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Força Santos! O duelo no Sul vale muito para o Alvinegro Praiano

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Faltou só um pouquinho. De coragem, competência e sorte.

Com gols de Souza, aos 9, e Werley, aos 43 minutos, ambos no segundo tempo, o Grêmio, que manteve muito mais tempo a posse de bola, venceu o Santos por 2 a 0, na Arena do Estádio Olímpico, e se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Mas, por incrível que pareça, se tivesse um pouco mais de coragem, competência e sorte, o Alvinegro Praiano é quem estaria classificado.

Primeiro, vou falar da sorte. Perder Montillo, que vinha sendo o destaque do time, logo aos 22 minutos, foi de amargar. O argentino, eu estava armando bons contra-ataques, corria livre pela esquerda, à espera do passe de Gabriel, quando sentiu a coxa, caiu, e teve de ser substituído. Léo Cittadini entrou no seu lugar. Montillo vinha se empenhando nos jogos sem nada sentir… Paciência, teríamos a chance de ver Cittadini.

E agora vou falar de competência. Pra começar, Cittadini mal tinha entrado e, aos 28 minutos, apareceu livre, na pequena área, para cabecear uma bola para o gol de Dida. Poderia repetir o gol contra o Crac, quem sabe. Mas a cabeçada saiu alta, por cima do travessão.

Aos 20 minutos o Santos já tinha perdido a chance mais clara de gol do primeiro tempo, quando Thiago Ribeiro recebeu com liberdade pela direita, penetrou na área e, em vez de chutar, preferiu passar para Gabriel, que entrava pelo meio. O garoto jogou a bola pro fundo das redes,mas o gol foi acertadamente anulado, pois estava impedido.

Antes de o Grêmio abrir o marcador, no segundo tempo, Gabriel teria outra oportunidade de ouro. Aos 6 minutos Bressan recuou mal e o atacante santista roubou a bola, driblou Dida e, com pouco ângulo, tentou cruzar nem perceber que não tinha ninguém na área. O certo seria ter batido de três dedos e tentado o gol dali mesmo. Faltou habilidade e confiança

Surgiria outra boa chance aos 37 minutos do segundo tempo. Everton Costa, que entrara no lugar de Gabriel 14 minutos antes, pôde bater a gol de dentro da área, mas o chute saiu cruzado, para fora.

Quanto à falta de um pouco mais de coragem, esse pecado ficou com o técnico Claudinei Oliveira, que aos 34 minutos do segundo tempo, diante das câimbras de Renê Junior, preferiu colocar Neto nos eu lugar e formar uma linha de zagueiros. Ora, dificilmente o Santos joga com essa tal linha de zagueiros. O resultado foi que o time ficou ainda mais recuado e o montão de zagueiros bateu cabeça no segundo gol do Grêmio, no qual Pará – ele mesmo – encontrou Werley livre quase na marca do pênalti, para erguer a cabeça e colocar no canto direito de Aranha.

O que Claudinei poderia fazer? Colocar Leandrinho, que ao menos daria um toque de bola um pouco melhor pelo meio, com possibilidades de armar alguma jogada ofensiva. Não se pode esquecer que se encaixasse apenas um ataque bem-sucedido, o Santos estaria classificado. Neto, repito, só se embolou com Durval, Gustavo Henrique e Alison lá atrás.

Sem opção ofensiva, o Santos jogou os últimos minutos à espera do fim do jogo, que levaria a decisão para os pênaltis. Mas sempre que um técnico toma essa decisão chama o adversário pra cima e sofrer ou não o gol passa a ser questão de detalhes.

De qualquer forma, apesar da má sorte da contusão de Montillo e do domínio do adversário, o Santos fez o que pôde diante das circunstâncias, teve ao menos quatro chances de gol e, caso marcasse apenas um, estaria classificado, já que ficaria com a vantagem do gol fora de casa.

Apesar na noite fria, 26.900 pessoas pagaram ingresso para ver um duelo que foi bem disputado, mas tecnicamente já teve dias melhores – pois a verdade é que esse Grêmio, apesar de ter vencido as últimas quatro partidas no Campeonato Brasileiro, é uma equipe limitada e reflete a queda de nível de todos os times grandes do Brasil.

Para o Santos, ficam as preciosas lições que uma derrota sempre traz – lições que ele poderá pôr em prática no Campeonato Brasileiro, a competição que realmente merece toda a concentração possível.

