O técnico Muricy Ramalho decidiu que escalará um time de reservas para enfrentar a Portuguesa, hoje, às 16 horas, no Canindé. Com todo o respeito que a Lusa merece, a verdade é que se jogasse com os titulares, o Santos seria franco favorito. Então, fica a dúvida: será que é mesmo necessário poupar os titulares para o jogo do meio da semana contra o Internacional, pela Copa Libertadores?

Eu acho que sim. Realmente, a possibilidade de conquistar seu quarto título de Libertadores é um sonho que vale todos os sacrifícios. Por outro lado, mesmo os reservas do Alvinegro Praiano podem jogar bem hoje e até vencer a Portuguesa. Basta lutar e ter confiança.

O Santos deve entrar em campo com Aranha, Maranhão (e não é que está melhorando!), Bruno Rodrigo, Vinícius Simon e Paulo Henrique; Adriano, Anderson Carvalho, Elano e Felipe Anderson; Dimba e Alan Kardec. A equipe pode estar pouco entrosada – já que os técnicos de hoje não dão mais coletivo -, mas, no papel, pode muito bem fazer um jogo equilibrado contra a Portuguesa, que tem jogado mal.

Eu só reforçaria o time com Borges, que está precisando de ritmo. E, ao contrário de Muricy, faria uma bela preleção, pois esses jogadores estão precisando de motivação, carinho e incentivo. Sua última partida, a derrota de 3 a 1 para o Mogi Mirim, deixou uma péssima impressão. Se esses reservas voltarem a jogar tão mal, não titubearei em sugerir que sejam emprestados ou vendidos.

A desculpa pronta de Muricy

Ao dizer que o time está desentrosado, o técnico Muricy já vem com a desculpa pronta para uma derrota. Eu não aceito, pois se ele sabe que terá de revezar as equipes titular e reserva nessa fase da temporada, por que não treinar mais esse time B e lhe dar maior entrosamento?

Se até times de muito menor expressão técnica e de folha salarial bem inferior têm conseguido vencer a Portuguesa no Canindé, por que os reservas do Santos estariam fadados a perder?

Uma longa rivalidade com a “Asa Negra”

A Portuguesa já teve um dos melhores times do Brasil, com um ataque poderoso, onde se destacavam Julinho BOtelho, Pinga e Simão, e justo naquele período ela se tornou a “Asa Negra” do Santos, pois conseguia surpreender o Alvinegro Praiano e lhe tirar da reta do título. Isso aconteceu nos Campeonatos Paulistas de 1948 e 1950, nos quais o Santos não perdeu para nenhum dos três grandes da capital, mas tropeçou justamente contra a Lusa, que também era um grande.

Em 1955, ano em que se tornou campeão depois de 20 anos de espera, o Santos chegou a ser goleado pela Portuguesa por 8 a 0, no Pacaembu. Os dois times fizeram outros jogos memoráveis.

O mais comentado foi o que decidiu o título paulista de 1973. Depois de empates em 0 a 0 no jogo e na prorrogação, o Santos vencia por 2 a 0 na cobrança de pênaltis quando o árbitro Armando Marques encerrou a disputa e deu o título ao Alvinegro. Só que ainda havia uma remota possibilidade de empate, e por isso os dois foram declarados campeões.

Em 1964 ambos já tinham feito o jogo decisivo, na Vila Belmiro. O Santos seria campeão com o empate, mas venceu por 3 a 2. E em 2006, com uma vitória por 2 a 0, na Vila Belmiro, o Santos se tornou campeão estadual depois de 22 anos, enquanto a Lusa foi rebaixada para a segunda divisão.

Hoje o empate é mais ou menos bom para os dois

Hoje, a Portuguesa precisa desesperadamente da vitória, mas não ficará tão decepcionada com o empate. O time luta apenas para não ser rebaixado. Para o Santos, o empate também já seria satisfatório, pois manteria a equipe em quarto lugar, à frente do bom Mogi Mirim.

O regulamento, criticado ontem por Felipão – cujo Palmeiras perdeu no Pacaembu para o Mirassol – dá ao time de melhor campanha a única vantagem de jogar em casa. Porém, eu diria que esta é uma grande vantagem para quem tem a Vila Belmiro, que é essencial nesses momentos.

Se perder hoje, por exemplo, e continuar em quinto lugar até o final desta fase, provavelmente o Santos terá de enfrentar o Mogi Mirim no Interior. Ainda assim será favorito, mas a dificuldade aumentará. O ideal é levar a decisão para a Vila, pois lá o adversário não tem para onde correr.

