alan santos
Alan Santos domina a bola diante de dois jogadores da Portuguesa. Calmo, seguro, com bom passe, esse Menino da Vila já é uma realidade (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgaçnao Santos FC).

Não entendo a desconfiança com a juventude. Os grandes gênios da humanidade já demonstravam seu talento ainda bem jovens. O austríaco Wolfgang Amadeus Mozart – que ontem me fez ficar acordado até além da meia-noite para assistir Don Giovanni – compôs mais de 400 obras até os 16 anos. Se passarmos para o futebol, constataremos que os santistas Pelé, Edu, Araken, Coutinho, Neymar, Diego, Robinho, e Juary, entre outros, tinham menos de 18 anos quando mostraram que estavam bem acima da média. Hoje ainda há quem duvide da capacidade dos Meninos do Claudinei.

Nem vou falar do Neilton e do Giva, pois acredito que não haja mais nenhum santista que desconfie da capacidade de ambos. No mínimo estão da média dos atacantes da Série A do Campeonato Brasileiro. O mesmo digo de Leandrinho, um volante mais técnico do que a maioria que se vê por aí, e de Alan Santos, este jogador discreto, mas extremamente promissor.

Cabeça erguida, viradas de jogo perfeitas, firme no combate e participativo (não é daqueles que se exigem da jogada, deixando a bucha para o companheiro). Discreto, não enfeita as jogadas e nem tenta o gol, mesmo dando a impressão de que poderá ser bem-sucedido se tentar. Este é Alan Santos, que substituiu muito bem a Arouca na difícil partida contra a Portuguesa (ficou fácil devido à aplicação do time e à grande atuação de Aranha, mas não era para ser).

Há outros Meninos que não são titulares, mas que poderão se tornar. O caso dos zagueiros Gustavo Henrique e Jubal é o mais flagrante. Alguém duvida de que ambos podem formar uma dupla tão ou mais eficiente do que Edu Dracena e Durval? Ou que também possam se firmar entre os profissionais os atacantes Victor Andrade, Gabriel e Geuvânio e os meio-campistas Lucas Otávio, Pedro Castro, Alison e Léo Citadini? Eu confio muito neles todos.

Vantagens da garotada

Você já viu garoto “chinelinho”? Muito difícil, não é mesmo? Sim, pois garotos querem mostrar serviço, precisam conquistar a posição e fazer um nome – com vitórias e títulos. Não podem colocar o burro na sombra e calçar os chinelos dos que fizeram a fama e agora deitam na grama, ou melhor, na cama.

Garotos dão menos trabalho ao departamento médico porque são mais fortes, resistentes e flexíveis. Suas contusões têm uma recuperação mais rápida. Veteranos ficam muito mais tempo na enfermaria. Sentem mais problemas musculares – não só distensões, mas apenas dores, suficientes para que façam uma partida e fiquem outra fora do time.

Sem vícios e sem tantas vaidades, garotos ouvem mais o treinador e costumam ser mais disciplinados taticamente. Sabem que precisam fazer isso, ou perdem seu lugar na equipe. Veteranos nem sempre são aplicados e costumam se rebelar mais contra o técnico (veja o São Paulo, cujo maior problema é a liderança paralela exercida pelos macacos velhos Rogério Ceni, Lúcio e Luis Fabiano).

Outro detalhe essencial é que Meninos ganham salários menores, pois estão começando a carreira. Isso dá ao clube, ainda mais um clube que se colocou em precária situação financeira, como Santos, a possibilidade de adquirir um equilíbrio que seria impossível se prosseguisse na filosofia de contratar jogadores rodados caros e, geralmente, em má forma e má fase.

Poder lançar e confiar em Meninos é uma bênção que historicamente favorece o Santos. Deixar de lado essa opção não é nada inteligente. Até porque o Alvinegro Praiano já tem uma boa cota de jogadores maduros, como Aranha, Edu Dracena, Durval, Léo, Arouca e Montillo, e ainda acaba de contratar dois laterais que têm tudo para se firmar nas posições, como Cicinho e Mena.

O melhor negócio agora é valorizar os Meninos e, desde já, assinar contratos duradouros com eles. Quanto aos veteranos, que sejam gradativamente substituídos por garotos, até que estes assumam seus lugares. E se for para contratar, que tragam a cereja do bolo.

E você, como vê essa relação entre juventude e maturidade no futebol?