Na coluna de hoje do jornal Metro de Santos falo das lições que Muricy Ramalho poderia ter aprendido com a goleada sofrida para o Barcelona. Mas parece que o professor não prestou atenção à aula.

O leitor e pesquisador Marcelo Fernandes, de Luxemburgo, lembra que depois de perder de 4 a 0 para o Ajax, o Bayer de Munique, do lendário Franz Beckenbauer, ficou tão chocado que fez um pacto de nunca mais passar por tamanho vexame e acabou se tornando campeão da Europa em seguida. Essa é a atitude que os santistas esperavam de Muricy e dos jogadores do Santos.

No tênis, costuma-se dizer que se aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. Sim, mas para isso é preciso ter humildade e sabedoria – qualidades que Muricy não demonstrou.

Depois de um semestre para preparar o time, de poder não só armar o Santos, mas estudar profundamente o adversário, não dá para o técnico desembarcar de volta ao Brasil dizendo que nada podia ser feito e que não aprendeu nada com a derrota.

Na verdade, Muricy deu a resposta errada. Pois se nada mais podia ser feito e se a derrota não deixou lições, logicamente só restou ao santista torcer para o time nunca mais enfrentar o Barcelona, o que vai contra toda a lendária coragem do Alvinegro Praiano, que jamais se negou a um combate.

Deixo claro, porém, que não quero que o Santos mude o técnico. Só gostaria que Muricy mudasse. Que abrisse a cabeça, revisse seus conceitos, aprendesse que o Barcelona oferece ao mundo uma nova concepção do futebol que pode e deve ser praticada pelo Santos, pois é vitoriosa.

Prossegue a enquete: quem deve sair e quem deve permanecer no Santos?

Esta enquete não é uma caça às bruxas, mas um balanço obrigatório que toda empresa faz ao final do ano. Se você acha que não se deve mexer em nada, diga. Aqui não se tem rodeios e nem qualquer pudor em analisar o desempenho dos jogadores. Sim, porque eles passam e o Santos fica.

A enquete continua. Este blog quer ouvir o maior número possível de santistas. Não darei minha opinião agora, para não influenciar ninguém, mas gostaria de saber como você – que representa a opinião abalizada de todos os santistas – analisa os jogadores do Santos. Analise com calma e diga quem você acha que merece continuar no time em 2012 e quem não deve mais jogar no Alvinegro Praiano.

No ano passado fizemos enquete semelhante e o resultado foi que alguns jogadores, como Marcel, Roberto Brum e Marquinhos, não deveriam mais permanecer na Vila Belmiro. Isso talvez não tenha sido decisivo, mas influenciou, sim, para que os três fossem dispensados. Hoje podemos perguntar: Fizeram falta? Creio não haver qualquer dúvida de que não fizeram a mínima falta e a decisão de desfazer-se deles foi eficaz, pois enriqueceu o elenco e reduziu a folha de pagamentos.

Chegamos ao final de 2011 e esta consulta aos santistas qualificados deste blog se faz necessária. Creio que quem está de fora, analisando apenas a performance dos jogadores, sem qualquer vínculo ou contato pessoal com eles, tem um distanciamento ideal para uma análise fria e técnica de seus desempenhos.

Peço que separe os jogadores em três grupos: 1 – Quem deve ficar; 3 – Quem merece ser melhor observado; 3 – Quem deve ser dispensado. Peço também que explique suas opiniões.

Vale, também, uma análise do técnico Muricy Ramalho. Deve ser o técnico do Santos em 2012? E a diretoria de futebol? Tem trabalhado bem? Tem contratado bons jogadores a um bom preço?

A opinião coletiva dificilmente falha

A opinião coletiva é mais eficiente do que a decisão individual de um ou outro diretor de futebol. O santista que freqüenta este blog entende de futebol e tem opiniões pertinentes, bem fundamentadas. Se a maioria quer uma coisa, creio que essa decisão deva ser respeitada.

Afinal de contas, um time de futebol existe para alegrar o torcedor e não aos seus dirigentes, que são eleitos ou escolhidos apenas para representar esse torcedor. Mais do que qualquer tendência política, estou certo de que o verdadeiro santista quer o sucesso do clube, quer ver um time vencedor, de futebol bonito e ofensivo, como está na vocação do Santos.