E pra você, que lições o Santos tirou dessa derrota?

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Gabriel vai pro jogo. Léo Cittadini espera a sua vez (Foto: Ivan Storti/ Divulgação Santos FC)

Enfrentar o Grêmio em Porto Alegre foi, é e sempre será uma missão difícil, que exige doação e valentia, mas também coragem e inteligência. Quando santistas e gremistas estiverem entrando em campo para o jogo que se iniciará às 21h50m, aquele frisson que antecede os grandes jogos tomará de assalto milhões de amantes do futebol. O empate classifica o Santos para a próxima fase da Copa do Brasil, mas eu nunca escreveria “apenas” o empate, pois hoje mesmo este resultado não será conseguido sem muita dedicação (o leitor Luiz Fernando informa que “o jogo será transmitido para a Baixada Santista e para o Rio Grande do Sul pela Rede Globo. Na tevê fechada passará apenas no SPORTV 4, que será aberto temporariamente em um dos canais que transmitem o PFC. Na Sky passará no 124 e nas demais operadoras os assinantes devem ligar para saber em qual canal passará.”).

Na verdade, o time que joga pelo empate jamais deve jogar apenas pelo empate, pois isso tolheria sua ambição ofensiva de tal forma, que se veria pressionado o tempo todo pelo adversário. O Santos deve estar preparado para se defender, sim, mas com mentalidade ofensiva.

Um time que pode contar com a habilidade e a visão de jogo de Montillo, a experiência e o bom chute de fora da área de Thiago Ribeiro, a veloz impetuosidade de Gabriel e ainda as avançadas de Montillo, não pode se abster de marcar gols (eu havia informado que o Marcos Assunção deveria ser escalado no lugar de Alan Santos, que machucou os dedos do pé em um ensaio de teatro, mas as últimas informações dão conta de que Renê Junior é que deverá entrar, já que o time terEa de marcar bem no meio-campo. Gosto da voluntariedade do Renê, mas ele deve tomar cuidado, pois chega muito pesado e o jogo de hoje poderá ser catimbado, o que provocará muitos cartões).

Não, não sou um otimista babaca. Sei das limitações do Santos e do perigo que o time correrá hoje, diante de tão tradicional adversário. Mas acredito no sucesso do Santos nessa quarta-feira, pois o esporte já me deu – como torcedor, jornalista e praticamente – exemplos suficientes para jamais aceitar uma derrota, ainda mais na véspera.

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A bela arena do Grêmio sendo preparada para o jogo desta noite (Foto: Omar Freitas/ Agência RBS).

O ágil Santos contra o milionário tricolor do Sul

Com Galhardo pela direita e Mena pela esquerda; Alison, Cícero e Montillo no meio e Gabriel e Thiago Ribeiro no ataque, o Santos de Claudinei Oliveira está se tornando mais leve, mais rápido na saída da defesa para o ataque. Essas alternativas ofensivas serão importantes, pois um gol obrigará o Grêmio a marcar três para se classificar.

Sem Elano e Zé Roberto, o tricolor do Sul – que mesmo enxugando a folha de pagamentos, ainda a estabilizou em R$ 6,7 milhões atuais – dependerá muito de dois atacantes fixos, Kléber e Barcos. No mais, com exceção do goleiro Dida, o elenco dessa partida é no máximo de qualidade similar à do Santos.

Se não der 15 minutos de bobeira – daqueles em que saem mais de um gol e decidem a partida – e mantiver o jogo equilibrado o tempo todo, o Alvinegro Praiano terá boas chances de sair de Porto Alegre com uma classificação importante, pois dará mais confiança ao grupo também no Campeonato Brasileiro.

O Santos deverá jogar com Aranha, Galhardo, Durval, Gustavo Henrique e Mena; RenIe Junior, Alison, Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Gabriel. O Grêmio, com Dida, Werley, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Kleber e Barcos. A arbitragem será de Felipe Gomes da Silva (PR).

