Santos não mostra nada e ninguém e é eliminado da Copa São Paulo

Como se sabe, ganhar um torneio juvenil pouco significa, o que interessa mesmo é revelar bons jogadores. Mas o Santos, nesta Copa São Paulo, nem seguirá em busca do tri – já que foi eliminado nesta sexta-feira ao perder para o Linense por 2 a 1 -, nem deixará seu torcedor esperançoso, pois não mostrou nenhum jogador capaz de ser promovido ao profissional.

Depois de exibições temerárias diante do Penapolense (0 a 0) e do Babaçu (4 a 2), o Santos poderia se classificar com um empate diante do Linense, mas se mostrou disperso, meio esnobe, e só foi despertar quando já perdia por 2 a 0 e o jogo caminhava para o final. Serginho diminuiu aos 43 minutos e o Santos pressionou no fim, mas o Linense, mais focado na vitória, conseguiu se defender bem.

Um dos aspectos mais decepcionantes dese time santista foi o aproveitamento de chutes a gol. De 16 arremates, apenas três acertaram a meta adversária. Não se sabe como esses garotos treinam, mas é evidente que o chute não tem sido um fundamento muito treinado.

Os outros setores do time não se saíram melhor: a defesa se atrapalhou sozinha várias vezes. Seu senso de marcação e cobertura é nulo. Contra o Linense, o zagueiro João Igor dominou mal uma bola dentro da área e na sequência cometeu um pênalti infantil que decidiu o jogo. Os volantes são bem limitados, o meia Caio às vezes some do jogo e ele e Serginho ciscam muito, mas arrematam pouco e sem força.

Com muito boa vontade dá para perceber qualidades em Serginho, Caio e, talvez, Matheus Augusto e mais um ou outro. Mas se não passarem por um treinamento intensivo, nenhum deles virará. Alguém precisa dizer a esses garotos que ainda não são nada, não jogam nada e nada serão caso não estejam dispostos a ralar. E a questão não é só técnica. Falta comprometimento, personalidade, qualidades essenciais aos grandes jogadores, se é que têm esperanças de serem um um dia.

Quando no início do segundo tempo ouvi um jogador do Santos dizendo que o time, que perdia por 1 a 0, iri jogar tranquilo, pois o gol sairia “naturalmente”, fiquei muito preocupado. Nenhum gol sai naturalmente em uma situação em que ele é decisivo para uma classificação. Se jogasse com a mesma vontade que mostrou nos últimos minutos, provavelmente o Santos estaria classificado agora, mas a verdade é que o time andou em campo o tempo todo e não caprichou nas chances de gol que teve.

Outro constatação alarmante é saber que o time não tem nenhum centroavante, nem artilheiro, ninguém que tenha alguma vocação para meter a bola pra dentro da rede adversária. Esse Pepe que entrou contra Penapolense e Babaçu não sabe nem andar em campo, quanto mais controlar e chutar uma bola. Desta vez, Pepinho não soube armar o time e a opção de jogar sem centroavante acabou se revelando equivocada.

Tudo indica, porém, que o Santos não estava muito interessado em tentar obter esse inédito tricampeonato da Copinha. Se estivesse, reivindicaria que sua chave fosse na Vila Belmiro, direito que teria por ser o atual bicampeão do torneio. Em vez disso, aceitou jogar em Lins e sujeitar-se à decidir a classificação do grupo com o time local, como acabou ocorrendo. Enfim, foi uma derrota não só dos Meninos, mas da comissão técnica e da diretoria do Santos.

E você, o que achou da eliminação do Santos na Copinha?

Santos joga classificação na Copinha hoje às 16 horas

Nesta sexta-feira, às 16 horas, com transmissão da ESPN e da Rede Vida, o Santos joga a sua classificação na Copa São Paulo de Futebol Junior contra o Linense, em Lins. O grupo está embolado e o Alvinegro Praiano precisará de uma boa vitória para ficar com a vaga do grupo para a próxima fase. Se perder, o Santos estará desclassificado, e se empatar ou mesmo vencer, ainda dependerá do resultado de Penapolense e Babaçu, que jogarão antes.

