Até uma criança teria lidado melhor com a situação, pois saberia que a união é sempre mais produtiva.

Hoje ouvi uma longa matéria da rádio Jovem Pan do São Paulo direto do Clube dos 13 e fiquei espantado com o nível de arrogância de um tal Ataíde Gil Guerreiro, escolhido pelo Clube dos 13 para encaminhar as negociações entre os clubes e as tevês.

O homem falou grosso, apertou a CBF, a Globo e chamou os presidentes dos grandes clubes de covardes. Enfim, escolher este senhor para encaminhar conversações tão importantes foi como designar um homem-bomba para mediar as negociações entre israelenses e palestinos.

É óbvio que diante de um tema tão delicado, que envolve paixões e interesses, o perfil do negociador deveria ser outro. Acima de tudo, deveria ser neutro, o que o senhor Ataíde não é. São-paulino, amigo e parceiro de Juvenal Juvêncio, há fortes suspeitas de que o negociador está usando o cargo para favorecer o clube do Morumbi, que se aproveitou da debandada para, por exclusão, assumir um comando do futebol brasileiro que ele nunca teve.

Sei que este senhor, sem citar as fontes, apresentou estudos para propor uma divisão de cotas que favorece o São Paulo. Este foi um dos motivos que fez as negociações perderem a credibilidade. Admiro-me que a velha raposa Fábio Koff tenha confiado o futuro da entidade a alguém sem o mínimo tato para lidar com a questão.

O que faltou fazer

É óbvio que um bom acordo deve contentar todas as partes, e isso inclui:

1 – Garantir à tevê e às diversas mídias o retorno que elas precisam para vender bem os jogos.
2 – Conseguir garantias das tevês e das mídias de que se empenharão para dar a devida visibilidade ao campeonato e aos clubes.
3 – Garantir a todos os clubes participantes da Série A (e por que não também da B?), uma cota que pague suas despesas para disputar a competição.
4 – Reservar uma parte do valor total para os times de maior visibilidade.
5 – Reservar outra parte para os mais bem classificados.

No mais, passaria a ser uma questão de porcentagens. Tira-se mais daqui, põe-se mais ali, até que a maioria concorde.

A estratégia de se criar reservas de mercado para os clubes de mais torcida desestimula a competitividade e, a médio e longo prazos, trabalha contra o nível do espetáculo. Enfim, não é inteligente.

Ainda dá tempo

Como os clubes, as tevês e o Clube dos 13 conseguiram chegar ao fundo do poço – e isto em um ano de Copa do Mundo no Brasil! –, acho que agora não há outro remédio a não ser deixarem as vaidades de lado e buscarem um entendimento. Do contrário, todos perderão e a penúria continuará rondando nosso futebol.

Para começar, que Fábio Koff tenha o bom senso de substituir o líder das negociações por uma pessoa mais sensata, mais respeitosa e a mais neutra possível. Alguém mais sábio e menos guerreiro.

Depois, que não se use apenas o critério da popularidade para dividir as cotas, pois ele costuma provocar tremendas injustiças e, repito, não incentiva a busca da excelência técnica, de um espetáculo mais atraente.

Leia outros posts sobre o assunto

Minha proposta para uma fórmula boa para todos

Corinthians contrata Ganso, Neymar e Lucas!

Negociação individual reduziu futebol espanhol a apenas dois grandes

Veremos o próximo passo. Se é que ainda existe algum antes do precipípio. As cotas devem ser distribuidas pela participação no campeonato, pela classificação final e pela visibilidade.