Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Atlético Goianiense (page 1 of 3)

Alguém pode me explicar como o Santos perdeu para o Atlético-GO?

Estou perguntando porque tive de sair com a Suzana aos 20 minutos do segundo tempo, para um jantar com amigos. Até ali o Santos vencia por 1 a 0, com um gol chorado de Bruno Rodrigo no finzinho do primeiro tempo, mas o jogo estava feio. O time não dava seqüência às jogadas, mal acertava três passes seguidos e eu mais uma vez não conseguia entender muitas coisas. Por exemplo:

Se o jogo não valia nada e se o Santos não tem dinheiro para contratações, como o técnico Muricy Ramalho já disse, por que ele não aproveitou a partida para dar experiência a jogadores vindos da base?

Se o jogo não valia nada, e se a vitória ou a derrota pouco importavam, por que Muricy não criou coragem e entrou com uma formação mais ofensiva?

Por que jogar com três volantes contra uma equipe que não só é a lanterna do campeonato, como já está rebaixada e nem tinha a maior parte da torcida no estádio?

Eu olhava os pobres jogadores do Atlético Goianiense e tentava reconhecer alguém. Não consegui. São um bando de anônimos, cuja folha de pagamentos não deve pagar o salário de Muricy Ramalho. Então eu pensei: como o Santos só está ganhando de 1 a 0 deste time? Como não está criando mais chances de gol?

Em um momento vi Rafael defender uma bola cruzada. Havia uns cinco ou seis jogadores do Atlético Goianiense dentro, ou próximos da área do Santos. Ou seja: só quatro estavam no restante do campo. Era a oportunidade de um bom contra-atraque. Mas Rafael, muito inseguro para repor a bola, deixou o tempo passar e só deu o seu tradicional chutão para frente depois que o Atlético já estava postado na defesa. Aí eu perguntei a mim mesmo: por que esse goleiro não treina reposição de bola? Por que não perde esse vício de fazer cera até em jogos que não valem nada, contra adversários inexpressivos?

Eu via aquele monte de gente com camisas do Santos, via as crianças, as meninas com cartazes em homenagens a Neymar; eu sabia que os pais de Felipe Anderson estavam vendo o jogo e ficava me indagando: quando vai sair uma grande jogada que alegre essa gente toda? Quando eles verão lances que os farão sentir orgulho de serem santistas?

Não havia nem mesmo uma seqüência de passes certos. Corria-se um pouco pela esquerda, e logo Gérson Magrão ou Arouca perdiam a bola; tentava-se algo pela direita, e Galhardo e Felipe Anderson também não conseguiam nada melhor. André era quase nulo e Neymar tentava dar um show à parte, mas desta vez mais se atrapalhava com a bola do que conseguia produzir algo útil. Por que será que aquele mesmo time que havia goleado o Cruzeiro de repente parecia tão desentrosado?

Tentei, mais uma vez, entender por que o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, disse que renovou o contrato de Muricy Ramalho por mais dois anos com um sorriso de orelha a orelha. Por que o presidente teria ficado tão feliz ao obrigar o clube, que pelo jeito já não tem muito dinheiro, a pagar mais de R$ 700 mil por mês a um técnico tão limitado, presunçoso, retranqueiro e cabeça dura?

Não é muito mais inteligente pagar um salário bem menor ao técnico e destinar o resto do dinheiro a um jogador de verdade? Como se sabe que sem ovos não se faz omelete, por que não investir nos ovos? De que adianta ter um grande mestre-cuca, que nem é o caso de Muricy, se a despensa está vazia?

Muricy opta pelo “futebol de resultados”, mesmo feio. E é tão teimoso que continua fechando o time mesmo quando o adversário é pouco mais do que ninguém. Com esta filosofia defensivista, de quem tem medo até da sombra, ele sujeita o Santos a perder de equipes medíocres, e perder jogando mal, sem inspiração e alegria, o que causa no torcedor uma das piores sensações possíveis. Se era para perder, por que não escalar um time mais corajoso?

No iPhone, a notícia que não entendi

Em uma brecha no jantar, puxei o iPhone, descobri o Wi-Fi do restaurante e pesquisei no Google para saber o resultado do jogo. Li uma e duas vezes, para acreditar. O rebaixado Atlético Goianiense tinha virado nos últimos minutos. Tentei imaginar como seria possível perder para aquele time, naquelas circunstâncias. Não consegui. Confesso que nem tive apetite para a sobremesa.

