Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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De menino se torce o pepino

Assisti com atenção ao jogo Vasco e Santos, pelo Campeonato Brasileiro Sub-20, e percebi que esses Meninos da Vila já têm os mesmos defeitos dos profissionais. Fora de casa, mostram-se despersonalizados, amedrontados, defensivos, como se estivesse escrito que o adversário sempre fosse obrigado a dominar a partida quando joga em seu estádio e ao Santos só restasse a defesa. Fiquei imaginando por que isso acontece.

É claro que a primeira razão vem das orientações do técnico. Se Pepinho tivesse dirigido a equipe para que jogasse mais solta e corajosa, e criado um sistema que permitisse esse estilo de jogo, o Santos não teria feito todo o primeiro tempo como um time pequeno, sem a mínima confiança, apenas preocupado em destruir as jogadas do Vasco.

O time só melhorou um pouco na segunda etapa e depois de sofrer o inevitável gol vascaíno, que já tinha perdido várias oportunidades antes. O resultado dessa atuação pífia é que nenhum santista se destacou, ao contrário do time adversário, no qual se sobressaíram vários garotos bons de bola.

Não consegui entender o defensivismo santista na primeira etapa, pois o time já tinha perdido na estreia e ficaria em uma situação difícil se não conseguisse a vitória. O empate não rresolveria nada. É evidente que a derrota, e ainda jogando mal e medrosamente, não ajudou em nada.

É preciso que o Santos tenha, bem claro, que essa fase do desenvolvimento de um atleta não deve priorizar títulos e sim o crescimento do jogador, em todos os quesitos, e sua preparação para o profissionalismo. Meninos gostam de jogar bola, e isso compreende ter a posse da mesma, criar jogadas, driblar, tabelar, marcar gols.

Quando um técnico põe um time de garotos na defesa, ainda mais quando este time é o Santos, famoso por seu jeito ousado e ofensivo de jogar, está matando as virtudes desses garotos e incutindo-lhes uma preocupação com o resultado que não deveria ser o mais importante agora.

Sinceramente, pouco importava se o Santos perdesse de dois, três ou quatro gols – 1 a 0, na verdade, foi pouco pelo domínio do adversário -, o importante era mostrar que nesse Sub-20, portanto em uma idade na qual os bons jogadores já despontam, o Santos tem valores capazes de um dia serem profissionais. O jogo temeroso impediu isso. Nenhum santista se destacou.

Nos grandes times de futebol do planeta, como Barcelona ou Bayern, as divisões de base já atuam segundo as orientações táticas que norteiam a equipe principal. Você não verá uma equipe juvenil desses clubes passar um tempo inteiro na defesa, tomando sufoco do adversário. Seria vergonhoso. Além de tudo, há o lado histórico e psicológico: uma camisa de peso não entra em campo apenas para se defender.

Times desse porte se preparam para serem dominantes, para controlarem os jogos e os adversários, dentro ou fora de casa. O Santos atrai jovens de todo o Brasil, ansiosos para um dia serem revelados como mais um Menino da Vila. Selecionando os melhores e treinando-os com propriedade, é possível, sim, manter equipes fortes e naturalmente superiores.

Outro detalhe que me chamou a atenção foi a estrutura física e a disposição dos garotos. Os do alvinegro carioca ganhavam quase todas as divididas, mostravam-se mais firmes e dispostos fisicamente. Aqui não sei se a equipe do Santos tem uma média de idade menor, o que influi muito na força física nessa faixa etária. De qualquer forma, não se pode abdicar da luta pela bola tão facilmente, como percebi em vários garotos, que pareciam temer o choque. Além de tática e técnica, a verdade é que faltou força e decisão aos nossos Meninos.

O futebol também é contato, principalmente no corpo a corpo, no ombro a ombro. O treino dessa meninada deveria levar isso em conta. Sem pontapés, é claro, mas deveriam aprender a usar o corpo para proteger a bola. Os Meninos do Santos a perdem muito facilmente e, sem ela, obviamente não se consegue nada no futebol. Sua posse representa a chance de aparecer, brilhar, conquistar um futuro na carreira. Aí é essencial aprimorar componentes psicológicos inerentes a todo grande jogador, que são a garra e a personalidade.