Meus Santos x Grêmio inesquecíveis

Os confrontos mais significativos entre Santos e Grêmio – até porque revelaram ao Brasil o grande time do Sul – ocorreram na semifinal da Taça Brasil de 1964. Na primeira partida, em 16 de janeiro, cerca de 50 mil pessoas proporcionaram um recorde de público no estádio Olímpico para ver o Grêmio sair na frente, com gol de Paulo Lumumba, mas depois assistir ao Santos dar um show e virar para 3 a 1, com jogadas mirabolantes de Pelé e Coutinho. Em um delas, ambos tabelaram de cabeça desde o meio de campo, até que a bola foi defendida pelo goleiro Alberto, em jogada aplaudida pela torcida contrária.

No jogo de volta, no Pacaembu, Pepe marcou, de falta, aos seis minutos, mas o Grêmio virou para 3 a 1, com mais dois gols de Paulo Lumumba. Pele diminuiu ainda no primeiro tempo e marcou mais dois na segunda etapa, em uma daquelas viradas espetaculares. No final, para completar, Gylmar foi expulso aos 41 minutos e Pelé foi para o gol a tempo de se consagrar com duas intervenções.

Em tempos mais recentes, adorei os 3 a 0 e o show de Robinho e Alberto na primeira partida da semifinal do Brasileiro de 2002; os golaços de Ganso, Robinho e Wesley na vitória por 3 a 1 na semifinal da Copa do Brasil de 2010 e aquele empate no final da partida, com um petardo de Molina.

Reveja essa preciosidade garimpada por Wesley Miranda. Grêmio 1 x 3 Santos, primeiro jogo da semifinal da Taça Brasil de 1964, recorde de público no Rio Grande do Sul:

Veja agora o sensacional jogo de volta, no Pacaembu, em outra pesquisa de Wesley Miranda:

Eu falei e não mostrei. Estão aí os gols de Grêmio 1 x 1 Santos, pela primeira rodada do Brasileiro de 2009. Rever marcou no fim e parecia que a derrota santista era certa. Mas aí o colombiano Molina acertou um balaço no ângulo do goleiro Victor. Veja:

E você, o que diz de Santos e Grêmio? Qual foi seu jogo inesquecível?


Gabriel entra e decide. Santos renovado bate o Grêmio com justiça!

gabriel
Gabriel entrou e infernizou a defesa do Grêmio (Fotos: Ivan Storti/ Comunicação Santos FC)
Gabriel, Alison e Alan Santos
Gabriel, Alison e Alan Santos – os novos Meninos da Vila pedem passagem.

O garoto fará 17 anos apenas no dia 30 deste mês. Como não esperava jogar, apesar de o clube estipular a multa de seu passe em 100 milhões de reais, foi à Vila Belmiro apenas para assistir ao jogo de ida contra o Grêmio, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Gabriel nem chuteira levou, já que Victor Andrade era o escolhido do técnico Claudinei Oliveira para ficar no banco de reservas. Mas um problema físico de última hora tirou Victor do grupo e Gabriel ocupou seu lugar. Faltando dez minutos para terminar o jogo que o Santos empatava sem gols, o técnico Claudinei resolveu tirar Neilton, que realmente estava mal, e arriscar Gabriel.

Sem pressão, o menino que não é alto (1,70m), mas bem mais atlético do que Neilton, logo na primeira bola deu uma arrancada do meio de campo que só foi parada com falta. Um minuto depois lá estava ele na área para aproveitar o bom cruzamento de Montillo e, de esquerda, colocar no canto esquerdo de Dida. Santos 1, Grêmio 0, enfim uma vitória, e justa. Depois desse desempenho, será difícil para Claudinei ignorar o talento e a personalidade deste vibrante Menino da Vila.

Mas este triunfo não se deve apenas à impetuosidade própria de um garoto acostumado a fazer gols em todas as categorias nas quais jogou. Se não foi brilhante, ao menos o Santos se mostrou mais equilibrado. Mesmo com atacantes experientes e perigosos, como Kléber Gladiador e Barcos, o Grêmio não teve muitas oportunidades, e o Santos, que jogou um primeiro tempo mais preocupado com a defesa, soltou-se um pouco mais no segundo e fez o suficiente para vencer.

Acho que Claudinei acertou ao escalar Thiago Ribeiro na frente. Ele é mais versátil e técnico do que Willian José. Pena que Neilton não esteve bem. Mas a entrada de Gabriel resolveu as coisas no ataque. Se Victor Andrade tivesse condições, também seria uma boa opção.

