O Atlético de Goiás tem o epíteto de Dragão, e é realmente em um monstro que ele se transformou para o Santos, que depois de temido goleador no primeiro semestre, hoje é um time que tateia em busca de um destino incerto. A 10 pontos tanto do líder, como da zona de rebaixamento, o Alvinegro está no limbo entre esses dois mundos, mas pelo futebol sofrível que está jogando, a possibilidade da queda é bem mais plausível.

Há poucos meses, enfrentar o Atlético Goianiense na Vila Belmiro seria prenúncio de show e goleada dos Meninos da Vila. Mas agora, esta partida da próxima quarta-feira, às 19h30m, na Vila Belmiro, ganhou tons dramáticos. Depois de passar um bom tempo na última posição, a verdade é que o Atlético de Goiás tem jogado melhor do que o Santos.

O retrospecto dos dois times nos seis últimos jogos é idêntico: três vitórias, um empate e duas derrotas. Mas as duas derrotas do Santos foram justamente nos seus últimos jogos, para o Botafogo, 0 a 1, no Pacaembu, e para o Ceará, 1 a 2, no Castelão. Enquanto isso, o Atlético de Goiás vem de uma animadora vitória sobre o líder Fluminense, de virada, por 2 a 1, em Goiânia.

Formado por muitos jogadores experientes e rodados – entre os quais se destacam o artilheiro Elias, 27 anos, um meia canhoto que vive a melhor fase de sua carreira, Ramalho, Carlinhos Bala, Josiel, Dida e o goleiro Márcio –, o Atlético se tornou um time matreiro, que sabe explorar as deficiências de seus adversários para conseguir resultados considerados improváveis. Sua maior façanha até aqui no Brasileiro foi vencer o Palmeiras, no Pacaembu, por 3 a 0.

A recuperação do time se deve, principalmente, ao trabalho do técnico René Simões, 37 anos, que já dirigiu cerca de 30 clubes, acumulou mais histórias de fracassos do que de sucessos, mas vem tirando leite de pedra do time goianiense. Famoso por levar a Jamaica à Copa do Mundo de 1994, por outro lado René foi demitido do Coritiba ao afundar o time para a zona de rebaixamento do Campeonato Paranaense.

Como um verdadeiro exército brancaleone do Planalto Central, o Atlético de Goiás, que chegou à semifinal da Copa do Brasil (eliminado pelo Vitória), entrou naquela fase em que time está confiante e acredita que pode vencer qualquer partida – o que o torna mais perigoso ainda para o problemático Santos.

Dos próximos, o Dragão é o bicho menos feio

Vencer o Atlético de Goiás se tornou uma obrigação para evitar a angustiante proximidade com a zona de rebaixamento, da qual o Santos está separado por apenas quatro rodadas. Após a partida contra o time goiano, o Alvinegro não será o favorito em quatro de seus próximos cinco jogos.

Corinthians e Cruzeiro, em casa; Vasco, em São Januário, e Fluminense, no Rio, serão partidas nas quais o empate já poderá ser considerado um bom resultado para o Santos. O quinto jogo será contra o Palmeiras, em casa, o único dos cinco que, teoricamente, o Alvinegro poderá vencer.

Uma derrota para o Atlético, quarta-feira, fará o time entrar em crise justamente nesta fase crucial da tabela, em que enfrentará três adversários mais bem colocados do que ele, que lutam diretamente pelo título. O momento é tão delicado que, acredito, se faz necessária a presença de alguém da diretoria ou o próprio presidente para motivar o time e apaziguar a torcida.

Pelo que tenho percebido dos comentários dos freqüentadores deste blog, o sonho da tríplice coroa foi substituído pelo temor do pesadelo do rebaixamento – sentimento provocado não só pelas derrotas para Botafogo e Ceará, mas pela falta de personalidade, criatividade e técnica que o time demonstrou nos dois últimos compromissos.

Assim, para o Santos, aquele chavão de que é preciso matar um dragão por dia se torna uma terrível realidade. Ao menos na próxima quarta-feira será urgente passar pelo Dragão, ou o Alvinegro será queimado e devorado por ele.

Você acha que o jogo contra o Atlético de Goiás se tornou decisivo, ou eu é que estou sendo exagerado?