Reveja os gols de Atlético Goianiense 2, Santos 1:

Agora, por favor, você pode me explicar como o Santos, com o time completo, perdeu, de virada, para o rebaixado Atlético Goianiense?


Neymar artilheiro, três volantes, problemas de fluxo de caixa…

Torcer por Neymar é o que restou ao santista neste final de Campeonato Brasileiro. Faltam cinco gols para o garoto alcançar Fred, o artilheiro da competição. Além do mais, a cada grande jogada, a cada gol, o nome de Neymar corre o mundo e ele fica mais próximo de se tornar o primeiro jogador a não atuar na Europa entre os três finalistas ao prêmio da Fifa de melhor do mundo.

Mas, além de Neymar, há o Santos, e o eterno sonho do santista de ver novamente um time ofensivo, destemido, eficiente, vencedor. Isso parece uma utopia quando nos deparamos com uma escalação com três volantes – Adriano, Arouca e Henrique – e só o ainda inexperiente Felipe Anderson atuando como meia. Se nem contra o rebaixado Atlético Goianiense – hoje, às 19h30m, em Gama –, em jogo que vale muito pouco para as duas equipes, o Santos terá dois meias, quando isso acontecerá?

Na verdade, sei que Arouca ou mesmo Henrique terão liberdade para avançar de vez em quando, como se fossem meias, mas isso seria apenas um quebra-galho, pois não se tratam de jogadores que ficam à vontade próximos à área adversária. Ambos têm dificuldade no drible, no passe, no chute. Nada como um meia de verdade para cumprir esse papel.

Falta de dinheiro é resultado de mau planejamento

O técnico Muricy Ramalho fez o torcedor tirar o cavalinho da chuva ao afirmar que não haverá dinheiro para trazer Robinho, Diego, Diego Souza ou qualquer outro jogador razoavelmente caro. Por isso, como nos últimos meses, o Santos está atrás de jogadores baratos e, se Deus quiser, bons. O zagueiro Neto, do Guarani, que veio por R$ 3 milhões por dois anos, foi o primeiro deles.

Arriscar com jogadores sem grande prestígio e esperar que um ou outro arrebente, sempre foi uma alternativa para clubes com “problemas de fluxo de caixa”. Às vezes dá certo. Giovanni veio assim. Ailton Lira também. Mas há o risco de se gastar muito e se descobrir que no meio do cascalho não há nenhuma pepita de ouro.

Agora, fica a pergunta: por que o Santos está nesta situação de penúria? Seu presidente não disse que foi um dos clubes que mais arrecadou nos últimos anos? Seu marketing não é um dos melhores do planeta? Ora, ora, ora, quanta falácia. Na verdade, o Santos tem uma folha de pagamentos abusiva para um clube que se resume ao futebol. Por que são necessários 400 funcionários para tocá-lo e por que os salários estão acima da média das empresas de Santos? Isso já tentaram me explicar, mas não engoli.

Fiquei e ainda tenho a clara impressão de que a festa da confraria que assumiu o clube, o cabidão de empregos é que o tornou oneroso demais. A desgovernança financeiro-administrativa fez do Santos um clube sem recursos para se equiparar, em folha de pagamentos dos jogadores e da comissão técnica, aos melhores do País. E a única esperança ficou nos pés de Neymar.

Bem, mas meu coração de santista quer que eu esteja errado. Quer que Felipe Anderson, que hoje jogará ao lado de sua família, mostre que é mais um Menino da Vila que veio para ficar; que André perca os quilos a mais e ganhe de volta a mobilidade que se foi; que Arouca volte a ser o monstro e que o Santos todo reassuma a postura de time implacável, que joga para vencer, e por muitos gols.

Retrospecto Santos x Atlético Goianiense

Por Wesley Miranda

Santos FC e Atlético-GO se enfrentaram apenas sete vezes ao longo da história, com quatro vitórias do Peixe contra uma vitória do Dragão e dois empates. O Alvinegro Praiano marcou 12 gols e o tricolor nove.

Em partidas válidas pelo Brasileiro, desde o primeiro confronto, na Copa Brasil 86, são seis partidas, com três vitórias santistas contra uma vitória goianiense e dois empates. O Santos marcou dez gols e o Atlético oito.