No meio, ficou evidente que Marcos Assunção não tem mais pernas. O time melhorou com a entrada de Leandrinho no seu lugar, e de Alan Santos improvisado no lugar de Galhardo. Alison novamente teve ótima atuação como volante, e Cícero ficou no feijão com arroz de sempre.

Na defesa, Aranha comprometeu em uma bola que espalmou nos pés de um jogador do Grêmio (que chutou por cima), mas no mais foi bem. Mena deu pro gasto pela esquerda e mostrou que faz tudo mais ou menos, porém tem algo que Léo já perdeu, que é o poder de recuperação.

Edu Dracena voltou a ser o melhor do setor e Durval foi o espalha-brasa habitual. Ambos novamente não se falaram em uma bola cruzada que pegou Kléber completamente livre embaixo do gol. Sorte que o atacante gremista cabeceou para fora.

Desta vez o Alvinegro Praiano soube tocar a bola com mais precisão e teve calma para segurar o jogo depois de fazer o gol. Por pouco, aliás, não faz mais um, aproveitando as boas triangulações entre Montillo, Mena e Thiago Ribeiro pela esquerda.

Muito disputado, o jogo chegou a ser ríspido algumas vezes, com entradas violentas de ambos os lados. O árbitro Jailson Macedo Freitas, da Bahia, deu oito cartões amarelos, cinco deles para santistas (Gabriel ganhou o dele por tirar a camisa na hora de comemorar o gol).

O público, ah.., o público foi o mesmo de sempre: 6.195 pagantes. Para o sábado, no jogo diante do Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, o clube está prometendo ingressos a 10 reais. Demorou! Mas o ideal mesmo é jogar no Pacaembu a preços populares.

Com a vitória, o Santos precisará ao menos de um empate na semana que vem, em Porto Alegre, para passar à semifinal da Copa do Brasil. Se jogar com a aplicação que demonstrou na Vila Belmiro, terá boas chances de conseguir o que para muitos era uma façanha impossível.

Ficha técnica

Santos 1 x 0 Grêmio

Oitavas-de-final da Copa do Brasil

Vila Belmiro, 19h30

Santos: Aranha; Rafael Galhardo (Alan Santos), Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Marcos Assunção (Leandrinho), Cícero e Montillo; Neílton (Gabriel) e Thiago Ribeiro. Técnico: Claudinei Oliveira.

Grêmio: Dida; Werley, Rhodolfo e Bressan; Pará, Souza, Ramiro (Lucas Coelho), Riveros (Guilherme Biteco) e Alex Telles; Kleber (Matheus Biteco) e Barcos. Técnico: Renato Gaúcho.

Gol: SANTOS: Gabriel, aos 36 minutos do segundo tempo

Arbitragem: Jailson Macedo Freitas (BA), auxiliado por Carlos Berkenbrock (SC) e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA).

Cartões amarelos: Montillo, Edu Dracena, Neílton, Durval e Gabriel (Santos); Barcos, Bressan e Kleber (Grêmio).

Público: 6.195 pagantes. Renda: R$ 173.547,00.

Reveja os melhores momentos de Santos 1 x 0 Grêmio:
http://youtu.be/TOfAjbFJqNo

Você acha que Claudinei valorizará mais os Meninos depois dessa vitória?


Se igualar na vontade e na atenção, Santos ganha do Palmeiras


Ganso e Adriano disputam bola no treino de ontem (Foto: Ivan Sorti/ Divulgação Santos FC)

Sem perder há cinco jogos – o que é uma novidade neste semestre –, hoje o Santos pode dar um passo importante rumo à uma vaga na Libertadores de 2013. Uma vitória sobre o Palmeiras, no Pacaembu representaria bem mais do que míseros três pontos. Renovaria a fá da equipe, que ainda terá todo o segundo turno para se recuperar das agruras do primeiro.

O Glorioso Alvinegro Praiano vem de três vitórias nos últimos quatro jogos pelo Campeonato Brasileiro (4 a 2 no Cruzeiro, 3 a 1 no Figueirense, fora de casa, e 3 a 2 no Corinthians. Nesse ínterim empatou com o Atlético Goianiense, no Pacaembu, por 2 a 2. Na última partida jogou melhor, mas empatou em 0 a 0 com a Universidade do Chile, em Santiago, pelo primeiro jogo da decisão da Recopa.

