Quem é responsável pela contratação de Íbson, Henrique e Alan Kardec? Quem é responsável pela não implantação das Embaixadas Santistas? Quem é responsável pela péssima média de público na Vila Belmiro? Quem é responsável pelo vexame diante do Barcelona? Quem é responsável pela diminuição do número de jogos do Santos na tevê aberta? Quem é responsável pelo mau estado do gramado? Quem é responsável pelo déficit nas finanças?

No Santos, como na maioria dos clubes brasileiros de futebol, falta definir responsabilidades. Parece que é de interesse do administrador deixar tudo meio difuso, pois isso confunde a imprensa, os torcedores e conselheiros e evita críticas mais contundentes. Mas é um erro não definir responsabilidades, pois se não há nenhum responsável, todos são.

Ouvi dizer que o técnico Muricy Ramalho pediu a contratação de Íbson, mas que provavelmente não concordaria com a grana preta que o Santos resolveu pagar por um jogador que vivia na obscuridade lá no Spartak, de Moscou. Quem decidiu que valia a pena investir nove milhões de reais no passe de Íbson, além de um salário de cerca de 400 mil mensais?

Por que o gramado da Vila Belmiro, sempre citado como um dos melhores do Brasil, tem tido tantos problemas nos últimos dois anos? Por que não foram feitas mais promoções para aumentar o público na Vila Belmiro? Quem decidiu que o preço dos ingressos tem de continuar elevado?

Enfim, há muitas perguntas que ficam sem resposta no Santos porque, simplesmente, não se sabe a quem perguntar. De vez em quando o presidente responde, ou tenta responder, a algumas questões, mas nem sempre está bem preparado para isso. O ideal seria que o responsável de cada setor desse as explicações.

Além do mais, as grandes instituições, a começar pelo governo dos Estados Unidos, têm porta-vozes. Por que no Santos todas as explicações dependem do presidente? Esse é um desgaste que Luis Álvaro Ribeiro poderia evitar. Se ele não entende de futebol, como já admitiu, por que correr o risco de cair no ridículo ao dizer que Pará é jogador de Seleção e Íbson é inegociável?

Se só ele fala, é natural que seja o centro dos elogios, mas também das críticas. Para o torcedor, o Santos é o Laor, na alegria ou na tristeza, nos acertos e nos erros. Mas ele quis assim. Então, não pode reclamar.

Se o presidente bate no peito e diz que ganhou tantos títulos, então também se espera que, por uma questão de justiça, também admita que fez dois Brasileiros medíocres e sofreu um vexame diante do Barcelona. O torcedor desconfia de quem quer as glórias para si, mas empurra os fracassos para os outros.

Por isso critiquei aquela farra na Copa do Brasil e na Libertadores. Todo mundo subiu ao pódio e emprestou o pescoço para receber a medalha de campeão. Assessores de segundo escalação se colocaram no mesmo nível dos craques Neymar, Ganso, Arouca… Pois se foram campeões, também são igualmente responsáveis pelas derrotas, não?

Por essas e outras é que obedecer um velho ditado popular é cada vez mais oportuno nos clubes brasileiros de futebol. Qual é ele? Ora, o sábio: “Cada macaco no seu galho”.

Campeões são, em primeiro lugar, os jogadores, seguidos pelo técnico e a comissão técnica – assim como são também os maiores perdedores. Cada diretor é responsável pelos acertos e erros de sua área; e ao presidente cabe as macro decisões, o relacionamento com as entidades do futebol e com a tevê – hoje tão importante quanto a CBF.

Quando o presidente é o campeão de tudo, o gênio sortudo que transforma tudo em ouro, ele também tem de estar preparado para ser o perdedor, o azarado que tem seis meses para preparar o time para uma final de Mundial de Clubes e faz o Santos passar uma de suas maiores vergonhas.

Quando o torcedor sente essa coerência nos seus líderes, a confiança aumenta. Por isso é tão importante delegar poderes. E assumir seus erros.

E você, o que pensa sobre isso?