Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: bairrismo

Roma não cumpre palavra

Libertem o gigante!

Na saída do jogo, domingo, um senhor me dizia que estava organizando uma caravana com amigos do Taboão da Serra para voltar ao Pacaembu sábado, às 19h30, a fim de assistir ao jogo contra a Ferroviária. Grupos de santistas de Osasco e Guarulhos também tinham me avisado, por e-mail, que fariam a mesma coisa. Afinal, jogo no Pacaembu, com mando de campo do Santos, é coisa rara e o presidente Modesto Roma já tinha anunciado a partida contra a Ferroviária para o estádio paulistano. Agora, porém, chega a notícia de que Roma voltou atrás e fará a partida na Vila Belmiro.

A matéria que saiu no Globo Esporte, assinada por Lucas Musetti, diz que o Peixe não concluiu transferência do mando da partida, ou seja, faltou apenas enviar um papel assinado para oficializar o mando de campo. Pelo público de quase 24 mil pessoas que mostrou contra o Red Bull (mais de 20 mil pagantes), em um horário ruim e com mando de campo do adversário, era fácil prever que o jogo contra a Ferroviária teria grande possibilidade de atrair um número ainda maior de torcedores.

Bem, recentemente tivemos a demissão do gerente de futebol Sergio Dimas sob a alegação de este ter se esquecido de inscrever o Santos na Copa Libertadores da América. Pois bem. Mas se agora alguém do clube não “concluiu a transferência do mando da partida” contra a Ferroviária para o Pacaembu, não é de se esperar que alguém também seja punido? Ou esse “esquecimento” era mesmo a vontade de Modesto Roma?

Sem todas as informações e sem os depoimentos dos responsáveis nunca poderemos ter uma opinião definitiva sobre o caso. Ocorre que por todos os fatos anteriores, depreende-se que não há a mínima vontade dessa gestão de permitir que santistas de fora da cidade, principalmente de São Paulo, tenham participação ou influência nos rumos políticos do clube. Mesmo com a consequência natural de se perder dinheiro e visibilidade ao ignorar o Pacaembu, não interessa às pessoas que controlam o Santos correr o risco de vê-lo escapar de suas mãos.

É como se quisessem que o Santos deixasse de ter os torcedores que angariou durante décadas além dos limites de sua cidade. Isso parece suicídio mercadológico, pois que presidente de uma organização preferiria que ela encolhesse? Quem gostaria de transformar um baobá em bonsai? Pois é. Essa administração santista parece pensar assim.

Engraçado é que há algum tempo entrevistei o presidente da Portuguesa Santista, o senhor Lupercio Conde, e lhe perguntei se, caso a Briosa tivesse muito mais torcedores em São Paulo, como ocorre com o Santos, em que cidade faria seu novo estádio. Ele não demorou nem dois segundos para responder: “Em São Paulo, claro!”.

Ficou evidente ali, naquela resposta curta e grossa, a visão, a inteligência, e o desprendimento do presidente da Portuguesa Santista, pois provou que pensa no sucesso do clube em primeiro lugar, sem bairrismos nem personalismos. Gostaria e acho que boa parte dos santistas também, que o Glorioso Alvinegro Praiano fosse dirigido por um líder assim.

Frustrar dezenas de milhares de santistas que já se preparavam para tomar o Pacaembu no próximo sábado não foi, positivamente, uma atitude inteligente e nem politicamente correta do presidente santista. Assim está se afastando cada vez mais dos santistas do planalto e cavando um abismo que pode engolir o seu sonho de reeleição.

Clique aqui para ler a matéria do Globo Esporte.

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Os porquês do bairrismo

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modesto roma - placar 2 Revista Placar de 5 de março de 1976 mostra como pensava Modesto Roma, pai do presidente atual do Santos.

