Alguns santistas ficaram bravos comigo, decepcionados mesmo, por eu ter escrito que o que interessa agora é concentrar as forças na busca do histórico e praticamente secular tetracampeonato paulista. Querem mudanças drásticas e rápidas no time e, entre elas, a troca do técnico. Pois, na minha breve vida ligada ao futebol, aprendi que mudanças em horas erradas são piores do que as não mudanças.

Perceba, amigo leitor e amiga leitora, que os times vitoriosos têm algo em comum, assim como os fracassados. Os vitoriosos mantêm uma estrutura por mais tempo, seguem uma filosofia de trabalho contínua, enquanto os fracassados estão tentando pular daqui para ali a todo o momento.

Obviamente não sou contra as mudanças, mas não acredito que precisem ser radicais. A vida ensina isso. Vejo o Grêmio em ação e olhe quem vai pela extrema-direita e cruza para outro ex-santista marcar. Esfrego os olhos e confirmo: Pará fez jogada de craque, passou pelo marcador, e deu cruzamento preciso para Zé Roberto empurrar para as redes do adversário. E no Santos não temos, hoje, um lateral-direito que, ao menos nos últimos dez jogos, tenha feito isso.

Portanto, sou contra mudanças radicais, a não ser que o momento exija, que nossos pés estejam tocando na lama escura do fundo do poço, o que ainda não é o caso do Santos. Posso parecer otimista demais, até ingênuo, mas algo me diz que Montillo, Cícero e Marcos Assunção ainda darão grandes alegrias aos santistas. Sem contar que continuo confiando em Miralles, Patito, Felipe Anderson, Victor Andrade e Gabriel, Giva, Gustavo Henrique, Jubal, Émerson Palmieri, Leandrinho, Pedro Castro…

De repente um jogador se entrosa com outro, esses dois com mais outro e a coisa começa a fluir. Por exemplo: acho que Miralles e Felipe Anderson se entendem. Sempre que estão em campo fazem alguma coisa de bom, como aquela tabela que terminou em um golaço contra o Cruzeiro, lembram?

Enfim, as peças do quebra-cabeça estão aí. Resta esperar que nosso professor ponha seus neurônios para funcionar. Que jogador combina com qual? Que formação seria a mais eficiente para o Santos? Como motivar esse time, se é que precisa, em busca de um título que só se vê de 96 em 96 anos?

Por outro lado, amigo e amiga, olhe ao seu redor e veja times que vinham vencendo seguidamente começarem a perder. Essa é a lei inexorável do futebol. Ou você acreditou que o Barcelona poderia se comparar ao Santos dos anos 60? Ou, ainda, que Fluminense e Corinthians continuariam como os melhores do Brasil, como em 2012?

E aí, que tal dar um crédito de confiança a este Santos?