Essa garotada do Sub-13 é infernal. Joga muito e põe o adversário na roda!


Meninada do Sub-11 jogou melhor e merecia o título, mas nessa idade títulos não importam, o que vale é saber jogar futebol, e isso eles sabem.

Os campeões de 1935 nos braços do povo

Por Guilherme Gomez Guarche

O amigo Guilherme Gomez Guarche é o responsável pelo Departamento de Memória e Estatística do Santos e autor de vários livros que abordam a história do clube. Por um erro imperdoável meu, deixei de publicar, ontem, um texto que o Guarche já havia me enviado há dias sobre a chegada da delegação santista à cidade, depois de conquistar o título paulista de 1935.

O emocionante texto está no livro publicado por Guarche em 2002: “O Melhor do Século nas Américas”, e foi extraído do jornal A Tribuna, edição de 18 de novembro de 1935.A matéria aborda a chegada da delegação santista, que chegou à noite na estação do Valongo, em frente onde está situado o Museu Pelé. Segue o texto:

“O feito brilhante do Santos, no campeonato da Liga Paulista, este anno encheu de justo contentamento a população esportiva da cidade. Nunca se constataram no terreno do esporte tantas e tão vivas demonstrações de enthusiasmo. Logo que os radios annunciaram a victoria final, as ruas começaram a movimentar-se, como se qualquer coisa de anormal e estranho houvesse acontecido.

Em pouco tempo, a praça Ruy Barbosa, em frente ao “Café Paulista”, estava repleta de pessoas, e à medida que se aproximava a hora da chegada da delegação, o publico ia aumentando. Tomaram-se preparativos para que a recepção fosse condigna. Duas bandas de musica esperavam os campeões.

Estenderam-se cartazes na rua do Commercio, por onde deveriam passar os jogadores. De tudo se cuidou com carinho. Todos se interessavam pelo brilhantismo da chegada do alvi-negro. Não havia clubismo. Elementos de todos os gremios se faziam representar na estação da inglesa. Era uma victoria do Santos e da cidade de Santos.

Innenarravel o que se passou quando o comboio que conduzia o Santos deu entrada na “gare”. Os jogadores campeões foram como que arrancados dos carros e trazidos para a rua. aos hombros dos aficionados. Flôres cobriam os defensores do Santos. A satisfação era indisfarçavel. Abraços e mais abraços. Vivas e hurras. Contentamento geral.

As bandas de musica executaram as primeiras marchas e ahi o enthusiasmo attingiu o auge. Espectaculo indescriptivel. E a multidão começou a caminhar vagarosamente, em demanda da cidade, engrossando cada vez mais, vivando sempre os campeões.

Na praça Ruy Barbosa subiram ao ar muitos foguetes. Os jogadores conduzidos nos hombros dos torcedores, e assim vieram até a redação desta folha. Ahi fizeram uma parada e foram saudados.

Os milhares de manifestantes dispersaram-se sómente depois que os jogadores deram entrada na séde do clube, onde se repetiram, com a mesma intensidade, as grandes manisfestações de enthusiasmo.

Em todo esse enthusiasmo pela victoria do Santos não se póde esquecer a figura dedicada de Virgílio Pinto de Oliveira (Bilu), a quem coube, nesta temporada, o difficil encargo de tudo prover technicamente na turma do Santos.

Foi elle quem, com acertadas medidas, óra modificando, óra incluindo novos elementos, incentivando-os e animando-os, conduziu o time do Santos à victoria final.

Dentre os elementos por elle “descobertos” destacam-se Mario Pereira, que, ainda militante no quadro juvenil, no anno passado, se tornou em curto espaço de tempo campeão paulista. Os progressos do “mignon” futebolista foram rapidos e hoje póde ser considerado um dos titulares da equipe.

São campeões paulistas de 1935 os seguintes jogadores: Cyro, Neves, Meira, Agostinho, Ferreira, A. Figueira, Marteletti, Jango, Sacy, Mario Pereira, Biruta, Delso, Raul, Araken, Sandro, Logu e Junqueirinha.