O bairrismo, por si só, não é bom ou ruim. Baseia-se na crença, ou no sentimento, de que as coisas, concretas ou abstratas, de nosso bairro, nossa cidade, nossa região, merecem tratamento superior às de outros bairros, cidades ou regiões. Ser bairrista não significa, necessariamente, odiar o que é de fora, o estrangeiro. Veja que Portugal é o país considerado o mais hospitaleiro da Europa, no entanto é assumidamente bairrista.

O bairrismo de Portugal tem sua lógica. País pequeno, com apenas 10 milhões e meio de habitantes, o quase milenar Portocale teme que sua cultura seja dominada pelos estrangeirismos. Há regras rígidas até para se batizar uma criança por lá. Nomes que não são de origem portuguesa, como Wendel, Willian, Walter, Waldemar e Vivian, entre muitos outros, são proibidos nos cartórios. O português quer preservar, a todo custo, a última flor do Lácio.

Nós, torcedores do Santos que não moramos em Santos, sentimos na pele a força do bairrismo que é alimentado há décadas por alguns grupos da cidade praiana. Que eu me lembre, o grande presidente santista Athié Jorge Cury não era bairrista. Ele levou o Santos para jogar no mundo todo, e com os dólares que trazia manteve o melhor time do mundo por muitos anos. Onde, estaria, então, a origem desse bairrismo que ainda hoje freia os sonhos de crescimento do clube?

Digo “freia” porque é um bairrismo bem diferente do que se vê em Portugal. Não se trata de preservar a cultura ou a tradição de um povo, mas sim de apenas impedir que mais pessoas contribuam para o crescimento de uma instituição que conquistou adeptos em todo o mundo e agora, à força, querem que volte à sua dimensão anterior – algo tão difícil como fazer a rolha da champanhe voltar a tampar hermeticamente a boca da garrafa.

Um amigo santista acaba de me enviar uma revista Placar de 5 de março de 1976 que pode nos dar alguma pista das origens desse sentimento exclusivista que toma conta de alguns torcedores do Alvinegro Praiano. Nessa revista, há uma matéria de cinco páginas sobre o Santos, intitulada “Os feitiços da Vila”, na qual o presidente do clube na época, o senhor Modesto Roma (São Vicente, 15 de julho de 1907 – Santos, 6 de março de 1986), pai do atual presidente, pregava que o mesmo time que conquistou o mundo deveria voltar a ser apenas de sua cidade.

O velho Roma dizia, em março de 1976, que a saída financeira para o Santos era jogar na Vila Belmiro. Porém, conforme as súmulas dos jogos daquele período, impressas no Almanaque do Santos FC, escrito por Guilherme Nascimento, o quadro que se via era o mesmíssimo do atual, com o time conquistando seus maiores públicos nos jogos na Capital Paulista, e ainda colecionando muito mais derrotas na Vila Belmiro do que em São Paulo.

É preciso lembrar, ainda, que naquela época o Urbano Caldeira não tinha camarotes, os ingressos eram mais baratos e se permitia vender entradas para se assistir aos jogos de pé. Isso podia fazer a Vila receber públicos de até 30 mil pessoas, como ocorreu em 15 de fevereiro de 1976, quando, diante de 31.662 torcedores, o Santos foi goleado pelo Palmeiras por 5 a 0. Na maior parte dos jogos no seu estádio, porém, nesse mesmo período de 1976, o público era até menor do que hoje, como diante da Portuguesa Santista (5.104 pessoas), São Bento (3.977), Botafogo (7.838) e nos amistosos contra Saad (1.173), Ponte Preta (1.438) e Marília (4.002).

Mesmo mandando todos os seus jogos na Vila, o Santos não se classificou para a fase final do Campeonato Paulista, ficando em quinto e penúltimo lugar no Grupo C, atrás de Palmeiras, Ponte Preta, América e Noroeste. Os jogos de maior público com mandos do Santos, em 1976, ocorreram no segundo semestre, durante o Campeonato Brasileiro, nas partidas contra o Internacional, no Morumbi (83.995 pessoas) e Bahia, no Pacaembu (42.233 pagantes).

modesto roma - placar - frase

Certamente, Modesto Roma, que presidiu o Santos de 1975 a 1978, queria o melhor para o clube e agiu da maneira que julgou a mais correta para mantê-lo competitivo. Entretanto, depois de um primeiro semestre desastroso, percebeu que não poderia alijar dos destinos do Santos a grande torcida santista da Capital e recorreu a ela para recuperar as finanças do Santos.

