Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Baixada Santista (page 1 of 2)

Um mundo sem fronteiras

Clique aqui e passe o cursor sobre o mapa do Brasil para ver a porcentagem de santistas em cada cidade do País, segundo o Facebook.

Neste mesmo momento há barcos lotados à deriva no Mar Mediterrâneo, multidões famintas vagando pelas estradas que os afastam da guerra e os aproximam da esperança.

Pessoas estão morrendo em busca da paz, do trabalho, de um lugar para viver e criar seus filhos. Como cantou John Lennon, na agonia do sofrimento mais profundo essas pessoas percebem que os homens não deveriam ser divididos por fronteiras, ideologias ou religiões.

A Hungria pertence à Hungria, a Alemanha pertence à Alemanha, ou cada pedaço da Terra pode ser habitado pelo homem?

Vejo estas cenas e não posso deixar de pensar no nosso Santos: tão pequeno e desimportante – se comparado a esse profundo drama da humanidade que se desenrola embaixo de nossos narizes e longe de nossos corações – e mesmo assim tão dividido, como se tivesse, entre o litoral e o planalto, fronteiras guardadas por arame farpado e soldados armados.

E olhe que de todos os times de futebol do mundo, um dos poucos que jamais deveriam deixar-se dividir por limites geográficos é o nosso Santos, pois jogou em todos os continentes, contribuiu como nenhum outro para unir o homem pela estética universal do futebol.

Que mundo e que Santos você quer?


Os sete desafios do Santos

Não, não me refiro ao São Paulo, nesta quarta-feira, às 22 horas, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, e tampouco ao duelo contra o Figueirense, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Falo de desafios maiores, mais abrangentes e duradouros, falo de um plano estratégico para o Santos crescer, como clube, e se manter no mais alto nível por todo o sempre. Isso será impossível, porém, enquanto algumas pendências não forem resolvidas. Para mim, as principais são as seguintes:

1 – Tornar-se especialista em eventos de futebol

A razão de existência do Santos é jogar futebol. Como se costuma dizer, o Alvinegro Praiano pode ser resumido a 11 camisas. É, dos clubes tradicionais brasileiros, o que tem a menor estrutura poliesportiva e social. Portanto, algo obrigatório no Santos é ter uma equipe de profissionais altamente especializados em organizar jogos de futebol, e isso inclui o relacionamento com sócios, torcedores, patrocinadores, jornalistas, fornecedores. E inclui também, principalmente, a administração das despesas e receitas. O Santos não pode continuar tão ineficiente a ponto de ser o clube com a menor lucratividade e a maior taxa de despesas diversas do futebol brasileiro.

2 – Aumentar, permanentemente, suas fontes de renda

O Santos é o produto e o torcedor santista é o consumidor. Há milhões deles espalhados pelo País, mas concentrados, principalmente, na Grande São Paulo, Baixada Santista, Interior de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Norte do Paraná,Leste de Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul. Muitos adorariam contribuir para que o clube seja do tamanho de seus sonhos. Essa contribuição pode se dar não apenas comprando produtos oficiais do time, mas tornando-se sócio. Veja que se um dia o Santos tiver 100 mil sócios pagando 30 reais por mês, isso resultará em um total de três milhões mensais, ou 36 milhões brutos por ano. É impossível? Claro que não. Contratem um especialista no ramo que ele consegue. Nessa questão há, ainda, um universo de possibilidades que podem e devem ser pensadas e implementadas pelo marketing. Esta é uma área que exige extrema competência e dedicação absoluta. Uma pergunta: se o grande mercado financeiro e publicitário do Brasil está em São Paulo, por que o marketing do Santos continua, preguiçosamente, sediado embaixo das arquibancadas da Vila Belmiro?

