Mesmo disputando apenas o Campeonato Paulista e jogando geralmente uma partida por semana, o técnico Muricy Ramalho acha que os jogadores do Santos estão desgastados e por isso deu folga para aqueles que empataram com o Mogi Mirim, na Vila Belmiro, e já se decidiu por diminuir o tempo de concentração do elenco.

“É desgastante para o jogador pegar o carro, ir até o CT, dar uma corridinha e voltar para casa… Queremos diminuir isso (o tempo), de concentração. Eu estou acostumado, fico quase morando no clube, mas é terrível – disse Muricy após o empate com o Mogi Mirim.

Como diria meu amigo Jarbas Duarte, grande narrador de futebol do rádio, Pópará! Quer dizer que é cansativo para o jogador do Santos pegar o carro com ar condicionado, gastar cinco minutos para ir até o CT Rei Pelé, dar apenas uma corridinha em torno do campo e voltar pra casa?! Ué, mas que espécie de “trabalho” é esse, professor?

E se é “terrível” para Muricy ficar no CT, por que fica? Bem, dizem as más línguas que o homem é super muquirana. Mesmo ganhando 700 mil por mês e tendo casa na vizinha Guarujá, prefere se hospedar no CT para economizar com hospedahem e alimentação. Não posso acreditar nisso, pois seria o cúmulo da mesquinhez. Porém, se o estilo de jogo adotado por um técnico exprime o seu caráter, então talvez haja mesmo fogo nessa fumaça…

Creio, porém, que o problema não é só do técnico, mas dos jogadores do Santos, alguns deles extremamente acomodados. Sabe-se que o time não joga mais no Pacaembu, o que garante um faturamente maior, porque esses jogadores não gostam do “trabalho” de subir e descer a serra, o que os impede de aproveitar o resto da noite, ou perder parte da tarde, dependendo do horário da partida.

Se o Santos estivesse apresentando um futebol espetacular, o torcedor nem ligaria para mais essa demonstração de preguiça. Mas o time, nas mãos de Muricy, tem se acomodado e piorado a cada ano. Um termômetro para isso é o número de gols marcado pela equipe, que diminui a cada competição. Ao mesmo tempo em que aumenta os gols sofridos, principalmente, repito, em bolas cruzadas no miolo da defesa.

Muricy só trabalhou bem nos primeiros dois meses

O curioso é que Muricy Ramalho trabalhou bem, concentrado, apenas nos seus dois primeiros meses no Santos. O time participava da Copa Libertadores e do Campeonato Paulista simultaneamente. O técnico só faltava chorar em cada entrevista, reclamando dos jogos seguidos, das viagens, das contusões dos jogadores, da falta de tempo para treinar e planejar a equipe.

Sua estreia no Santos ocorreu em 15 de abril de 2011, quando o time, surpreendentemente, sem Neymar, Elano e Zé Eduardo, e com Ganso voltando de grave contusão, venceu o Cerro Porteño, em Assunção por 2 a 1. Exatamente um mês depois, em 15 de maio, o Alvinegro Praiano estava derrotando o Corinthians por 2 a 1, na Vila Belmiro, e conquistando o bicampeonato paulista. Mais 41 dias e vencia o Peñarol no Pacaembu, também por 2 a 1, e se tornava campeão da Libertadores.

Depois dessas duas conquistas em pouco mais de dois meses, quando se julgou que, com tempo, o mestre do futebol montaria um time imbatível, percebeu-se que o discurso do professor era composto apenas de desculpas vazias, pois os resultados de seu trabalho nunca mais fizeram jus ao seu prestígio ou ao seu salário.

Apesar da ladainha de que o time – e ele – estão sempre cansados, a verdade é que na mão de Muricy o Santos só rendeu o máximo quando o regime de atividades foi intenso. Seu estado de exaustão talvez possa ser explicado por um psicólogo. Minha boa mãe sempre me disse que quanto menos se faz, menos se quer fazer. Talvez este seja o problema do mestre.

Ronaldo comentarista. Só falta o Castrili.

Ronaldo “Femômeno”, que ainda recebe mais de 400 mil reais por mês do alvinegro de Itaquera; que faz parte da equipe organizadora da Copa do Mundo; que é sócio-proprietário da 9ine, empresa de marketing esportivo que cuida da imagem de jogadores, entre eles Neymar e Lucas, foi contratado pela Rede Globo para ser o comentarista na Copa do Mundo. Creio que não haveria um nome menos comprometido do que o dele para a função.

Ainda bem que o torcedor santista não assistirá a Copa pela Globo, pois do contrário ouviria o tempo todo o ex-jogador fazer lobby para Neymar ir para a Europa após o Mundial, além de outras frases calculadas para enaltecer alguns e diminuir outros. Acho que, para completar, deveriam contratar o Javier Castrili, aquele velho árbitro, para comentar as arbitragens. Ele também tem o caráter adequado para fazer parte do time.

Atenção ao exemplo do Atlético Paranaense

O Atlético Paranaense não aceitou a proposta de R$ 1,1 milhão da Rede Globo (representada no Paraná pela Rede Paranaense de Comunicação) e está disputando o Estadual contando apenas com os meios de diculgação do clube. Este é um precedente corajoso que merece aplausos e atenção, pois certamente trará alternativas para o monopólio infligido pela Globo.

Destaque-se que o rubro-negro do Parará resolveu trilhar um caminho de responsabilidade fiscal e ética, que incluiu sanar suas finanças e se preparar para um fututo planejado e independente. Pagou um preço caro, chegando a ser rebaixado para a Série B, mas está de volta mais forte e decidido. Enquanto isso, clubes de maior renome continuam comendo nas mãos da Globo.

Sportv e o torcedor do Santos, nada a ver!

Neste domingo o Santos vai a Bauru enfrentar o Oeste, em uma partida com muitas atrações – Neymar entre elas – e previsão de estádio lotado. A cidade tem uma enorme ligação com o Alvinegro Praiano, pois dela surgiu o Pelé para reinar eternamente no futebol. Porém, como era de se esperar, o Sportv preferirá passar uma partida entre dois times pequenos, obrigando o santista a assinar o pay per view.

Pois eu não entro nessa. Não pago e jamais pagarei o pay per view para ver o Santos, pois acho que por tudo o que fez pelo futebol brasileiro e pelo que ainda representa – principalmente para este Paulista, em que é o tricampeão e caminha para um inédito tetra –, merece ter todos os seus jogos, no mín imo, transmitido aos assinantes da tevê fechada.

O pay per view restringe e elitiza o público que pode ver o Santos. Não interessa de forma alguma ao objetivo de maior popularização preconizado por esta diretoria. Enfim, é uma lástima que o Sportv aja assim. Estou perdendo todo o respeito por esse canal esportivo, que está deixando a política e os interesses econômicos se colocarem acima do jornalismo.

E você, acha que Muricy está certo de querer mais descanso?