E por falar no que é essencial, o Santos colocar seus técnicos de todas as divisões para conversarem. É preciso ficar claro o que o clube quer, e não o que cada técnico pretende. É preciso criar e consolidar uma escola, um sistema de jogo competitivo e que respeite as atávicas vocações do Santos. Como diz dona Olímpia, é de menino que se torce o pepino.

Agora, falam na volta de Oswaldo de Oliveira. Considero um retrocesso, aliás, mais um a ser cometido por uma diretoria que em cinco meses de mandato não caminhou um passo naquilo que é mais importante para o clube, que é conseguir um patrocinador máster, lançar uma campanha nacional de sócios, trabalhar pela criação da liga dos clubes e melhorar a arrecadação nos jogos, reduzindo as malfadadas despesas diversas.

Mas não me surpreenderia com a volta de OO, o técnico que até hoje vive do título do torneio de verão organizado pela Traffic e oficializado pelos seus amigos da manjadíssima Fifa. Se perder o lugar para seu antigo mestre, Marcelo Fernandes aprenderá que não se deve endeusar tanto o antecessor, pois um dia ele poderá voltar para ocupar o seu lugar.

E você, o que tem achado da base do Santos?


Como aprimorar nossa fábrica de craques

sub-11 Mikael e Bruninho
Mikael e Bruninho, dois Meninos que vêm por aí…

Gostamos de acreditar que a base do Santos é uma fábrica de craques, mas o técnico Enderson Moreira preferiu não contar com um time de Meninos para o Campeonato Paulista e está pedindo contratações. Chegaram Chiquinho, Ricardo Oliveira, Elano e acabam de ser anunciados o meia-atacante Marquinhos Gabriel e o volante Edwin Valencia. Fica a pergunta: qual o problema com a formação de jogadores na base do Santos?

Sabemos que formar craques não é a mesma coisa que tirar fornadas de pãezinhos quentes. É preciso haver uma série de circunstâncias felizes para se chegar a um jogador fora de série: 1 – Ter habilidade natural, a famosa ginga; 2 – Ser disciplinado, comparecer assiduamente e empenhar-se nos treinamentos; 3 – Ter ou desenvolver ótimas condições atléticas; 4 – Ter ou desenvolver boa condição psicológica.

O Santos não pode ensinar o be-a-bá dos fundamentos, mas pode selecionar garotos que já demonstrem essa habilidade. O clube pode, ainda, ensinar disciplina, desenvolver o condicionamento atlético e psicológico. Isso, porém, a gente não sabe se ele tem feito como se deve.

O notável técnico de vôlei Bernardinho diz que a preparação de um atleta é a fase mais importante do trabalho, pois se ele se preparou como devia, seus resultados serão conseqüência disso. Ouvi frase parecida do grande brasileiro Amyr Klink. Quando quis saber se ele não sentiu medo ao atravessar o oceano Atlântico em um barco a remo, Amyr respondeu que só tinha medo na fase de preparação, pois se esquecesse de algo nessa etapa, depois não teria como remediar.

Trago essa frase de Amyr Klink para o treinamento dos Meninos da Vila e pergunto se eles têm passado por todas as etapas preparatórias antes de serem lançados entre os profissionais? Pergunto e já respondo: Não!

Quando percebemos que o decantado Gabriel não tem pé direito; que Geuvânio pode cair em aparente depressão e sumir do time por boa parte do jogo e até por vários jogos seguidos, percebemos que ainda precisariam de mais retoques na preparação técnica e psicológica antes de serem escalados entre os profissionais.

Não sei quanto tempo e nem como os garotos treinam nas divisões de base do Santos – e estamos abertos a ouvir as informações de quem as tem –, mas a impressão que fica ao vê-los no profissional é que em sua preparação faltou mais treino com a bola e com a cabeça.