Retrospecto de Santos e Portuguesa

Por Wesley Miranda

Santos e Portuguesa já se enfrentaram 231 vezes ao longo da História. E a vantagem é santista com 109 vitórias contra 64 vitórias lusitanas e 58 empates! O Peixe marcou 454 gols e sofreu 329.

No retrospecto em Paulistas são 156 confrontos e a vantagem também é santista com 71 vitórias contra 47 derrotas e 38 empates.

Vitórias, empates e derrotas do Santos
Brasileiro: 10, 12, 4
Paulista: 71, 48, 37
Rio-SP 6, 2, 8
Amistosos 22, 4 8
e outros

Década a década
Vitórias, empates e derrotas do Santos
Anos 20: 6, 0, 3
Anos 30: 11, 4, 7
Anos 40: 6, 6, 11
Anos 50: 17, 3, 14
Anos 60: 19, 6, 9
Anos 70: 16,12,7
Anos 80: 12, 9, 4
Anos 90: 13,11,6
Séc.XXI: 7, 7, 3

O artilheiro do confronto
E para variar…. Edson Arantes do Nascimento no topo! Contra a Lusa o Pelé jogou 42 partidas vencendo 22 contra 12 derrotas e 8 empates. No texto vamos contar algumas histórias do nosso artilheiro mor! Em 2º o gênio Coutinho, o homem que dentro da área era superior ao rei, segundo o próprio rei……
Lembrando que faltam os artilheiros de 2 jogos que podem colocar Camarão ou Feitiço em 2º outros fenomenais jogadores que devem ser bem evidenciados no ano do centenário!!!

A volta de Feitiço e a maior goleada do Santos
Depois que Feitiço foi suspenso pelo rigoroso presidente Guilherme Gonçalves no famoso episódio com Washington Luis no fim de 1927, foi contra a Portuguesa em 08/07/1928 que ele voltou. A anistia de sua suspensão veio por conta da CBD que contava com o jogador para o amistoso contra o time escocês do Motherweel. Feitiço jogou e marcou “só” 4 gols na vitória de 5 a 0.
No segundo turno do Paulista de 28 na Vila Belmiro aconteceu a maior goleada do confronto, 10 a 0 para o Santos. Quem brilhou foi o atacante Wolf com 5 gols. Feitiço (2), Camarão (2) e Evangelista completaram a goleada!

Dois campeões no mesmo ano
Quando o Santos conquistou o seu primeiro Paulistão em 1935 pela Liga Paulista de Futebol (LPF) ao bater o Corinthians no Parque São Jorge por 2 a 0 com gols de Raul Cabral e Araken Patusca, a Lusa conquistava no mesmo ano o Paulista com menos brilho, a da Associação Paulista de Esportes Atléticos( APEA ) ao bater o Ypiranga.
A Apea organizou o Paulista entre 1913 até 1936, mas perdeu forças com o profissionalismo e com a ascensão da LPF que era apoiada pela CBD.

O troco lusitano e uma lição
Demorou 28 anos para a Portuguesa aplicar a sua maior goleada em cima do Santos, um sonoro 8 a 0. O time do Canindé era um timaço com Djalma Santos, Julinho, Edmur… e o jogo foi apenas 3 meses após a conquista do seu 2º Rio-SP quando o time também ganhou do Santos por 5 a 1.
Depois dessa goleada de 8 a 0, os jogadores santistas temiam que a direção tomasse uma medida de punição no grupo. Mas Athiê teve a calma para deixar o trabalho fluir. No jogo seguinte, o Santos goleou o Guarani por 5 a 0 e manteve o foco no título que conquistaria 2 meses depois, quebrando um jejum de 20 anos! E se tivesse mandando o Lula embora? O Pepe, o Urubatão, o Formiga, o Manga…..

E a Lusa quase atrapalhou
Santos e Portuguesa travaram um duelo particular pela conquista do estadual de 1960. Peixe e Lusa empataram a primeira partida no Canindé por 1 a 1 valida pelo 1º turno. No 2º turno, a Portuguesa venceu o timaço do Santos por 4 a 3 em plena Vila Belmiro. E o equilíbrio seguiu na tábua de classificação sendo decidido apenas na última rodada, quando o Santos ganhou do então atual campeão, Palmeiras por 2 a 1. A Portuguesa torcia por uma vitória alviverde, o que deixaria Santos e Portuguesa com 48 pontos e a necessidade de um jogo decisão.
Esse foi o 5º título Paulista do Santos, e o passaporte para a disputa e conquista da Taça Brasil de 1961, consequentemente Libertadores e Mundial de 62. E a Lusinha poderia ter atrapalhado.

