Algo me diz que hoje ele vai mostrar porque será uma das estrelas da Copa

Surge um time acima da média e logo aparecem também os estrategistas de plantão. Ando lendo alguns companheiros e alguns dizem ser simples a fórmula para vencer o Santos: basta atacá-lo. Reafirmam que o Santos reage mal quando é atacado e que nenhum time ainda o fez.

Ora, separemos os alhos dos bugalhos. Vários times já entraram achando que a maneira de vencer era só atacar os Meninos. São Paulo e Corinthians fizeram isso e ganharam como prêmio derrotas inapeláveis. Nada é tão simples como parece.

Obviamente, para se fazer gols é preciso atacar, nem que seja na indefectível bola parada. Mas mesmo esse ataque permite várias opções e pode variar durante os momentos da partida. Não creio que um time que entre para atacar o Santos o tempo todo tenha sucesso, até porque os Meninos têm mais fôlego para fugir da pressão e contra-atacar.

Em segundo lugar vos digo que, para quem prestou mais atenção, este Santos não faz questão de atacar, de encurralar o adversário. Ele sabe que às vezes é melhor ser atacado, pois os espaços se abrem para sua velocidade.

Atlético pode vencer? Claro! Mas…

O Atlético pode vencer o Santos, hoje, no Mineirão, na primeira partida das oitavas da Copa do Brasil? Ora, claro que sim. É um dos grandes do País, jogará diante de sua apaixonada torcida (que, é bom lembrar, por mais apaixonada que seja, não entra em campo) e poderá tentar imprimir um ritmo forte, rápido.

Durante muitos anos, lá pelo início dos anos 70, quando foi campeão brasileiro, o Atlético adotava a mesma tática quando jogava em casa: partia como um louco para o ataque nos primeiros minutos, fazia um ou dois gols, e depois se segurava como e o quanto podia.

Esta, na verdade, é a tática de muito time pequeno que joga em casa. A correria inicial equilibra as coisas, pega o confiante adversário meio frio e pode surpreender. Com a vantagem, usa-se a mesma garra que levou aos gols para se defender heroicamente. Muitas vezes dá certo.

O time inferior também costuma usar os momentos “mortos” do jogo para levar vantagem. Quando teve times modorrentos, o Santos sempre tomou gols logo no início ou no finalzinho dos tempos. Estava tudo bem, de repente, no último minuto do primeiro tempo, gol. Ou logo no comecinho do jogo, ou no princípio do segundo tempo.

Claro que essas coisas podem acontecer. Lembro que na final do Paulista de 2000 o Santos entrou para a melhor de três com o São Paulo precisando reverter a vantagem do adversário, e logo no primeiro minuto do primeiro jogo sofreu um gol de França. Acabou perdendo por 1 a 0 e depois precisou ganhar a segunda partida  por dois gols de diferença. Esteve na frente por duas vezes, mas empatou em 2 a 2 e ficou com o vice. Todo o desequilíbrio santista veio logo no primeiro dos 180 minutos jogados.

Que o Atlético pode repetir essa blitz inicial e depois fechar a porta do galinheiro, todo mundo sabe. O goleiro, os zagueiros, enfim, todos os jogadores do Santos e o técnico Dorival Junior sabem. Mas o legal do futebol é isso: mesmo sabendo, às vezes não se consegue impedir.

Por outro lado, Vanderlei Luxemburgo, Diego Tardelli, Junior e todo o Atlético sabem que o Santos tem um meio-campo e ataque que prima pela rapidez e habilidade, tem facilidade de marcar gols e fatalmente usará as dimensões do Mineirão para imprimir um jogo que lhe favoreça.

Assim, da mesma forma que para vencer o Santos é preciso atacá-lo, também é verdade que é preciso saber se defender bem dos ataques do Santos. Elementar, meu caro. O Santos não gosta muito de se defender, é verdade, mas adora atacar, e toda partida lhe dá muitas oportunidades para fazer o que mais gosta. Hoje não será diferente. Por isso é que, se o árbitro não estragar, teremos um grande espetáculo no Mineirão.

E o ganhador do Bolão de hoje receberá duas edições da revista FourFourTwo, edição de abril. Vá aos comentários e diga quanto será o jogo, a parcial do primeiro tempo e os autores dos gols do Santos. Boa sorte!