaldo, Edu…

Em 1978/79, quando surgiu a geração que consagrou a denominação “Meninos da Vila”, todos eles também chegaram à Seleção Brasileira na mesma época: no segundo semestre de 1979 o técnico Cláudio Coutinho chamou os meninos Juary, João Paulo, Nilton Batata e Pita.

O mesmo aconteceu com Robinho e Diego, estrelas do time campeão brasileiro de 2002, que embora tivessem apenas 21 e 20 anos, respectivamente, passaram a ser convocados regularmente para a Seleção a partir de 2004.

Agora é a vez de Neymar e Paulo Henrique Ganso, que representam não só o orgulho dos santistas, mas a esperança do futebol brasileiro de reencontrar suas origens de futebol bonito e ofensivo. Que os deuses do futebol os protejam hoje à noite e que possam jogar tão alegres e irreverentes como se estivessem na Vila mais famoso do mundo.

O que você espera da atuação de Neymar e Ganso no jogo de hoje? Acha que sentirão o peso da camisa da Seleção, ou jogarão tranqüilos e darão show?


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