Quem fez gol
Na tábua de artilheiros santistas no confronto, todos empatados com um gol cada: Ribamar, Osmarzinho, Osvaldo, Wesley, Zé Eduardo, Edu Dracena, Madson, Alan Patrick, Marcel, PH Ganso, Patito Rodríguez e Miralles.

O primeiro confronto
Em partida válida pelo Brasileiro 1986, no dia 17/09, jogando no Estádio Serra Dourada, o Santos do técnico Chico Formiga ganhou por 1 a 0 do Atlético do atacante Osmarzinho. O gol foi do meia Ribamar aos 16 minutos do segundo tempo.

O Santos formou com: Rodolfo Rodriguez; Ijuí, Nildo, Maurício, Paulo Robson; Dunga, Ribamar, Juninho; Serginho Dourado, Carlos Alberto Borges(Antonio Carlos) e Serginho Chulapa.

Inconformados com a atuação do árbitro Manuel Serapião Filho, torcedores do Atlético-GO invadiram o gramado para agredi-lo.
www.youtube.com/watch?v=yQ4Sc0fOwxo

Amistoso
Em confronto amistoso também no Estádio Serra Dourada, no dia 02/04/1987, o Santos venceu por 2 a 1 com gols de Osmarzinho (ex-Atlético-GO) e Osvaldo.

O Peixe do estreante técnico Candinho formou com Rodolfo Rodriguez; Raul, Nildo, Toninho Carlos e Claudinho; César Sampaio, Hugo de León, e Mendonça; Osmarzinho (Chicão), Osvaldo e Éder Aleixo.

A partida fez parte do pagamento do passe do atacante Osmarzinho, tendo o Atlético-GO ficado com a renda. Apesar do acordo entre as duas diretorias, o recém-chegado Candinho queria avaliar melhor o plantel que jogaria três dias depois em Limeira contra a Internacional pelo Paulistão. Apesar do desgaste, o jogo de domingo terminou 2 a 2, tendo Osvaldo e Éder Aleixo marcado os tentos santistas contra a então atual campeã Paulista, mas sem o comando do técnico campeão José Macia, o Pepe.

Curiosidade
O Canhão da Vila Pepe é o recordista de títulos Paulistas com 13 títulos conquistados, 11 como jogador (55, 56,58,60, 61, 62, 64, 65, 67, 68 e 69) e dois como técnico (1973 pelo Santos e 1986 pela Internacional de Limeira) e recordista de títulos Brasileiros, com sete títulos conquistados, seis como jogador (61, 62, 63, 64, 65 e 68) e um como técnico (1986 pelo São Paulo).

Apesar dos desfalques, vitória santista
Com ausência de 23 anos de confronto entre Santos e Atlético-GO, os times voltaram a se encontrar na terceira rodada do Brasileiro de 2010. E, mais uma vez, o Santos jogou no Serra Dourada com nova vitória: 2 a 1 com gols de Wesley e Zé Eduardo e conquistou a primeira vitória no certame.

O desfalcado Santos do técnico Dorival Júnior formou com Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Arouca, Wesley, Marquinhos e Zezinho (Rodriguinho); Zé Eduardo (Giovanni) e Marcel (Maikon Leite).

Nesse jogo do dia 22/05, Neymar, PH Ganso, André e Madson desfalcaram a equipe, pois foram afastados por chegarem atrasados no treino. Robinho se juntou com o grupo da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 2010.
www.youtube.com/watch?v=KsujmCylbT4

Santos, o time da virada
No segundo turno do Brasileiro 2010, no dia 15/09/2010, foi a vez do Dragão jogar na Vila Belmiro pela primeira vez. O time goiano chegou a abrir 2 a 0, com Josiel aos 13′ do primeiro tempo e Willian aos 5′ do segundo tempo. A reação peixeira veio com o capitão Edu Dracena aos 6′ e os reservas Madson aos 22′, Alan Patrick aos 34′ e Marcel aos 38′ do segundo tempo. De virada, o Santos ganhou por 4 a 2 depois de um jejum de três rodadas sem vitórias. A equipe formou com Rafael; Pará (Alan Patrick), Edu Dracena, Bruno Aguiar e Léo; Roberto Brum, Danilo, Alex Sandro e Marquinhos (Madson); Neymar e Keirrison (Marcel).
www.youtube.com/watch?v=qlH13niXAS0

O único revés
Mesmo com as voltas de Neymar e Ganso da Seleção Brasileira, o Santos não superou o Atlético no Serra Dourada no dia 13/08/2011, em jogo válido pelo Brasileiro 2011. O time da casa ganhou por 2 a 0 com gols de Anselmo aos 24 e Diogo Campos aos 35 do segundo tempo.