Por mais que um ou outro dirigente, menos familiarizado com o processo democrático, entenda qualquer crítica como uma punhalada nas costas, reputo essa enquete como um serviço ao clube – pois reflete a opinião do torcedor e contribui para que se tenha um time mais eficaz e, talvez, menos caro em 2012.

Sonhos mais que possíveis

O Natal se aproxima e lembro que o blog está com uma promoção que dá como brinde o livro “Sonhos mais que possíveis” a quem adquirir o Dossiê da Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959.

Este livro, escrito por mim, impresso pela Editora Planeta e distribuido para todo o Brasil pela Avon, traz 60 histórias reais de superação de atletas olímpicos. Quem lê, gosta muito.

Costumo dizer que quem lê “Sonhos mais que possíveis” deixa de ter motivos para se queixar da vida. Pois o que alguns atletas já fizeram para vencer no competitíssimo esporte olímpico é inacreditável.

Gosto de todas as histórias do livro – entre elas, de alguns atletas brasileiros. Mas uma das que mais me atrai é a do atirador húngaro Karoly Takacs, que viveu a melhor fase de sua carreira depois de perder o braço direito (e ele era destro!). Reproduzo a história abaixo e espero que os indecisos se decidam pela compra do Dossiê. Isso é muito importante para a difusão do conhecimento.

As entregas estão sendo feitas em no máximo dois dias e, apesar da correria do Natal, os Correios têm funcionado perfeitamente. A compra é segura e você terá uma leitura edificante nas folgas de fim de ano.

Karoly perdeu um braço. Mas só um

Aos 28 anos, o sargento do exército húngaro Karoly Takacs perdeu o braço direito na explosão de uma granada. O acidente parecia dar um fim à sua carreira de atirador. Mas Karoly não desistiu. Afinal, ele ainda tinha a mão esquerda…

Uma granada defeituosa parecia ter acabado com a carreira do sargento Karoly Takacs, 28 anos, vitorioso integrante da equipe húngara de tiro. Destro, Takacs perdeu justamente a mão direita, com a qual, após anos de treinamento, havia conseguido grandes vitórias no tiro com pistola. Porém, ainda havia a mão esquerda e, pacientemente, Takacs passou a treinar com ela.

O acidente aconteceu em 1938. Como a Segunda Guerra impediu a realização das Olimpíadas de 1940 e 44, a competição só voltou em 1948, quando Takacs já tinha 38 anos. Mesmo assim, ele se classificou para representar a Hungria na modalidade pistola de tiro rápido.

Ao encontrá-lo na vila olímpica, em Londres, o campeão e recordista mundial Carlos Valiente, da Argentina, cumprimentou-o com a frase: “É uma honra pra nós, atiradores olímpicos, ter você aqui para nos ver competir”. Takacs respondeu, educadamente: “Desculpe-me, mas não vim para assistir. Vim pra competir”.

No dia 4 de agosto, os 59 melhores atiradores do mundo em pistola de tiro rápido lutaram pelas medalhas. Carlos Valiente marcou 571 pontos, o que seria um recorde mundial não fosse a atuação espantosa de Takacs, que alcançou 580 pontos e garantiu o recorde e a medalha de ouro.

Quatro anos depois, em Helsinque, o húngaro repetiu a proeza, e com 579 pontos tornou-se o primeiro bicampeão olímpico na pistola de tiro rápido. A segunda colocação, um ponto atrás, ficou com o compatriota Szilard Kun (o argentino Valiente terminou em quatro).

Aos 46 anos, Karoly Takacs participou de sua terceira olimpíada, em Melbourne, e ficou em oitavo. Sua obstinação e espírito esportivo lhe deram o título de “herói olímpico”, concedido pelo Comitê Olímpico Internacional.

Quando lhe perguntavam o que achava da descrença de seus adversários, que não acreditavam que pudesse competir com a mão esquerda, ele respondia: “Não os culpo. Eles pensavam que eu tinha apenas dois braços. Mas tinha mais um, na cabeça”.

O dedo aperta o gatilho, mas é o cérebro que dirige a bala.

Bem, já falei demais. Agora quero saber quem você acha que deve permanecer no Santos e quem não deve fazer parte do time em 2012. A palavra é sua.