3 – Definir a questão do estádio

Na Baixada Santista ou na Capital, em que lugar o Santos atrairá mais torcedores e terá maior lucratividade mandando os seus jogos? Para que as paixões regionais não influam, sugiro a contratação de uma empresa de marketing competente e neutra. Sei que a construtora que faria o estádio em Diadema, após pesquisa de mercado, chegou à conclusão de que ele deveria ser ali para ficar no meio do caminho entre a Capital e Santos. Segundo os estudos dessa empresa, em 2004 o Santos tinha 1,5 milhão de torcedores em São Paulo e 500 mil na Baixada Santista. Como a viabilidade do estádio dependia, em um primeiro momento, da venda de camarotes, e a empresa tinha detectado que 80% dos prováveis compradores de camarotes viviam em São Paulo, o estádio tinha de ser mais perto da metrópole. Porém, e se a Prefeitura de Santos, hoje tocada pelo santista fanático Paulo Alexandre Barbosa, assumisse o projeto de uma moderna arena municipal para, digamos, 30 mil pessoas, que pudesse ser utilizada pelos clubes profissionais da cidade, entre eles o Santos, e também servisse para os eventos do município e da região? Afinal, só a soma das populações de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande dá 1,1 milhão de pessoas, com mais de 400 mil torcedores do Santos. O que não se pode é ficar empurrando a questão com a barriga. Se é um alçapão o que se quer, que se projete um novo estádio com essas características, mas o que não se pode é deixar de crescer pela limitação a um palco bem aquém do potencial de sua torcida.

4 – Quitar suas dívidas

Como a maioria dos clubes brasileiros, o Santos se conformou em ser uma agremiação deficitária, como se a má administração e o eterno endividamento provocado por ela fossem um mal impossível de ser evitado, ou tratado. Não precisa e não deve ser assim. Com as novas leis que regem o futebol, um clube endividado correrá sérios riscos de perder seu patrimônio e de amargar graves prejuízos técnicos e de imagem. Até o rebaixamento está previsto aos maus pagadores e, sabemos muito bem, essa pena só será aplicada aos clubes que não fazem parte dos privilegiados pelo sistema. Tentar conviver com uma dívida de 400 milhões de reais, que cresce a cada mês devido aos juros, é viver no fio da navalha. É preciso reduzir drasticamente esse passivo, ou, repito, o risco será enorme.

5 – Evitar a falência

Esse desafio parece ser o mesmo do anterior, mas é mais grave. Dívidas os clubes brasileiros sempre tiveram, sem que corressem o risco de fechar as portas. O Flamengo já deveu, e talvez ainda deva, um bilhão de reais, e está aí, todo faceiro, fazendo seus golzinhos de mão, sem que jamais peçam sua falência. Nem todos os clubes, porém, terão a mesma complacência de nossa legislação e de nossos imprevisíveis órgãos públicos. O exemplo do Guarani, um dos melhores times brasileiros entre o final da década de 1970 e meados da de 1980, está aí para servir de alerta. Uma das situações que gera a falência é a incapacidade de pagar as causas trabalhistas, mesmo desfazendo-se de seu patrimônio. Na verdade, a partir de um certo momento o clube é proibido de vender seus bens para pagar as dívidas trabalhistas, pois estes ficam imobilizados pela Justiça e precisam passar por uma avaliação e um leilão, processo que reduz drasticamente o seu valor real. Digamos, por exemplo, que a Chácara Nicolau Moran valha 200 milhões de reais e o Santos precise desse valor para quitar causas trabalhistas. Se o imóvel não for vendido antes dos processos, depois terá de passar por uma avaliação e por um leilão público, que acabarão reduzindo o valor do imóvel em mais de 50%. Foi assim, por exemplo, que nem a venda do Estádio Brinco de Ouro salvou o Guarani.

6 – Definir sua posição política

O sistema político vigente no futebol brasileiro interessa ao Santos? Essa relação com a Rede Globo e a CBF são benéficas ao clube? Essa é uma questão crucial para o destino do Alvinegro Praiano e não pode ser empurrada com a barriga. Nos grandes mercados mundiais do futebol, as ligas de clubes assumiram o lugar das confederações e federações no comando do esporte. Na verdade, no Brasil federações estaduais e a CBF funcionam como esses sindicatos que a gente nem sabe para que servem, mas vivem das taxas tiradas de patrões e funcionários. Se não existissem federações e nem CBF, os clubes seriam mais ricos, ou menos pobres, e poderiam reger com maior planejamento o seu destino. Onde já se viu o Santos perder o seu principal jogador para essa série de jogos caça-níqueis da malfadada Seleção Brasileira? Enfim, a Liga é essencial. Porém, se o Santos escolher aceitar o sistema atual, controlado pela tevê e pela CBF, que ao menos saiba os motivos pelos quais está tomando essa decisão. O que não pode é deixar como está para ver como fica.

