Em que pese a boa apresentação do projeto arquitetônico da arena pela empresa Conexão, a verdade é que a imprecisão das informações, a certeza de que a Portuguesa Santista não concordou com o negócio, o segredo com relação ao investidor e a forma longa e penosa como o Santos pagaria pelo estádio deram à boa parte dos conselheiros presentes à assembleia de ontem do Conselho Deliberativo a impressão de que tomaram o nosso tempo para um enorme balão de ensaio. Não vejo nenhuma possibilidade concreta de que o clube mergulhe nessa aventura ainda menos palpável do que o fatídico Parque Balneário, que, pelo menos, existia de verdade.

Se sem o consentimento da Portuguesa Santista o negócio não sai, por que apresentar um projeto que ainda não tem o aval desse parceiro? Outra questão preliminar não esclarecida é se a área é de proteção ambiental ou não. Alguns defendem que esse é outro empecilho. Há ainda o problema do barulho, que pode atrapalhar a vizinha Santa Casa.

Quanto ao investidor, foi dito apenas que se trata de “um brasileiro que detém 40% de um capital americano”.

O estádio teria capacidade para 27.200 pessoas e 2.000 vagas de estacionamento. Disseram que o clube não pagaria nada, mas ficou evidente que o Santos teria de mandar todos os seus jogos nessa nova arena e, uns poucos, na Vila Belmiro. O nome do Pacaembu nem foi citado e só lembrado depois que alguns conselheiros perguntaram se o Santos não jogaria mais em São Paulo.

Para mim, ficou claro que se a arena sair, o Santos dificilmente mandará um jogo na capital, virando as costas para o seu maior mercado consumidor, com um potencial de público e poder aquisitivo no mínimo seis vezes maior do que o dos santistas da cidade de Santos.

Disseram que o Santos não pagará um tostão pela arena, mas é claro que isso é uma balela, pois o time teria de jogar seguidamente no estádio para amortizar o investimento do grupo, e nos primeiros cinco anos só receberia 12,5% do lucro, o que é menos da quarta parte do que recebe hoje para jogar na Vila Belmiro e no Pacaembu. Só depois de 20 anos passaria a receber 40% do lucro, se é que ainda estaria vivo até lá.

Como precisa muito de dinheiro para pagar suas dívidas imediatas, cujo total chegará a 420 milhões de reais ao final do ano, envolver-se em um negócio que custará 465 milhões e demorará no mínimo 30 anos para ser pago é correr um risco enorme. Espero que os conselheiros não aprovem essa aventura e, caso o presidente assine o contrato por sua conta, que ele coloque seus bens pessoais como garantia de que o Santos não será prejudicado. Essa arena equivale a 11,5 Leandros Damiões!

Para se ter uma ideia do mau negócio que essa arena representa, basta lembrar que de uma renda líquida de um milhão de reais, o Santos só receberá 125 mil!

Causou-me estranheza, ainda, a falta de qualquer pesquisa com o torcedor e o sócio do Santos. Acompanhei os trabalhos do estádio em Diadema, que acabou não saindo, e sei como as pesquisas de mercado foram feitas para se provar a viabilidade do projeto.

É preciso saber que público e com que frequência deverá visitar a arena, quanto estará disposto a pagar pela entrada e muitos outros detalhes antes de se estabelecer um lugar para a construção de uma praça de esportes que acompanhará o Santos por décadas.

Esperam, por exemplo, que o ticket médio dobre de 44 para 80 reais, mas será que o santista da Baixada está disposto a pagar isso? E o de São Paulo, será que pagaria tanto, já que teria ainda as despesas de pedágio, gasolina e estacionamento?

Na minha vez de falar coloquei as questões que cito aqui e lembrei que o clube tem outras prioridades no momento, que são: Conseguir o decantado patrocinador máster, multiplicar a quantidade de sócios e faturar mais com a arrecadação de seus jogos. Entrar em um negócio que, em um primeiro momento, reduzirá as suas receitas e o afastará de seu maior mercado consumidor, é loucura.

Bem, mas foi apenas uma apresentação. Deverá ser organizada uma comissão de conselheiros para analisar a viabilidade dessa arena. A conselheira Neli Faria lembrou a Modesto Roma que ele só tem mais um ano e meio de mandato e não deveria entrar em um negócio que só poderá ser terminado por seus sucessores.

Fui embora depois da meia-noite e não ouvi todos os conselheiros inscritos para falar. Porém, creio que os temas debatidos não se alteraram muito. O mais difícil de tudo isso é saber que essa diretoria não faz o que é sua obrigação e fica procurando chifre em cabeça de cavalo para criar factoides e desviar o foco de sua profunda incompetência.

E você, o que acha disso?

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