O Santos do técnico Muricy Ramalho formou com Rafael; Pará, Bruno Rodrigo, Durval e Léo; Adriano, Arouca, Henrique (Diogo) e Paulo Henrique Ganso (Felipe Anderson); Neymar e Borges (Alan Kardec).

Gol nos acréscimos
Às vésperas da disputa do Mundial Interclubes, o Santos enfrentou o Atlético-GO pela 35ª rodada do Brasileiro de 2011 no Estádio do Pacaembu. O time tricolor abriu o marcador aos 36 minutos do primeiro tempo com o zagueiro Leonardo. Com o placar a seu favor, os visitantes abusaram de jogadas violentas e se defenderam até os 50 minutos do segundo tempo, quando Paulo Henrique Ganso acertou um belo chute, empatando o prélio.

O Peixe formou com Rafael, Danilo, Edu Dracena (Léo), Bruno Rodrigo, Durval; Adriano (Alan Kardec), Arouca (Felipe Anderson), Henrique e Ganso; Neymar e Borges.

O público de 18.044 pagantes foi o maior da história do confronto, superando os 16.848 pagantes do primeiro jogo do confronto em 1986.

www.youtube.com/watch?v=hwb0iBrh-Xs

Noite Hermana
Sem contar com os selecionáveis Neymar e Ganso e o lesionado Rafael, o Santos enfrentou o Atlético GO no Pacaembu no dia 11/08/2012 pela 16ª rodada do Brasileiro. O time goiano abriu 2 a 0 com gols de Patric logo aos quatro minutos e Wesley aos 36 do primeiro tempo. Na segunda etapa, o técnico Muricy Ramalho promoveu a estreia de Patito Rodríguez no lugar do jovem Leadrinho. Logo aos 10 minutos, o argentino pegou o rebote do chute de Felipe Anderson para diminuir a vantagem e marcar seu primeiro tento com a camisa do Peixe. Para completar a “noite Hermana”, aos 37 minutos da segunda etapa Miralles converteu pênalti sofrido por ele.

O Peixe formou com Aranha; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Léo; Adriano, Arouca, Leandrinho (Patito Rodríguez) e Felipe Anderson (João Pedro); Victor Andrade e Bill (Miralles). Técnico: Muricy Ramalho

www.youtube.com/watch?v=DVqG2Ni6weo

E você, o que acha do Santos diante do Atlético Goianiense?


Não fechemos os olhos à revolta dos clubes excluídos pela TV

Nos tempos da ditadura no Brasil, em que muita gente era presa dormindo e ia parar nos porões do Doi-Codi, às vezes para nunca mais voltar, ouvi uma parábola de um colega da UEE, a União Estadual dos Estudantes, que servia não só para o Brasil, mas para qualquer regime totalitário, e mostrava bem porque é preciso reagir logo que o problema surge, pois depois pode ser tarde demais.

A historiazinha dizia que uma noite sumiu um sujeito do seu bairro, mas você não ligou, pois nem o conhecia direito. Depois, sumiu um cara da rua de trás. Você também não deu bola. Em seguida desapareceu alguém da sua rua. Até que um dia deram sumiço no seu vizinho e amigo de tantos anos. Então você foi dormir apavorado e ainda estava acordado quando bateram à sua porta…

Digo isso porque, segundo matéria do Uol, cinco clubes da Série A do Campeonato Brasileiro estão reclamando que nem foram procurados pela Rede Globo para prorrogar seus contratos de direitos de imagem. São eles Náutico, Ponte Preta, Portuguesa, Atlético Goianiense e Figueirense. Os outros participantes da Série A já têm contratos assinados no mínimo até 2015, com luvas que alcançam 30 milhões de reais. Mas estes cinco esquecidos têm contratos apenas para 2012, no valor de R$ 14 milhões.