Time por time, o Santos está mais forte do que o adversário desse tradicional clássico paulista de tantas histórias (que Wesley Miranda conta pra gente neste post). Se igualar na vontade e na atenção e fizer com que o jogo seja decidido apenas na técnica, o Alvinegro Praino pode voltar pra casa feliz e esperançoso. Mas o Alviverde merece muitos cuidados.

Mesmo desfalado de quase um time inteiro, o Palmeiras tem um técnico ultracompetitivo e seus jogadores entram em cada partida como se a vida estivesse em jogo. Embalados por sua torcida, então, o time cresce e não para de correr. O Santos tem Neymar, Ganso, André; o Alviverde deverá viver das pontadas de Valdívia, Mazinho, Barcos… Prevejo uma luta renhida pela vitória. Mesmo considerando o Santos superior, não chego a dizer que é o favorito.

Sei lá porquê, mas a verdade é que o Palmeiras se agiganta contra o Alvinegro Praiano. Em nove partidas contra esse adversário, Neymar ganhou apenas duas – as primerias que fez – e perdeu cinco. Está certo que nos últimos confrontos o Santos entrou com o pé mole, como se o jogo não fosse tão importante. Hoje ele é, pois pode manter a sequência de bons resultados, ou jogar por terra as esperanças de lutar pelo título sul-americano no ano que vem.

Times prováveis

Palmeiras: Bruno, Luiz Gustavo, Maurício Ramos, Leandro Amaro e Juninho; Henrique e Correa; João Vítor, Valdivia e Mazinho; Barcos. Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Santos: Rafael, Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Adriano e Arouca; Patito Rodriguez, Ganso e Neymar; André. Técnico: Muricy Ramalho.
Arbitragem: Guilherme Cereta de Lima, auxiliado por Márcio Luiz Augusto e Danilo Ricardo Simon Manis.

Retrospecto dos confrontos entre Santos e Palmeiras

Por Wesley Miranda

Santos e Palmeiras já se enfrentaram em 298 jogos oficiais ao longo da história, com 91 vitórias santistas, contra 129 vitórias alviverdes e 78 empates. O Peixe marcou 435 gols e o Palestra 528.
Em campeonatos Brasileiros desde o primeiro confronto, em 1964, na semifinal da Taça Brasil, foram 59 jogos, com 19 vitórias do Santos, 17 do Palmeiras e 23 empates. O alvinegro marcou 79 gols e o alviverde 76.
De Pelé e Cia a época Parmalat, o confronto entre Santos e Palmeiras não guarda favoritismo. Quem não se lembra do modesto Santos de Guga e Almir que aplicou as duas derrotas que impediram o Palmeiras de conquistar o Brasileiro de 93 de forma invicta? Ou a Academia de Ademir da Guia, capaz de rivalizar em alguns jogos com o grande Santos de Pelé? Até mortes coletivas por ataque cardíaco como no lendário 7 a 6 do Torneio Rio-São Paulo de 1958? O clássico da saudade promete sempre grandes surpresas, emoções e muitos gols!

Os artilheiros
O artilheiro do confronto é Pelé com 33 gols! O primeiro gol do Rei aconteceu já no seu 24º jogo como profissional, e foram dois na vitória de 3 a 0 pelo Rio-SP em 15/05/57. O último gol saiu na vitória de 4 a 0 válida pelo Brasileiro no dia 20/04/74. Essa foi a 30ª vitória de Pelé contra o time palestrino, contra 15 derrotas e 8 empates.
Em seguida vem o lendário ponta Pepe com 15 gols, seguido do gênio Coutinho com 13 gols. 13 gols é a quantidade do maior artilheiro do Palmeiras no confronto, Heitor que jogou no Palmeiras de 1916 a 1931.
Jonas Eduardo Américo, o Edu com 11, o goleador Toninho Guerreiro com 10, Serginho Chulapa com 9, a lenda Araken Patusca, o primeiro “coringa” da história do Santos, Gradim*, Emanulle Del Vecchio, o pé de valsa Dorval, o fenomenal Pagão todos com 8 gols fecham a lista de maiores artilheiros do Santos no confronto contra o alviverde.