7 – Elaborar seu calendário com antecedência

Um dia o presidente diz que o time vai fazer tantos jogos em arenas, tantos no Pacaembu e muitos na Vila Belmiro. Chegam as datas e a equipe não sai do velho Urbano Caldeira, lugar preferido dos jogadores e do técnico. Essa improvisação é muito prejudicial para o clube. Um calendário de jogos planejado e divulgado com antecedência permitiria à comissão técnica e aos jogadores um plano mais racional de trabalho, geraria mais ações de propaganda e merchandising, facilitaria as pautas da imprensa e, o que é essencial, propiciaria maior acesso de torcedores aos jogos. Seria possível até criar o tão sonhado carnê de ingressos para todo o campeonato, um dos segredos da grande média de público nas competições europeias.

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E você, teria outro desafio a acrescentar ao Santos?


Pesquisa do Lance diz que até recém-nascidos torcem por um time

Lance no lixo

O Jornal Lance está divulgando uma pesquisa dizendo que todo brasileiro torce por um time, mesmo os recém-nascidos. Foram ouvidas apenas sete mil pessoas de não se sabe quantas cidades. O resultado é de um empirismo total, já que a margem de erro é de imensos 1% para cima ou para baixo, o que pode mudar a posição anunciada de todos os times a partir do terceiro colocado.

O Santos mais uma vez foi prejudicado, com sua torcida colocada em décimo lugar, atrás de clubes regionais como os dois do Rio Grande do Sul e os dois de Minas Gerais. Por aí já se percebe que a pesquisa não teve a abrangência que deveria ter. De qualquer forma, a margem de erro (1%) pode colocar o Alvinegro Praiano em quinto lugar, à frente do Vasco, posição que seria mais condizente com a realidade do futebol brasileiro.

O primeiro absurdo é não levar em conta que cerca de 40% dos brasileiros não torcem para time algum, porcentagem que aumenta a cada ano. Para a pesquisa, todos os brasileiros têm um time, até mesmo os recém-nascidos. Diz a matéria do Lance: “Como em todas as outras edições da pesquisa, o Flamengo lidera o ranking. Desta vez tem 16,2% de preferência, o que equivale a 32,5 milhões de rubro-negros no país, tendo como base a estimativa do IBGE de 2013, cuja população brasileira é de 201 milhões de pessoas”.

Confira a matéria do jornal Lance sobre a “pesquisa”

Se esta pesquisa estiver correta, ao menos com relação aos índices de Flamengo e Corinthians, então o Flamengo tem 19,4 milhões de torcedores, e o Corinthians 16,3 milhões, já que no máximo 60% dos brasileiros, ou 120 milhões, torcem por um time. Pesquisas comprovam que 40% dos brasileiros não torcem para time algum. Portanto, fica mais do que evidente que essa história de 40, 30 milhões é uma balela alimentada pela mídia.

Quer dizer que pegaram a população do Brasil, simplesmente calcularam 16,2% dela, incluindo bebês, idosos, todas as mulheres, estrangeiros, homossexuais, religiosos… e chegaram ao total da torcida do Flamengo? Então, é só nascer no Brasil e já ter um time? Brincadeira… E querem que o torcedor, o leitor do Lance, leve essa pesquisa a sério? Nem que fosse um idiota completo.

Outra informação do Lance sobre a pesquisa diz que “além disso, este estudo ganha relevância por ser realizada (sic) com jovens entre 10 e 15 anos, o que não ocorre em outras pesquisas. Dessa forma, o Lance! Ibope indica as tendências de crescimento e queda das maiores torcidas do país.”

Aqui o texto é confuso. A pesquisa toda foi realizada com jovens de 10 a 15 anos, ou eles também foram ouvidos? E quantos deles foram ouvidos e de que cidades do Brasil? Isso não se diz. É estranho o Santos não estar muito bem colocado entre os jovens, pois o time comandado por Neymar e Paulo Henrique Ganso passou três anos ganhando no mínimo dois títulos por ano, entre eles uma Libertadores, enquanto o Atlético/MG ganhou uma Libertadores e já pulou seis posições?

