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Confesso que em meados dos anos 60 eu torcia para o Santos ser campeão e para a Portuguesa Santista, a “Briosa”, não ser rebaixada. E veja que eu era um menino de São Paulo, jamais tinha pisado em Santos. Mas o nome daquela cidade me lembrava praia, alegria, férias, e naquele tempo não se falava “vou à praia”, se dizia “vou a Santos”, como se fosse uma cidade mágica feita para as crianças brincarem. E eu, já fascinado pelo Santos, adotei também a Portuguesa Santista, que vi ganhar da Ponte Preta por 1 a 0, em 1964, gol do craque Samarone, e subir para a Divisão Especial do Campeonato Paulista.

Como a simpatia pelo Jabaquara, o “Jabuca”, veio na mesma época, me tornei um paulistano que torcia para os três times de Santos. Aposto que lembro algumas passagens que nem alguns torcedores desses times se recordam. Como a goleada da Santista sobre o Palmeiras, em pleno Parque Antártica, por 4 a 1, no Paulista de 1968, ano em que o Palmeiras só não foi rebaixado porque houve uma mutreta no jogo final contra o Guarani, em Campinas.

Não esqueço, também, os contorcionismos que o Jabaquara fazia para não ser rebaixado. Primeiro, apelava para os tribunais, alegando que como fundador da Federação Paulista de Futebol, não poderia sair da Primeira Divisão. Ganhou algumas causas assim e por isso a Divisão passou a ser denominada “Especial”, para evitar os dribles jurídicos do Jabuca.

Sem dinheiro, um dia o Jabaquara contratou o malabarista de um circo que passava pela cidade. Bastou uma partida para se perceber, entretanto, que o astro “Mandrake” – era este o nome da fera – se saía muito bem controlando a bola sem nenhuma marcação, mas não era o mesmo em uma partida (esta é a história que ouvi do narrador Raul Tabajara, da TV Record, mas o leitor deste blog, Antonio, diz que Mandrake jogava em times de várzea de Santos com muito sucesso. Quem sabe os dois não estar certos. Mandrake jogava em times de várzea e se apresentava como malabarista em circos).

Ambos fundadores da Federação Paulista, Jabaquara Atlético Clube e Associação Atlética Portuguesa, têm uma história que merece respeito. O Jabuca completou seu centenário em 15 de novembro de 2014, a Briosa comemorará o seu em 20 de novembro de 2017.

Se somarmos os craques que revelaram, teríamos um timaço. O Jabuca descobriu Gylmar, o maior goleiro do Brasil de todos os tempos, Baltasar, Feijó, Getúlio, Ramiro, Álvaro, Célio… A Briosa, além de Samarone, já citado, revelou Tim, craque da Seleção Brasileira de 1938, Joel Camargo, Marco Antonio… até Neymar começou lá.

Nenhum dos dois clubes conquistou um título estadual de primeira divisão, mas tiveram momentos de destaque. Ainda com o nome de Hespanha, o Jabaquara foi vice-campeão paulista, pela Liga Amadora de Futebol, em 1927, atrás apenas do temível Paulistano. No ano seguinte voltou a ter boa atuação, ficando em terceiro lugar.

A vitória mais comemorada do Jabuca o correu na noite de 31 de julho de 1957, na Vila Belmiro, quando goleou o Santos, bicampeão paulista, com Pelé e tudo, por 6 a 4. Naquela noite, comandado pelo argentino Filpo Nuñez, técnico que depois faria sucesso no Palmeiras, o “Amarelinho” como também era chamado o Jabaquara pela cor de sua camisa, saiu de uma derrota de 3 a 1 para uma goleada espetacular. Melão marcou quatro gols.

Quanto à Portuguesa Santista, além da heroica ascensão, em 1964, o time recebeu a Fita Azul por uma excursão invicta à Africa em 1959. Deixou tão boa impressão nos países onde jogou, que por lá passou a ser chamada, pomposamente, de “La Santista”. Sua melhor colocação na série principal do paulista foi o terceiro lugar, obtido em 1936, 1937, 1938 e 2003. Outro motivo de orgulho para seus torcedores é que o seu estádio, Ulrico Mursa, inaugurado em 1920, hoje com capacidade de 9.139 pessoas, foi o primeiro da América Latina a receber cobertura de concreto.

O histórico estádio do Jabaquara, o popular Caneleira, comporta 8.031 pessoas. O clube já teve um bom terreno de frente para o mar, na valorisadíssima Ponta da Praia, em Santos, mas em 1945, em grave crise financeira e às portas do rebaixamento, resolveu vender o terreno para pagar as dívidas. Acabou sem terreno e ainda com muitas dívidas, em um negócio que jamais ficou muito bem explicado.

Uma curiosidade que envolve os dois times e também o Santos Futebol Clube é que no Campeonato Paulista de 1935, o primeiro estadual conquistado pelo Alvinegro Praiano, o Corinthians liderou o primeiro turno sem nenhum ponto perdido, mas no segundo perdeu para Jabaquara e Portuguesa Santista, permitindo que o Santos, com mais uma vitória, comemorasse o título em pleno Parque São Jorge.

1935, um título do Santos, mas com ajuda da Briosa e do Jabuca Com seis vitórias em seis jogos, o Corinthians terminou o primeiro turno do Campeonato Paulista de 1935 na liderança. Mas logo em seu primeiro jogo do returno, foi enfrentar a Portuguesa Santista no Ulrico Mursa e perdeu por 2 a 1, com dois gols seguidos de Tim, aos 36 e 38 minutos do primeiro tempo. Na semana seguinte, o alvinegro paulistano voltou a Santos, dessa vez para jogar contra o Jabaquara, no antigo campo do Macuco, e saiu novamente derrotado: 2 a 0, gols de Chiquinho aos 21 minutos do primeiro tempo e Carazzo, de pênalti, aos 23 do segundo. Como depois ainda empatou com o Juventus (1 a 1), no Parque São Jorge, o time da âncora teria de vencer o Santos e o Palestra Itália, nas duas últimas rodadas, para sair campeão. Porém, o Glorioso Alvinegro Praiano subiu a serra acompanhado de uma corajosa torcida de estivadores, venceu por 2 a 0, gols de Raul aos 36 minutos do primeiro tempo, e Araken, aos 17 do segundo, e no dia 17 de novembro, em pleno estádio do adversário, comemorou o seu primeiro título paulista, conquista heroica que teve a participação dos três times de Santos.

Jabaquara, fundado pela colônia espanhola de Santos, que teve o dramaturgo Plínio Marcos como seu torcedor mais famoso, e Portuguesa Santista, time preferido da colônia portuguesa da cidade, hoje disputam a Série B do Campeonato Paulista e lutam para voltar à Divisão Principal do Estado. Conheça um pouco mais sobre ambos:

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Hino do Jabaquara:

Filme sobre o Centenário do Jabaquara:

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Hino da Portuguesa Santista:

Filme sobre a Portuguesa Santista:

Melhores momentos de Jabaquara 2 x 2 Portuguesa, em junho de 2014, pela Segunda Divisão do Campeonato Paulista:

E você, o que acha das histórias de Jabaquara e Portuguesa Santista?