* O termo Curinga no futebol ganhou força com Lima no time mágico. Pouco antes do mineiro de São Sebastião do Paraíso, o jundiaiense Dalmo Gaspar jogava em todas as posições de defesa. Mas muitos anos antes (1936/1944) Adhemar de Oliveira, o Gradim, também conhecido como Amélia, atuava em todas as posições, especialmente no comando de ataque, onde marcou 97 gols em 271 jogos. Tamanha polivalência o levou para a Copa de 1938.

Finais e Decisões
Em jogos que valiam o título, o Santos levou vantagem no Paulista de 1968 ao ganhar o título em pleno Parque Antárctica. O Palmeiras conquistou em 1927, 1959 e em 1996.
Em decisões, a vantagem é santista, eliminando o rival nas semifinais da Taça Brasil de 64 e 65, no quadrangular do Robertão de 1968, no quadrangular do Paulista de 1969, nas semifinais do Rio-SP de 1997, do Paulista de 2000 e 2009.
O time alviverde eliminou o Santos na Copa do Brasil de 98 e no Paulista de 99, ambos em semifinais.

Primeiro confronto – Água salgada no vinho palestrino
O primeiro confronto aconteceu em 1915, e serviu de teste para qualificação. O Palestra Itália pediu sua filiação à APEA, mas a entidade exigiu um teste prático da qualidade do time para aceitá-lo, marcando um confronto contra o quadro santista, que já era sócio da APEA.
As equipes se enfrentaram no Velódromo de São Paulo em 03/10/1915, e o Santos ganhou por 7 a 0 com gols do exímio cabeceador Ary Patuska (3), o autor do primeiro gol do Santos em jogo treino Anacleto Ferramenta (2) e o autor do primeiro gol oficial Arnaldo Silveira, além de Aranha. Com esse resultado, o Palestra Itália teve de esperar mais um ano para estrear no Campeonato Paulista.

O jogo mais emocionante de todos os tempos
No dia 6 de março de 1958, Santos e Palmeiras fizeram no Pacaembu aquele que recebeu a alcunha de jogo mais emocionante da história. Tamanha foi essa emoção, que foram contabilizadas cinco ataques cardíacos de torcedores. A partida não foi valida pelo campeonato nacional, e sim pelo Torneio Rio-SP.
E quem abriu o marcador foi o Palmeiras com Urias aos 18 minutos. O empate santista veio através de um garoto de dezessete anos que já despontava como um craque, Pelé aos 21. Pagão fez 2 a 1 para o Santos aos 25, mas Nardo empatou para o Palmeiras no minuto seguinte. Então, o Santos abriu frente, e antes do termino da primeira etapa fez 5 a 2 com Dorval aos 32, Pepe aos 38 e Pagão aos 46 minutos.
No intervalo do prélio, o técnico do Palmeiras Osvaldo Brandão, teve que tirar o goleiro Edgar e colocar o jovem Vitor. O arqueiro que tinha sido batido por cinco vezes não queria voltar para o segundo tempo. Oswaldo também colocou o uruguaio Caraballo.
E o que era quase impossível, aconteceu, Paulinho aos 16 minutos, Mazola aos 19 e 27, Urias aos 34 viraram o jogo para o Palmeiras, 6 a 5.
Foi então que apareceu o canhão da Vila, José Macia, o eterno Pepe, que empatou de cabeça. Parecia bom, mas Pepe mesmo fez o sétimo tento e deu números finais: Santos 7 x 6 Palmeiras!
Pelé ainda era um menino prestes a estourar, mas nesse dia o Rei foi José Macia!
O Santos do técnico Lula formou com Manga; Hélvio e Dalmo; Fioti, Ramiro (Urubatão) e Zito; Dorval, Jair, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe.

Primeiros duelos em Brasileiros
Santos e Palmeiras se encontraram pela primeira vez em Brasileiro pelas semifinais da Taça Brasil 1964. Então atual campeão Paulista de 1963, o Palmeiras garantiu o direito de estrear nas semifinais. O Santos, tricampeão da Taça Brasil, venceu os dois jogos das Quartas-de-finais contra o campeão mineiro de 1963, o Atlético (4×1 e 5×1).

