Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Barcelona. Mundial da Fifa

Show da torcida do Santos e aula do Barcelona

O que se viu na final do Mundial da Fifa não foi apenas a vitória de um time sobre o outro, no caso a vitória do Barcelona sobre o Santos, por inapeláveis 4 a 0. Foi o triunfo de uma escola de futebol moderna, participativa, sobre outra, que não parece ter fôlego para acompanhar os novos tempos.

Em outras palavras, a derrota do Santos não foi só do Santos, mas do futebol brasileiro e sul-americano, que não tem um outro time, nem mesmo uma seleção nacional, capaz de fazer frente a uma equipe que joga como o time catalão. Sim, porque é possível ter jogadores até melhores do que os do Barcelona, mas o difícil é implantar neles a solidariedade, o jogo coletivo que lá é praticado naturalmente.

Perceba que o jogador do Barcelona parece descansar com a bola nos pés e, por outro lado, não para um segundo quando está sem ela. Está em constante movimento. Há a preocupação de ser, sempre, uma boa opção para o passe, assim como há a obsessão de não dar um segundo para o adversário raciocinar. Todas as vezes em que tiveram a bola, os santistas foram acossados imediatamente, mesmo com falta.

Para se jogar assim, é preciso não só ter jogadores habilidosos, com ótimo controle de bola, como homens de espírito solidário, que se entregam à luta sem preguiça e seguem à risca as orientações táticas. E, o que é essencial, que joguem juntos há muito tempo, de preferência desde as equipes de base.

Confesso que imaginei um jogo mais equilibrado, que pudesse ser decidido em um passe de Ganso, uma penetração de Borges ou uma bela jogada de Neymar. Mas o ataque do Santos, muito bem marcado, criou poucas chances. Também imaginei que o Alvinegro Praiano pudesse suportar melhor o ataque do Barcelona, mas os 3 a 0 ao final do primeiro tempo já definiram a partida.

O que se previa, aconteceu: o time espanhol teve cerca de 70% do tempo de bola o tempo todo, e o Santos só tentou fazer a marcação na saída de bola no começo do jogo. Depois, ou por falta de condição física, ou por preguiça, não apertou mais os zagueiros do Barca, o que começou a definir o jogo.

O Santos fez o que pôde

Talvez o Santos pudesse ter contratado melhores jogadores para este Mundial, já que Ibson, Alan Kardec e Henrique pouco acrescentaram à equipe que foi campeã da Libertadores; talvez Muricy Ramalho pudesse ter armado uma tática mais eficiente, atacando ou se defendendo melhor; talvez o Santos tenha sido polido demais, a ponto de evitar fazer faltas no adversário; talvez se Durval não tivesse falhado nos dois primeiros gols; talvez se Neymar tivesse aproveitado o primeiro contra-ataque; talvez, talvez… Mas a verdade é que esta vitória não se deve apenas aos problemas do Santos, e sim aos méritos do Barcelona.

Nenhum outro time brasileiro, nem mesmo a Seleção de Mano Menezes, teria qualquer chance contra a equipe que hoje, com toda a justiça, se tornou campeã mundial pela segunda vez. Não é, repito, uma questão de jogadores ou sistema tático; é questão de escola de futebol, de filosofia implantada desde as categorias de base.

No Brasil e na América do Sul é possível ser campeão com uma zaga que despacha a bola, um meio-campo de brucutus e um ou outro atacante habilidoso e oportunista. Outras vezes é possível ganhar jogos apenas com a decantada bola parada. Mas para derrotar uma equipe como o Barcelona é preciso muito mais.

Como se temia, o ótimo toque de bola do Barça foi minando a resistência e a moral dos santistas, até que em determinado momento o jogo parecia um treino, muito distante do choque do século que imaginávamos. E por isso nem deu para comparar Neymar e Messi. Só o argentino jogou. Neymar pegou tão pouco na bola que o troféu de bronze, que recebeu como o terceiro melhor jogador do Mundial, se deveu mais às suas façanhas anteriores do que ao futebol que mostrou hoje.

Hora de rever conceitos

Mas Neymar foi muito maduro na entrevista após o jogo. Disse que, assim como Pep Guardiola, que aprendeu muito com duas derrotas em finais do Mundial, o Santos também aprenderá e voltará mais forte para uma nova disputa, quem sabe já no ano que vem.

O problema é que mesmo com esse time que hoje tomou uma aula do Barcelona, o Santos pode voltar a ganhar tudo no Brasil e na América do Sul em 2012, já que no continente não há nenhuma equipe que pratique um futebol que se aproxime do time espanhol. Porém, se quer se manter entre os melhores do mundo, será preciso rever conceitos.

Não dá para insistir com zagueiros lentos e jogadores de meio-campo que não se apresentam para o jogo. Não dá para basear sua tática na espera de um lance genial de Neymar ou Ganso, ou em um chute de Danilo, que nem estará mais no time no ano que vem.

É óbvio que este estilo de jogo que prioriza a posse de bola se espalhará pelo mundo. Está provado que pode ser muito eficiente. Quem sabe seja o caso de o Santos começar a estudar a sua implantação nas categorias de base e nas escolinhas.

No mais, acho que a diretoria fez o que pôde para dar à comissão técnica e aos jogadores todas as condições para disputar o Mundial. O Santos marcou sua presença no Japão como um clube poderoso e organizado. Estou certo de que isso dará frutos.

Por fim, deixo um elogio à apaixonante torcida do Santos que compareceu ao estádio de Yokohama. Foi emocionante ouvi-la, sem esmorecer um só segundo. Neste quesito o Santos sempre estará entre os melhores do mundo.

E você, o que achou do Santos no Mundial?


O Peixe vai virar Dragão! E a raposa cairá no buraco…


Dragão branco, o mais veloz. Cadê a raposa? Caiu no mar…

Um vidente chinês em Yokohama, cidade japonesa com muitos chineses, disse exatamente a frase que está neste título. Sobre a decisão do Mundial da Fifa, entre Santos e Barcelona, o velho homem previu que a carpa (peixe) viraria dragão e a raposa cairia no buraco.

Isso quer dizer que o Santos se agigantará, jogará o seu melhor futebol, enquanto o Barcelona não conseguirá surfar como faz na Europa e sucumbirá diante da força e da arte dos sul-americanos.

Uma curiosidade: o Dragão branco é o mais veloz, justamente a qualidade que Muricy Ramalho quer ver no Santos contra a raposa, ou melhor, o Barcelona. É apenas uma coincidência? Não sei.

Só sei que pressinto uma partida equilibrada, com dois grandes times buscando a vitória com os recursos que têm. Prevejo um jogo de gols para os dois lados. Um, dois?. Não sei. Só sei que vejo mais de um gol santista de bolas espirradas, impossíveis, frutos mais de garra do que de técnica.

Mas vejo também uma grande jogada de Neymar que resultará em gol. Então, serão mais de dois gols santistas? Por que não? E a ardilosa raposa, também fará das suas? Sim, mas o que pode uma raposa diante do poder magnífico de um dragão? Por isso, o bichinho acabará caindo no buraco.

Porque o grande jogo não será decidido apenas pela esperteza (tática) ou pelos malabarismos (técnica), mas sim pela vontade, entusiasmo, coração. E um Dragão branco tem o coração ardente, pegando fogo. Um Dragão branco, quando ataca, é rápido, eficaz e transforma seus adversários em cinzas.

E você, acha que o duelo do milênio dará dragão ou raposa?


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