O último título Paulista do Rei Pelé
Ao invés de ser lembrado como uma das maiores lambaças do futebol mundial, por que não contar que a conquista que foi dividida em 1973 representou o último de uma série 10 títulos do estadual e com os 11 gols, foi a última artilharia de uma série de 11 – sendo 9 seguidas,de 1957 a 1965 – do jogador mais importante da História do futebol?
O resto, deixamos o vídeo punir. O erro de Armando Marques que nunca mereceu chamar mais atenção que o Rei do Futebol, nem quando o expulsava com frequência e muito menos na sua última grande glória com a camisa que o consagrou.

O tira-teima
Os dois times já haviam se enfrentado 3 vezes em 1973. Uma vitória do Santos, uma da Lusa e o categórico empate da disputa do título. E pouco mais de dois meses depois 04/11/1973, pelo Brasileirão, o tira-teima. Era mais que um simples jogo, era questão de honra mostrar que a divisão do título não era justo! Mas foi a Portuguesa que abriu o marcador com Tatá e ampliou com Enéas ainda antes do fim do primeiro tempo. Na volta do intervalo, o Santos voltou com outro animo e diminuiu aos 4 minutos. O suficiente para despertar Pelé, que um minuto depois empatou e aos 19 minutos do segundo tempo deixou mais uma de suas pinturas, ao receber belo passe do magnífico Clodoaldo. Os dois tentos anotados pelo REI foram os de número 79 e 80 em Brasileiros. De 1959 na Taça Brasil até o Campeonato Brasileiro de 1974, Pelé marcou 101 gols só em nacionais.
Vale a pena rever!

Meninos da Vila: A definição
Quem se esquece ou nunca ouviu falar das arrancadas de Juary e suas finalizações “mortais”, os passes milimétricos de Ailton Lyra, os arremates precisos de Pita e a explosão do Papinha João Paulo. A Portuguesa nunca se esquecerá do jogo do dia 17/09/78. E esse vídeo tem uma pequena amostra disso.

Um lance épico, um jogo épico (do adversário)
Seria muita hipocrisia se um torcedor santista que é tão acostumado aos lances bonitos e adepto ao futebol envolvente, não reconher mesmo em uma derrota os méritos do adversário. E no confronto do dia 23/01/1993 que Dener só não fez chover na vitória da Lusa por 4 a 2.
Dener foi um desses jovens talentos que nos encheu de esperança, mas não pode dar continuidade na sua carreira. Não por mascara, ou pela boemia, mas sim por um acidente, um bobo e leve acidente no dia 18/04/1994.

O gol
Depois de dar uma caneta no lateral Índio, Dener ainda acerta o rosto do lateral Silva, dribla Gomes e marca um gol de placa!!

O primeiro gol de Robert
Ninguém fazia ideia do que seria o Santos na campanha do Brasileiro de 1995. Mas a vitória por 2 a 0 no Canindé em cima da Portuguesa já davam sinais que aquele time já não era mais o mesmo que tinha perdido os 2 jogos contra a Lusa pela Fase Final do Paulistão daquele mesmo ano. Os gols da partida foram de Robert(seu 1º gol oficial com a camisa do Santos) e do Messias G10vanni. Robert jogou 251 partidas pelo Peixe e marcou 47 gols. O Messias, jogou apenas 138 partidas e marcou a expressiva quantia de 73 gols. Só em 1995, o ídolo paraense marcou 40 gols!

Fim do jejum e rebaixamento rubro-verde
Em 2006, pela última rodada do Paulistão, os dois times se enfrentaram com objetivos bem distintos. O Alvinegro tentava quebrar um jejum de 22 anos sem o título. O rubro-verde lutava para não descer de divisão. E o segundo pior ataque da competição não superou a defesa menos vazada. Sorte dos quase 20 mil santistas que estavam presentes na Vila Belmiro e viram Cléber Santana abrir o marcador aos 23 minutos e Leonardo, contra, ampliar aos 29 minutos do primeiro tempo. Santos, 16º título Paulista e a Portuguesa amargando o rebaixamento!

O último confronto, a “estreia” de Neymar
Depois de quatro jogos sem vitória e sem marcar, Neymar escolheu a Portuguesa para enfim desjejuar pelo Santos em 2011. O confronto valido pela 12ª rodada, terminou 3 a 0 para o Peixe, com dois de Neymar e um de Léo. O ídolo Neymar foi artilheiro do ano junto com Borges ambos com 24 gols!

E você, acha que Muricy está certo em poupar os titulares hoje?