Essa visão, abrangente e universal, é a que seria a mais indicada hoje, em que o clube estuda a participação em um empreendimento milionário que exigirá um investimento que ele não tem e ao mesmo o afastará da sua maior massa de torcedores, a mesma que socorreu o Santos quando Pelé parou e a imprensa esportiva de São Paulo já apostava que o Alvinegro Praiano voltaria às suas origens humildes.

Modesto Roma - capa da Placar de 5 de marco de 1976

Felizmente, Modesto Roma, o pai, percebeu a armadilha e aprumou o Santos no caminho que o consolidou, mesmo sem Pelé e os ídolos da década de 1960, como um dos maiores e mais populares times de futebol do Brasil. O que se espera agora é que, nesse momento delicado para a vida do clube, seu filho tenha a mesma visão e sabedoria, e saiba aliar as vantagens de ter o clube sediado na tranquila e aprazível cidade de Santos, com a enorme e apaixonada massa de torcedores que conquistou no planalto.

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Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial
odir e joel
Fui o último jornalista a entrevistar Joel Camargo, para o Museu Pelé. Dias depois ele foi internado na Santa Casa de Santos e faleceu em 23 de maio de 2014, aos 67 anos. Tive a felicidade de lhe tirar um sorriso quando lembrei que ele era uma das Feras de Saldanha na Copa de 70, pois as Eliminatórias fazem parte da Copa. Titular em todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias, participou da partida de maior público oficial no País: a vitória sobre o Paraguai, por 1 a 0, no Maracanã, com 183.341 pessoas. Joel nasceu em 18 de setembro, um dia depois de mim. Somos ambos virginianos, um pouco chatos, exigentes, mas justos. A promoção dos livros nesse mês é uma homenagem ao inesquecível Joel.

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Como o mundo vê o Santos
Por mais que, no Brasil, vivamos essa dicotomia entre o Santos de sua cidade e o Santos do país inteiro, no Exterior não há dúvida de que o Santos é olhado como uma equipe universal. Nas minhas pesquisas invariavelmente me deparo com matérias, em outras línguas, sobre os ídolos e as conquistas de nosso time. Em 29 de agosto encontrei esta, escrita por Marcelin Chamoin. Fiquei feliz de saber que ela traz trechos de meu livro “Donos da Terra” e filmes postados no Youtube pelo amigo Wesley Miranda, uma prova de que nossos trabalhos para preservar a história do Santos sempre dão algum fruto, às vezes inesperado, em algum lugar do planeta.
Clique aqui para ler o texto, em francês (dá para traduzir) de Marcelin Chamoin, sobre o Santos e Pelé.

E você, o que acha disso?


Pra que dinheiro?

O confronto com o Corinthians é o que mais mexe com o santista. Se o clube já tivesse montado uma óbvia equipe para organizar os seus jogos e se escolhesse fazer o confronto, pela Copa do Brasil, em um grande estádio de São Paulo, a lotação seria completa e os problemas financeiros, ao menos os emergenciais, estariam resolvidos. Mas o duelo, na próxima quarta-feira, será na Vila Belmiro, para a alegria dos jogadores, da comissão técnica e da direção do clube, inexplicavelmente alheios à questão monetária que preocupa até o mais desligado dos torcedores do Santos.

Na verdade, como constatamos recentemente, os mesmos jogadores que fazem lobby para jogar na Vila serão os primeiros a entrar na justiça trabalhista caso seus rendimentos não sejam pagos em dia. Por isso, eu já disse no Conselho Deliberativo e repito: a responsabilidade por escolher os locais dos jogos é da diretoria, e não dos jogadores, pois essa decisão está diretamente relacionada ao equilíbrio financeiro do clube. Jogadores passam, o clube fica.