Taça Brasil 1964 – Duelo de Titãs
Na primeira partida, no dia 04/11, no Estádio do Pacaembu, o Santos venceu por 3 a 2 com gols de Coutinho, Pepe e Pelé. Gildo e Ademir da Guia marcaram os tentos palmeirenses.
O alvinegro formou com Gilmar, Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Pepe.
Antes da segunda partida, no dia 07/11, as equipes se enfrentaram na Vila Belmiro pelo Campeonato Paulista, e a vitória do Palmeiras por 3 a 2 fez aumentar a esperança da torcida alviverde. Coutinho marcou os dois gols do Santos na despedida do zagueiro Calvet.
Mas na segunda partida, disputada no dia 10/11, novamente no Estádio do Pacaembu, o time santista entrou com brio e goleou seu grande rival por 4 a 0 com gols de Pepe(2) Peixinho e Coutinho.
O Santos formou com Gilmar, Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Peixinho, Coutinho, Pelé e Pepe.
O Santos terminou com o tetracampeonato Brasileiro em cima do Flamengo.

Taça Brasil 1965 – Bis
Para se encontrarem novamente na semifinal da Taça Brasil, o Palmeiras, vice campeão Paulista de 1964, teve que despachar o bom Grêmio em uma melhor de três jogos (4×1,1×5 e 2×0). O Santos detentor do título Brasileiro e Paulista, se garantiu nas semifinais.

Show de Guerreiro
No dia 03/11, no Estádio do Pacaembu, o Santos venceu a primeira partida das semifinais por 4 a 2 com 3 tentos de Toninho Guerreiro que fez uma de suas melhores exibições. O ponta esquerda Abel também deixou o seu. No lado alviverde os gols foram de Ademar Pantera e Rinaldo.
O Peixe formou com Gilmar; Carlos Alberto, Mauro Ramos, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Toninho, Pelé e Abel.

Com o regulamento
Só a vitória interessava ao rival alviverde no dia 10/11 no Estádio do Pacaembu. Para o Santos um simples empate lhe garantiria a classificação na disputa do Pentacampeonato. Pelé, abriu o marcador aos 6 minutos da primeira etapa. Ademar Pantera, aos 21 minutos do segundo tempo ainda conseguiu o empate. O resultado em 1 a 1 levou o Santos para final contra o Vasco da Gama.
O Peixe do técnico Lula formou com Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Del Vechio), Pelé e Pepe.

Também em 1965
Acreditando em um sucesso da Academia frente ao Santos, uma firma paulistana dirigida por fanáticos palmeirenses decidiu premiar o campeão Paulista de 1965 com um belo e rico troféu, uma bola de ouro orçada em 50 milhões de Cruzeiros. Mas o Santos repetiu o sucesso de 1964, e conquistou o Bicampeonato com duas rodadas de antecedência, levando para Vila Belmiro o troféu mais valioso do futebol brasileiro.

Roberto Gomes Pedrosa 1968 – O sexto título Brasileiro
Apesar do “Robertão” de 1968 ter sido decidido em um Quadrangular com Santos, Palmeiras, Internacional e Vasco da Gama, foi mesmo em um clássico no dia 08/12, no Morumbi, que o Santos praticamente assegurou o título.
Na primeira partida do Quadrangular, o Santos venceu o Internacional no Sul por 2 a 1 com gols de Pelé e Carlos Alberto Torres de pênalti. No Morumbi, o Palmeiras venceu o Vasco da Gama por 3 a 0. Quem vencesse o clássico, dava um enorme passo para a conquista.
Apesar de todo o favoritismo dado pela imprensa, o Palmeiras não segurou o Santos que venceu por 3 a 0 com gols do ponta Abel, Edu e Toninho Guerreiro. O Santos do técnico Antoninho Fernandes formou com Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel (Manoel Maria).

Na última rodada, no dia 10/12, o desanimado Palmeiras, que tinha que vencer seu jogo e ainda torcer contra o Santos, perdeu para o Internacional no sul por 3 a 0. O Santos consolidou sua sexta conquista de Brasileiro vencendo o Vasco da Gama no Maracanã por 2 a 1 com gols de Toninho Guerreiro e Pelé.

Campeonato Brasileiro 1993 – Dentro ou fora do alçapão
Em 1993, com o forte patrocínio da Parmalat, o Palmeiras tinha o melhor time do Brasil. Sobrou na campanha do Brasileiro: em 22 jogos, venceu 16, empatou 4e perdeu apenas 2. Esses dois jogos que atravessaram nessa campanha perfeita, foi contra o Santos que evitou o título invicto do time do Parque Antártica.
A primeira vitória aconteceu no dia 26/09 valido pela 5ª rodada, no Estádio da Vila Belmiro. O Peixe venceu de virada por 3 a 1 com gols de Serginho Manoel, Ranielli e Almir. O Peixe formou com Veloso, Índio, Ricardo Rocha, Júnior e Eduardo; Gallo, Axel, Cuca e Sérgio Manoel; Almir e Guga.