Raul também é campeão secundario da cidade”.

SÓ ATOS POLÍTICOS IMPEDEM A ESPANHOLIZAÇÃO

Não há argumentos de mercado para justificar a Espanholização que a Rede Globo quer implantar no futebol brasileiro. Como todos já sabem, a diferença dos números do Ibope não justificam a enorme discrepância nas cotas que a Globo oferece a seus dois clubes escolhidos e aos demais grandes do futebol brasileiro. A Espanholização tem sido movida por interesses políticos e só poderá ser freada por atos políticos dos clubes e dos torcedores prejudicados.

Não procure nos méritos técnicos os motivos que fizeram de um clube rebaixado em 2007 um dos mais ricos do País em apenas oito anos. Também não procure só na boa administração as causas da ainda tênue recuperação financeira do Flamengo. Há um claro interesse político por trás desses fenômenos – perfeitamente compatíveis com a filosofia do populismo e do assistencialismo que vive o País.

Todo especialista em marketing esportivo sabe que os modelos mais bem sucedidos de campeonatos nacionais de futebol são os de Alemanha e Inglaterra, nos quais o dinheiro da tevê é dividido irmanamente entre os participantes. Todos sabem ainda que o equilíbrio entre os rivais é o segredo das grandes competições do esporte norte-americano. Em nenhum país em que o esporte é tratado de forma profissional e responsável estimula-se o desequilíbrio de forças, pois qualquer hegemonia acaba se tornando improdutiva para o espetáculo.

No Brasil, percebe-se claramente o uso de dois pesos e duas medidas. A mesma Globo que mandou esconder o nome do estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, agora se oferece para ser parceira no estádio do alvinegro de Itaquera. Essa parcialidade, de um canal de tevê que detém os direitos de transmissão do futebol nacional e deveria tomar uma atitude neutra na cobertura dos eventos, é decepcionante, revoltante e sem precedentes na história do jornalismo brasileiro.

Portanto, não adianta recorrer à história, aos índices de audiência, aos títulos e às verdadeiras dimensões de cada torcida. O poder do futebol, capitaneado pela Globo, que há muito deixou de ser uma empresa jornalística neutra para se tornar uma sócia manipuladora do futebol nacional, já definiu suas próximas cartadas. Nada do que se disser, nenhum fato ou argumento, mesmo incontestáveis, demoverá essa organização de seguir no seu plano de criar profundos contrastes no antes competitivo futebol nacional.


Placas do Allianz Parque cobertas por ordem da Globo.

Se os clubes espanhóis pudessem voltar no tempo…

Imagine se os clubes espanhóis, que hoje vivem das migalhas de Real Madrid e Barcelona, pudessem voltar ao tempo em que se intensificou o processo que os marginalizou das disputas dos títulos mais importantes. Certamente teriam feito algo mais radical, como criar uma liga e ameaçar excluir os dois privilegiados, caso não concordassem com uma divisão mais justa do dinheiro da tevê.

Seria um gesto extremo, polêmico, talvez prejudicial a todos durante algum tempo, mas que depois se revelaria fundamental para salvar o futebol espanhol e devolver a clubes como Sevilha, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Valencia, La Coruña e outros o direito de continuar sonhando com vitórias e títulos hoje inacessíveis.

Sabemos que hoje a Espanholização restringe de tal maneira as alternativas do futebol espanhol, que até os dois clubes beneficiados estão preocupados com a fraqueza de seus concorrentes e a consequente falta de competitividade interna. Para que o futebol brasileiro não mergulhe rapidamente nessa mesma armadilha, alguma coisa tem de ser feita. Já!


Deportivo La Coruña campeão há 15 anos: uma foto que deve ser guardada com carinho, pois dificilmente se repetirá.

O que os clubes devem fazer para brecar a Espanholização?