Se preciso, o Santos precisa mergulhar todo mundo em um tratamento psicológico para acabar com esse complexo de inferioridade de achar que só pode vencer grandes adversários se jogar no velho alçapão. Se as dimensões do campo são as mesmas e a torcida não entra em campo, o que pode explicar esse temor santista de jogar em estádios maiores, o que daria mais oxigênio às finanças do clube?

O correto seria fazer um esforço para marcar o grande duelo alvinegro para a próxima terça-feira, dia em que não haverá outro jogo na Capital. Estou certo de que o rival aceitaria. O Pacaembu seria a primeira opção, mas eu não descartaria jogar no belo e imenso estádio palmeirense. A novidade de atuar pela primeira vez, com seu mando de campo, em um estádio de primeiro mundo, confortável e espaçoso, seria mais um atrativo para o torcedor, em um confronto de muito público e muito dinheiro para os combalidos cofres do Alvinegro Praiano.

É evidente, porém, que haveria muita chiadeira na Baixada Santista se o Santos resolvesse mandar o seu jogo na Capital e perdesse a partida. A confraria que acompanha o presidente Modesto Roma trataria de alardear aos quatro ventos, como fez após a na final do Campeonato Paulista de 2013, que se o jogo fosse na Vila o time não teria perdido. Essa crendice bairrista é um tabu do qual o Santos precisará se libertar caso queira voltar a ser tão grande como já foi.

O Estádio das Laranjeiras, construído para o Campeonato Sul-americano de 1919, já foi o maior e mais importante do Brasil. Nele havia, e ainda há, uma tribuna especialmente preparada para receber o presidente da República. Chegou a receber 22 mil pessoas em 1922, mas hoje, com capacidade de oito mil pessoas, é usado apenas para os treinos do Fluminense. Imagine, caro leitor e amiga leitora, se os tricolores vivessem apegados à ideia de que só poderiam vencer os seus clássicos no velho estádio, de que as despesas seriam menores se jogassem em casa…

Imagine, ainda, se o Corinthians ainda resolvesse mandar seus jogos no Alfredo Shurig, o velho Parque São Jorge onde o Santos conquistou o seu primeiro título paulista, em 1935, oito anos depois da construção do estádio. Afinal de contas, a “Fazendinha” comporta 18.500 pessoas, mais até do que a Vila Belmiro. Mudar para Itaquera, que se saiba, não causou nenhuma revolução entre os corintianos mais tradicionais. E o Itaquerão fica a 14 quilômetros do Parque São Jorge e a 25,8 quilômetros do Pacaembu. No Rio, o ônibus do Botafogo pega 20 quilômetros de trânsito pesado, o que equivale à média de 40 minutos de viagem, para ir da sede do clube ao estádio do Engenhão.

É claro que o ideal seria a Vila Belmiro ser um estádio grande e moderno, com um público médio de 30 mil pessoas. Há cidades com menos habitantes do que Santos em que isso é possível. Porto, por exemplo, é uma delas. Com menos de 400 mil habitantes, a bela e organizada cidade portuguesa mantém um dos grandes times da Europa, que conta com uma torcida apaixonada e fiel que costuma lotar o belíssimo Estádio do Dragão. Infelizmente, porém, entre o sonho e a realidade há uma grande diferença.

E a realidade é que é um drama para lotar até mesmo os 16 mil lugares da Vila Belmiro, e isso ainda depende do comparecimento maciço de santistas de outras cidades. A realidade, ainda, é que o decantado Pré-sal furou. As esperanças de riqueza com a perfuração de petróleo na Bacia de Santos foram definitivamente sepultadas. A Petrobras está à deriva, Eike Batista faliu, o preço dos imóveis de Santos está caindo. O maior mercado consumidor, com mais de um milhão de torcedores santistas, é a Grande São Paulo. Não é preciso ser um gênio do marketing para perceber que o produto tem de ir aonde o seu público está.