10 mil horas

Sabe-se que para se chegar ao nível de excelência em qualquer atividade de performance – de músico a atleta – exige-se cerca de 10 mil horas de prática. Isso quer dizer que alguém que pratique determinada atividade por três horas por dia, todos os dias, precisará de nove anos e 16 dias ininterruptos para atingir um nível excepcional!

Hoje os garotos treinam com hora marcada e passam a maior parte do treino sem a bola nos pés. Antes, meninos como Pelé, Ademir da Guia, Edu, gastavam grande parte do dia correndo atrás da bola em campinhos de terra batida. Eu mesmo tive colegas de infância, como o Dito, que acertava bicicletas certeiras aos 13 anos de idade. Essa habilidade só se adquire com horas e horas de treino.

Um fundamento essencial a todo jogador de futebol, ao menos para os de meio-campo para frente, é o chute a gol – algo que pode ser treinado até sem goleiro, pois as traves não saem do lugar. Pelé e Zito praticavam sozinhos após os treinos, usando objetos como referência nos ângulos do gol. Se esses gênios do chute treinavam tanto, qual é a desculpa para um jogador iniciante não faze-lo?

É inadmissível ver um time como o Santos, que carrega o status de ser o que mais gols fez no futebol, sem bons arrematadores – tanto na equipe profissional, como nas de base. Aliás, exatamente por essa deficiência é que o time acabou eliminado da Copinha. Chutes fracos e sem direção representaram mais de 70% das conclusões santistas nos três jogos que fez pela Copa São Paulo.

Experientes e novatos

Mesmo quando teve times formados, destacadamente, por Meninos da Vila, o Santos manteve veteranos que seguravam as pontas e acalmavam a equipe nos momentos cruciais. Esses eram os papeis, por exemplo, de Victor, Joãozinho, Nelsinho Baptista, Ailton Lira e Clodoaldo em 1978; de Carlinhos, Wagner e Gallo em 1995; de Fábio Costa e Robert em 2002.

Creio que este Santos de 2015, um verdadeiro exército brancaleone movido mais por nossa fé do que pelo currículo dos jogadores, será um time assim, em que veteranos e novatos tentarão se harmonizar. No papel, não é um time para ganhar nada. Porém, se os mais rodados e, principalmente, os Meninos, resolverem dar à preparação o tempo e a importância que ela merece, quem sabe desse balaio de gatos não saia, novamente, uma equipe de verdade?

Nota da Associação de Veteranos do Santos

A Associação dos Veteranos do Santos FC iniciou uma campanha em prol do nosso associado Dalmo Gaspar, que se encontra hospitalizado, necessitando de ajuda financeira. Para isso, iremos sortear uma camisa autografada do Santos FC no final de fevereiro.

Até lá, você poderá ajudar depositando na conta abaixo qualquer valor. Depois de ajudar, você precisa enviar um e-mail para santosfc-masters@hotmail.com e receberá, em seguida, alguns números para participar do sorteio, por meio da Loteria Federal.

Segue os dados:

• Banco Santander (033)
• Agência: 0040
• Conta-corrente: 01-002507-3
• Favorecido: Dalmo Gaspar e/ou Ana Paula Gaspar
• CPF: 131.134.968-53

O herói Dalmo precisa de nossa força!

O lateral-esquerda Dalmo Gaspar, herói da conquista do bicampeonato mundial do Santos, em 1963, ao marcar o gol da vitória na terceira partida contra o Milan, está sofrendo do Mal de Alzheimer e não tem recursos para se tratar da doença – a ponto de ter colocado à venda a medalha que recebeu pela histórica conquista.

Nascido em Jundiaí, em 19 de outubro de 1932, Dalmo fez 369 jogos e marcou quatro gols pelo Santos. Jogador discreto, mas firme e experiente, fez parte do Time dos Sonhos, formado por Gylmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

E você, o que acha da preparação dos meninos da base?


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