Neste link abaixo há mais informações sobre a pesquisa e a possibilidade de comentá-la. Ela diz que na faixa etária de 55 anos para cima o Santos é o quarto, atrás de Flamengo, Corinthians e São Paulo. Até aí, repete exatamente o que vemos na Timemania. Mas na faixa de 10 a 15 anos a pesquisa coloca o Santos no décimo-quinto lugar, atrás de Bahia e Vitória, empatados em sétimo; Sport, em décimo, e Santa Cruz, em décimo-quarto. Pela pesquisa, o Santos tem apenas 440 mil jovens de 10 a 15 anos torcendo por ele em todo o País. Pelo jeito, um dos motivos para aumentar a torcida entre os adolescentes é deixar o time cair para a Segunda, ou Terceira Divisão. Ser gozado pelos colegas na escola faz aumentar a torcida. Outra estranha curiosidade é que aparecem dois times de Pernambuco na frente do Santos. Pergunta-se: que peso deve ter sido dado à população de Pernambuco, sabendo que Recife tem uma população de 1.599.513 pessoas, menor do que a Baixada Santista.
Mais informações sobre a “pesquisa” do Lance

Há menos de uma semana citei Émerson Gonçalves, estudioso do marketing esportivo e dono do blog “Olhar Crônico Esportivo”. Ao analisar os resultados da pesquisa muito mais abrangente da Pluri Stochos do ano passado, ele escreveu:

“Muito provavelmente, a presença da torcida do Santos na sexta colocação é um dos primeiros sinais da fase Robinho/Diego. Ainda é prematuro falar em efeito Neymar, uma vez que o universo pesquisado foi o de brasileiros com 16 anos e mais de idade. O crescimento da torcida provocado pelo atleta começará a aparecer nas pesquisas em 2015 ou 2016, sempre considerando o mesmo universo etário dessa pesquisa. Caso o Ibope realize nova pesquisa nacional considerando o público de 10 anos e mais de idade, acredito que o resultado de Neymar já seria visível nesse ano mesmo.”

Como se vê, o analista previa o crescimento da torcida do Santos entre os mais jovens, e o Lance vem com essa pesquisa dizendo que a torcida do Santos caiu de sexto para décimo? É difícil acreditar. A não ser que a margem de erro funcione 100%. Ou seja: o Santos não tenha 2,4% do total, e sim 1% a mais, ou 3,4%, enquanto o Vasco, quinto colocado, não tenha 3,6% e sim 2,6%. Isso deixaria o Alvinegro Praiano em quinto lugar, atrás apenas de Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, o que seria bem mais plausível.

As cidades em que essas pesquisas são feitas também são muito importantes para o resultado final, pois as capitais, sempre ouvidas, são os maiores redutos dos times locais (Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético/MG), mas a Baixada Santista, região em que o Santos tem a maioria dos torcedores, nunca é ouvida. E tem mais habitantes do que Porto Alegre. Por aí se vê que o furo é grande.

Porto Alegre tem 1.467.823 habitantes e Belo Horizonte tem 2.479.175. São os redutos dos times grandes desses Estados. Okay. Mas o Santos não é um time de capital. Seu reduto, a região onde tem um percentual maior de torcedores é a Baixada Santista, que possui 1.765.277 habitantes. Não consultar as cidades da Baixada e consultar Porto Alegre e Belo Horizonte já deixa o Santos em grande desvantagem.

O que eu quero dizer é que uma pesquisa de torcidas no Brasil não pode ser concentrada apenas nas capitais dos Estados, pois a conta não fecha. Tudo bem que o Santos tenha muitos torcedores em São Paulo, mas para efeito de torcida sua capital é a Baixada Santista e esta região tem de ser consultada em toda pesquisa de torcidas no País, só que ela não é consultada nunca. É como se tirassem Porto Alegre dos gaúchos, Belo Horizonte dos mineiros, São Paulo dos times grandes do Estado e o Rio de Janeiro dos clubes cariocas. Todos eles perderiam muito. É o que ocorre com o Santos pelo fato de a cidade de Santos e a região da Baixada Santista, estranhamente, não entrarem nas pesquisas. E só na Baixada moram 500 mil santistas.