Segundo o presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, equipes da Série B, “que segundo a Globo têm mais torcida, como Santa Cruz e Goiás, trabalham com contratos longos, com mais garantias”. Paulo Wanderley, presidente executivo do Náutico, acha que a Globo está querendo definir quem deve ficar na Série A. E Márcio Della Volpe, presidente da Ponte Preta, acha que “os clubes perderam o poder” e “quem define quem será competitivo é a tevê”.

Hoje a maioria dos clubes considerados grandes não está nem aí para o problema dos cinco rejeitados. Porém, assim como hoje a tevê nem conversa com os primos pobres, o que garante que amanhã outros clubes, hoje considerados grandes, não serão igualmente esquecidos?

Para mim é óbvio que a linha de corte será alcançada quando apenas dois times – que nós já sabemos quais são – somarem, juntos, mais de 50% dos torcedores brasileiros. A possibilidade de contentar a maioria dos telespectadores acertando contratos com apenas duas equipes é tudo que a tevê quer.

Se o futebol brasileiro não estivesse dominado pelos interesses escusos de uma política suja e corrupta, obviamente que o contrato da tevê com os clubes seria semelhante ao que ocorre na Inglaterra, com 50% da verba dividida igualmente entre os integrantes da Série A, 25% aos de melhor colocação no campeonato e 25% distribuídos pelos critérios de audiência.

Aqui, adota-se apenas o critério da audiência – que, pasmem, é baseada em um instituto de pesquisa cujo presidente está envolvido em casos de corrupção. Ou seja: o futebol brasileiro jogou o mérito esportivo no lixo para viver sob o jugo de suspeitíssimos conchavos e favorecimentos.

Será que os clubes grandes devem esperar até que batam às suas portas?


Conto com você nessa Campanha. Apague esses dois da sua tevê


Apague esses dois da sua tevê (arte de Daniel Galvão)

Quantas vezes você não assistiu a um jogo de Corinthians ou Flamengo apenas para secar? Sim, mas não faça mais isso. Pela maquiavélica divisão de cotas arquitetada pela Rede Globo, a audiência que você dá a esses dois times é que faz com que eles ganhem uma verba muito maior do que aquele para o qual você torce – o que, no máximo em dez anos, resumirá o futebol brasileiro, a exemplo do que ocorre na Espanha, a apenas dois times ricos. E aí não haverá mais o que fazer…

O caso do Corinthians é lapidar. Segundo pesquisa lance-Ibope de 2010 o alvinegro da capital tem 13% da torcida brasileira e, ao mesmo tempo, atrai o maior índice de rejeição dentre os times nacionais, com 21%. Isso quer dizer que a cada jogo do Corinthians transmitido pela tevê, há cerca de 60% mais de secadores assistindo, do que de torcedores do time do Parque São Jorge.

Resumindo: quase 70% da audiência dos jogos do Corinthians se deve a torcedores que não gostam dele. Porém, como acabam engrossando o ibope, fazem com que ele divida com o Flamengo as duas maiores cotas pagas pela Globo.

Com mais dinheiro, um time compra melhores jogadores, tem mais visibilidade na mídia, atrai mais torcedores aos seus jogos, aumenta sua torcida… – enfim, entra em uma bola de neve que o tornará, em pouco tempo, bem superior aos demais, como já acontece na Espanha. E aqui ainda há o agravante de que o poder político bajula esses dois times.

Lá, esta mesma divisão de cotas de tevê acabou com a competitividade e reduziu os clubes do País a apenas dois grandes. Real Madrid e Barcelona recebem 140 milhões de euros por ano, enquanto outros que já foram grandes, como Valência e Atlético de Madrid, ganham 42 milhões, ou exatos 30% dos dois maiores. Como contratar bons jogadores, fazer planos de marketing, aumentar a torcida com uma verba que é menos de um terço dos rivais?

Não dar ibope pra eles é a única forma de impedir o caos

A divisão de cotas feita pela Globo partiu de um princípio equivocado, político, injusto e antiético, que não levou em conta o mérito esportivo. Tevê é espetáculo e, neste quesito, as maiores atrações são os times campeões, ou que chegam às finais, ou que jogam bonito. Está provado que uma partida que vale título bate recordes de audiência, quaisquer que sejam os times envolvidos.

