Parreira armou o jogo-treino para não perder. E o Santos entrou na dele

Neste sábado, a partir das 16 horas, com portões fechados, os reservas do Santos enfrentarão a Seleção da África do Sul, dirigida pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, o mesmo que desfalcou o Santos nas quartas-de-final da Copa Libertadores de 2005, quando teimou em convocar Robinho, Ricardinho e Léo para um amistoso inútil e tirou do time a chance de vencer o Atlético Paranaense na Vila e avançar rumo a mais uma decisão da competição sul-americana.

Digo que iria à final porque depois do Atlético Paranaense o adversário seria o Chivas de Guadalajara, que por dar prioridade ao Campeonato Mexicano, jogaria as semifinais da Libertadores com reservas. Sem os três jogadores já citados e ainda sem Giovanni, cuja inscrição não foi aceita pela Conmebol, o Santos ainda foi fartamente prejudicado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon no jogo de volta contra o clube do Paraná.

Resultado de tanta sacanagem: o Santos – que com o time completo ganharia até com facilidade do limitado Atlético/PR – perdeu na Vila Belmiro por 2 a 0 e deixou escapar a oportunidade de fazer uma final com o São Paulo, que naquela época não conseguia levar vantagem contra o Alvinegro Praiano. 

Confesso que quando soube do jogo deste sábado, esfreguei as mãos e, à lá Zito, disse: “É hoje que metemos dez em um time do Parreira”. Porém, ladino como é, parece que o treinador da África do Sul tomou suas precauções nesta que será a última partida de seu time na excursão.

O fator torcida já foi anulado logo de cara: não haverá público. Apenas 20 sócios do Santos, que participaram de uma promoção realizada no site oficial do clube, poderão acompanhar a partida. Assistirão ao jogo no camarote da presidência, ao lado de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro.

Outro detalhe é que o Santos jogará com reservas, enquanto o time do país que sediará a Copa entrará com seus titulares. Mas não fracos? Peraí! Já venceram Ponte Preta, Desportivo Brasil, juniores do Fluminense, reservas do Botafogo e empataram com o Cruzeiro e com o Paraguai, este último em Assunção. Mais respeito, os caras estão invictos na América do Sul!

Os Bafana Bafana não são uma maravilha, mas podem golear um time desentrosado

Não dá para perder mais um jogo internacional

Um dos planos do Novo Santos é resgatar sua bela imagem internacional, certo? Ok. Mas depois de décadas sem perder em inaugurações de estádio, foi derrotado pelo Santos Laguna, do México, e pelo Red Bull, nos Estados Unidos. Assim será difícil reviver os bons tempos, em que saía por aí goleando todo mundo.

O jogo deste sábado é uma bela oportunidade de se acabar com a invencibilidade da África do Sul e dar o troco no popular “Pé de Uva”. Porém, leio com desânimo que para esta partida o técnico Dorival Junior dará oportunidade aos garotos dos juniores (sub-20) e alguns do profissional que estão voltando de contusão, como o goleiro Fábio Costa e o centroavante Marcel.

Já vimos esse filme antes em Nova York e foi horrível. O time correu o risco de tomar uma goleada e deixou péssima imagem. Tudo bem, era uma equipe reserva, mas para os gringos era o Santos. O santista tolerou porque o dinheiro foi bom e o jogo teve alguma repercussão, mas perder na Vila para o time africano do Parreira será difícil de engolir.

Por que não aproveitar a oportunidade e cobrar ingressos mais baratos, permitindo que crianças e mulheres vejam o jogo? Não entendi essa imposição de portões fechados. E por que usar garotos e jogadores fora de forma em um compromisso internacional contra uma seleção que disputará a Copa e está invicta até aqui? Os caras não são tão bobos assim, não!

Parece até que as condições do amistoso foram impostas pelos africanos, que não terão torcida contra e ainda enfrentarão um time desentrosado formado por alguns jogadores fora de forma e outros ainda inexperientes. Ou seja: fecharam todas as possibilidades de sofrer um vexame. Mas será que o Santos também não deveria ter se precavido?

Enfim, do jeito que está programado, acho este amistoso uma decisão temerária. Ao invés de proporcionar mais um momento de alegria para sua torcida, o Santos correrá o risco de ser goleado pelo time de um técnico que já deu aos santistas tantos dissabores.

O melhor seria Dorival Junior usar alguns jogadores do time principal e escalar também o Paulo Henrique Ganso, que, suspenso, não enfrentará o São Caetano. Mesmo que perca do time do ABC, amanhã, o Santos poderá garantir o primeiro lugar nesta fase do Campeonato Paulista com um empate no último jogo, na Vila, contra o Sertãozinho.

Ou seja, ao menos para mim, o jogo mais importante do Santos neste final de semana será contra a África do Sul do Parreira, neste sábado. Uma goleada contra uma seleção da Copa correria o mundo e deixaria o santista muito feliz. E eu pergunto: Para que serve um time de futebol, a não ser alegrar o seu torcedor?

Acha que estou exagerando? É melhor se concentrar no jogo contra o São Caetano e colocar um catadão para enfrentar a Seleção da África do Sul? Ou dar uma lição no Parreira não tem preço? Quero saber sua opinião.