Baixada Santista, nove cidades que, somadas, têm mais do que a população de Porto Alegre. Aqui a torcida do Santos reina. Só que nunca é ouvida nas pesquisas de torcidas de futebol. Por que será?

O engraçado é que nenhuma enquete que vejo entre jovens torcedores coloca o Santos abaixo de sexto lugar no País. Agora mesmo entrei no IG e lá estava o ranking da torcida virtual, com o Santos em sexto lugar, com mais de 8.000 votos, número superior ao total de pessoas consultadas na pesquisa do Lance. Enfim, mais uma pesquisa furada, sem critério nem abrangência.

Porém, de nada adianta brigarmos para que essas pesquisas de torcida sejam bem feitas e retratem a verdade do tamanho das torcidas de futebol do Brasil, se o santista não der demonstrações de grandeza. Por isso, volto a convocar os santistas e os blogueiros do Santos em particular, para divulgarmos o jogo que o time fará no Pacaembu, dia 6 de setembro, sábado, às 18h30, contra o Vitória. A partida encerrará o turno. Não vale nada em especial, mas seria legal se os santistas comparecessem em grande número ao Pacaembu mais uma vez. Para incentivar o time e calar a boca de alguns gênios do achismo.

E você, o que achou dessa pesquisa do Lance?


Pesquisa em capitais não mostra a grandeza da torcida do Santos


Perceba que as áreas mais densamente povoadas correspondem aos principais redutos santistas: Grande São Paulo, Grande ABCD, Baixada Santista, Interior de São Paulo, Paraná e Sul de Minas.

Outro dia anunciaram uma pesquisa de torcidas de futebol feita nas capitais do Brasil. Ora, uma pesquisa dessas está anos luz de dar uma idéia real do tamanho da torcida do Santos, que se concentra em cidades que não são capitais, as quais abrangem 75% da população brasileira.

Como se pode ter uma idéia exata da grandeza da massa santista sem consultar a Baixada Santista e o Grande ABCD? A primeira reúne nove cidades, tem 1,6 milhão de habitantes e o Santos detém a maioria dos torcedores. O Grande ABCD, outro notável reduto santista, por figurar justamente entre as cidades de Santos e São Paulo, congrega sete municípios, que somam 2,5 milhões de habitantes.

Juntos, ABCD e Baixada Santista têm 4,1 milhões de habitantes e, se fossem uma única cidade, seriam a terceira mais populosa do Brasil, atrás apenas de Rio de Janeiro (6.355.848) e São Paulo (11.316.149). E se fossem um Estado, teriam mais habitantes do que outros 14 Estados brasileiros.

Há ainda inúmeras cidades com contingentes enormes de santistas que não são capitais, mas têm mais habitantes do que muitas que são. Guarulhos, com 1.233.436 habitantes, e Campinas, com 1.088.000, são mais populosas do que 14 capitais; Osasco (667.826), Ribeirão Preto (612 mil), Uberlândia (611 mil) e Sorocaba (593 mil) têm mais habitantes do que oito capitais; Londrina (511 mil), mais do que seis; e mesmo nossa querida São José do Rio Preto (e Branco), com 412 mil pessoas, é mais populosa do que quatro capitais.

Talvez por não ser também uma capital de estado, o Santos atrai mais a simpatia dos habitantes de cidades que, mesmo populosas, não são capitais. Sempre que joga nestas cidades citadas, os santistas são maioria – como aconteceu recentemente em Uberlândia, contra o América/MG. Portanto, uma pesquisa que só ouça habitantes de capitais é inconclusiva.

Timemania é única enquete abrangente de torcidas

Por ouvir dezenas de milhões de brasileiros e por atingir 62,8% dos municípios do País – ao contrário de pesquisas que ouvem no máximo pessoas de 2,5% das cidades brasileiras – e por ter resultados consistentes, que se mantém uniformes com o tempo, a Timemania é, sem qualquer dúvida, a única enquete fidedigna de torcidas de futebol.

E ela aponta, há 21 meses, o Santos como o terceiro time mais querido do Brasil. Para mim, seu resultado é irrefutável. No dia em que fizerem uma pesquisa realmente abrangente, a verdadeira dimensão da torcida do Santos ficará comprovada também por esses institutos de pesquisa.