Em 2011, por exemplo, os recordes de audiência do futebol na tevê brasileira foram: no meio da semana, Santos e Peñarol; no horário da manhã, Santos x Kashiwa Reysol, e no domingo, Santos x Barcelona. Cadê a presença dos dois favorecidos pela Globo? Se um time não está em uma final, ou em uma competição importante, sua audiência é menor. Isto é fato.

Forçar uma reserva de mercado para dois times pretensamente mais populares é colocar o carro à frente dos bois. Por que não se dividir as cotas depois de apurados os mais bem classificados de uma competição e os índices de audiência de cada time? Por que é preciso distribui-las com antecedência, prevendo o imprevisível e correndo o risco de que as maiores verbas sejam dirigidas a equipes mal colocadas, deixando as menores para clubes que talvez briguem pelo título? Não há lógica nem bom senso nisso.

A intenção dessa Campanha não é prejudicar os dois clubes teoricamente mais populares do país, mas sim impedir que todos os outros grandes do Brasil sejam prejudicados. Pois de nada vale a estes últimos ganharem uma bolsa um pouco maior por ano. O que lhes interessa é manter suas chances de brigar por títulos, de manter sua grandeza e, com ela, a competitividade dos campeonatos – que ainda é o grande trunfo do futebol brasileiro.

Que todos os torcedores participem

Apesar de este blog ser dirigido a santistas, esta Campanha não se restringe aos torcedores do Alvinegro Praiano. Espero que são-paulinos, palmeirenses, vascaínos, gremistas, tricolores do Rio e da Bahia, botafoguenses, cruzeirenses, atleticanos de Minas, Paraná e Goiás, torcedores de Bahia, Santa Cruz, Fortaleza, Vitória, Ceará, Coritiba, Avaí, Figueirense, Goiás, Ponte Preta, Guarani, Portuguesa, americanos de Minas, Rio e Rio Grande do Norte, enfim, todos os outros que não são aficionados dos dois privilegiados, acatem a ideia dessa Campanha e não assistam mais a jogos de Corinthians e Flamengo.

A queda de audiência desses dois times é a única maneira de a Globo rever seus conceitos e estabelecer uma divisão de cotas mais justa, que não leve em conta apenas a popularidade de uma equipe, mas seu mérito esportivo e sua atratividade na tevê. O ideal seria que a maior parte da verba fosse destinada aos clubes mais bem classificados das competições (campeão, vive, terceiro, quarto…), o que estimularia a competitividade, a competência, a busca pelas vitórias no campo e não nos bastidores.

Não espere o apoio da grande imprensa

Essa Campanha começou ontem neste blog, se estendeu pelo twitter, facebook, orkut e está se espalhando pelo país pela Internet. É uma luta de David contra Golias. Não espere o apoio de grandes veículos de comunicação, nem mesmo dos concorrentes da Globo. Há um grande corporativismo entre eles e também entre os profissionais da área (que jornalista não tem esperança de trabalhar na Globo?).

Porém, a causa é justa e, se for bem-sucedida – o que só acontecerá com a sua ajuda e sua disposição de não assistir mais a jogos de Corinthians e Flamengo – poderá impedir o fim do futebol brasileiro como o conhecemos hoje. A decisão está nas suas mãos. Você quer que o Brasil continue com mais de dez clubes grandes, disputando títulos, participando de uma competição justa equilibrada pelo sucesso, ou tolera uma reserva de mercado antiética que restringirá nosso futebol a apenas dois times super poderosos, como na Espanha?

Pense nisso na próxima vez que empunhar o controle remoto.

Se já já está decidido a ajudar, faça sua parte: divulgue esta causa justa entre amigos e torcedores de outros clubes.


Hoje tem Neymar no Pacaembu. Não dá pra perder…


Neymar e a bola, a união perfeita (foto de Ivan Storti/ Comunicação Santos FC)

Um dia, quando lhe perguntarem quantas vezes você viu Neymar jogar, o que você vai dizer? Só uma ou duas, pois não teve tempo? Ora, se Neymar vai jogar e você pode ir, então não há desculpa.

E o melhor é que não é só ele. Hoje o Santos joga completo contra o Atlético Goianiense, às 20h30m, no Pacaembu, e a tevê, para variar, não transmitirá a partida. E nem dá para reclamar, pois o Santos há muito saiu fora da luta pelo título.