O Santos lidera o grupo com quatro pontos ganhos e dois gols de saldo; o Penapolense tem os mesmos quatro pontos e um gol de saldo, e o Linense tem três pontos e nenhum saldo. se o Penapolense vencer o Babaçu, o time do Pepinho entrará em campo sabendo de quantos gols de diferença deverá vencer o Linense para se classificar.

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Auditoria deve provar que compra de Damião foi superfaturada

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Leandro Damião será eternamente grato ao negócio intermediado por Renato Duprat

Dizem que uma auditoria não prende ninguém e que é muito difícil comprovar a desonestidade na administração de um clube por meio dela. Mesmo assim, contrata-la é uma questão de honra, de passar o Santos a limpo.

Uma das pessoas que ela precisa ouvir é Renato Duprat, o intermediário da Doyen Sports no empréstimo dos 42 milhões ao Santos para a compra de Leandro Damião. Tenho informações de que, mesmo ganhando sua porcentagem no negócio, Duprat ficou espantado com o montante pago pelo Santos por Damião, pois conhecia bem os valores de mercado dos jogadores e tinha certeza de que o atacante em má fase poderia ser contratado por muito menos dinheiro.

Ou seja: não teria havido interesse dos representantes do Santos de reduzir o valor pago pelo passe de Damião. Ao contrário, parece que os negociadores do clube faziam questão de pagar o mais caro possível – o que, no mínimo, afigura-se como prevaricação com o dinheiro alheio, um grande desrespeito às finanças do clube, que já vivia situação delicada.

Enfim, só mesmo depois dos depoimentos de Renato Duprat, dos representantes do futebol do Santos na época, do seu presidente Odílio Rodrigues, dos integrantes do Comitê Gestor que concordaram com o negócio, enfim, de todos os envolvidos na compra de Leandro Damião, além da checagem dos contatos e documentos, é que saberemos ao certo porque o Santos fez questão de investir uma fortuna que não tinha em um jogador que há muito tempo não mostrava um futebol convincente, e ainda apresentava um sério problema nos quadris.

Este, aliás, é outro detalhe agravante: mesmo tendo um conhecido médico como presidente, o senhor Odílio Rodrigues, ex-Secretário de Saúde de Santos, o clube se envolveu na contratação mais vultosa do futebol brasileiro sem exigir que o jogador contratado passasse por uma bateria rigorosa de exames clínicos, “descuido” que se revelou uma irresponsabilidade imperdoável.

Um amigo, grande conhecedor do mercado do futebol, me confidenciou que no momento em que o Santos contratou Leandro Damião, o valor real de seu passe não ultrapassava 20 milhões de reais – o que bate com as declarações que Renato Duprat teria dado a amigos. Portanto, tudo indica que o Santos pagou mais do que o dobro que deveria pelo passe do centroavante que estava em péssima fase no Internacional.

Bem, o caso de Leandro Damião é o mais grave, mas não é o único. Há muitos outros para serem esmiuçados por uma auditoria a ser feita pela administração de Modesto Roma. Não sei dizer se algum dinheiro será recuperado, se pessoas envolvidas nesses negócios altamente lesivos para o clube serão processadas e condenadas, mas ao menos nós, santistas, a imprensa, opinião pública e o mercado do futebol saberemos o que levou o Santos à esta bancarrota que vive hoje.

E mesmo que a justiça pouco possa fazer, nós poderemos, e deveremos instituir uma lista de personas non gratas ao nosso clube, mostrando que as falcatruas, se ocorreram, não serão esquecidas, muito menos os seus autores. É o mínimo que se pode fazer para enviar a mensagem de que o Santos quer passar a ser um clube administrado com competência e lisura.

Você acha que a auditoria provará que a compra de Damião foi superfaturada?