O que você acha de uma pesquisa de torcidas de futebol que só ouve pessoas que moram nas capitais e “esquecem” as cidades dominadas por santistas?


O estádio do Santos tem de ser o estádio da Baixada Santista


Baixada Santista, nove cidades, 1,663 milhão de habitantes. Um mercado bem maior para o Santos.

Esta semana o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, voltou a falar dos planos de se construir um estádio, em Santos, para 40 mil pessoas. Acho que este estádio só teria sentido econômico se não fosse apenas da cidade de Santos, mas sim da Baixada Santista. Explico…

Segundo o Censo do IBGE do ano passado, Santos tem apenas 419.577 habitantes e é a décima cidade paulista em população. Tem 1/25 dos habitantes de São Paulo, 1/3 de Guarulhos, menos da metade de Campinas e foi superada até por Sorocaba, que tem 586.311 moradores.

Um estádio para substituir a Vila Belmiro só terá sucesso se não incorrer no mesmo erro da Vila Belmiro, ou seja: ser um estádio apenas da cidade de Santos. O ideal é que seja planejado para ser o estádio da Baixada Santista, não só pela localização, mas também pelos aspectos político e de marketing.

O empreendimento será viável desde que o clube consiga o apoio das nove prefeituras da região, integradas, desde julho de 1996, na “Região Metropolitana da Baixada Santista”. Com 1.663.082 habitantes, a região é a terceira mais habitada do Estado e recebe mais 1,6 milhão de pessoas nos meses de férias. Sem contar, é claro, o desenvolvimento previsto com o decantado pré-sal…

E sem contar que, se o sonhado estádio for erguido na descida da serra, estará ainda mais próximo da região mais rica e populosa do Estado, que é o ABC e a Grande São Paulo. Porém, só localização não basta. Será preciso um trabalho permanente integrado com as cidades da Baixada Santista.

Relação com as prefeituras

Luis Álvaro disse que o clube precisa de um estádio maior, pois a Vila Belmiro não comporta nem metade dos seus sócios. Concordo. Mas não se pode construir um estádio maior só por esse motivo. Os santistas estão apoiando o time porque ele está na fase final da Libertadores e pode ganhar um título que não conquista há 48 anos. A procura por ingressos não será sempre tão intensa, infelizmente.

É óbvio que se construísse o seu estádio em São Paulo, maior cidade e maior mercado do país e também o maior aglomerado de santistas no planeta (mais de 1,6 milhão), o Santos teria uma média de público maior. Mas o Santos é de Santos e quer ter a sua casa perto do mar, o que é legítimo.

Porém, a Vila Belmiro e a cidade de Santos têm se mostrado acanhadas demais para os sonhos do Alvinegro. Isso mudaria se, repito, toda a Baixada Santista encarasse o Santos como o time da região e o amparasse – em um trabalho recíproco entre o clube e as prefeituras.

A associação do Santos com as praias de São Paulo já existe e é forte, mas ainda não foi explorada suficientemente. O time pode promover a região divulgando seu turismo, participando de ações sociais – ajudando na educação esportiva dos jovens, por exemplo – e em troca teria um apoio maior das prefeituras locais, que divulgariam os jogos do Santos, as campanhas de sócios e se encarregariam de incrementar o transporte para o estádio nos dias de jogos.

Nem seriam necessários grandes movimentos, mas seria imprescindível que fosse constante, que se criasse um vínculo permanente entre o Santos e os habitantes da Baixada santista.

Só para relembrar, a Baixada santista é formada pela seguintes cidades: Bertioga (47.572 habitantes), Cubatão (118.797), Guarujá (290.607), Itanhaém (87.053), Mongaguá (46.310), Peruíbe (57.686), Praia Grande (260.769), Santos (419.757) e São Vicente (332.424).

A partir do momento em que deixe de ser encarado apenas como o time da cidade de Santos e passe a representar toda a Baixada Santista, o Alvinegro Praiano ampliará o seu mercado, o seu campo de marketing e a possibilidade de captar mais torcedores e sócios na região, onde já é o clube com o maior número de aficionados.

O que você acha da idéia de transformar o Santos no time da Baixada Santista? Isso não aumentaria as chances de sucesso do novo estádio?


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