O começo do fim aconteceu justamente contra esse mesmo Atlético, no primeiro turno. Com a volta de Paulo Henrique Ganso, a expectativa era de que o time vencesse e iniciasse sua reação em busca do título. Mas o árbitro Sandro Meira Ricci, além de não marcar um pênalti claro, ainda deu um cartão amarelo a Neymar por simulação. E os dois gols do Atlético foram pela “Avenida Pará” (nos dois gols o lateral-direito ficou parado e ergueu os braços, enquanto o ataque adversário penetrava).

Mas você, santista da Grande São Paulo, se não tiver nenhum compromisso urgente, tem a obrigação de ir ver Neymar, Paulo Henrique Ganso e o time que se prepara para o Mundial do Japão.

Com Léo e Elano no banco de reservas, o Santos jogará com Rafael, Danilo, Bruno Rodrigo, Edu Dracena e Durval; Adriano, Henrique, Arouca e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Borges.

O Atlético Goianiense, que começou muito bem, mas vem caindo a cada rodada, jogará com Márcio; Rafael Cruz, Anderson, Leonardo e Thiago Feltri; Agenor, Ernandes, Joílson e Bida; Juninho e Felipe.

O técnico Hélio dos Anjos já preveniu a sua equipe de que “o Santos está voando”. E está mesmo. Pena que demorou tanto tempo para decolar. Uma olhada na tabela mostra que o título era plenamente possível.

Se vencer hoje o Santos pulará para a sétima posição, atrás de grandes times que priorizaram o Campeonato Brasileiro, como São Paulo e Internacional. Isso prova que o título seria plenamente possível caso não tivesse perdido pontos cruciais na Vila Belmiro, como nas derrotas para Flamengo, Coritiba, Grêmio e Figueirense.

Reveja agora a atuação de Neymar no jogo que fez o técnico Renê Simões chamá-lo de “Monstro”. Realmente, Renê Simões estava certo. O Santos criava mesmo um monstro, o melhor jogador do Brasil. Quanto ao Renê “Monstro” Simões, acaba de ser demitido do Grêmio Barueri, pois estava levando seu time para o rebaixamento para a Série C:

Confrontos entre Santos e Atlético/GO, por Wesley Miranda


Nenhum santista ainda fez dois gols contra o Atlético Goianiense

Santos e Atlético/GO se enfrentaram apenas cinco vezes ao longo da história. O Santos ganhou em quatro oportunidades e o Atlético em apenas uma. O Peixe marcou 9 e sofreu 6 gols. Apenas uma partida não foi valida pelo Campeonato Brasileiro: um amistoso em 1987 vencido pelo Santos por 2 a 1 no Serra Dourada.

O curto histórico entre as duas equipes não carrega uma grande história, e sim uma curiosidade. O adversário não deve trazer boas recordações para Neymar.

Na primeira oportunidade em que o craque santista enfrentar o Dragão Campineiro, a joia foi afastada pelo técnico Dorival Jr. – junto com Ganso, André e Madson – por um atraso na apresentação na concentração.

Na partida valida pelo segundo turno do Brasileiro de 2010, ocorreu o triste episódio do desentendimento com Dorival Jr., que não permitiu que o jogador batesse o pênalti devido ao até então seu fraco aproveitamento em cobranças de penalidades máximas.

E no último confronto, válido pelo primeiro turno deste Brasileiro, em que ocorreu a única derrota do Santos no confronto, por 2 a 0, Neymar sofreu pênalti não marcado por Sandro Meira Ricci, que ainda o advertiu com cartão amarelo. Sandro Meira Ricci já movia um processo contra Neymar por conta de um outro jogo.

O Nascimento de um Gigante, livro obrigatório


Lançamento será 28 deste mês, no Memorial das Conquistas

Gostei muito do livro “O Nascimento de um Gigante”, de Gabriel Davi Pierin, filho do grande Lalá, ex-goleiro do Santos. A obra fala dos primórdios do clube, com importantes detalhes sobre a sua fundação e o futebol em Santos no início do século XX. Recomendo a todos os santistas. O livro pode ser encontrado na Editora Realejo, em Santos (avenida Marechal Deodoro, 2, ao lado da Praça Independência). O lançamento será no dia 28 deste m~es no Memorial das Conquistas do Santos.

E você, vai ao Pacaembu ver Neymar logo mais? O que espera do jogo?


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