Que não tenhamos de aprender da forma mais dura

Nesta quarta-feira vimos o River Plate se tornar campeão da Copa Libertadores pela terceira vez, apenas quatro anos depois de ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Argentino. Não consegui assistir ao jogo até o final. Muito ruim. Perdi a conta das matadas de canela, dos chutões e encontrões. Creio ter sido uma das piores finais de Libertadores de todos os tempos. De qualquer forma, marca a ressurreição de um clube que parecia caminhar para a falência. Espero que o Santos não tenha de ir ao fundo do poço para aprender o que é essencial no futebol.

Por sua sorte, o centenário River tem um estádio como o Monumental de Núñez, em Buenos Aires, com capacidade para 61 mil pessoas, um símbolo do futebol argentino – onde o nosso Santos ganhou o seu primeiro título da Libertadores, em 1962, ao bater o uruguaio Peñarol por 3 a 0. O River não vive essa dicotomia santista, com seus adeptos divididos entre duas cidades. Ele não precisa jogar fora de Buenos Aires para atrair multidões e grande visibilidade aos seus jogos. Mas o Santos precisa.

E enquanto o Santos não for dirigido por pessoas que admitam isso e enfrentem essa questão de frente, seguirá patinando, empurrando o problema com a barriga e torcendo para que o imponderável do futebol resolva questões que deveriam ser solucionadas com planejamento e trabalho. Enquanto depender da opinião dos jogadores para saber onde deve jogar, seu futuro no futebol profissional será incerto.

E pra você, o Santos fez bem de jogar na Vila?

O poder da história

Mesmo depois de duas boas oportunidades que o Tigres teve contra o River Plate, comentei com a Suzana que o River seria o campeão. Mesmo com um time limitado, o representante argentino seria o campeão por sua história, pelo peso de sua camisa, pela necessidade maior que tinha de ser campeão. Desculpem-me os torcedores do Tigres, mas não é possível imaginar um grande argentino perder uma Libertadores em casa diante de uma equipe mexicana. Há momentos em que a história entra em campo.

Escrevo isso porque acredito piamente nessas palavras. Acredito que hoje, apesar de todos os seus problemas, o Santos é grande porque se sente grande e sabe que já fez muitas coisas grandes. Mesmo inferiorizado em todos os quesitos extra-campo, sabemos que ele não enfrentará o Corinthians apenas por enfrentar. Sabemos que ele entrará em campo para tentar vencer mais uma vez o seu tradicional adversário.

Para se entender essa força que a história empresta ao nosso Santos, não há outra maneira a não ser conhecer a trajetória do clube desde o longínquo 14 de abril de 1912. Por isso, atendendo aos pedidos de muitos santistas que não puderam adquirir o livro Time dos Sonhos, já esgotado, e cedendo ao interesse da Kickante, empresa especializada em crowdfunding, lancei a campanha pela reimpressão da obra que ficou conhecida como “A Bíblia do Santista”. Tenho trabalhado na recomposição do texto desde então.

Falta apenas uma semana para se encerrar o prazo dado pela Kickante. A meta estipulada não será alcançada, mas garanto que o livro será impresso mesmo assim e todas as recompensas serão dadas. Mais do que qualquer retorno financeiro, o que importa é divulgar a rica história santista, e divulgá-la da maneira como realmente ocorreu, e não como a imprensa esportiva contou.

Mesmo amigos jornalistas que julgavam já saber tudo sobre a história do Santos, ficaram impressionados com muitas das informações que leram em Time dos Sonhos. Por isso, sinto-me confortável para sugerir que, se você ainda não leu e não tem o livro, entre nessa campanha de pré-venda e garanta o seu exemplar e o seu nome no último capítulo da obra. Garanto que não se arrependerá.

História – isso ninguém vai tirar do Santos

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