A segunda vitória aconteceu no dia 11/11/1993 pela 13ª rodada, no Estádio Palestra Itália. O único tento do prélio foi do centroavante Guga. O Santos do técnico Pepe formou com Velloso; Índio, Júnior, Lula e Silva; Gallo, Axel, Darci e Sérgio Manoel; Zé Renato (Márcio Griggio) e Guga.

Campeonato Brasileiro 1995 – Giovanni dá a letra
Depois de perder para o Vitória por 4 a 0 no Barradão, a equipe comandada pelo maestro Giovanni, viu reduzidas suas chances de classificação. Somente uma arrancada perfeita evitaria a eliminação. E ela veio com seis vitórias em sete jogos.
Nessa série que tinham fortes equipes como o Flamengo fora( 3×0), Corinthians(3×0), Botafogo(3×1) o jogo mais duro aconteceu no dia 22/11, no Pacaembu, contra o então atual Bicampeão Brasileiro Palmeiras. E o Peixe venceu por 1 a 0 com gol do meia Vágner aos 33 minutos da primeira etapa depois de lindo toque de letra de Giovanni.
O Santos do técnico Cabralzinho formou com Edinho, Marcelo Silva, Narciso, Ronaldo Marconato e Marcos Adriano; Gallo, Carlinhos, Vágner (Camanducaia) e Robert (Marcelo Passos); Jamelli e Giovanni.

Paulistão 2000 – O time das viradas
Apesar de não ser uma partida valida pelo Brasileiro, a semifinal do Paulista de 2000 não sai da memória do torcedor do time das viradas. O Santos já tinha sido eliminado em 1999 pelo time alviverde quando esteve com a vaga na mão ao estar vencendo um jogo que poderia empatar. Tudo levava a crer que aconteceria de novo no Paulistão de 2000, no dia 04/06, quando jogando no Morumbi o Palmeiras vencia por 2 a 0 até os 24 minutos do segundo tempo.
As coisas começaram a mudar de figura, quando Eduardo Marques acertou um petardo para diminuir. A esperança da maior parte da torcida presente no Morumbi naquela manhã de domingo, aumentou quando o volante Anderson empatou aos 33. O empate ainda classificava o Palmeiras que tinha melhor campanha. Foi então que, aos 45 minutos, a tão sonhada classificação para uma final de Paulista depois de 16 anos aconteceu, Dodô pegou o rebote e deu números finais ao emocionante jogo; 3 a 2. Lágrimas nas arquibancadas, o torcedor santista que acreditou no impossível e não arredou pé, viu uma das maiores viradas da história.
O Santos do técnico Giba formou com Fábio Costa; Baiano (Eduardo Marques), André Luis, Claudiomiro e Rubens Cardoso; Preto, Anderson, Robert e Valdo; Valdir (Dodô) e Caio (Deivid).

Campeonato Brasileiro 2006 – Goleada na Vila
Santos e Palmeiras duelaram na Vila Belmiro, no dia 03/09. Atual campeão Paulista, o Santos lutava para encostar no líder São Paulo. O Palmeiras do técnico Tite, apesar de invicto há 11 rodadas, procurava se recuperar na tabela. O Peixe goleou impiedosamente o rival por 5 a 1 com gols do zagueiro Luiz Alberto(2)do centroavante Wellington Paulista(2) e do atacante Jonas.
O Santos comandando pelo treinador Luxemburgo formou com Fábio Costa; Denis, Luiz Alberto, Ronaldo Guiaro e Kléber; Maldonado, Cléber Santana, André Luiz (Carlinhos) e Rodrigo Tabata; Rodrigo Tiuí (Jonas) e Wellington Paulista (Renatinho).

O último encontro em Brasileiros
Na última partida em Campeonato Brasileiro, no dia 09/10/2011, o Santos venceu o Palmeiras na Vila Belmiro por 1 a 0 com gol de Borges aos 30 minutos do segundo tempo.

E pra você, o que dará no clássico Santos e Palmeiras?


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